Pokémon Shining Soul - Derysh
1 Carrego em meus ombros o fardo do mundo
Notas iniciais
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Sexta. 2 de Maio de 2014. Norte de Goldenrod. Metrô. 23:05
Era tarde. Mas eu não podia reclamar. O escuro sempre foi meu melhor amigo desde cedo, mesmo. Farei uma breve parada em Goldenrod, um pequeno teste precisa ser feito aqui. Depois vou para Olivine.
O metrô é muito estranho. Esse vagão, seguindo em alta velocidade. É uma sensação estranha. Eu não gosto. Nem de perto é minha primeira vez, mas não consigo me habituar a isso. É horrível, sim. E não ria.
– Comer alguma coisa seria bom, também. Pena que não tenho tempo pra isso. Precisamos nos apressar, não é mesmo? – falo para o vento com minhas pokébolas encolhidas nas mãos. Meus pokémon me escutavam, tenho certeza.
– Moça, vai ser por bem ou por mal? – uma voz atrevida, de algum homem, vinha mais da frente.
Eu estava bem no fundo, de forma que tenho certeza não me verem. O X da questão é que só tinha eu, uma guria com jeito de "babaca inocente" e dois homens. E só. Eu sei, também achei que Goldenrod bombasse nesse horário. Mas acho que foi a linha que peguei do metrô.
– Por favor... Não... – a guria, devia ser estudante, falava como se fosse chorar. Era um timbre de voz estupidamente irritante, aquele.
Os rapazes riam dela. Eu também queria rir. E sorri. Mas fiquei de olho. Havia um pequeno Eevee no chão, rosnando contra eles, e até mesmo atacou a perna de um, mas recebeu um soco na cabeça e foi chutado contra uma das janelas. A garota, agora vi que era uma moça jovem, gritou assustada e ia em socorro do pokémon. Naquele momento eu entendi o que acontecia... E parei de sorrir. Apenas peguei meu celular e guardei minhas pokébolas, com exceção de uma. Checava minha cintura, se tudo estava no devido lugar. Estava gelado. Mas seria necessário.
– Moça... Acho que seu tempo acabou... Vai ser por mal. – dizia um dos rapazes.
Eles eram mau encarados, feios feito o diabo. Esse que anunciou o fim do tempo apalpava os seios da moça. Hm. Eles até eram bonitos, volumosos, mas a roupa não mostrava nada. Ela não era do tipo que apresentava seus dotes. Como eu, com essa saia curta mostrando toda a coxa e pernas, lindas. Meu momento de auto-valorização acabaria quando a moça desse um grito alto e estridente.
– Shh. Shh. Não adianta fazer barulho. Ninguém vai vir te ajudar...
Às vezes me distraio assim pensando em mim. Acontece. A moça já estava no chão, um dos caras em cima dela, com a blusa rasgada, o sutiã jogado pro lado enquanto ele apertava com força os peitos. O outro segurava os braços para que o primeiro fizesse o que bem entendesse.
– É por pessoas assim que faço o que faço. – pensaria comigo mesma, sentindo um nojo imenso daquelas pessoas e sim, pena, da babaca da voz irritante.
No celular, disquei um número universal e coloquei no ouvido. Eles viram minha movimentação, finalmente me notaram.
– Ei. Você aí. Fique quietinha. Quietinha. E não iremos te machucar. – aquele que segurava os braços da moça falava para mim.
– Dois rapazes. Ferimentos graves. Metrô de Goldenrod, linha norte da cidade. Ambulância com urgência. Estão perdendo muito sangue. – falava com voz completamente alterada e então desligava.
– Mas o quê? Eu entendi certo? – o rapaz parecia incrédulo.
– Que foi aí? Vou ter mesmo que resolver isso? – o outro parava de apalpar a moça e beijá-la. Na verdade, ele já tinha tirado as calças da mulher. Ela chorava baixo, soluçava e apesar de não estar muito perto, eu notava o desespero e medo em seus olhos.
– Na próxima estação, terá uma ambulância pronta para atender vocês dois. Podem sair daqui sem se ferir, se saírem de perto dessa moça. Eu só vou falar uma vez. Só uma vez. – falava em meu tom normal. O que não era simpático. Minha voz era como a de qualquer mulher, mas a maneira de falar era...
Eles explodiram em gargalhadas, o que deixou a moça lá ainda mais perdida. Talvez eu entendesse ela. Mas acho que não. Ela era o tipo babaquinha "cuti cuti" com os outros. Por isso foi escolhida como alvo deles.
Puxei da minha cintura minha amiga de metal, uma Five Seven que eu adorava. Não fiz mira. Disparei contra o cara que segurava a moça. O som do disparo, dentro daquele vagão, de janelas fechadas, é... Foi de foder os ouvidos. Mas foi bonito. Ele estava de lado, segurando ela e me vendo. Caiu de costas com a mão nas costelas, gritando de dor.
– Pobre diabo. Um tiro só e já tá gritando assim? – ele merecia muito mais. Eu queria dar muito mais. Mas não faria isso agora.
O outro rapaz saiu de cima da moça, que estava ainda muito assustada, e sacou uma arma também. Disparei duas vezes antes que ele disparasse também. Isso fez ele me errar e cair de costas no chão, mas não o acertei.
– Vai, vai, ataca ela! Mordida venenosa! – o cara armado falava com alguma pressa. Mas eu estava preparada.
Sem pensar, largo a pokébola que estava na outra mão na direção dos meus pés. Recuei dois passos. Vi uma Ekans dar o bote saindo debaixo de um dos bancos. Ela ia direto na direção da minha cabeça. Mas meu amigo Godeph, um Marowak a pegou antes, fazendo-a morder seu osso-bumerangue.
– Lugar de lixo é no... chão... Godeph.
Eu adorava Godeph. Ele me entendia tão bem. Antes que a Ekans pudesse fazer algo, o Marowak a prensou no chão com o osso, de forma que ela não conseguiria fugir. Pisou na Ekans e depois pisou numa ponta do osso. E pegou a Ekans pela boca. Deslocou o maxilar sem esforço. Só não a partiu em duas porque o filho da puta atirou nele e acertou seu crânio. Precisei me abaixar só por garantia. Mas ele era ruim de tiro.
– Seu melhor arremesso, por favor. – falo baixinho.
Godeph larga a Ekans, pega o osso, bloqueia mais alguns tiros e o arremessa contra o cara. A pancada é tão forte direto em seu rosto que escuto o som de algo se quebrando. Ele cai de costas e em questão de segundos, seu rosto vira uma bolha vermelha de sangue escorrendo. Engatilho a arma e miro no outro rapaz, mas ele levanta as mãos, em sinal de rendição, com lágrimas nos olhos pelo ferimento nas costelas. Não atiro.
– Próxima parada, distrito 7, Jardim Amarelo. – a voz robótica gravada anuncia a nossa parada.
A moça ainda estava aterrorizada, mas havia se vestido novamente, como podia, já que sua blusa estava rasgada.
– Godeph, arrebenta a porta. – aponto a porta no final do vagão. Eu não ia sair pela frente. Meu Marowak, com algumas pancadas brutas, conseguiu abri-la. O metro estava parando. Peguei minha mochila e fui para lá com ele, observando a moça.
Ela carregava uma mistura de medo com gratidão nos olhos. Era uma inocente no meio das pessoas pútridas desse mundo.
– Shh. Você não me viu. – falo baixinho, mas ela me escuta, já que faz um sim com a cabeça.
O metrô para, eu desço por trás rapidamente e corro para a escuridão, vendo pelo canto do olho o atendimento médico que chamei jogando os dois caras numa maca e correndo. Dois Machokes seguravam cada maca. O atendimento foi rápido.
– Ma... Maro... Wak.... Ma? – Godeph me encarava, sério, preocupado.
– Não me machuquei. Estou bem. Eles mereciam, Godeph, iam estuprá-la. E pelo mapa que lembro, há mais 5 estações antes da última parada, eles iam ter tempo pra matá-la ou destruir sua vida. Não podia permitir. – dava uma risada.
Ele concordou comigo, mas ainda me repreendeu um pouco. Me arrisquei. E me arriscar significa desviar dos meus objetivos. Pra quê cuidar de apenas dois humanos podres se podemos acabar com todos eles um dia?
– Vamos. Precisamos encontrar Whitney no ginásio, se ele não estiver fechado.
E com isso, retorno Godeph para a pokébola. Travo a pistola e coloco na mochila. De lá, tiro um moletom com capuz, visto e vou em direção à estação novamente. Deserta. Subo as escadas e busco meu caminho para o ginásio. A parte boa da noite estava para começar.
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