Pokémon - The Chronicles
5 Zona Safári
— Não sejam infantis. — Calista riu, lançando um olhar de esguelha para Cynthia e Diantha.
— E você, Cal. — Cynthia rebateu imediatamente, zombeteira. — Deixe de ser chata.
— Cynthia. — Steven se virou para a loira com um olhar mortalmente sério. — Pare com isso. Não seja infantil. Você é uma campeã, lembra? Tente se portar de acordo.
— Você é um chato, Steve. Sempre foi.
— Não diga que não avisei. — Steven rebateu — Quando sofrer as consequências, não reclame.
Cynthia meramente deu ombros para o amigo de infância, e Steven soltou um suspiro de enfado. Calista lhe dirigiu um sorriso de simpatia. Sabia o quanto aquela loira podia ser impossível, às vezes.
— Vamos logo, super estrela. — Cynthia chamou. — A primeira a conseguir pegar um pokemon vence.
— Mas não qualquer pokemon. — Diantha acrescentou. — Tem que ser um raro.
— Fechado. Vou capturar uma Chansey antes que você consiga piscar.
— Não se eu capturar um Dratini primeiro.
— Não conte com isso.
Calista se deixou ficar para trás, junto com Ash, Steven e Malva.
— Essas duas com certeza se deixam levar. — Seu irmão comentou.
— Pode apostar. — A morena riu. — Eu já esperava isso da Cynthia, mas Diantha me surpreendeu.
— Eu não ficaria tão surpresa. — Malva comentou. -Ela sabe ser bem infantil quando quer.
— Ora, ora, alguém esteve prestando atenção.
Malva não respondeu, simplesmente lhe dirigiu um olhar irritado e tomou à frente, também adentrando o portão da Zona Safári.
— Ela é sensível demais. — Steven comentou, um leve tom de riso em sua voz.
— Com certeza. — Calista riu. — Vamos, rapazes? Quem pegar mais pokemons vence!
— Calista! — O campeão de Hoenn protestou. — Você também não.
A morena lhe dirigiu uma piscadela travessa.
— Relaxe, Steven. Não vou entrar nessa.
— Ainda bem. — Steven sorriu. — Mas o primeiro a ver um Dratini vence.
A irmã de Ash caiu na gargalhada com essa.
— Fechado, campeão. — Declarou. — Ei, Ash, tem mesmo Dratinis por aqui, não é? Você não estava só se gabando, estava?
— Claro que não. — Ash respondeu. — Tem sim, mana. Eu juro.
— É melhor mesmo, pirralho.
A jovem e os dois homens também se dirigiram até o portão. Calista e Ash ficaram para trás uma vez que entraram na Zona Safári, enquanto Steven foi encontrar Cynthia. Segundo ele, para "ter certeza de que ela não arranjaria confusão". Os dois irmãos trocaram um sorriso malicioso.
— Está pensando no que eu estou pensando? — Ash inquiriu.
— Gyarados. — Calista declarou. — Com certeza. A mamãe vai surtar.
— Com certeza! E aposto que, se virmos aquele Dratini, capturo ele antes de você.
— Vai sonhando. Imagine só a cara do Lance se eu conseguir um Dratini.
— Ele iria chorar de emoção.
— Que nada. Ficaria morrendo de inveja.
— Mas ele já não tem três Dragonites?
— Pode ser, mas Lance tem um fraco por esses pokemons. Vai por mim. Eu já o vi no Covil do Dragão. Parecia um garotinho.
Ash caiu na gargalhada enquanto Calista descrevia a cena de Lance, o campeão durão da Liga Índigo, sentado no chão de pedra, cercado por bebês Dratini. Era mesmo hilário.
Os dois irmãos se acomodaram na beira de um dos lagos para pescar. Cerca de meia hora depois, o restante do grupo acabou se juntando a eles. Cynthia e Diantha não pareciam nada satisfeitas que sua pequena competição não dera certo. Calista riu a mais não poder da cara das duas.
— Uma mordida! — Ash exclamou. — Mana, me ajude aqui!
Calista agarrou o irmão pela cintura, firmando suas mãos sobre as dele na vara.
— Caramba! — Exclamou. — É forte!
Os dois puxaram juntos, até enfim um pokemon sair da água. Ash deu um grito de alegria, enquanto a maioria do grupo gritou de susto. Era um Gyarados. Ninguém, porém, gritou mais alto que Malva, e Calista precisou conter uma risada. Era irônico, mas muito adequado, que a mestra tipo fogo tivesse medo de pokemons tipo água.
O grupo correu para a segurança das árvores próximas ao lago, enquanto Ash tentava capturar o Gyarados com uma Bola Safári. A captura falhou, e o pokemon aquático voltou a mergulhar, ensopando Ash ao bater com a cauda na superfície da água. Todos caíram na gargalhada enquanto o jovem xingava alto. Para sua surpresa, Calista viu Malva tirar o celular do bolso e bater uma foto de Ash sem que ele percebesse. Ao notar que havia sido flagrada, a mestra tipo fogo simplesmente piscou para ela.
— Ash. — A morena disse. — Acho melhor sairmos daqui antes que outro Gyarados feioso apareça.
— Ah, qual é! Eu quero um Gyarados, mana! Deixe de ser chata!
— Está bem. — Calista riu. — Mas acho que, se outro desses feiosos azuis aparecer, Malva vai acabar com você.
— Pode apostar que sim. — Malva afirmou, lançando um olhar irritado ao rapaz para enfatizar.
— Ah, que medo! Relaxem, vocês duas. Caramba!
Calista abafou uma risada e se aproximou de Malva enquanto Ash voltava sua atenção para o lago. Depois do susto com o Gyarados, Cynthia e Diantha voltaram à sua competição de pokemons raros. Steven se juntou ao rapaz na pescaria.
— Ei, Fogosa. — A morena sussurrou. — Deixe eu ver aquela foto.
A mulher de cabelos cor de rosa lançou um olhar aos dois homens pescando na beira do lago, para ter certeza de que não estavam prestando atenção, e então abriu a foto em seu celular. Calista riu.
— Ridículo! — Comentou, aprovando. — Eu adorei!
— Vou enviar para ele mais tarde. — Malva confessou. — Espere só para ver a cara do seu irmão.
— Ele vai querer matar você.
— Muita gente quer, garota fada. E ninguém conseguiu.
— Até hoje.
— É. — Malva pareceu achar graça disso. — Até hoje.
As duas se apoiaram em uma árvore, num movimento inconscientemente sincronizado. Ficaram em silêncio por um longo momento.
— Já viu um Dratini selvagem? — Calista inquiriu enfim.
— Não. — Foi a resposta. — Nunca tive a oportunidade.
— Bem, eu vou procurar um. Ash jura que viu um Dratini por aqui alguns anos atrás. Quer vir comigo?
Malva pensou por um momento, então deu de ombros e assentiu. As duas caminharam até a margem de outro lago.
— Sério? — Malva provocou. — Espero que não apareça nenhum Gyarados.
— Não vai. — Calista garantiu. — Bem... Provavelmente.
Isso sim fez a mestra do tipo fogo estremecer. Calista notou o modo como ela analisava nervosamente a superfície da água.
— Ei, não se preocupe. — Disse. — Sugeri que viéssemos para a Segunda Área justamente porque não existem Gyarados nesse lago. Só algumas Magikarps. E não precisa ter medo dos Gyarados, ele não vão atacar. A não ser você os irrite muito. Ou que eles não gostem de você. O que, no seu caso...
— Muito engraçado. — Malva rebateu acidamente. — Então você notou, é?
— Notei. Relaxe, não vou contar a ninguém que a Grande Malva tem medo de Gyarados.
— Nossa, obrigada.
Malva se acomodou em uma rocha próxima ao lago, sentando-se e abraçando os joelhos. Parecia mais à vontade, talvez mais do que Calista jamais a vira.
A morena se concentrou na pescaria, mas nenhum Dratini apareceu. Depois de algum tempo, Malva a chamou e avisou que era hora de voltarem. Calista notou quando ela guardou algo na bolsa, um caderno de capa negra com uma caneta presa entre as páginas. As duas caminharam de volta em silêncio.
— Malva...
— Hum?
— O que quis dizer quando falou que era óbvio que tinha assistido à primeira corrida de Danielle Cavanaugh? Ela foi realizada no Arquipélago Sevii, eu até pesquisei para checar a informação.
— Está correto, foi mesmo. — Malva respondeu. — Eu sou...
Mas, antes que ela pudesse completar a frase, o som de cascos contra o chão a interrompeu.
— Merda! — Calista gritou. — Tauros! Corra!
A morena não olhou para trás, não hesitou, simplesmente agarrou a mão de Malva e começou a correr o mais rápido que podia. Sentiu a repórter tropeçar de alguns metros, e diminuiu a velocidade apenas o suficiente para ajuda-la a recuperar o equilíbrio.
As duas correram até ouvirem o som dos cascos irem em outra direção, na passagem que levava de volta à Área Um, quando enfim pararam para recuperar o fôlego.
— Aquilo... Foi...
— É. — Calista também estava ofegante. — Tauros... São... Do mal.
— Com certeza. — Malva já parecia estar se recuperando. — E obrigada... Por não me deixar cair.
— De nada.
As duas se recostaram contra árvores mais uma vez, esperando até que suas respirações voltassem ao normal. O restante do grupo estava esperando por elas quando enfim atingiram o portão principal da Zona Safári.
— Até que enfim, Cal! — Cynthia exclamou. — Onde diabos você se meteu?
— Confie em mim, loira, você não vai querer saber.
— Ela queria ir procurar você. — Ash informou — Mas eu ouvi os Tauros e corremos para cá. Aqueles pokemons só perdem para você, mana.
— Cale a boca! — Calista riu. — Nós também ouvimos os Tauros. A diferença é que estávamos bem mais perto do que vocês.
— Ah, eu quero ouvir essa! Como escaparam?
— Correndo, óbvio. Quase deixamos nossos pulmões para trás.
— Fale por você, garota fada. Não foi tão ruim assim.
— Não? Então por que ainda está toda vermelha, Malva?
— O que?! Não estou!
Ela estava. Suas bochechas, pescoço e colo ainda estavam vermelhos por causa da corrida. E Calista não estava diferente.
— Andem logo. — A morena disse, para poupar a repórter das risadas que sabia que viriam. — Estou com tanta fome que poderia comer um daqueles Tauros.
— Ah, e você com certeza venceria a briga.
— Cale essa boca, Ash.
O grupo deixou a Zona Safári, e Malva lançou um breve sorriso para Calista ao passar por ela. A jovem retribuiu, e ficou surpresa ao ver o sorriso da repórter se alargar. Ela bateu levemente no bolso onde guardara seu celular, e Calista conteve o riso. Ash iria ter o que merecia.
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