Pokémon Ties: Volting Black & Blazing White
3 III: A Floresta de Seda! Angeline e o Sewaddle Perdido!
Accumula via o sol se mostrar no céu, deitando seus luminosos raios de luz sobre as janelas de todos os edifícios. Enquanto que alguns Pokémon noturnos se recolhiam, para dormir a esta hora, os Pidoves e os Lillipups saíam de seus ninhos e tocas, correndo, alegremente, pelas ruas da pequena vila de Unova, onde pouca gente se encontrava fora dos seus aposentos.
Nem seis da manhã ainda eram, mas uma Pokémon noturna já se mantinha acordada. Melhor dizendo… Uma Ursula noturna, de cabelos achocolatados todos bagunçado, parecendo que tinha levado um choque elétrico de uma Emolga, se encontrava sentada sobre a cama, do quarto que partilhava com Tyler, no Centro Pokémon.
Enquanto que o garoto dormia profundamente na sua caminha, tendo seu Zorua e seu recém-capturado Lillipup aninhados em seu peito, a jovem Oak via suas cobertas com papéis espalhados e vários cadernos abertos. Seus Pokémon ainda dormiam na sua almofada, mas ela não. Não tinha conseguido pregar olho a noite toda. Tinha tido um pesadelo, criado por Darkrai? Não. Tinha decidido ficar acordada para ver se Angeline, a sua loira e avoada rival, invadia seu quarto, para admirar Tyler, a sua paixão desde criança? Isso é estranho… Mas também não foi por isso.
Um suspiro saiu de seus lábios, enquanto observava o seu quarto ser iluminado pelo sol, revelando os incríveis desenhos de Pokémon que a mesma passou a noite a fazer. Eevee, Druddigon, Zorua, Clefairy e, até, a linha evolutiva de Stoutland, estavam gravados a lápis no papel.
— Não dormi nada…– suspirou, enquanto olhava as suas folhas, principalmente onde estava desenhado Lillipup.
Tinha informações sobre o Pokémon, super detalhadas. Foi uma noite cansativa de pesquisa, naquele velho e empoeirado computador do quarto. Podiam ter uma tecnologia melhor, não era? Só de olhar para a espécie, vítima da crueldade dos misteriosos Legendaryx, Ursula sentia um aperto no coração. Pobres Pokémon… Quantos mais terão que sofrer a tirania daquela equipa vilanesca? O que eles queriam com Virizion? Porque é que eram aqueles o segredo da Espada de Grama? Eram perguntas que a filha de Gary não conseguia encontrar uma resposta… Nem na internet, nem em lado nenhum. Só falando cara a cara com eles…
Os seus olhos acastanhados estavam super cansados, mas ela não podia se deixar ao luxo de adormecer naquele dia. Era um novo dia cheio de aventuras, em direção a Nuvema! A pequena vila não ficava muito longe. Era preciso apenas atravessar a Rota Um e chegariam lá num instante! Porém, Ursula, que passou a noite, ainda a consultar o mapa para aumentar a qualidade da sua pesquisa, para ver os locais onde cada Pokémon costumava viver, descobriu uma pequena floresta, que lhes daria um enorme avanço! A Floresta de Seda, segundo o mapa, era o atalho preferido dos treinadores que queriam ir para Nuvema, porque era mais rápido e mais seguro, já que nunca se sabe quando uma horda de Patrats vai saltar da relva, não é?
Retirando seus óculos de leitura da cara, a garota correu para a casa de banho, onde se preparou e se vestiu em poucos minutos. De cabelo acastanhado preso num enorme laço cor de laranja, a garota decidiu optar por um visual mais feminino do que o dia anterior. A sua camisola sem ombros amarela, que cobria a sua regata preta, e os calções azulados, como o mar de Humilau, lhe davam aquele charme mais jovem e mais alegre. Já estava penteada e de mala no ombro, quando a porta do quarto começou a se abrir.
— Ai que é a louca da Angeline.– os olhos da jovem kantoniana arderam em fogo, com raiva de que fosse a sua arqui inimiga a invadir o seu dormitório.
A garota permaneceu de braços cruzados, com uma furiosa cara fechada, quando viu seu pai abrir a porta. Um suspiro de alívio saiu de sua boca, enquanto via o seu progenitor diante das ombreiras da entrada, enquanto fitava a sua filha com uma sisuda face.
— Bom dia…– sussurrou, ao ver que Tyler ainda dormia confortavelmente.– Deixa-me adivinhar… Ficaste a pesquisar de novo durante a noite quase toda não foi?– Gary não escondia que bem conhecia os hábitos da sua pequena garota, que esfregava a nuca, meio sem jeito.
— P-Pois… Eu sei que tenho que dormir mais… Mas é que…– a sua face bobinha, se tornou mais séria, enquanto engolia em seco.– Eu tenho medo que os Legendaryx firam mais algum Pokémon, para os propósitos deles…– o chão era encarado pelo seu olhar triste.
Ela tinha pesquisado tanto sobre a relação dos Pokémon caninos e o Pokémon lendário Virizion mas não tinha encontrado nada. A jovem de cabelos castanhos só queria ajudar a proteger as criaturas mágicas, mas ela tinha sido avisado pelo herói Talus, o salvador de seu Eevee, que quase era esmagado por um irritado Stoutland. Mesmo que tivesse salvado seu amigo Tyler da derrota humilhante perante um Druddigon, a kantoniana se sentia inútil por não poder ajudar, ou, sequer, encontrar alguma pista…
— Querida, não fiques assim…– suspirou o professor de Kanto, vendo o triste olhar da sua pequenina de dezasseis anos.
O seu abraço iria consolá-la… Isso, se o adulto não tivesse tropeçado em algo que estava no chão, o que fez um barulho enorme ecoar pelo quarto. Ursula logo chegou ao pé do pai, ajudando-o a levantar.
— P-Pai!– exclamou a jovem, com medo que o professor tivesse se ferido.– Está tudo bem?
— Sim… Foi só…– antes que pudesse se levantar e limpar o pó de seu jaleco, um enorme choro saiu da boca do Pokémon responsável pela queda de Gary.
— SWIIII! SWIII!– chorava o pequeno, redondinho e castanho Swinub, que gritava de medo, enquanto se escondia debaixo da cama do adormecido Tyler, que deveria estar tão estafado do dia anterior, que não acordava por nada.
Ursula revirava os olhos, preocupada com o Pokémon de Johto. Era o seu pequenino e chorão Swinub, que tinha medo de tudo e chorava até quando o vento lhe tocava. Ele tremia debaixo da cama do seu amigo, enquanto bradava o seu nome, com medo dos Oak. Talvez tenha sido o ruído que o tivesse assustado… Mas, como é que não conseguiram notar que aquela bolinha fofa de pêlo dormia em frente à porta?! Sorte que a porta abria para fora, porque, se não, o simples toque da mesma assustaria o bichinho.
Eevee e Clefairy acordaram no meio daquele alvoroço, se dirigindo para perto de Ursula, que tentava agarrar o seu pequenino Pokémon gelado, que continuava a chorar. Já, Gary, pegava nos dois Pokémon da filha, lhes enchendo de abraços e carinho.
— Swinub. Sou eu…– sussurrou a treinadora, enquanto agarrava o seu pequenino com as suas mãos, de forma delicada.
O mesmo parou de chorar por instantes, enquanto sentia a bochecha da sua treinadora tocar na sua, para demonstrar carinho com o Pokémon peludo. Um sorrisinho pequeno se formou na sua boca, enquanto um alívio profundo porque o garoto de cabelos acastanhados não tinha acordado de seu sono. Pelo menos, era isso que ela pensava…
— Sai daqui, Angeline!– Tyler deveria estar a sonhar, tanto que acordou em sobressalto, gritando para a loira sinistra, que o queria para ela.
Lillipup e Zorua foram derrubados nas cobertas. Enquanto o cachorrinho acordou normalmente, o Pokémon noturno acordou como o seu treinador, pulando de susto, e saltando na cabeça de Ursula, arranhando seus cabelos, o que a fez derrubar o seu Swinub.
— Zorua! Pára, por favor!– suplicava a jovem kantoniana, enquanto seu pai inspecionava a algazarra que se formava naquele humilde quarto, que logo foi invadido por outro choro de Swinub.
Estava tudo a ir tão bem e tinha voltado à estaca zero. Ursula lançou um olhar irritado para o pequeno Pokémon vulpino, que se riu do cabelo da jovem, que mais parecia um ninho de Joltiks. Mesmo naquele caos, o olhar acastanhado da heroína dos Lillipups mirava o seu pai e o seu amigo de infância com alegria. Mesmo não se sentindo útil, porque não conseguiu descobrir como parar os Legendaryx, ela se sentia feliz. Feliz por ter amigos e um pai que confiavam nela, e que a admiravam muito, mesmo que ela errasse, já que, ela não era perfeita.
Um riso saiu de sua boca, sendo acompanhado pelo do seu pai e pelo de Tyler, que tinha começado com um risinho tímido. Aquela algazarra e destruição no centro de Accumula, tinha se transformado num circo, onde eles se podiam rir, daquele acontecimento embaraçoso, que colocou o pobre Swinub em prantos. Mas era hora… Hora de partir para uma nova aventura!
{...}
Ursula discava de novo o número, no alaranjado telefone público do Centro Pokémon de Acumula. Ela tinha esperança de ser atendida pelo remetente, mas apenas aquela voz robótica saiu do aparelho.
— Ela não atende…– suspirou a jovem de Kanto, já pronta para partir daquela pequena vila, enquanto olhava para Tyler, que se mantinha com uma face neutra.
— Talvez ela esteja ocupada.– comentou o garoto.– Sabes como é… Ela tem um pai Líder de Ginásio e uma mãe da Elite dos Quatro.– disse-lhe, tocando no ombro da garota, que tinha uma face meio desiludida.
Já não falava com a sua melhor amiga Cindy, como falava antes. A vida dela estava sempre cheia de tarefas, ou então não. Será que as pesquisas da jovem deixavam a garota de cabelos azulados a achar a filha de Gary desinteressante? Será que as supostas "tarefas" eram algo que a sua suposta melhor amiga inventava para se afastar dela? Ela esperava que não… Cindy não se rebaixaria ao nível de Angeline… Ou sim?
Sem sequer dizer mais uma palavra, com um gosto amargo na boca, a jovem saiu do Centro Pokémon, sendo acompanhada por Tyler. As ruas da pequena vila estavam decoradas com fitas cor de laranja, com desenhos de uma fita desértica. As pessoas adornavam as suas casas com decorações desérticas de Pokémon terrestres, como Sandiles e Drillburs.
— O que é que se está a passar?– inquiriu Ursula, já distraída dos pensamentos, relacionados com a sua melhor amiga de infância.
Ela estava encantada com as decorações de tudo. Eram tão culturais e interessantes, que logo retirou o seu caderno de viagem da mala, anotando alguns apontamentos nas suas folhas, desenhando, ainda, tudo o que via pela frente, deixando Tyler encantado com a paisagem de Accumula, perfeitamente desenhada, em questão de minutos.
— Ursula, isso está incrível!– exclamou, o jovem formando um leve sorriso em seus lábios, o que fez a jovem Oak corar de vergonha. Eram poucos os que elogiavam o seu dom artístico.– A-Ah! Desculpa! E-Eu não queria que ficasse envergonhada…– o rubor avermelhado nas bochechas de Ursula fizeram Tyler entrar em pânico, achando que tinha irritado a jovem, ao se intrometer nas suas anotações, mas a mesma lhe lançou um enorme sorriso de agradecimento, com uma aura maternal de uma Kangaskhan.
— M-Muito obrigada…– disse, enquanto dava os últimos retoques na sua obra de arte.– Só tu, o meu pai e o meu irmão é que me disseram isso…– disse, meio incomodada, como o facto de as pessoas a acharem chata.
Houveram mais críticas à sua personalidade de nerd comilona do que elogios. Era um louvor para Gary ter uma filha tão talentosa… Mas para a sua mãe era mesmo? Será que fora por isso que ela tinha ido embora? Porque não queria ter dois filhos, que adoravam demonstrar a sua arte, de formas diferentes? Ursula engoliu em seco e, por alguns segundos, se fechou em sua mente… Ela era realmente chata? Era realmente inútil? Era por isso que Cindy nunca tinha tempo para falar com ela?! Era por isso?! Ela fitava a paisagem de Accumula, com uma enorme vontade de chorar, não sabendo porquê… Porque é que a sua amiga não lhe falava?
Quase que uma lágrima escapou de seu olhar, quando uma familiar voz apareceu atrás dela, se abraçando à mesma e a Tyler, que pareceu meio incomodado. Aquela leve barba morena e aquele tom de pele mulato eram lhe muito familiares. Os braços grossos, os longos cabelos negros de carvão e aquele capuz avermelhado não enganavam nada. Era o herói de Accumula, o detentor do Sandile do dia anterior. Era Rashid, que carregava uma sacola de pano ao ombro.
— Olhem se não são os meus dois heróis favoritos!– exclamou, alegremente, enquanto acariciava os cabelos achocolatados de ambos.– Dormiram bem, meus campeões?– inquiriu, soltando os seus braços de ambos os jovens, que viam a sua alegria contagiante sair de um enorme riso.
Tyler parecia não ter gostado muito do cafuné, tanto que ajeitava, de novo, seus cabelos, cobertos pelo escarlate boné. Já Ursula, olhava para o moreno, como se visse um Pokémon Lendário em sua frente. No dia passado, parecia tão sério e sisudo, como um Zangoose, mas, naquela manhã, já contagiava todos com o seu humor bem desfasado, que fazia a jovem Oak soltar um sorrisinho. Mas não era pelo humor que ela olhava para ele com interesse, mas sim porque ela podia ajudar na busca pelos Legendaryx. Tinha escutado a conversa dele com Torallyna, a azulada Administradora Júnior da equipa vilã, e chegou à conclusão que não era a primeira vez dos reles vilões na pequena vila de Unova.
Antes que pudesse, sequer, abrir a boca, a mão de Rashid foi à sua sacola alaranjada, de forma rápida, como um Manectric. De lá, tirou duas engraçadas tigelas de barro, em formato de Sandile, o Pokémon que em todas as decorações da vila estava. Os jovens nunca tinham chegado a se questionar. O que é que se estava ali a passar, para tantas decorações relacionadas a criaturinhas de tipo Solo?
E Rashid não se calava por nada, o que deixava os jovens sem jeito, tanto que Tyler sussurrou para a amiga de infância.
— Para ontem, quem estava com uma cara ranzinza, ele está bem demais.– resposta de Ursula foi breve, soltando um risinho.
— Ele é simpático. Ele estava a tentar defender a sua vila daqueles vilões desprezíveis…– a filha de Gary fitou a tigela do Pokémon crocodilo de Rashid, com uma séria cara.
Aquele pobre Sandile tinha sofrido contra o Pokémon daqueles maquiavélicos seres. Até o Scraggy de Torallyna deveria sofrer em suas mãos… E, Rashid, era o caminho mais simples a percorrer para obter respostas. Mas ao menos se ele se calasse por cinco segundos… Ela queria tentar se infiltrar naquele assunto que a perturbava, mesmo com a preocupação evidente do misterioso Talus, que a jovem ainda não tinha avistado. Onde estaria aquele homem? Talvez tivesse partido para o seu destino de noite, já que foi quando a casa de Lunala subiu ao céu, que o senhor de cabelos extravagantes tinha desaparecido da vista de todos.
— Estas tigelas são para vocês!– disse o jovem adulto, alegremente, enquanto os dois amigos as agarravam, com sorrisos de orelha a orelha.
— Esta tigela é tão adorável!– exclamou Ursula, notando na perfeição da forma, que representou o Pokémon Sandile lindamente.
— Vee!– a Eevee de Ursula concordara, encantada com a vasilha de barro.
— Eu acho também uma fofurinha.– comentou Tyler, admirando a tigelinha, enquanto Zorua revirava os olhos, recebendo carinho por parte do treinador, nos seus negros pêlos.– Tu também és uma fofurinha!– exclamou, fazendo o Pokémon noturno rir.
Rashid sorria também, admirando o carinho que aqueles treinadores tinham pelos seus bichinhos de bolso. Mesmo que Tyler tivesse potencial para se tornar um grande herói, era Ursula que atraía a atenção dos olhos âmbar do oriental treinador. Ela tinha garra, coragem e, acima de tudo, amor pelos Pokémon, coisa que os poderes Legendaryx não tinham em seus corações de Geodude. Legendaryx… Era já a terceira vez naquela semana que eles tinham invadido o terreno de Accumula. O moreno cerrava os punhos, se sentindo inútil, ao ver que era sempre derrotado por Torallyna e Andrew, dois jovens, que sofriam na tirania de um horrendo time, do qual o mesmo não podia contar a ninguém… Nem mesmo à jovem de cabelos castanhos, que fora considerada uma heroína, assim como o seu amigo…
— Dile!– um familiar chamado atraiu a atenção do treinador, que se virou para trás, vendo o seu Sandile, de lenço castanho ao pescoço, com um sorriso tímido, enquanto carregava um saquinho nas suas costas.
— Shrew!– um pequenino Sandshrew acompanhava o crocodilo unovano, carregando dois copos de plástico, com uma bebida acastanhada, cobertos por uma tampa fofa, com a forma da cabeça do Pokémon de Kanto.
Ambos os monstrinhos foram pegos no colo pelo jovem moreno, mas, obviamente, depois de ter cedido o saco e as bebidas aos jovens treinadores, que ficaram paralisados, como se uma Thunder Wave os tivesse atingido, confusos, do porque é que o treinador de Accumula lhes dava aquilo tudo. Mas o cheiro não enganava as narinas da comilona filha de Gary.
— É comida!– disse a garota, abrindo os sacos e encontrado várias iguarias diferentes, enquanto se babava, como se não tivesse comido há menos de uma hora atrás.– Parece tão suculenta! Não, achas Tyler?– questionou ao amigo, que se manteve assustado ao olhar para um dos potes, que tinha caril e arroz dentro dele.
— I-Isso é c-caril?!– indagou o pobre garoto de Sinnoh, que tinha traumas com aquele prato, e a jovem kantoniana sabia bem porquê.
Zorua soltou um risinho, o que fez Ursula se lembrar, soltando uma enorme gargalhada, tendo memórias daquele momento na cantina da escola primária.
— Ah… Tu não gostas de caril? Se quiseres posso sempre fazer umas sandes…– perguntou Rashid, curioso com o riso de Ursula, que nem tardou a explicar, o que deixou o garoto constrangido demais, parecendo um Magby, do tanto que corava.
— É que na escola primária, uma vez foi caril na cantina e estava super picante.– relatava a jovem, tentando ser interrompida pelo amigo, que lhe lançou um olhar meio mortal.
— P-Por f-favor! Não fales d-disso!– como se visse um Gengar em sua frente, o jovem de cabelos castanhos estava com um enorme desespero sobre o seu ser, que não conseguiu cerrar os lábios da jovem.
— É que estava tão picante, que ele ficou tão vermelho, que parecia um Slugma.– continuou Ursula.– Mas, depois, ele derrubou tudo na roupa, que parecia vomitado, e aí os nossos colegas chamaram ele de Slugma do Vómito!– Eevee, Ursula e Rashid soltaram algumas gargalhadas de suas bocas.
Zorua tentava não rir, ao ver o olhar envergonhado do seu treinador. Ele odiava se lembrar daquela época de escola, porém, Ursula, o lembrava, sempre. Essa confusão na cafeteria da escolinha foi apenas uma das vezes onde ele se dera mal na vida… Ele era constantemente atacado pelos colegas, que o viam como saco de boxe. Insultos, ofensas e murros… Eram coisas que o pequenino Tyler, sempre de lágrimas nos olhos, sofria… Ursula estava sempre ao pé do amigo para o proteger, porém, às vezes, a sua heroína, a pessoa em quem queria se espelhar, o irritava… Irritava com aquele jeito desbocado dela, que contava coisas que não devia… Mas, ela, mesmo com essa grande imperfeição, era uma guardiã para ele. A garota de cabelos achocolatados e Cindy tinham sido os refúgios do jovem… E ele era muito grato por isso…
— Vocês jovens…– suspirou o treinador de tipo Solo, acariciando os seus Pokémon.– Bem, como recompensa, decidi fazer o vosso almoço. Caril, bolinhos de canela em forma de Sandile, ração para os vossos Pokémon e o meu achocolatado de Sandshrew com banana! Eu realmente espero que gostem!– ele nem tinha acabado de falar, quando Ursula trincava um pedacinho do Sandile doce, enquanto ia ao céu, como se um Unfezant pegasse seus ombros, e a levasse a conhecer as nuvens.
— É tão bom!– uma lágrima de alegria saiu dos olhos da jovem kantoniana, ouvindo um pigarrear por parte de Tyler, a fazendo colocar o segundo bolinho, de novo, no pote.
— Tu acabaste de comer de manhã, Ursula. Temos que poupar a comida para a viagem.– disse o jovem garoto, que sabia das loucuras que a amiga fazia por comida, a fazendo colocar tudo guardado, distribuído entre as suas malas e mochilas.
— O teu amigo tem razão.– alertou o alegre Rashid, enquanto olhava para o comboio sendo levado por Machamps, para uma oficina perto de um grande centro de concursos.– O comboio vai começar a ser arranjado. O que vai dificultar que várias pessoas venham participar na Competição de Accumula…– ao proferir essas palavras, o treinador do Sandile e do Sandshrew fez um sorriso torto, meio entristecido.
Então, era por isso que tudo estava decorado, com uma temática de Pokémon terrestres. Era a Competição de Accumula, que, durante uma semana, teria diversos coordenadores, esperançosos pela sua primeira faixa. A de Accumula era a Faixa de Areia, uma faixa com o formato de ondas desérticas amareladas, com fitas cor-de-laranja. Era uma competição para principiantes, o que ainda deixava alguma esperança para percorrer sobre a alma do moreno… Mas o caminho mais fácil tinha sido cortado… Será que viria, sequer, alguém… Essa era a insegurança de Rashid. Para quê vir de tão longe para derrotar um treinador com um Sandile e um Sandshrew, que, mesmo sendo considerado um herói local, não conseguia proteger a sua vila? Ele se sentia impotente… Se sentia fraco… Fraco por nunca conseguir proteger aquilo que amava…
— O senhor é o Líder da Competição desta vila, não é?– questionou a jovem Oak, recebendo um aceno de cabeça por parte do moreno.
— Sim, mas a minha competição, normalmente, é deixada de lado…– suspirou, fazendo os dois amigos o olharem com pena.– Os coordenadores novatos acham que um Sandile e um Sandshrew não são desafio o suficiente… Uns preferem começar em Virbank… Outros em Castelia, para serem derrotados de forma humilhante…– os Pokémon terrestre do moreno o fitaram com pena, vendo os seus olhos quase aguados, de raiva… Raiva por se sentir inútil…
Ursula e Tyler se identificavam… A jovem Oak se sentia inútil por não conseguir ajudar na questão dos Legendaryx. Ela conseguira derrotar um poderoso Druddigon, mas isso não acabava com os planos maquiavélicos dos vilões. Ela poderia obedecer a Talus, mas a sua teimosia a queria fazer proteger todo e qualquer Pokémon, mesmo que isso, não fosse de todo possível… Já o garoto de Sinnoh se sentia impotente. Se sentia fraco. Queria ter salvo todos os Lillipups, porém aquele dragão de Andrew o aterrorizou. Se sentia uma pedra no sapato… Ao menos, Ursula, o seu Zorua e o seu Lillipup ainda confiavam nele… Confiavam na força que o garoto queria ver florescer dentro do seu coração…
O fogo de Tyler se abriu por pouco no seu músculo que bombeava o sangue. Odiava se sentir para baixo e odiava ver a triste face do líder, que ansiava por desafiantes para conceder aquela bela faixa, que carregava no seu manto. Não queria ver vazio no seu coração! Não! Não queria! Rashid não poderia desistir! Desistir do seu sonho… Do seu sonho de se tornar mais forte…
— S-Senhor Rashid.– chamou o moreno de forma tímida, enquanto cerraga seus punhos, e deixava seus olhos brilharem mais que um Dazzling Gleam.– Nós vamos divulgar a sua competição! Vamos para Nuvema, então podem haver alguns coordenadores interessados!
Enquanto que o líder de tipo Solo ficou boquiaberto, Ursula ficou completamente incrédula. De onde é que o seu amigo tinha tirado tanta coragem de repente?! Mesmo que fosse tão estranho aquela atitude de Tyler, a jovem de Pallet concordava com tudo o que tinha sido dito. Eles iriam ajudar Rashid! Mesmo que ele não estivesse a falar sobre aqueles Legendaryx, era essencial ajudar aquele homem em desespero!
— Sim! Nós divulgaremos a sua competição em Nuvema!– comentou Ursula, de forma alegre, com uma enorme vontade de ajudar.– E ainda mais que Nuvema nem é tão longe! Dá para chegar pela Floresta de Seda, num instante!– aquele comentário comoveu o homem, que ouviu os Pokémon dos treinadores concordarem com eles, mesmo que só dissessem o nome deles.
Eles eram verdadeiros heróis… Tinham, não só, salvo a fauna de Accumula, como também iriam, tentar pelo menos, salvar a sua competição de cair em desuso e no esquecimento de todos. Ele não sabia como lhes agradecer…
— M-Muito obrigado! Muito obrigado mesmo!– exclamava, não conseguindo conter as suas lágrimas de alegria, que foram respondidas por dois sorrisos heróicos.
— O senhor merece depois de nos ter dado um almoço tão apetitoso como aquele…– suspirou a garota, enquanto via, na sua mente, os deliciosos pratos que o homem lhes tinha preparado, o que fez Tyler revirar os olhos, com um sorriso bobo.
De facto, a jovem Ursula estava orgulhosa do seu amigo de infância. Às vezes era tão retraído, mas, do nada, tinha uns súbitos picos de coragem, mostrando uma enorme caridade com os outros em necessidade. Ela também era assim, mas o garoto de cabelos castanhos tinha a deixado profundamente encantada…
Rashid limpava suas lágrimas, enquanto seus Pokémon desciam para o chão, enquanto festejavam, já que, se tudo desse certo, eles não seriam esquecidos, tendo rivais novos para enfrentar. Pequeninos passos se ouviam, assim como uma fininha voz, que clamava pelo homem de cabelos longos.
— Papai! Papai!– uma linda garotinha morena de cabelos arroxeados, presos em duas trancinhas se via, diante do homem.
A mesma tinha um enorme sorriso, mesmo que lhe faltassem alguns dentes. A alegria da criança era tão contagiante, que as grossas mãos de Rashid tocaram no pedaço de cartão que ela tinha trazido consigo. Com figuras meio deformadas, lá estava aquela feliz família de três, com todos os seus Pokémon desenhados… Família de três… Três… Três menos um…
A figura feminina… Não… Ele não podia chorar por ela… Chorar por quem não tinha conseguido defender…
— Obrigado, meu amor… Está muito lindo.– com um sorriso forçado, o homem se agachou para abraçar a menininha, que disse uma frase que fez o seu corpo congelar.
— Eu fiz isso para o aniversário da mamã… É hoje…– disse a garotinha, agora, com uma triste voz, como se fosse um chorão Sobble.– Achas que ela volta hoje?
Um Ice Beam tinha atingido o corpo do barbudo, que não sabia como responder… Era hoje… O dia de anos de Priya… Ele tinha que ir para a Floresta de Seda… Foi o que ele tinha prometido a ela… Uma promessa que nunca poderia esquecer… Uma promessa que tinha que cumprir.
Pegando na sua pequena filha no colo, o líder da Competição de Accumula estava completamente pálido, enquanto fitava a dupla de treinadores, que pareciam preocupados com o falso sorriso alegre do moreno.
— Bem… Eu preciso ir…– suspirou Rashid se despedindo, engolindo em seco.– Boa sorte na Floresta de Seda… Mas, por favor, cuidado com a pedra…– aquela frase deixou Ursula e Tyler com um frio a percorrer sobre a sua espinha. Um coração outrora tão ardente, tinha se tornado um cofre de gelo completo…
Mãe… Uma palavra ausente na vida de ambos os jovens garotos de cabelos acastanhados. Enquanto que a mãe de um estava tão ausente da vida do filho, que era como se nem existisse, a outra nem a certeza se tinha que estava viva. Como um Kecleon que se camufla, a esposa de Gary tinha desaparecido do mapa, quando Ursula era apenas um rebentinho de dois aninhos. A jovem kantoniana dava tudo para saber onde estava a sua progenitora e sentir o carinho do seu leito, já Tyler dava tudo para que a sua mãe o respeitasse, e respeitasse o seu sonho… O sonho de ser mais forte, cujos pais não apoiavam… Mais um motivo para querer ser como a amiga! Queria mostrar a eles que ele, sim, era forte! Mais forte… Mais forte que…
Ao olhar para a relação que ela tinha com o professor de Kanto, um aperto se formava em seu peito, querendo sentir o amor de uma família presente… Sentir o amor… O amor dos dois adultos que emergiram a sua vida…
O jovem de boné vermelho sentiu seu braço agarrado pela amiga, que já tinha deixado os pensamentos depressivos relacionados com a sua mãe, enquanto caminhava com um enorme sorriso de orelha a orelha.
— É hora de irmos!– riu Ursula, assim como sua Eevee, desejosa para viver mais uma aventura.
Ursula era guerreira. Até as maiores pedras que lhe pudessem atirar, ela desviava com a sua contagiante personalidade. Uma personalidade que Tyler desejava ter, para mostrar todo o seu valor… O mesmo sorriu para a amiga, tentando deixar para longe os pensamentos cabisbaixos, como se um Gust os empurrasse para fora da sua mente.
— Vamos lá, Zorua!– disse animado, enquanto seu Pokémon gritava de alegria com ele, enquanto ambos os amigos caminhavam para uma floresta cheia de aventuras!
{...}
A Floresta de Seda era uma floresta bem fechada, mas onde o verde irradiava para todos os lados. Pidoves, Lillipups e Sewaddles faziam lá os seus lares, no enorme mar de folhas que ligava as duas primeiras rotas e a pacata Accumula.
Era lá que uma grande árvore se via. Uma enorme árvore coberta por belos fios de seda, tecidos pelos Leavannies e Swadloons do bosque. Uma estátua bastante deformada também se podia ver. Feita de pedra e musgo, coberta por leves flores amareladas, a estátua de Virizion era esbelta e altiva. O enorme buraco no meio do tronco da árvore estava adornado por flores e folhas. Seria ali a casa da Espada da Justiça? Talus poderia responder a essa pergunta, se fosse ele o humano a por ali passar.
Sewaddles e Swadloons tentavam se esconder nas tocas das árvores e nos arbustos, mas uma mão metálica sempre pegava a todos, lhes colocando com maquiavélicas coleiras metálicas, que emitiam a vermelha luz… A vermelha luz dos Legendaryx, que nem a família dos Leavannies deixava em paz.
Uma mulher, já na casa dos cinquenta, era a grande responsável pela operação dos Leavannies, já que a dos Lillipups tinha, completamente, ido por água abaixo. Os cabelos negros, com mechas grisalhas, caíam sobre a máscara sinistra de gás, de onde um abafado riso saíra.
— Maravilhoso!– ria a mulher, enquanto seus rosados olhos estavam vidrados no radar que segurava sobre suas mãos, armaduradas por metálicas luvas turquesa, do fato de cavaleiro dos Administradores Sénior dos Legendaryx.
Ela era Virginia, uma maquiavélica e louca cientista da equipa vilã de Unova. Ela era bastante inteligente e muito astuta, sempre criando invenções. O radar, onde conseguia localizar os Pokémon da espécie pretendida, e a mochila com luva, que pegava os pobres Sewaddles e Swadloons, já corrompidos pela fúria dos vilões, eram das suas mais vangloriadas criações. Mas essas eram as mais inofensivas… Quando a mulher queria fazer algo realmente louco, ela fazia… Fazia sem pensar duas vezes, tendo apenas em vista o seu propósito…
Ela ria. Ria loucamente! Virginia iria conseguir respostas sobre o Pokémon da floresta, com aqueles três Leavannies que tinha capturado. Sem contar os inúmeros Sewaddles e Swadloons que já enjaulados estavam. Andrew e Torallyna deveriam ser os protegidos dela, para ver como que um Legendaryx deveria agir e trabalhar! Sem se preocupar, sempre a lutar! Os Legendaryx são os únicos a poderem se agradar! Era o lema pelo qual os maníacos se regiam…
— Em breve, as respostas de Virizion virão até nós!– mais um riso saiu da boca da louca cientista, que prendia todos os Pokémon corrompidos em jaulas.
Enquanto todos os Leavannies eram presos, passos se escutavam na direção de Virginia, que deu de cara com um garoto de loiros cabelos. O mesmo tinha uma séria cara fria e de indiferença. O seu coração parecia congelado por um Glaceon. Em seus braços, cobertos por um manto branco, característico dos vilões, pequenos Sewaddles eram carregados. Uns mais quentinhos, outros que pareciam ter bebido café, de tão irrequietos que estavam. E eram dois bichinhos do tipo Inseto que estavam super agitados. Um tentava morder os braços do jovem, o que mal funcionava, por terem pequeninos dentinhos. Já o outro, cuspiu um fio de seda na cara do loiro, que lhe lançou um frio olhar mortal, enquanto sua voz ecoava pelo local.
— Aqui tem os últimos Sewaddles, senhora Virginia.– comentou enquanto, jogava eles numa jaula vazia, para terem um terrível destino, de serem corrompidos.
Os dois pequeninos Sewaddles inquietos, olhavam as suas famílias com pena. Os olhos escarlate, assustavam um deles, que começara a derramar leves lágrimas de medo, enquanto o outro mantinha uma corajosa face, fitando os dois vilões. Eles iriam pagar… Era isso que o pequenino inseto pensava… Quando fosse um grande Leavanny, iria fatiar os Legendaryx com todas as Razor Leaf que pudessem, para que os Pokémon ficassem sãos e salvos!
— Excelente trabalho, Tatsuya!– comentou, mirando os olhos marinhos do garoto de dourados cabelos, que se mantinha sério.– Coloca as coleiras neles, por favor.– Virginia ordenava a seu discípulo, que assim o fez.
Em suas mãos, já se encontravam as coleiras, e, em questão de segundos, a maioria dos bichos da seda já estava adornada com o terrível objeto metálico. Faltavam apenas dois: o corajoso cavaleiro e o chorão bobo. O Sewaddle corajoso via ali a oportunidade perfeita para escaparem. Nem Dialga poderia contar os escassos segundos em que a fuga fora realizada!
— Mas o que…– Tatsuya murmurava, quando fora atingido por um jato de seda na cara, tapando os seus olhos.– S-Seus bichos imundos!– gritava, enquanto, desesperadamente, retirava o nojento ataque de sua face.
Com o seu querido irmão nas costas, o pequeno Pokémon de Grama e Inseto decidiu correr, o máximo que podia, procurando ajuda, para salvar a sua família.
— Apanha aqueles dois!– bradava Virginia, tendo sua atenção tomada pela formosa face do jovem, que já estava a ver novamente.
— Deixe estar, chefe!– bradou o garoto, se levantando rapidamente, enquanto a mulher, estava de braços cruzados, fitando a correria do loiro, como se de um Jolteon se tratasse.
Pulava pelas árvores como se um Monferno selvagem fosse! Era impossível os pequenitos Pokémon irem tão longe, tanto que, era possível ver os dois pequeninos caminhando lado a lado. Um sorriso travesso se formou nos lábios do jovem Tatsuya, que pegou numa Poké Ball, a atirando ao ar.
— Rio!– um azulado Pokémon saiu da mesma, revelando ser um pequeno Riolu, que parou perante os insetos, que logo se assustaram.
— Waa!– chorava o mais quietinho, enquanto o seu irmão acariciava as suas costas, olhando para o Pokémon lutador, que se mantinha com um sorriso travesso no rosto.
Ambos tentaram dar meia volta para escapar, mas os pés do loiro caíram mesmo à sua frente, revelando uma aterradora face psicótica.
— Seus matreiros! Se fossem mais rápidos, talvez fugissem…– com um tom sério, o garoto pegou em ambos os irmãos. Enquanto que o corajoso tentava se soltar, o chorão apenas aceitara a derrota, permanecendo com os olhos repletos de lágrimas.
O Sewaddle olhou para o outro, vendo o desespero em seus olhinhos minúsculos. Ele queria conseguir fugir e salvar todos… Mas… Ele conseguiria? Era pequenino e não passava de um insetinho indefeso! Será que a derrota era mesmo a solução? Não! Não era! Queria dar ao seu irmão motivos para sorrir! Queria ser um grande herói! Mesmo que a sua mordida anterior não tivesse ferido o vilão, agora, com certeza, o machucaria.
— Waddle!– bradou o Pokémon, colocando suas presas num tom verde claro e forte.
Com uma forte mordida no braço do jovem maquiavélico, o pequenito conseguira escapar, deixando o garoto, agonizando de dor, como se uma flecha lhe perfurasse o peito.
— S-Sua criatura inútil!– ofendeu o garoto de dourados cabelos, enquanto rosnava de raiva, vendo, com os seus olhos cobertos por chamas azuladas, o desespero do Sewaddle em escapar.– Riolu! Rock Smash, agora!– ordenou Tatsuya, vendo o seu Pokémon correr na direção do Pokémon bicho da seda.
Riolu sentia pedras envolverem seu punho, que brilhava com uma intensa e cegante luz. Com a sua mão envolvida em rochas, um forte soco fora dado no chão, que o fez tremer, derrubando o pequeno Pokémon no chão, que logo foi pego pelo azulado, que sorria de forma triunfante.
Os passos pesados de Tatsuya na direção do seu monstrinho de bolso, faziam a pulsação se acelerar, dentro de seu pequenino coração. Mas aquele não seria o fim! O básico truque da seda nos olhos sempre funcionava! E, assim, foi o que aconteceu! Com um forte cuspe nos olhos do Pokémon lutador, o Sewaddle, um pouco ferido, já estava a correr de novo. Ele arfava e arfava de cansaço, porém ele iria arranjar uma forma de salvar o seu irmão e a sua família… Porém, ao olhar para trás, o pequeno Pokémon não esperava uma profunda inclinação na floresta, o que o fez cair e rolar terra abaixo, como se fosse uma roda em constante e veloz movimento, atingindo pedras e ramos soltos, que o feriam cada vez mais…
— Waddle…– suspirava o pequenote corajoso, coberto de pó e com alguns arranhões… Enquanto adormecia, sobre um manto de folhas verdejantes… Um manto daquela floresta de Virizion…
— Maldito!– bradou Tatsuya, mirando a enorme inclinação, mas com cuidado, para não cair para a parte mais profunda da floresta.– Riolu, volta.– ordenou o jovem Legendaryx, fazendo o seu parceiro azulado retornar à Pokébola, e carregando o outro Sewaddle, que chorava pelo irmão.
— Wa! Waddle!– chamava o inseto pelo irmão, que não respondia. A única coisa que o rodeava eram os olhos sérios de Tatsuya, com um leve semblante mortal… Um semblante que queria acabar com a coragem do irmãozinho do mais tímido, como, outrora, tinham acabado com o seu sonho…
{...}
Passos se escutavam pisando os ramos caídos da floresta. Eram os Legendaryx? Bem, o único loiro dos vilões era Tatsuya, e era uma garota que caminhava, arfando de cansaço. Eram Tyler e Ursula? Bem, não eram eles, mas sim alguém que eles bem conheciam.
Uma jovem bela de cabelos dourados, adornados por uma borboleta rosada no topo de sua cabeça. Era nada mais, nada menos que a não tão querida pela dupla de treinadores, Angeline, a mestra de insetos. Bem, pelo menos era isso que ela achava que era. Não passava de uma completa novata, que procurava um novo insetinho para o seu arsenal. Claro, que, por aquelas bandas, Sewaddle era a opção mais certa a capturar.
A jovem de Castelia parou por alguns minutos, para beber água. Ninguém lhe mandou andar de sapatos de salto alto em plena floresta, cheia de pedras e buracos no chão! Procurar um Sewaddle era tão desgastante. Qualquer coisa era desgastante para a diva de loiros cabelos, que odiava o exercício físico.
— Malditos Legendaryx!– rosnava a jovem, com uma incessante fúria de ter que caminhar.– Tinham logo que destruir o comboio! Já estou com os pés cheios de bolhas…– reclamava a garota, sentindo altos e dores nos seus pés de princesa.
Ela só queria encontrar Tyler de novo, para tentar se aproximar dele. A loira queria afastar Ursula do seu príncipe encantado, já que tinha um forte ranço dela. Nem sabia onde eles estavam, mas poderiam ter ido muito longe. Só de pensar que a missão que lhe fora enviada não estava a correr nada bem, a deixava cabisbaixa. A promessa era de que o garoto de cabelos achocolatados fosse o seu namorado, caso a sua missão fosse cumprida. Quem lhe mandou fazer essa espionagem, não devia ter um coração de carne, mas sim de gelo, por prometer algo que não se pode comprar ou garantir: o amor.
Rastejando os seus pés, já que a própria se recusava a tirar o calçado, porque tinha que estar bonita em qualquer lugar ou situação, a garota parou diante de algo que fez seu olhar âmbar brilhar como estrelas. Era tudo o que ela queria! Um pequenino Sewaddle adormecido, sobre uma cama de folhas!
— Ao menos, já tive alguma sorte!– gritou a garota, quando preparava uma Pokébola para batalhar com o inseto, quando, a mesma, vira que não era necessário.
Os arranhões e feridas do inseto apertavam o coração de Angeline. Por fora, a jovem se mantinha fria e rude, como um pilar de gelo, criado por um Ice Beam. Mas ela, realmente, se preocupava com os Pokémon, principalmente insetos.
— Pobrezinho…– suspirou, enquanto pegava o bichinho de bolso em seis braços, enquanto o mesmo dormia descansado. Deveria estar exausto.
Impressionantemente, aquele Sewaddle a fazia lembrar dos tempos de infância, onde, sozinha, ela se machucava a brincar no chão. Ela poderia chorar, mas seu pai apenas pegava nela e a levantava, já que estava demasiado ocupado a pintar quadros do que a cuidar da sua filha… Angeline tinha um enorme desgosto… Nunca ninguém da família pareceu se importar com ela. Nunca lhe estendiam a mão… Nunca lhe davam um carinho… Principalmente, após a morte de sua mãe, que era a única que parecia se importar com a loira, deixada sozinha pelo pai, em Unova… Ginásio abandonado… Tudo para treinar a sua irmã, deixando a sua filha mais nova de lado… A garota iria mostrar o seu valor! Porque ela…
Antes que pudesse chorar, algo que os seus pensamentos quase a levaram a fazer, a garota viu os olhinhos do inseto se abrirem, a fazendo soltar um leve sorriso.
— Olá, pequenino…– ela esperava um som fofo sair de sua boca, porém fora apenas um jato de seda a lhe ser disparado para a cara, atingindo os seus cabelos loiros.– O meu cabelo!– gritava a garota em pânico, vendo o seu bem cuidado cabelo completamente destruído, enquanto rosnava para o Pokémon, que permanecia com um sisudo olhar corajoso.
Com uma forte pancada, o Pokémon atingira a barriga da jovem, que caíra no chão.
— Waddle!– gritava o Pokémon, talvez pensando que a garota dos insetos pertencesse aos Legendaryx, o que não era o caso.
— Seu mal agradecido…– suspirou a garota, com uma forte dor na barriga, enquanto pegava numa Poké Ball vazia.– É agora que vais aprender!– alertou a jovem garota, atirando o dispositivo redondo na direção do Pokémon, que estava pronto para se esquivar.
Angeline estava tão esperançosa de capturar mais um inseto para a sua coleção, porém uma faca não estava nada a favor. A lâmina dourada logo perfurou a esfera de captura, a quebrando em mil pedaços, que caíram no chão, a deixando assustada, enquanto a lâmina raspava sobre seu cabelo, se espetando no tronco de uma árvore. Quem é que estava ali?! Seria um ladrão?! Seria a Ursula que queria a matar?! E o que é que o mundo tinha contra o seu cabelo?! Já estava sujo e agora tinha tido alguns fios cortados.
— Deixa esse Pokémon!– uma voz bem familiar ao pequeno inseto se escutara, o fazendo correr para trás da treinadora de insetos.
A jovem pegava numa Poké Ball, ao se deparar com um jovem de cabelos loiros, que fatiava a jovem com um olhar mortal. Era Tatsuya, ordenado por Virgínia a perseguir o único bichinho fugitivo. A sua agilidade impressionante e as suas habilidades acrobáticas o permitiram chegar, em segurança, à parte mais profunda da floresta, algo que o pequeno Sewaddle desejava ter feito, porque não estaria tão machucado, para lutar pelo seu raptado irmão.
— O que é que queres com ele?!– indagou a garota loira, tentando proteger o insetinho.– És o treinador dele? Porque se fores ele está todo ferido! E essas tuas roupas são tão fora de moda…– não seria Angeline se não desse críticas sobre a roupa da pessoa, que lhe parecia um tanto familiar…
Aquele esquema de cores… Já o tinha visto no comboio! Eram os Legendaryx, responsáveis por terem feito ela andar tanto tempo, quando poderia ter utilizado o comboio, agora destruído! Eles iam pagar pela dor nos seus pés!
— Vocês são aqueles vilões lá do comboio!– exclamou a jovem, tendo sua fala cortada por uma fria frase do garoto.
— Passa esse Pokémon para cá!– mas Angeline não ouvira, lançando a sua Poké Ball para o ar, saindo de lá uma Larvesta.
— Vocês vão pagar pela dor nos meus pés! Onde já se viu uma dama a querer ser bonita, com os pés todos ensanguentados?!– rosnou a jovem, furiosa pelo motivo mais idiota do mundo, enquanto o garoto pegava na Poké Ball de seu Riolu, pensando no porquê de ela não ter vindo de meros sapatos de corrida…
— Ru!– rosnava o Pokémon cachorro, para o tipo Inseto de Angeline, que estava com cara de poucos amigos.
Sewaddle estava maravilhado. Mesmo depois de ter o seu cabelo arruinado, Angeline estava a tentar protegê-lo, com a força e uma garra de uma verdadeira mestre dos insetos, que se preparava para atacar o Pokémon rival. Porém, a sorte não estava do seu lado.
— Riolu, Quick Attack!– ordenou ao bichinho lutador que, envolto por uma enorme aura azulada, começou a correr, disparado na direção de Larvesta.
— Larvesta, tenta…– a loira jovem queria que a sua Pokémon tentasse desviar, o que não foi o caso, sendo atingida em cheio por um pontapé por parte do azulado, derrubando o inseto no chão.– Larvesta!– bradou a garota, vendo a sua Pokémon derrubada, olhando, seriamente, com uma enorme chama de raiva em seu olhar, para o risonho Tatsuya, de semblante maléfico.
— Vamos logo acabar com isto!– gritou o jovem vilão.– Metal Claw!– ordenou ao seu Pokémon lutador, que fez garras metálicas cresceram na sua mão direita, correndo na direção da pobre lagarta ferida, o que deixou Angeline assustada.
Ela não queria que a Larvesta se ferisse de jeito nenhum, já que fora o Pokémon que sua mãe lhe tinha deixado… Azalea e sua Masquerain eram muito respeitadas em Hoenn, e a loira queria ser como a progenitora. Queria proteger todos os bichinhos! Mesmo que a garota de Castelia se importasse demais com as aparências e a sua beleza, os Pokémon eram fantásticas criaturas que não mereciam ser maltratadas! Era por isso que protegia o Sewaddle… Para lhe dar o amor que os Legendaryx nunca poderiam dar… Mas era esgotante e aterrorizante ver na batalha que se meteu. Mesmo que fosse Inseto e Fogo, a pobre Larvesta era um Pokémon fraquinho, que podia ser fatiado pelas garras metálicas…
Os passos do azulado faziam seu coração palpitar… Angeline sentia o medo que o Sewaddle sentia… Sentia o medo de ser inútil e se sentir derrotada, por querer mostrar a seu pai que merece o seu amor… Não… Ela não poderia desistir! Não quando um Pokémon precisava dela! Ela tinha que mostrar que era a melhor! Mostrar a Ursula quem mandava! Mostrar a Tyler que não era uma pessoa tão odiável assim…
— Flame Body, Larvesta!– suplicou à sua Pokémon de fogo, que, assim, obedeceu.
Enquanto o Riolu caminhava a passos rápidos para ferir a Pokémon de Angeline, a lagartinha se envolvia em chamas azuladas, o que deixou a sua treinadora com uma súbita chama de batalhar, ver a dança da flor escaldante, rodeando sua queridinha. Sem mais demoras, a branca Pokémon acelerara o seu passo na direção do Pokémon rival, mas não o atingindo, porque a garota queria mostrar o quão o tipo Inseto, um tipo bastante subestimado, poderia ser poderoso.
— Usa String Shot no Riolu!– com um sorriso triunfante em lábios, a garota de cabelos dourados estendeu sua mão, sendo logo ouvida pela sua Pokémon, que lançou um jato de teias pela sua boca, atingindo a barriga do lutador.
— Mas o que…– pensava Tatsuya confuso, porém um longo desespero percorreu seu corpo ao ver o que acontecia com aquela combinação de ataques.– Riolu!
Era tarde demais para desviar. O fogo já percorria o fio de teias, queimando o Pokémon cachorro, que gemia de dor, enquanto Larvesta ficava parada, se abanando para dissipar as chamas, como a fúria do Riolu, que, mesmo com dores, tentou acertar o bichinho de Angeline com as suas garras. De facto, a árvore, que cobria a cabeça da jovem de Castelia, tinha-lhe sido muito conveniente!
— Larvesta! String Shot no ramo desta árvore!– gritou, apontando para o ramo que estava sobre seus cabelos loiros, ainda sujos, fazendo com que a lagarta cuspisse, de novo, um jato para o grosso ramo, onde ficou quieta.
As garras de Riolu não tinham atingido o Pokémon rival, o que deixou Tatsuya bastante enraivecido. Lhe custava admitir que a garota era uma boa treinadora. Por mais que pareça uma loira esvoaçada, Angeline tinha bastantes truques e técnicas bastante criativas. Mas ele tinha que capturar o Sewaddle… E, talvez, até a Larvesta, de tão bem treinada que estava. Treinadores… Que palavra amarga para o garoto de olhos azulados…
Por sua vez, Sewaddle olhava a jovem de Castelia com admiração. Ele queria ser forte como ela! O inseto queria acompanhar a garota! Queria aprender e treinar, para proteger a sua família! Queria ser um Leavanny poderoso… E seria, se quisesse viajar com a jovem…
— Riolu! Prepara o Rock Smash!– ordenou Tatsuya, sentindo o clima do confronto esquentar, vendo seu Pokémon formar um punho de rocha em sua mão, enquanto deixava as garras de fora.
Aquele poderia ser um letal ataque para Larvesta. Ela teria que atacar o Pokémon rival sem hesitar! A jovem Angeline tinha um plano em mente, que poderia não dar muito certo… Mas apenas saberia se ela tentasse!
— Usa String Shot!– bradou a mestre dos insetos, vendo o jato de teias sair da boca da sua insetinha, porém o seu plano poderia ter ido por água abaixo.
— Riolu, agarra o fio!– gritou o vilanesco garoto, tentando intimidar a jovem loira, mas ela parecia ter outro plano em mente!
Mesmo que Riolu agarrasse o jato de teias, o plano de Angeline funcionaria na perfeição. Os olhos da jovem, filha de Burgh, irradiavam a forte chama da fome de vencer. Ela poderia ser comparada a um Snorlax, de tanta fome que tinha de proteger os Pokémon da floresta. E era isso que ela iria fazer!
— Solta-te do fio!– uma mordida fez com que a fogosa Pokémon se soltasse do fio, deixando as palavras de sua treinadora entrarem em sua mente, se preparando para o próximo ataque, que poderia ditar o campeão da batalha Pokémon!– Usa Ember, agora!– Tatsuya já tinha visto aquele plano, porém, com um ataque diferente.
— Riolu, larga isso!– ordenou o jovem loiro, fazendo com que o seu Pokémon azulado largasse o fio, que já pegava fogo. Aquele breve momento de distração, deu à treinadora de insetos uma perfeita oportunidade para acabar tudo de uma vez.
— Flame Charge!– o fogo envolvia de novo a Pokémon de Angeline, que deixava as chamas da coragem a consumirem. Ela estava orgulhosa do seu bichinho principal.
Sewaddle também estava esperançoso, de obter ajuda por parte da garota. Por fora, uma patricinha, que esconde a sua face carinhosa por um manto de ódio, como se fosse um Mimikyu. Angeline não era má… Bem, só para Ursula e maioria das pessoas… Ela só queria se proteger… Proteger de ser ferida pelos sentimentos.
— Ataca agora!– exclamou o jovem Tatsuya, ordenando que seu parceiro Pokémon socasse a inseto, com o Rock Smash.
Uma colisão de poderes ocorreu. O punho empedrado com garras de metal colidiam com o azulado fogo de Larvesta. Poderosas rajadas de vento saíam da colisão dos ataques que pareciam cada vez mais poderosos. Os dois treinadores rangiam os dentes, enquanto se protegiam das folhas e areias, empurradas pela tempestade da batalha.
Larvesta queria ajudar Angeline… Riolu queria deixar Tatsuya orgulhoso… Ambos os Pokémon estavam a dar tudo de si, querendo vencer a luta pelos que amavam! Sem precisar de ordens, ambos atacaram, com a convicção de que o seu lado queria ganhar. A lagarta poderia ser meio fria, mas o Sewaddle precisava de ajuda! Ember foi lançado no fogo azulado, agora ficando arroxeado e deixando Riolu com mais dificuldade, porém o mesmo tinha uma forte técnica, de criar mais um punho empedrado na sua outra mão livre, segurando o bichinho da jovem guerreira. O azulado queria que o jovem Tatsuya ganhasse, de novo, a paixão de ser um treinador, deixada há muito tempo… Ele queria vencer… Porém, Larvesta não deixou…
O fogo começava a quebrar a pedra das mãos de Riolu, que tentava se proteger o máximo que podia, deixando os ventos soprarem de forma mais forte. Era como se uma tempestade tivesse sido formada por Tornadus e Thundurus!
— Sewa!– gritou o Pokémon inseto, sendo empurrado pelos ventos, algo que não aconteceu, felizmente, pela agilidade da jovem Angeline em apanhá-lo, acariciando o topo da sua folha.
A garota loira via que a sua Pokémon estava, a todo o custo, a tentar vencer a luta por um Pokémon selvagem. Bem ou mal? Quem venceria? Apenas o suspiro surpreso da garota, ao ver o que acontecia com os seus próprios olhos, para responder a essa pergunta!
Vários fios de fogo se formavam no corpo de Riolu. Era Flame Body, a habilidade de Larvesta, que queimava o corpo do Pokémon azulado. As mãos de pedra, estavam derrubadas, explodindo em pequeninos cacos… Enquanto o olhar de Tatsuya parecia vazio, com medo de perder, para a treinadora, Angeline sorria de forma triunfante, enquanto as chamas de Larvesta consumiam o seu vitorioso olhar, vendo a sua Pokémon de fogo atingir o corpo do Riolu, o derrubando para trás.
O Pokémon lutador se levantava, já com algumas dificuldades. Os arranhões e marcas de queimaduras em seu pêlo aterrorizavam o jovem garoto, membro dos Legendaryx. A sua respiração estava pesada… Ele jurou que ia acabar com os treinadores, depois do que lhe acontecera. O loiro não poderia perder aquela batalha! Ele não poderia quebrar a promessa que tinha feito consigo mesmo!
— Acaba com Flame Charge!– o espírito lutador e guerreiro de Angeline dava repulsa no coração do garoto, de punhos cerrados.
As chamas se aproximavam do seu Pokémon, quase desmaiado. Riolu tentava usar todas as suas forças para se manter de pé, porém o azulado não estava a resistir. A vitória parecia tão próxima para a garota loira, com um sorriso triunfante. Aquele sorriso… Dava nojo a Tatsuya, que logo correu para o campo de batalha, empurrando o seu parceiro Pokémon e se colocando na frente dele, enquanto agarrava a Larvesta de Angeline com sua capa. Ele não iria deixar o seu bichinho sofrer mais…
Sewaddle e Riolu fitavam os dois treinadores, com um brilho nos olhos. O cachorro azulado estava pasmado com a resistência do loiro, que segurava a Pokémon fogosa com todas as suas forças, enquanto via a sua capa ficar queimada, enquanto se formavam marcas vermelhas em seu braço, por causa do calor. O inseto olhava para a garota de Castelia, preocupada com o que Tatsuya estava para ali a armar. Iria ser algo que os Legendaryx bem gostariam!
— Riolu!– bradou o garoto, já de lágrimas nos olhos, com dores nos braços, do fogaréu que se formava em sua capa.– Pega na coleira!– os seus olhos azulados se dirigiram ao seu cinto, onde Riolu chegava com as mãos, pegando no anel metálico, para colocar no pescoço da lagarta do tipo Inseto.
A frieza no seu coração não cedia, mesmo com o surpreso olhar da garota, em pânico, por ver o seu Pokémon de mais valor sofrer nas mãos dos maquiavélicos Legendaryx. Aquele bem treinado Pokémon, iria ser muito útil na equipa vilanesca… Que poderia ter uma letal Volcarona!
— Vesta!– gritava a Pokémon, tentando se soltar dos braços queimados do garoto, enquanto sentia o seu pescoço ser envolvido pela coleira de metal.
O fogo tinha parado e a inseto já tinha olhos avermelhados, como um Pokémon ameaçador. O coração da filha de Burgh se apertava, ao ver a sua querida Larvesta, corrompida pelo mal.
— L-Larvesta!– chamou em pânico, pela sua Pokémon, que lhe rosnara. Não… Ela não poderia perder o seu Pokémon mais precioso… A sua Larvesta…
Retirando a sua Poké Ball, a garota esnobe tentava fazer a sua parceira retornar, mas não era possível. Era a coleira! Maldita coleira! Ela tinha que ser destruída! Os risos de Tatsuya enervavam a garota, que sentia suas pernas tremerem, com medo de nunca mais ver a sua fogosa Larvesta.
Sewaddle fitava as lágrimas que saíam dos olhos da garota, que tentava chegar perto do seu bichinho de bolso, o que não era possível, pelas chamas que jorravam por sua boca, mostrando-se uma ameaça. Angeline o tinha protegido… E ele precisava ajudar agora! Ele queria ser como a jovem! Queria ser um herói…
— Waddle!– gritou o pequeno Sewaddle, correndo na direção da Larvesta, para tentar destruir a coleira metálica, porém um Ember fora disparado para o mesmo.
As chamas feriam o seu corpo frágil. Ele não poderia combater contra um Pokémon daquele nível. Sentiu seu corpo pegado pela jovem Angeline, que fitava o vilão de cabelos dourados com um triste semblante. A tristeza de um treinador era a alegria de Tatsuya, que teve seus cabelos levantados por um forte vento.
— Que vento é este?!– inquiriu Angeline, sentindo os seus longos cabelos esvoaçarem, não sendo precisa nenhuma resposta, já que um enorme helicóptero negro sobrevoou os céus, com um enorme "L" turquesa estampado numa das portas.
Eram eles! Os responsáveis pelo ataque ao Sewaddle e o comportamento selvagem da sua Larvesta! Eles iriam pagar! Iriam pagar por tudo! Pelos Pokémon feridos! Pelo comboio destruído! E, principalmente, pelo único presente deixado pela sua mãe…
{...}
Talus estava no lado leste da floresta. Sobre uma enorme falésia, que dava a bela vista para um brilhante lago azulado, o cientista observava os arredores com os seus binóculos.
— Nenhum sinal deles ainda…– suspirou o barbudo homem, retirando o utensílio de visão de seu olhar, fitando o lendário Pokémon atrás de si.
A sua mão tocou nos pêlos esverdeados de Virizion, um Pokémon que ele muito bem conhecia. Esteve toda a noite ali perto dela, para a proteger de possíveis ataques dos vilões, que faziam todo o tipo de loucuras para se dar bem. Talus não poderia deixar ninguém se aproximar da Espada de Grama… Ela era uma chave para algo muito importante para ele… Nem mesmo os garotos heróis de Accumula poderiam saber do que se tratava… Poderiam correr riscos de perder algum membro do corpo, ou, até, de perderem a vida… Como aconteceu…
A névoa dos seus pensamentos foi soprada pelo choro que se escutava, precisamente, debaixo da falésia. Chamavam um nome… Um nome que dava muito pesar no coração de Talus… Então, fora ali… Fora ali que Priya tinha morrido…
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