Notas iniciais
Wow! Como tudo começou. Semana do dia 24/09 - 01/10 Obs:. Galera, próximo capítulo só semana do dia 16/10 - 22/10, devido a TCC e problemas pessoais. Boa leitura.

Era final de tarde em Mark Town. O céu se banhava em um azul obsoleto que preenchia todos os cantos, sem uma única nuvem a manchar o imenso poder do mar límpido que reluzia com o brilho solar. A brisa fazia o farfalhar dos galhos que muitos menestréis adorariam ter como companhia para comporem suas belas canções sobre os jovens treinadores e as batalhas do último torneio de inverno.

Uma tarde assim era o prazer de um dia ralado de trabalho na pequena vila. Na maioria dos dias as pessoas iriam para casa, após acumularem suor e fedor por todo o corpo, para que por fim, depois de um pequeno descanso junto com a pessoa amada, ir ao centro da vila, ver as crianças se divertirem, compartilhar um sorvete sob a praça do chafariz sorridente na boca de um anjo abençoando, com as pequenas feras aquáticas que faziam brotar água de seus interiores – quase todas.

Mas aquele não era a maioria dos dias.

E o suor não provinha de mais um dia de trabalho.

Na frente da multidão que vinha destinada, fazendo os cascalhos rolarem por entre as calçadas de pedra, a fera de quatro patas amarelas corria com fúria entre os dentes e raiva como impulso ao tocar o chão. Atrás dele, a policial local, Jenly, vestida em seu tradicional uniforme azul com a boina policial, que combinava bastante com o cabelo da mesma cor.

Nem mesmo vendo aquela cena era possível acreditar, mas ela não usava a sua motocicleta como de costume. Apenas vinha disparada, só não correndo mais rápido por causa da pequena saia que utilizava até metade da coxa.

Com certeza aquele era um dia atípico para os cidadãos de Mark Town. Um dia que jamais seria esquecido.

Pois a frente deles, um par de pernas azuis corriam desesperadamente. A aceleração só não era mais rápida do que o inalar e exalar do ar, que constantemente fazia a fera azul arfar. Nas protuberâncias em suas mãos, ele carregava um pequeno pano, com uma pedra única e rara.

Porém, por mais que disparasse, aqueles pezinhos de smurfs não conseguiam botar distância entre a perseguição frenética da multidão, a xerife local e o Jolteon que vinha disparado com sua crista em volta ao pescoço chacoalhando como a juba de um leão em busca de sua presa.

Afinal, era isto que aquela tartaruga era, uma presa.

O Squirtle avançou o máximo que pode, mas subitamente teve que parar ao chegar perto do anjo no centro da vila. Ele engoliu em seco quando as duas enormes sobras pararam a frente de si.

Nem pode ver que havia uma imagem sua talhada na base d’água, acompanhada por uma Staryu e um pequeno Magikarp, que não conseguia cuspir água. As pernas vacilaram sobre a voz de uma das evoluções:

— Blas – disse um dos Blastoise com sua voz rouca. Seu tamanho era no mínimo o triplo da pequena tartaruga. Seus pequenos braços eram tão gordos e fofos que quase formavam três bolas de gostosura. Suas três garras nas mãos estavam fechadas. As pernas não eram longas, mas já eram altas o suficiente para o Squirtle. O casco aberto mostrando os dois canhões metálicos, apontados diretamente para o corpo do ladrão.

Mas foi em seu rosto que a pequena tartaruga viu o medo surgir. A antiga face dócil e redonda do Squirtle, na maioria das vezes sorridente e muito brincalhão, deu lugar a uma cara fechada e retraída, com duas orelhas triangulares pontudas. Cada músculo retraído. Seu nariz pontudo sob a boca mostrava que ele estava pronto para morder e o prender nos dentes se fosse preciso para manter aquela pedra aqui.

Isto tudo multiplicado por dois. O outro Blastoise pisou em chão para mostrar que estava ali, também.

Como se não bastasse aquela força multiplicada, o Jolteon, Jenly e a multidão chegaram em menos de um minuto, fechando o perímetro em volta do Squirtle. O centro da vila Mark Town se transformou em um palco de um espetáculo que não terminaria com um final feliz.

Pelo menos não para um deles.

Houve apenas um pequeno tempo entre recuperarem o fôlego e o os gritos começarem:

— O que estão esperando? – O grito masculino de alguém na multidão atraiu a todos. – Ataquem-no e peguem volta.

— Bata nele Jolteon.

— Dê uma descarga prazerosa.

— Esmague-o Blastoise. – Continuavam os gritos.

— Não! Jogue uma hidro bomba nele. Faça-o cair para o mesmo tipo de água. Mas com a dor multiplicada. – A sentença só parecia piorar.

— Isto, faça ele sofrer. – Aqueles cidadãos estavam mesmo com raiva.

— Deem uma surra nele. Depois o eletrocute-o. Aí uma hidro bomba. Depois deem outra surra. – Todos gritaram em aprovação há aquele julgamento.

A situação não era boa. Nem um pouco.

O Squirtle estava encurralado, algo que não poderia ter acontecido. Ele sabia do risco, sabia que precisava cumprir a missão com êxito. Tudo dependia daquilo. Dele. Agora... Ele não sabia muito o que fazer. Estava estagnado e de mãos atadas.

Não havia para onde sair correndo e sair dando tiros d’água era derrota. Nem precisava pensar muito para notar isto.

— Não tente – disse Jenly, quase como se lesse seu pensamento. – Muitos aqui podem querer o machucar, mas tudo o que quero é a pedra. Se me der eu o deixo ir, sem arranhão algum.

— É o que? – Alguém gritou novamente.

— Você só pode estar de sacanagem, não é mesmo Jenly? – Protestou um último que fez a multidão urgir com aquilo.

Mas bastou um olhar da policial e todos se calaram. Ela estava no comando ali e o simples olhar dela os pareceu lembrar daquilo.

Só que seu plano, embora desagradasse a maioria, também não satisfazia ao que havia causado aquilo. Ela não sabia, mas ele não podia desistir da pedra. Não tinha como.

— Squirtle – murmurou a fera, puxando o ‘r’ – Squir, Squirtle.

— Blas!

— JOLTEON!

Se comunicaram os pokémons, um gritando contra o outro. O Squirtle agitava os braços enquanto falava, o Blastoise pisando no chão e perto do Jolteon o ar ganhava um cheiro estático.

— Squirtle – disse o pequeno novamente. – Squirtle!

— Jol – Jolteon botou a pata um pouco a frente como aviso.

A tartaruga mordeu o lábio inferior. A situação ali estava complicada demais.

Um tiro de apenas um daqueles canhões metálicos já seria o suficiente para o deixar atordoado. Um daqueles com uma descarga elétrica e ele não duvidava que acordaria no centro pokémon da vila, acorrentado a uma maca.

— Squirtle – falou Jenly, com seus olhos verdes penetrantes por traz da tez alva e rosto triangular. Até sua voz doce começava a dar sinais de querer se elevar. – Me dê a pedra.

A tensão tomou conta. O silêncio preencheu o ar como o reencontro de dois amantes ao se verem. Como os momentos antes do embate nos campos de batalha, eles se calaram.

Era uma tentativa tola, mas o Squirtle não conseguiu enxergar outra opção.

— Squirt...

— JOLTEON! – Gritou Jenly.

— Jol – suspirou o animal de olhos e órbitas escuras.

Antes mesmo que as pequenas bolhas do jato saíssem por sua boca, a pequena tartaruga sentiu seu corpo começar a vibrar com aquele cheiro estático e todo o seu corpo balançando com a descarga.

Puta vida, era foda, pensou o Squirtle antes de cair no chão. O Eevee tem três evoluções, três! Mas claro que ali tinha que ter um elétrico. Cacete! Tinha que ser um logo elétrico? Ele quase desejou ter saído do ovo como um Charmander, só para aquecer a bunda daquele safado, mas foi somente quase.

Antes disso, a tartaruga jazia no chão com pequenos espasmos no pequeno braço que se recusava a largar o pano.

Não o julgue. Aquele era o primeiro ataque e a primeira vez em uma batalha que tivera na vida.

Ele simplesmente não estava preparado.

Jenly pousou sua mão macia sobre sua pelagem azul.

— Me devolva. Não quero te machucar mais – ela disse, percebendo o quão fraco ele era. – Por favor. É a relíquia da nossa cidade. Muito querida por todos – a multidão não soltava um único pio no meio daquilo tudo. – Simplesmente queremos o que é nosso de volta.

— Squir...

Muito menos delicado, o Jolteon colocou as unhas de sua pata o esmagando no chão.

— Jol.

— Squirtle – disse a fera azul com uma voz fraca. – Squirtle, Squirtle. – Ele segurou o pano com ainda mais força. – Squirtle!

Uma mulher da multidão, perto do chafariz colocou a mão na boca, incrédula com aquele pokémon por ele não desistir.

— JOLTEON!

Outra descarga veio. Muito mais canalizada e muito mais potente. O Squirtle se recusava a largar e segurou com toda a força que teve, mas abriu a mão quando desmaiou.

— Isso! – Gritou a multidão em aprovação aquilo.

Era o fim daquela pequena travessura. Jenly balançou a cabeça negativamente enquanto recuperava o pano. Ela checou o formato da pedra e a conferia.

Ainda está aqui, ela pensou aliviada. Conseguimos proteger, mas está foi por pouco. Enquanto todos começavam a se dispersar comemorando, Jenly sentia o pesar sobre o pokémon caído. Não gostava de os machucar.

Sempre os amara. Por conta disso, quase acabou no centro pokémon com sua irmã.

— Jolteon – ela disse, atraindo a atenção do animal. Ele e os outros dois Blastoises ainda permaneciam no local, mesmo com a multidão se espalhando. – Leve-o para a centro pokémon. Peça a El cuidar dele. E o amarre. Preciso fazer umas perguntas a ele. – Sinto que as coisas só vão piorar. Se este pokémon sabia da localização desta pedra, outros também já devem saber. Não é mais seguro manter isto conosco, ela ponderou, mas guardou somente para si.

É melhor manter isto comigo. Ela pendurou o pano no elástico da saia. De longe parecia se tratar de apenas um pedaço de cinto que sobrara e balançava, dando um look muito bonito e ajeitado.

— Jol –respondeu o animal em desaprovação, mas mordeu a tartaruga pelo casco, carregando o pokémon como uma mãe carrega um filhote.

— Blastoises – ela chamou as duas tartarugas enormes – vão para os limites da vila. Fiquem de olho em tudo que chegar e me avisem assim que algo aparecer.

E quase como em resposta, a explosão!

Os ouvidos zuniram e todos os barulhos, bocas abertas gritando, pessoas tentando falar apavoradas, tudo aquilo se resumiu em um fio único de voz. Quase o grito agudo que preenchia tudo.

Todos entraram em choque, não acreditando com o que estava acontecendo. Até mesmo Jenly teve que parar um minuto enquanto sua boina alçava voo de sua cabeça.

Mas ela mesmo sem ouvir direito, ela não perdeu tempo. Olhou para a todos e tentou raciocinar, identificar e agir.

Primeiro, havia vindo do canto mais ao oeste da cidade. A fumaça surgiu. Lascas de madeira ainda voavam pelo pedras da calçada. Foi então quando tudo piorou e um dos pequenos prédios desmoronava.

Todos assistiram a cena, atônitos. Nem mesmo piscavam. Alguns estavam tão assustados que soltaram suas armas da fazenda, causando um baque surdo no chão. A linha tênue do terror ultrapassada em cada um dos cidadãos que dois minutos antes comemoravam por terem pegado o pequeno ladrão.

Não é simplesmente um roubo, Jenly raciocinou. Quem quer que seja o causador, estão dispostos a fazer tudo por isto.

Ela não sabia quantos eram, sua especulação imaginou pequenos grupos. Quem sabe quantos pokémons a mais estavam com eles. Quantos outros Squirtles? Quantos haviam se ferido durante a explosão?

Os gritos começaram e as pessoas, antes sorridentes, corriam agora com o desespero estampado nos rostos de cada homem, mulher e crianças que disparavam como baratas tontas.

— Prestem atenção, todos vocês! – Jenly gritou o máximo que pode. Tinha que acalmá-los. Era isto, ou o caos tomaria conta. E o caos era tudo que o arquiteto daquele ataque iria querer. – Todos vocês me escutem! – Ela gritou ainda mais uma vez.

— EI! – Ela tentava falar mais forte, mas não causava muito efeito. O choque ainda estava em todos.

Quando viu que não conseguiriam falar muito mais, puxou a voz com todas as forças que haviam dentro de si e como seu avô a ensinara, assobiou profundamente e disse logo em seguida:

— Prestem atenção seus idiotas!

Foi instantâneo. Todos pararam presentando atenção. Se a voz não houvesse funcionado, o assobio havia. Juntos, a multidão se calara prestando atenção nela.

Ela olhou novamente para onde vinha a fumaça e notou pequenas línguas de chamas começando a querer lamber os prédios ao redor.

Tinha que agir – e rápido.

Como seu avô sempre dizia: São em momentos de desesperos que líderes se fazem necessários.

— Todos que tiverem pokémons, tire-os de suas pokebolas. Chegou a hora de usar. Qualquer ajuda é bem-vinda. Aqueles que tiverem pokémons aquáticos, mande-os com os Blastoises. Vocês – ela chamou as duas enormes tartarugas — vão. – Ela indicou o caminho para a explosão. – Enquanto ao resto, se reorganizem na extremidade mais ao sul da vila. Haja o que houver não se separem. Devem haver mais deles – ela começou a ouvir vozes, murmúrios de que não podiam conter... Mas não havia tempo para se preocupar com as trivialidades que cada um pensava. Ela mesmo tinha que conter as dela. Todos já tinham suas ordens. – Vamos!

Se os cidadãos iriam cumprir ou não ela não sabia, mas precisava acreditar que sim. Ela tinha que tomar a linha de frente com os pokémons que compunham a força da cidade.

Pouco a pouco, timidamente, os treinadores foram liberando seus pokémons, que saíam do casulo e formavam um círculo os acompanhando.

Enquanto corria no meio daqueles que entravam em seu caminho e esbarravam nela, ela checou o pano na cintura. Não iria perder aquilo. Não iria perder o que sua amada cidade lutava com unhas e dentes para proteger.

Mesmo que eu morra!

O trajeto que normalmente demoraria, não mais do que dois minutos para chegar ao setor de prédios, parecia uma travessia de quilômetros. Ela teve o cuidado para desviar de todos, e continuar indo o mais rápido que podia. A maioria saía do caminho, mas alguns era pego no meio da multidão entre os pokémons ficavam presos.

Entre um destes, e que não conseguiu desviar o caminho, foi um jovem menino de não mais que onze anos. Ele batia na altura dos seios da policial e foi de cara ao encontro deles quando se chocaram. Jenly perdeu o ar e viu o mundo rodar ao cair de bunda no chão.

A situação não fora muito melhor para o menino. Ele caiu de cara, rolando para o lado e na queda cortou a boca e o supercílio.

Jenly levantou furiosa, pronta para gritar, mas viu o pequeno rosto de tez alva assustado, os cabelos ruivos bagunçados e a roupa – uma blusa azul de mangas cumpridas surradas e a calça cinza rasgada. O menino a olhou assustado. Ela tinha muito com o que lidar, e por mais que tivesse estressada, não poderia descontar nos outros. Era apenas mais um dos garotos da vila, morrendo de medo.

— Siga com os outros e vá para canto mais ao sul da vila – Ela o colocou de pé, enquanto a tropa aquática passava por ela. – Tome cuidado, está bem?

Ele assentiu.

Jenly se virou e seguiu, acompanhada de duas Staryus e não olhou mais para trás. Não havia tempo. Tinha que ir aonde as chamas estavam abrindo caminho. Muitos outros meninos deveriam estar com a mesma impressão.

Ela engoliu em seco. Teria que salvar a todos.

Disparou atrás das estrelas que se moviam com dificuldades. A sua tropa aquática todas iam o mais rápido que podia, mas ainda era muito lenta. Ela não viu a todos, mas pelo menos gostou do que viu.

Um conjunto de três Squirtles vinha logo a frente das Staryus. Com os Blastoises e mais dois Poliwags que vieram de sabe lá Deus onde, ela imaginou que dariam conta. Não era a melhor tropa aquática, mas era tudo que tinha então, teria que se virar.

Enquanto disparava ela se lembrou da pedra e colocou a mão na cintura para a checar.

Foi aí que seu coração quase saltou. Não estava ali. Nem o pano e muito menos a pedra. Não havia nada em sua cintura!

A tropa correu, colocando distância, mas ela estava parada enquanto aquela enorme população que parecia fazer brotar pessoas e pokémons de todos os cantos.

Quando havia perdido? No choque com o menino? Ela tentou olhar para o chão. Se houvesse caído, estaria agora embaixo de milhares de pés e nem sonhando a iria achar tão cedo.

Engoliu em seco. Não acreditava que tinha perdido. Não poderia ter falhado... Ela semicerrou os olhos e viu o mesmo menino ruivo e assustado. Ele estava afastado da multidão, na fronteira da cidade com a floresta, perto da rota que os treinadores do mundo todo tomam. Ela olhava sorridente para as mãos.

Nela, o pano.

— Parem ele! – Ela gritou quase que instantaneamente. Não se importava mais com as chamas, com os prédios que poderiam pegar fogo, nada.

Ele a havia roubado!

— Aquele menino – ela disse tentando ultrapassar a multidão e chamar qualquer um para a ajudar – parem ele. Parem ele. Ladrão!

O menino de cabelos ruivos a olhou, guardou o pano junto com a pedra no bolso e disparou para o lado oposto da cidade. Ele entrou no meio da multidão e acabou sumindo nela.

As pessoas gritavam umas com as outras e ninguém mais parecia ouvir a voz da razão de Jenly. Todos pareciam absortos de mais na tarefa de enfiar os rabos entre as pernas e ir para o sul da vila esperar.

Eles estavam com medo.

— Peguem ele. Peguem ele! – Ela continuava a gritar inutilmente.

Não conseguia o ver em lugar algum. Não conseguia o encontrar. Esbarrou em mais duas pessoas e desta vez segurou o cinto da saia e fechou o punho, mas os aldeões apenas ficavam com mais medos e saiam do caminho de sua marcha, com medo de serem atropelados.

— Não – ela murmurava. – Não!

— ARG! – O grito de um animal veio de sua esquerda, junto com um raio amarelo.

O Jolteon se encontrava no chão – como diabos um menino conseguiu desarmar um pokémon evoluído? – e o menino que havia acabado de se transformar, parecendo uma nova versão de Super Sayajins com o cabelo em pé vermelho, abraçava o Squirtle, ainda desacordado.

O Jolteon ainda tentava correr, mas ele estava com a pata machucada e não conseguia se apoiar nela. Embora tentasse acompanhar, o pokémon estava lento.

— Filho de uma... – Não teve tempo para completar. Iria só perder mais tempo reclamando. – Todos vocês. – Ela tentou gritar novamente. – Todos!

Só que ninguém a ouvia.

— Deixa que eu faço. – Ela agachou e passou correndo e esbarrando em todos. Nem se importou com as pancadas que poderiam se tornar hematomas, ou mesmo com a dor que elas representavam em seu corpo.

Tinha que botar as mãos naquele menino. Tinha que o pegar!

Era seu dever.

Quando o Squirtle acordou, ele não sabia se sorria por não estar trancafiado ou se reclamava das dores de seu corpo. Tudo estava em uma confusão. O mundo pareceu até mesmo rodar enquanto abria os olhos. Ao olhar para o lado, viu o rosto daquela criança sangrando.

— Squir...

Antes que a tartaruga pudesse falar, se deu conta de que estava em seu colo e todos os músculos subitamente pareceram novos. A pequena fera azul se remexeu até ele não aguentar mais e o jogou no chão.

— O que é? – Reclamou o menino com voz fina. – A culpa não é minha se você desmaiou. Eu tinha que te trazer.

— Squirtle – ele parecia com mais raiva do que quando fora encurralado. – Squirtle, Squirtle!

— Vai te catar – balbuciou o jovem ruivo de roupas gastas. – Dá próxima te deixo lá com eles.

Ambos corriam um ao lado do outro enquanto discutiam.

— Squirtle.

— Não preciso que me agradeça.

— Squirtle! Squirtle! Squirrrrrrtle!

— Eu tive que mudar os planos – gesticulou o menino, balançando os braços e apontando para onde as chamas subiam. – Tu tava preso. – Até o linguajar era de criança.

— Squirtle!

— Pare de reclamar, afinal conseguimos. – Ele tirou o pano do bolso e deixou a pedra cair na mão. Era uma pedra atípica. Tinha um formato redondo perfeito e possuía a coloração azul, além de um pequeno detalhe em forma de ‘S’ dentro da pequena bolinha de gude. – Conseguimos a Blastoisinite!

— Squirtle! – Os olhos deles brilhavam, como se segurassem ouro.

— Agora vamos poder o mega evoluir. – Ambos pularam comemorando, como se houvessem acabado de conquistar um ginásio. – Isso!

— Vocês dois – a voz vinha de longe. Estava bem longe, mas era possível ver o um ponto se movendo entre as árvores – me devolvam. Me devolvam!

— Ela nunca desiste? – Ele estava cansado já de tanto correr. – Mas que saco.

— Squirtle?

O garoto de tez alva e olhos castanhos sorriu.

— Corre!

E partiram floresta adentro.

— Vamos voltar para a vila!

— Squirtle!

A pequena tartaruga azul comemorava.

Ambos sorriam embora estivessem se tornando fugitivos.

Embora houvessem acabado de se tornarem em...

Ladrões.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.