Pokémon RainStorm
36 Capítulo 25: Caos (Parte 1)
Notas iniciais
Eu prometo que vou ajudá-la a sair deste lugar onde a luz nunca alcança
Cidade de Lumiose, 13 de novembro de 2016.
A cidade estava um caos, com tudo que acontecia, diversas pessoas estavam se machucando e no pior dos casos morrendo. Daisy observava os corredores lotado do hospital, eram pessoas e mais pessoas andando de um lado para o outro, seja algum paciente, um médico ou apenas cidadãos que queriam buscar abrigo naquela loucura que ocorria fora do hospital. A garota doente não se lembrava da última vez que vira o hospital tão cheio, tantas pessoas estavam entrando machucadas que deixava ela aflita e assustada.
No meio aquela confusão em que o hospital estava, Daisy ouvia uma voz familiar. Quando se deu conta, era a voz de seu padastro Gerald Oak, um inspetor da polícia.
— Reúna o máximo de pessoas que conseguir e coloque em prioridade a segurança do hospital. Nesta noite sem luz, aqui será um dos últimos abrigos seguros de Lumiose. — ordenou Gerald a outro policial de patente inferior.
— Sim, inspetor.
Ao ver Gerald, Daisy queria conversar com ela, fazia muito tempo que os dois não se falavam, seja por causa do trabalho de Gerald, a doença da Daisy ou até mesmo o rancor de padrasto tinha pela garota. Mas diferente dele, ela não sentia isto e considerava Gerald, seu pai, afinal era ele que a havia criado desde seu nascimento.
Infelizmente, antes que Daisy pudesse alcançar seu pai, um homem começou a andar nos corredores cambaleando para os lados, como se estivesse desesperado. Este homem era Meyer, que estava tentando sair do hospital enquanto estava machucado. Alexa o acompanhava e o tentava impedir, mas ele não dava ouvidos e continuava caminhando até a entrada do hospital se esbarrando nas pessoas. Foi neste momento que Geral o viu, e resolveu segurá-lo.
— Me solte Gerald, eu tenho que salvar a minha filha! — berrou Meyer.
— Tenha calma, eu já mandei uma patrulha procurar pela sua filha, mas com o caos que está ocorrendo em Lumiose, pode demorar um pouco até encontrá-la. — contou Gerald.
— É por isso, que eu tenho que ir! A polícia já tem muito trabalho está noite, se deixar para vocês irem atrás da Bonnie, já será tarde demais. — explicou Meyer preocupado.
— Isto não será problema. — disse Alexa de uma forma meiga tentando acalmá-lo. — Clemont, Katherine e seus amigos foram atrás da Bonnie.
— Clemont não deveria ter ido, é muito perigoso e isto será demais para ele. — comentou Meyer.
— Confie no Clemont, afinal ele é seu filho e tenho certeza que não voltará sem que traga a Bonnie de volta. — sorriu Alexa.
— Você tem razão, mas eu me sinto tão inútil ficando aqui sem fazer nada. — desabafou Meyer.
— Antes de qualquer coisa, você precisa se curar e se ficar andando por ai feito louco, isto não vai acontecer.
Meyer assentiu e Alexa o ajudou a retornar para seu quarto.
Com o clima mais calma, Daisy fitou seu padrasto, que a viu e a olhou por alguns segundos até dar costas para ela, mas a garota queria muito falar com ele, por isso correu, mesmo com dificuldade por causa de seu corpo frágil.
— Pai! Por favor! Eu quero falar com você! — pediu Daisy.
Ao ouvir sua filha, Gerald se virou para ela e disse:
— Não me chame de pai, pois você não é minha filha. Só porque Green te considera da família, não significa que eu faço o mesmo.
Aquelas palavras acertaram o coração da Daisy, a machucando mais do que qualquer dor que sofria por causa da doença. Então, Gerald deu as costas para ela e caminhou para fora do hospital.
O coração de Daisy doía e quando percebeu, lágrimas já escorriam pelo seu rosto.
Fora do hospital, Gerald foi até um de seus subordinados, que estava carregando um rádio da polícia, e perguntou:
— Alguma resposta da família real?
— Sinto muito, inspetor Gerald, mas ainda não recebemos nenhuma resposta.
— Isto já está ficando muito preocupante, falta apenas 3 horas até meia-noite.
…
A princesa estava em um quarto não muito grande, nele havia apenas uma cama, uma escrivaninha e uma cadeira, onde Ichirin sentava com seu Eevee no colo enquanto fazia carinho no mesmo. Evelyne estava sentada na cama observando Ichirin, e de vez em quando, também acariciava o raro pokémon de pelagem branca. Enquanto as duas garotas ficavam no cômodo em um dos prédios da gangue Vermelha onde Judge comandava, Sid estava do lado de fora, vigiando a porta do quarto para que ninguém com segundas intenções entrasse.
— Vocês são realmente grandes amigos. — comentou Eve enquanto observava Ichirin com seu Eevee.
— Sim! Desde o dia que eu o encontrei, não nos separarmos mais. Ficamos do lado do outro, não importa o dia, a hora ou o tempo, sempre estamos juntos. — contou Ichirin sorrindo, algo que Eve percebeu que era raro.
— Você está mentindo para mim? — indagou Evelyne.
— Claro que não! — exclamou Ichirin quase que imediatamente.
A garota de cabelos prateados havia chamado a atenção de Eve, pois apesar viver em um lugar cheio de criminosos, ela parecia muito pura e inocente. A princesa achava isto muito irônico, afinal ela era uma de suas sequestradoras, mas, ao mesmo tempo, sua personalidade não coincidia com nada daquilo.
— Desculpe a pergunta, mas é porque eu vi este Eevee duas vezes andando sozinho. — lembrou Eve.
— Sobre isto, ele não estava sozinho, eu o acompanhava, mas assim que te vi, resolvi me esconder, pois não sabia se conseguiria encarar uma princesa. — esclareceu Ichirin.
— Então você me reconheceu só de me ver?
— É meio vergonhoso dizer, mas eu sempre quis ser uma princesa, viver em um castelo grande e vestir todo os tipos de roupas, por isso conheço muito bem a aparência de cada uma das 3 princesas de Kalos. — contou Ichirin super corada.
Foi então que Eve começou a rir, deixando a garota prateada mais vermelha ainda.
— Por favor, não ria de mim! — pediu ela.
— Desculpa, é que sua visão de como é ser princesa é bem idealística. — disse Eve.
— Então como é a vida de uma princesa?
— É mais complicada do que parece.
— Que resposta vaga.
— Desculpa, não estava preparada para pergunta, então não congui pensar em uma resposta melhor.
Evelyne se aproximou de Ichirin e começou a acariciar seu Eevee, que estava gostando do carinho e como recompensa lambeu os dedos da princesa.
— Isso faz cócegas! — riu Eve.
— Ele realmente gostou de você. — comentou Ichirin sorrindo.
— Eu também gosto dele! — sorriu a princesa. — Na verdade eu gosto de todos os Eevees. Quando eu era pequena não podia sair muito de casa, foi então que em um dos livros de minha casa, descobrir sobre um Pokémon incrível que poderia evoluir para diversos tipos de evoluções diferentes. Pensei que era uma coisa muito legal, pois ele não tinha a obrigação de seguir um só caminho, mas sim diversas opções para escolher. Pode-se dizer que foi amor a primeira vista.
Ichirin estava gostando bastante de conversa com a princesa, não se divertia assim há muito tempo, foi então que a culpa começou a acertá-la mais fundo.
— Princesa…
— Não precisa me chamar dessa forma, me chame de Eve. — pediu ela. — Apesar que pode ser um pouco confuso, afinal a pronuncia é muito parecida com Eevee.
— Não vai, pois ele se chama Lumi. — revelou Ichirin.
— Que nome bonito!
— É… Mas quero me desculpar Eve.
— O que foi?
— Eu falei que estava acompanhando o Lumi nas duas vezes que você o viu. E nessas duas vezes, eu te vi e contei para o senhor Judge. Se não fosse por mim, ele não teria tentado te sequestrar e nada disso estaria acontecendo. — Ichirin falava com uma voz rouca de choro.
A princesa segurou a mão da garota prateada a fitou nos olhos e disse:
— Isto não é sua culpa. A culpa é do desgraçado do Judge, que está usando vocês.
— Mas ele não… — Ichirin queria defender o seu líder, mas palavras não saíram de sua boca. Ela não entendeu o porquê. Talvez, mesmo sem aceitar, as palavras de Eve estavam abrindo sua mente para uma verdade que ela não queria acreditar.
Evelyne sorriu para a outra garota e com muita determinação em sua voz prometeu:
— Ichirin, eu sei que você passou por muitas coisas, e eu não tenho o direito de dizer isto, mas, mesmo assim, saiba que quando tudo isto acabar, eu prometo que vou ajudá-la a sair deste lugar onde a luz nunca alcança.
Por algum motivo aquelas palavras acendiam uma chama no coração de Ichirin. Ela sabia que aquelas palavras não eram vazias e carregavam bastante peso para aquela garota que as disse. Era provável que fosse sua imaginação, mas Ichirin sentia que talvez Eve pudesse mudar algo que ninguém nunca havia conseguido.
…
Awaki continuava correndo pelas escuras ruas de Lumiose, e logo atrás, Kuro a seguia.
— Me espere, por favor! — pediu ele.
A garota estava correndo a alguns metros a sua frente, mas ao ouvir seu pedido parou.
— Você não vai mesmo desistir de me seguir? — indagou Awaki.
— Que bom que entendeu. — disse Kuro ofegante enquanto diminuía sua distância de Awaki.
— Por que você não me deixa ir atrás de Judge sozinha?
— Você disse que quer matá-lo e eu acho isto uma ideia bem maluca que pode acabar matando você.
— Se eu morresse, não faria diferença para você. — afirmou Awaki.
— Você está errada. — discordou Kuro. — É verdade que te conheço bem pouco, além de que você me colocou na fria. Mas eu nunca me perdoaria, se deixa-se alguém se matar assim, sem que eu tenho feito nada para impedir.
— Você é bonzinho demais, não me surpreende que eu tenha te traído da última vez. — comentou Awaki.
— Contando que você não faça isto de novo, estamos quites.
A garota do desastre sorriu, mesmo que de leve.
— Mudando de assunto, por que você quer matar Judge? — indagou Kuro.
— Isto não é da sua conta.
— Se é vingança, você deveria ouvir as palavras de Shiro.
— Contanto que eu mate ele, eu não me importo com o que aconteça depois. — revelou Awaki.
— E é por isso que eu ficarei ao seu lado, até tudo isto acabar.
Os dois conversavam calmamente, mas a serenidade se foi quando ouviram gritos próximos. Imediatamente, Awaki correu em direção do onde ouvira os pedidos de socorro, Kuro a seguiu e assim que os dois cruzaram a equina se depararam com um homem de lenços vermelhos assaltando, uma mulher e seus dois filhos, com uma faca.
Rapidamente Awaki, retirou sua Pokébola da saia e a jogou liberando seu Pokémon.
— Absol use Night Slash!
A lâmina acima de sua cabeça brilhou em um tom roxo escuro, e em um rápido movimento ele acertou seu golpa no braço do assaltante, fazendo um corte profundo que o fez sotar a faca e fugir pelas ruas desertas.
— Vocês estão bem? — indagou Kuro ao se aproximar dos assaltados.
— Estamos, muito obrigada. — respondeu a mulher.
— Eu não fiz nada, quem fez foi ela e seu pokémon.
A mulher se virou para Awaki e a agradeceu também.
— Não precisa me agradecer. — disse Awaki sorrindo. — Mas é melhor procurarem um lugar seguro, as ruas estão muito perigosas esta noite.
A mulher com seus filhos assentiu e se despediu.
Kuro por ter observado tudo, deu um leve sorriso e falou:
— Você realmente não é uma má pessoa.
— Do que vo…você está fa…falando! — exclamou Awaki nervosa e supressa com o comentário.
— É porque você, além de ter ajudado aquelas pessoas, também me ajudou na primeira vez que nos encontramos, e ainda por cima também me deu um beijo. — lembrou Kuro.
Awaki ficou vermelha e berrou:
— Aqui…quilo! Não significou na…nada!
— Eu sei. — Kuro tentou acalmá-la. — Agora, é melhor continuarmos.
A garota concordou, mas então os dois ouviram um barulho. Dessa vez não eram gritos, e sim cochichos, de onde seu som via de uma grande lixeira próxima dos dois. Quando se aproximaram puderam perceber que os cochichos eram de vozes infantis. Com isto, ficaram menos preocupados e resolveram abrir a lixeira, revelando duas crianças, um menino de cabelos pretos e uma menina de cabelos curtos e ruivos.
Assim que abriram, as crianças se assustaram, mas Awaki logo tratou de deixá-las mais calmas:
— Não se preocupem, nos não vamos machucar vocês.
As crianças ficaram mais tranquilas com o comentário dela, foi então que um ronco saiu da barriga do pequenino. Ao ouvir, Awaki pegou no bolso de sua jaqueta duas barrinhas de cereais e entregou uma para cada criança.
— Vocês estão com fome, não é? — sorriu ela.
As crianças começaram a comer a barrinha e agradeceram.
— O que você estavam falando na lata de lixo? — indagou Kuro.
— Se escondendo das pessoas más. — respondeu o menino.
— Vocês deviriam voltar para casa, ficar andando pelas ruas sozinhos pode ser bem perigoso, ainda mais nesta noite. — comentou Awaki.
— Nos não estávamos sozinhos. Papai e mamãe andavam com a gente, mas quando o homem mal apareceu na TV, tudo ficou confuso e nos perdemos. — contou a menina.
— Entendo. — disse Awaki pensativa. — Do que acha se eu levar vocês até a polícia? Tenho certeza que lá estarão seguros e os policias devem ajudar vocês a encontrarem seus pais.
— É sério? Muito obrigada maninha! — sorriu a pequenina.
Mudando um pouco o seu curso, eles começaram a andar em direção a uma delegacia. Kuro tinha ficado surpreso com aquilo, afinal Awaki parecia tão consumida pela sua vingança, mas, mesmo assim, resolveu parar para ajudar as pessoas, não apenas uma, mas duas vezes.
— Por que continua me seguindo? Não deveria estar indo atrás de sua amiga. — lembrou Awaki.
— Eu não conheço o caminho, então sou obrigado a te seguir, e eu não sou o único atrás da Eve tenho certeza que os outros também estão fazendo de tudo para ajudá-la. — explicou Kuro. — Além disso, como você disse, eu também sou bonzinho demais, para deixar as crianças sozinhas.
— Tam…também? — Awaki pareceu surpresa.
— Sim, afinal quem ajudou as pessoas que encontramos foi você.
— Eu não sou boa como você pensa. — contestou Awaki.
— Se você não é uma pessoa boa, por que você decidiu ajudar eles?
— Posso dizer que eu tenho uma fraqueza por crianças. Afinal, vivemos num mundo difícil, mas, mesmo assim, um simples gesto como comer uma barrinha de cereais, pode colocar um sorriso no rosto das pessoas, principalmente das crianças. — contou Awaki enquanto fitava as duas crianças conversando e sorrindo.
— Apenas uma barrinha? — riu Kuro, assim como Awaki que achou o comentário dele engraçado.
Os dois continuaram caminhando em silêncio, podiam ouvir apenas as vozes das crianças e os sons de seus passos. Kuro percebeu que Awaki estava se abrindo um pouco mais com ele por causa das crianças, e por isso resolveu tentar novamente e perguntar:
— Por que você quer matar Judge?
De início, Awaki pensou em não responder a pergunta, mas logo perceber que era melhor contar tudo para ele.
— Quando eu era pequena vivi em um orfanato e fiquei mudando de família para família, pois sempre que um casal me adotava algum infortúnio ocorria e eles morriam. Foi por causa desses desastre que eu ganhou este apelido, Garota do Desastre. — contou Awaki. — Um dia, quem me adotou foi Judge, que apesar de não ser o melhor pai do mundo, cuidava de mim, sempre se mostrando uma pessoa forte, por isso eu o admirava. Mas muitas coisas ocorreram, e bem, ele matou a minha melhor amiga, Anne.
Kuro queria dizer algo, confortá-la, mas palavras não saíram de sua boca.
— Judge nunca foi uma pessoa boa, mas, ainda assim, eu acreditava nele, ou melhor, eu queria acreditar. De certa forma, eu ainda quero, mas depois do que ele fez, eu não posso perdoá-la. — Awaki cerrava seus punhos — E não foi só a minha e a vida da Anne que ele estragou, dezenas, talvez centenas de pessoas foram prejudicadas por causa dele e da gangue vermelha, e é por isso que hoje será o fim deles.
— Acho que te entendo um pouco melhor. — comentou Kuro. — Mas ainda acho que você deveria mudar de ideia, afinal você está me lembrando o meu irmão.
— Como assim?
— Havia uma menina chamada Mirai, Shiro acabou se afeiçoando muito por ela. E então… — Kuro parou um pouco para respirar e continuar. — Um homem chamado Chasseur a matou. Ele ficou abalado com isto, e apenas conseguia pensar em sua vingança, tanto que não se importava em morrer junto.
— Sinto muito.
— O que importa é que no fim, conseguimos colocar a cabeça dele no lugar e ele desistiu da vingança. Fiquei muito feliz, pois não saberia o que eu faria se algo acontecesse a ele.
— Você deve gostar bastante de seu irmão?
— Eu gosto, mas estamos brigados. — disse Kuro.
— O que aconteceu?
— É vergonhoso dizer, mas eu descobri que ele mentia sobre o sabor da minha comida, dizendo que era deliciosa quando na verdade é horrível.
Awaki começou a rir e falou:
— Nesse caso, ele deve gostar mesmo de você para aguentar comer algo ruim por tanto tempo, só para te ver feliz. Vocês deviam fazer as pazes.
— Eu sei, na verdade, eu não estou com raiva dele. Eu estou triste, pois eu sempre gostei de cozinhar e agora que descobrir que eu não sirvo para isso, é como se algo importante tivesse me deixado.
— Por que você começou cozinhar?
A pergunta de Awaki, pegou Kuro de surpresa, pois ele não se lembrava direito, mas assim que fez um esforço a sua memória voltou.
Uma memória de quando ele, Shiro e Alice viviam no orfanato. Onde um dia, a cozinheira ficou doente e por isso, não tinham muita opção do que comer, mas Alice queria algo diferente e por isso Kuro resolveu cozinhar algo na cozinha, mesmo que não soubesse o que estava fazendo, mas com a ajuda de uma das empregadas, ele conseguiu concluir seu prato e deu para os outros provarem. Naquele dia, todos sorriram enquanto comiam a comida de Kuro, isto aqueceu seu coração.
Lembrando o que não deveria ter esquecido, Kuro fitou os olhos de Awaki e enquanto sorria, disse:
— Porque eu queria ver o sorriso de todos mais uma vez. Eu queria sentir aquele calor no meu coração de novo.
Mesmo que Kuro tenha falado algo fora de contexto, Awaki conseguiu entender.
— Então, não há motivo para desistir, afinal se uma barrinha de cereais consegue colocar um sorriso nos rosto delas, eu sei que você também conseguirá. — sorriu Awaki.
Kuro olhou para as crianças a sua frente e soltou um inocente sorriso.
…
— Ele não atende. Deve ter esquecido o celular no hotel. — comentou Shiro.
— Preocupado com seu irmão? — perguntou Aline.
— Estou, mas, no momento, devo manter o foco no resgate da Bonnie.
— É bom mesmo porque já chegamos. — anunciou Juvia.
Todos pararam de correr e fitaram a porta escura no fim do beco, onde havia um letreiro acima.
— Darkness Arena. — leu Clemont. — Então é aqui que a Bonnie está?
— De acordo com a informação de Scar, sim, mas ainda precisamos verificar antes de entrar. — Juvia olhou para Aline e fez um sinal a mão e seus dedos.
A mulher de cabelos roxos pegou uma pokébola e liberou um Pokémon quadrupede com aparência canina.
— Luxray, quero que faça o reconhecimento. — ordenou Aline.
Os olhos do Pokémon elétrico brilharam em um intenso dourado, e então ele começou a olhar por todo ao seu redor. Logo, Clemont percebeu o que ocorria, o Luxray era um pokémon conhecido como Olhos Brilhantes, pois seu olhos dourados eram capazes de enxergar através das paredes, como se fosse uma visão de raio-x.
— A Darkness Arena é grande, por isso deve demorar um pouco. — alertou Aline.
— Não tem problema é bom que podemos descansar. — comentou Juvia.
Apesar de não puder fazer nada naquele momento, Clemont estava agoniado, andando de um lado para o outro. Ele queria salvar a sua irmã o mais rápido possível, afinal Clemont se sentia culpado pelo rapto dela. Com o tempo, Shiro percebeu a inquietude de Clemont e perguntou:
— Quer conversar? Acho que isto te deixará menos nervoso.
Clemont se aproximou do outro e assentiu.
— Você está brigado com sua irmã? — indagou Shiro.
— Como você sabe? — exclamou Clemont surpreso.
— Eu também tenho um irmão mais novo e sei muito bem como é ruim quando brigamos.
— É ruim mesmo, ainda mais nessa situação.
— O que ocorreu entre vocês?
— Para falar a verdade, eu nunca gostei da minha irmã. Quando eu era pequeno a odiava. — desabafou Clemont.
— Mas por quê?
— A minha mãe morreu no parto da Bonnie. Acho que por isso, sempre que a via, sentia ódio e a culpava pela morte da mamãe. — contou Clemont. — Eu não fui o único que sofreu com isto, meu pai também sofreu bastante, na verdade, até a Bonnie, pois diferente da maioria, ela não tinha uma mãe para que cuida-se dela. Talvez tenha sido por isso, que ela sempre queria passar o tempo comigo, afinal o papai é bem ocupado. Mas eu, não aguentava ver o rosto dela, e mesmo que a deixasse no meu quarto, a ignorava completamente.
Clemont parou por um momento e respirou profundamente antes de continuar:
— Hoje, no Maid Café, por algum motivo, a Bonnie estava muito curiosa sobre a sua mãe e começou a fazer muitas perguntas. Quando eu me dei conta, eu estava dizendo a ela que se ela não existisse a nossa mãe ainda estaria viva.
O garoto loiro colocou as duas mãos em seu rosto e começou a apertar com força.
— Como eu fui idiota! Se eu não tivesse dito aquilo a Bonnie não teria corrido da gente e não seria sequestrada. É tudo minha culpa! — berrou Clemont.
Ele começou a tirar as mãos do seu rosto e quando Shiro o viu estava chorando.
— Eu não quis dizer aquilo, a verdade, é que com os anos, eu aprendi a amar aquela pequenina, mas nunca consegui demonstrar isso. E quando ela começou a falar da mamãe não consegui me controlar e disso algo que nunca deveria dizer. — chorrava Clemont. — Eu não quero perder a Bonnie, não como eu perdi a mamãe. Eu deveria ter me dito a ela como me sentia de verdade, deveria ter dito que a amava, mas agora não sei se terei esta chance novamente.
Shiro cerrou os punhos e socou Clemont em seu rosto, que como estava despreparado caiu no chão.
— Se recomponha-se! — gritou Shiro. — Se você quer dizer isto a ela, então diga!
— Mas e se não conseguirmos salvá-la? — berrou Clemont.
— Vamos conseguir, afinal é o trabalho de um irmão mais velho proteger os mais novos. — falou Shiro com muita seriedade.
Clemont limpou suas lágrimas e com a ajuda de Shiro levantou.
— Bonnie, só aguarde mais um pouco, pois eu irei te salvar. — disse ele para si mesmo.
Com o fim da discussão as coisas voltaram a ficar calmas, foi então que Luxray concluiu seu trabalho.
— Acabou? Me diga o que viu. — pediu Aline para seu Pokémon.
O pokémon elétrico começou a latir de forma baixo no ouvido de sua dona.
— Ela consegue entender o que ele fala? — indagou Shiro a Juvia, ao observar Aline e Luxray.
— Aline é especial, mesmo que seja poucos, ela consegue entender a língua de alguns pokémons. — respondeu Juvia.
Shiro admirou e invejou aquela habilidade, pois mesmo que conseguisse entender seus Pokémons, não sabia exatamente o que eles falavam.
Por fim, Luxray contou tudo a Aline que passou a informação a todos:
— Parece que encontramos a Bonnie…
Clemont estava preparado para comemorar de felicidade, quando ela continuou:
— …Mas não será nem um pouco fácil, há um total de 41 pessoas na Darkness Arena, sendo que 20 estão armados, além de 10 que possuem pokébolas. Para nos quatro invadirmos será impossível.
— Então, o que faremos? — indagou Clemont.
— Estamos numa situação complicada. — comentou Juvia. — Morrison, o homem que sequestrou Bonnie, já sabia do plano da gangue vermelha, por isso aproveitou chance para praticar o crime, ele também foi experto de se esconder na Darkness Arena, já que possuem poucas entradas e todas podem ser vigiadas.
— O que eu queria entender é o porquê dele ter feito isto? — questionou Shiro.
— Meu pai disse que ele queria se vingar dele, mas não sei o motivo. — respondeu Clemont.
— O motivo não importa. — disse Juvia. — O que importa é a forma que entraremos e em como salvaremos a garota.
— Posso estar errado, pois nunca entrei na Darkness Arena, mas ela foi construída em algumas estações de metro abandonadas, estou certo? — perguntou Shiro.
— Sim, isto é verdade. Antigamente Lumiose, tinha um projeto para um metro subterrâneo, mas depois de terem construído algumas linhas e estações, ele foi abandonado. Criminosos aproveitaram e construíram a Darkness Arena no local. — informou Juvia.
— Então, eu tenho um plano, mas para ele funcionar precisarei de sua ajuda.
— E qual o plano?
Shiro aproximou do ouvido de Juvia e sussurrou a sua ideia.
— Você está insano? — Juvia estava ao mesmo tempo assustada e admirada com o plano.
— Eu estou falando sério, então, vai cooperar?
— Devo dizer que uma ideia tão insana quanto me atrai. — comentou Juvia.
— Vai conseguir tudo a tempo?
Juvia se sentiu um pouco ofendida com a quela pergunta, então fitou os olhos de Shiro, sorriu e disse:
— É claro, afinal com que você acha que está falando?
…
Katherine e os outros continuavam correndo por Lumiose, em direção a base da gangue vermelha onde Evelyne estava sendo mantida. Jun era quem guiava o caminho para os outros quatro, mas quando eles chegaram próximo a praça principal da cidade, Praça Centrico, onde a Torre Prisma se localizava, os cinco tiveram que parar.
— Por aqui não vai dar para passar. — comentou Jun.
A Praça Centrico, por ser a maior da cidade, era muito aberta e diferente dos becos escuros da cidade, nela podia se ver todos em uma distância bem grande. Normalmente, aquele lugar era seguro, mas com todo o caos que ocorria, e a corta de energia de um terço da cidade, a praça estava cheia de pessoas da gangue vermelha, quebrando janelas, pondo fogo em carros e destruindo postes. Normalmente a polícia interviria mas estava ocupada demais, para conseguir lidar com aquilo.
Ao observar aqueles criminosos, Katherine e os outros sabiam que no momento que entrassem naquela praça, seriam atacados. Afinal, eles não pareciam pessoas normais, estavam se divertindo demais com aquela destruição.
— Mas se dermos a voltar, perderemos muito tempo. — alertou Lysandre. — Além disso, falta pouco mais de uma hora até o fim do prazo que Judge deu.
— Eu sei, mas não podemos passar pelo meio desses Vermelhos. Seria suicídio. — disse Jun.
— Deve ter alguma forma de passarmos sem sermos percebidos. — falou Katy.
— Impossível, a praça principal é muito aberta. — contestou Jun.
— E se tentarmos conversar com eles, para ver se eles nos deixam passar. — sugeriu Kali.
Os outros quatro não responderam, apenas olharam para Kali com feições de decepção.
— Pelo menos, eu estou sugerindo algo! — reclamou Kali.
Foi então, que naquele clima duvidoso, começou a chover. Assim que sentiram os pingos, os cinco olharam para cima. Com os pingos da chuva acertando seu rosto, os olhos vermelhos de Tetsuya brilharam e os outros entenderam o motivo, ele teve uma ideia.
— Talvez a ideia da Kali não seja tão ruim. — falou Tetsuya.
— Eu disse! — exclamou Kali orgulhosa. — Sério?
— Você ficou louco, os Vermelhos nunca nos deixaram passar. — alertou Jun.
— Não em condições normais, mas eles estão prestes a ver algo que a pequena mente deles nunca compreenderia. — Tetsuya sorriu.
— Poderia nos explicar? — pediu Lysandre.
— Vocês só precisam usar seus Pokémons para nocautear os Vermelhos, pois a parte principal do plano será executado por mim e pela Katherine.
Tetsuya olhou para a garota, vestida de Vivillon, com uma cara suspeita, algo que fez Kali sentir um frio na espinha. O garoto de cabelos brancos se aproximou da menina e sussurrou algo no ouvido dela
— Você vai querer que eu faça isto? — indagou Katy.
Tetsuya assentiu, mas naquele momento, quando deu exatas 11 horas da noite, os monitores de toda Lumiose ligaram novamente. E como todos já esperavam, quem estava aparecendo naquelas telas era Judge.
…
As duas garotas estavam naquele quarto conversando. Elas podiam ter se conhecido a pouco tempo, mas pareciam que eram amigas de velha data. Tudo parecia estar tranquilo, até que Judge entrou no quarto. Ele não entrou sozinho, Sid o acompanhava, assim como duas outras pessoas da gangue vermelha, uma segurava um computador, o outro uma câmera, e os dois objetos se ligavam por um extenso fio.
Judge foi direto para Evelyne e a agarrou no pescoço.
— Princesa, pode me dizer, porque a resposta de sua família está demorando tanto? — perguntou Judge.
— Eu te disse, não há como juntar tanto dinheiro em tão pouco tempo. Mas você já sabia disso, não é mesmo? — Eve tinha dificuldade para falar por causa da mão de Judge em sua garganta. — Qual ser verdadeiro objetivo, Judge?
Com raiva, Judge jogou Evelyne no chão com força, algo que quase fez Ichirin gritar, mas ela segurou, pois sabia que Judge não ficaria feliz da sua “amizade” com a princesa.
— Sid, prenda ela na cadeira. — ordenou Judge entregando quatro algemas e uma mordaça para o homem de moicano.
Ao ouvir aquele pedido, Sid se sentiu receoso, mas ao olhar para Eve, recebeu um olhar de confirmação, como se ela estivesse dizendo que estava tudo bem.
Ele levantou ela do chão e a ajudou a sentar na cadeira, algemando seus braços e pernas na cadeira, de uma forma que Evelyne não conseguisse mover nenhum de seus membros. Em seguida, Sid colocou a mordaça na princesa, para que assim ela não conseguisse falar.
— Muito bem. — sorriu Judge. — Vocês dois, podem começar a transmissão.
O homem que segurava a câmera começou a apontá-la para Eve, enquanto o outro digitava em seu computador. Alguns segundo depois, o que digitava, parou e fez um sinal de joinha para avisar que a transmissão tinha começado e estava ao vivo.
Assim como havia ocorrido antes, todas as televisões de Lumiose ligaram. Os únicos que estavam aparecendo na tela eram Judge e Evelyne, que estava presa na cadeira.
— Sou eu novamente! — sorriu o líder da gangue vermelha. — Eu acho difícil, mas talvez você tenham esquecido, afinal falta apenas 1 hora para dar meia-noite e eu ainda não recebi nenhuma resposta sobre o meu pedido de resgate.
Judge se aproximou de Eve. Ao seu lado, ele segurou a cabeça dela com a mão esquerda, já com a direita, ele retirou uma faca do bolso e começou segurá-la bem próxima ao rosto da princesa.
— Por essa demora, acho que vocês não estão me levando a sério. Vocês acham que eu estou blefando? — Judge sorria de orelha a orelha, o seu sorriso estava tão ameaçador como a sua voz. — Para provar que não, vou brincar um pouco com o rosto da princesa.
Judge pegou a faca e começou a esfolar o rosto da garota, que tentava gritar de dor, mas a mordaça não deixava, Eve se contorcia de um lado para o outro fazendo a cadeira balança. A cena era bem agoniante, visivelmente dava para perceber que a princesa sentia muita dor, enquanto sua pele era arrancada pela fina faca de Judge. Com a dor, os olhos de Eve começaram a se encher de lágrimas, e quando a primeira caiu, Judge arrancou um pedaço da pele do rosto de Evelyne.
O sádico desencostou a faca do rosto da princesa, que apesar de não estar chorando, era possível ver os seus olhos cheios de lágrimas. Judge se aproximou do ouvido da garota e sussurrou:
— Doeu, não foi? Mas eu já sabia, afinal eu acertei nos locais onde mais doíam do rosto.
Eve continuou imóvel.
— Parece que agora, você não é tão corajosa, princesa.
Após a provocação, Judge se voltou para a câmera e começou a falar em voz alta:
— Vai ficar uma cicatriz bem feia nessa ferida, mas é uma pena, a princesa tinha um rosto tão bonito. — sorriu Judge. — Agora, vocês devem estar me levando a sério. Se lembrem, vocês tem apenas uma hora, para entregar o resgate, se o tempo passar disso, eu lamento dizer, Kalos terá a sua primeira princesa sem pele.
Com a ameaça a transmissão foi cortada e Judge saiu do quarto, com os outros dois homens, sem nem mesmo olhar para Eve. Os únicos que sobraram dentro, foram Sid, Ichirin e a própria princesa que ainda estava algemada, mas assim que Judge saiu, Sid pegou as chaves e a retirou as algemas assim como a mordaça.
— Eve, você está bem? — indagou Ichirin preocupada.
Em primeiro momento, a princesa ignorou a pergunta de Ichirin, e resolveu ela mesma fazer outra pergunta no lugar.
— Vocês realmente vão acreditar naquele sádico maníaco?
Ichirin estava muito confusa, não sabia o que fazer, apenas sentia uma dor em seu coração, como se ele estivesse chorrando.
Continua na Parte 2
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