Pokémon RainStorm

31 Capítulo 21: Dia das Irmãs?


Notas iniciais
Olá amadas e amados leitores! E depois de muito tempo, sem termos capítulos da história principal, a jornada de Katherine finalmente volta para dar mais um passo outra vez! Este capítulo é muito importante para fic, não apenas por ele ser o começo de um novo arco, o “Arco das Luzes Apagadas”, mas ele também é o começo de uma nova temporada, “As Trevas de Kalos”. Por causa disso, este capítulo conta com diversas introduções a personagens e tramas novas, espero que gostem! Queria agradecer a todos que continuam comentando e dando apoio a fic vocês me ajudam muito mesmo! Hoje, em especial agradeço a Ittalo Shiver Soul Carmesim por ter feito uma belíssima recomendação da fic! Muito obrigado mesmo! Dito isto, tenham uma boa leitura!

Eu serei a próxima líder de ginásio de Laverre!

Cidade de Lumiose, 10 de novembro de 2016.

Sangue, era isto que se podia ver naquele momento, um corpo ensanguentado caído no chão. As pessoas ali presentes estavam assustadas, mas tentavam desfaçar o medo para não serem a próximas vítimas daquele homem impiedoso de cabelos grisalhos.

— Isto é o que acontece quando não obedecem ordens! – berrou ele enquanto segurava uma enorme faca coberta de sangue, que a poucos segundos, havia cortado o estômago do homem caído no chão.

Todos que observavam aquilo, inclusive o homem morto, usavam faixas ou lenços vermelhos em alguma parte de seus corpos, eles faziam parte da gangue vermelha e seu chefe era aquela que tinha assassinado seu subordinado.

— Vocês entenderam? – indagou ele de forma ameaçadora, arregalando seus olhos castanhos escuros.

— Sim, Líder Judge! – responderam todos os outros presentes quase que imediatamente.

— Muito bem. – O tom de voz de Judge estava mais calmo. – Limpem esta bagunça. – Ele largou a faca e começou a caminhar.

Estavam em um prédio abandonado ainda no meio da construção. Aquele era o térreo, Judge saiu de onde estava e subiu as escadas, indo até seu quarto. Quando entrou viu uma silhueta de um homem e instintivamente sacou uma arma.

— Quem é você? E o que está fazendo aqui? – indagou Judge enquanto apontava sua pistola para a silhueta.

— Se eu fosse você soltaria está arma, tenho homens cercando o prédio e se olhar por aquela janela vai perceber que um franco-atirador está preparado para te abater se tentar fazer algo. – ameaçou a silhueta.

Judge olhou para janela e viu o franco-atirador.

— Agora que viu que estou falando a verdade, poderia soltar esta arma para conversarmos?

— Sinto muito, mas quem me garante que a única coisa que impede daquele homem atirar na minha cabeça, é eu mirar na sua? – contou Judge.

— Uma decisão que pode ser interpretada como experta, mas também pode ser interpretada como idiota. – a silhueta fitou os olhos de Judge e suspirou. – Parece que você não vai abaixar mesmo esta arma.

— Percebeu só agora? Me diga, o que você quer? – indagou Judge.

— Eu pude observa vocês nos últimos dias e pude perceber que está entediado e enjoado do seu dia a dia como líder da gangue vermelha, mas para mudar isto, eu resolvi te fazer proposta. Quero que você faça algo pra mim e tenho certeza que você vai gostar bastante do que eu pedir. – contou a silhueta.

— O que você quer que eu faça?

A silhueta contou tudo para Judge, que ficou entusiasmado como não ficava a muito tempo.

— Muito interessante, mas me parece bem inviável, afinal você está pedindo uma loucura. – comentou Judge.

— Irônico você me falar isto, pelo que me foi informado, você já tentou fazer isto sozinho.

— Você está certo, mas eram propósitos e objetivos diferentes.

— Não se preocupe, lhe garanto que tudo o que estou lhe pedindo é possível.

— Como tem tanta certeza? – indagou Judge.

— Isto é porque eu sou…

Cidade de Lumiose, 11 de novembro de 2016.

— Depois de todo este tempo, nós retornamos, Lumiose! – exclamou Katherine.

— Realmente, tem 1 mês desde que partimos. – lembrou Shiro.

— Toda vez que vejo essa cidade me espanto com seu tamanho. – comentou Kuro.

— Finalmente vou poder comer novamente nos famosos restaurantes e provar de seus deliciosos doces! – gritou Evelyne de alegria com os olhos brilhando.

— Vocês parecem bastante animadas. – disse Calem.

— É que Aquacorde é tão pequena, que ver esta cidade enorme acaba me deixando eufórica. – contou Katy.

— Tudo bem ficar eufórica, mas não se esqueça de seus objetivos. – alertou Serena.

— Não se preocupe, eu estou bem focada. Da última vez que batalhei com o Meyer levei uma surra, mas dessa vez vou acabar com ele! – gritava ela com ansiedade. – Meyer se prepare, pois amanhã você será esmagado por Katherine Fée!

— Um pouco menos de ansiedade seria bom. – comentou Serena.

Após ter derrotado Viola, Katherine continuo treinando com Serena em Aquacorde e agora, depois de uma semana, usando seu clássico furisode e longas luvas brancas, ela estava de volta a Lumiose, junta a seus cinco amigos, para desafiar Meyer novamente.

— De toda forma, hoje devemos nos focar em encontrar a sua irmã. – lembrou Serena.

— Você tem razão, mas não estou com um bom pressentimento sobre isto. A Kali me ligou dizendo que viria para Lumiose e pediu para nos encontrarmos, mas conhecendo ela, sei que vai acabar me envergonhando. – falou Katy.

— Está quase na hora marcada, devemos ir até ela logo. Em que lugar combinaram de se encontrar? – indagou Serena.

— Eu não sei exatamente, ela não me mandou nome nem nada, mas me mandou um endereço. – contou Katy.

— Isso é suficiente, vamos encontrá-la.

Os seis jovens tinham chegado ao local marcado, mas ao verem o lugar que possuía aquele endereço se assustaram.

— Você só pode estar me esculhambando? – berrou Serena.

Eles encaravam a entrada em formato de coração para o prédio com nome obsceno escrito nele e uma legenda embaixo escrito “Para os casais com fogo em seus corações”.

— Não pode ser, a Kali realmente fez isso. – disse Katy envergonhada. – Ela não tem vergonha nenhuma, como ela pode marcar nosso local de encontro aqui!

— Não fale assim de mim, vou ficar triste. – disse uma garota de cabelos pretos com maria chiquinha e olhos alaranjados, ao chegar por trás de Katy e começar a apertar seus peitos. – Mas sentir essa maciez em minhas mãos me deixa feliz.

Todos coravam a ver a garota brincar com os seios da Katy, principalmente os garotos, que quase deixavam sangue cair por suas narinas. Já Katherine, estava complemente vermelha, era de longe a mais corada de todas e envergonhadas de todas.

— Nossa! Eles estão maiores do que da última vez! – comentou a garota pervertida.

— Kali, pare com isso! – berrou Katy ao sentir uma das maiores vergonhas de sua vida.

— Não seja assim, tem mais de um mês desde a última vez que brinquei com eles! Estava sentindo falta, tanto que minhas mãos começaram a atacar os peitos das nossas outras irmãs! – contou Kali.

— Controle mais suas mãos! E pare logo!

— Está bem. – Finalmente Kali havia soltado os seios de Katy. – Mas admita que você gostou.

— É claro que não, sua idiota! – Katherine deu um tapa no rosto de sua irmã que ficou com a marca de mão no rosto.

— Essa doeu, mas não me arrependo. – Kali sorriu de forma maliciosa.

Depois de toda aquela loucura e comoção, Katy resolveu apresentar sua irmã para seus amigos e vice-versa, assim todos se cumprimentaram.

— Com as formalidades feitas, quero deixar um aviso bem claro a todos, não pensem em fazer coisas pervertidas com a minha querida irmãzinha, porque apenas eu posso fazer isto com ela!

Todos ficaram vermelhos.

— Kali! – berrou Katy tentando fazer sua irmã parar.

— Estou sentindo algo estranho… não, não me diga que você já fizeram alguma coisa pervertida com minha irmã? Essas caras de culpados, não pode ser verdade! – Kali encarava os cinco amigos de Katy que desviaram os olhares.

— Kali, por favor, pare! – pediu Katy toda corada e envergonhada.

— Me respondam! – ordenou Kali fitando os cinco.

— Bem, acho que todos aqui já a viram nua. – respondeu Kuro envergonhado que logo depois recebeu olhares nada amigáveis de seus amigos.

— Impossível! O que vocês fizeram com a minha doce e pura irmã? – berrou Kali.

— Não é o que você está pensando, só tomamos um banho juntos, não aconteceu nada! – Katy tentava acalmar sua irmã mas ao mesmo tempo ela mesma ficava cada vez mais nervosa. – Bem, não era exatamente isto que eu queria dizer! Nós fomos para as fontes termais, mas eram banhos separados para garotas e garotos, só que eles resolveram nos espionar, por isso que me viram sem roupa! Não aconteceu nada entre nós!

Kali olhou para os garotos de forma ameaçadora, seus olhos pareciam estar os atacando.

— Como ousarem em espionar a minha irmã! – gritou Kali ferozmente.

— A ideia foi do Calem! – contou Kuro.

— Isso mesmo, se for para matar alguém, mata ele! – concordou Shiro.

— Calma ai! Você queria que fizemos o que? Em toda obra que tem fontes termais no meio, os garotos têm que espiar as garotas, este é um clichê que tem que ser respeitado. – explicou Calem.

Kali pareceu se acalmar:

— Isso é verdade.

— Ela foi convencida! – Todos pensaram sem acreditar que o argumento de Calem, havia funcionado.

— Mas espera ai! Tem outro clichê neste tipo de cena. – Kali fitou Serena e Evelyne. – Vocês sabem do que eu estou falando? Não tentaram fazer nada com a minha irmã, não é?

Eve engoliu seco.

— Sabe, como era um clichê que aparece muito nos animes e mangás, eu tinha que tentar, então sabe, eu apertei os peitos da Katy, mas foi só um pouquinho.

— O que você fez! – Kali pulou para cima de Eve, mas foi segurada por Katy antes. – Me solta que eu vou acabar com a raça dela!

— Foi por causa do clichê! Eu também apertei os peitos da Serena como prova! – berrou Eve desesperada.

— Eu não me importo!

— Mas essa desculpa funcionou para os garotos. – contestou Eve.

— Vocês podem tocar onde quiserem na Katy, nas pernas, bunda, ou até partes mais íntimas, mas apenas eu posso tocar nos peitos dela! – gritou Kali.

— Pare com isso! – Katy deu outro tapa na cara de Kali que parou de tentar pular em cima da Eve. – Primeiro você diz para não imaginarem coisas pervertidas comigo, agora diz que podem fazer o que quiserem contanto que não toquem nos peitos! Kali, sua idiota! – Katy deu outro tapa na cara de Kali e continuou por um tempo.

— Katy, eu acho que você já pode parar. – comentou Shiro.

— É verdade, me desculpe Kali, acho que exagerei. – Katy soltou sua irmã.

— Não se preocupe, eu mereci, afinal passei um pouquinho dos limites. – riu ela.

— Só um pouquinho, né? – riu Katy. – Fiquei surpresa quando recebi sua ligação, é raro a vovó deixar alguém viajar.

— É verdade, aquela velha é bem rabugenta as vezes. – riu Kali.

— Então, o que veio fazer em Lumiose?

— Como você saiu, uma vaga a candidata a sucessora surgiu, então, a próxima da fila era eu. Então acabei me tornando uma candidata e estou treinando para tentar assumir o ginásio de Laverre e suceder Valerie. – contou Kali.

— Isso é incrível! Meus parabéns mana! – sorriu Katy.

Kali sorriu para sua irmã e voltou a falar:

— Como parte do treinamento, eu fui escolhida para acompanhar Valerie em Lumiose para um evento que acontecerá nos próximos dias.

— Isso quer dizer que a Valerie está em Lumiose? – indagou Katy.

— Sim, mas está muito ocupada organizando o evento e não pode vir comigo te ver, mas tenho certeza que poderemos nos encontrar com ela depois. – respondeu Kali.

— E que evento é este?

— Como temos muito o que conversar, vamos para outro lugar que contarei tudo.

Ele estava em num corredor de alguma escola, andava desleixado como lembre, mexendo em seus cabelos prateados e bagunçados. Foi então que viu com seus olhos vermelhos, um grupo de alunos usando a mesma farda que ele reunidos. Não tinha interesse no que estava acontecendo, mas como precisava chegar ao outro lado do corredor, teve que passar pelo grupo e viu o que estava acontecendo. Um garoto baixinho estava caído no chão enquanto outro mais alto, o olhava em pé de forma que passasse uma sensação de desprezo.

— Você é realmente um fracote. – comentou o garoto mais alto. Ele possuía olhos cinzas e cabelos roxos cheios de gel. – Devia aprender a colocar em seu lugar e não me desafiar outra vez.

O garoto de olhos vermelhos que via tudo de fora, preferia não interferir, afinal ele odiava se meter em problemas, prezava pela vida mais calma que poderia ter, mas como conhecia a figura de cabelos roxos, resolveu confrontá-lo.

— Raphael, pode parar de mal tratar este garoto, duvido que ele tenha feito algo para te ofender.

— É o preguiçoso Tetsuya! Achei que você não se importasse com os problemas dos outros para meter seu nariz onde não é chamado. – disse o garoto de cabelo roxo.

— Você acertou, mas como estão fechando o corredor e minha aula é do outro lado da escola, eu preciso passar. Então, estou pedindo parar de brigar com este garoto que não fez nada e ir embora.

— Como não fez nada? Ele se esbarrou em mim e não quis me obedecer quando mandei ele lamber meus sapatos! – reclamou Raphael.

— A culpa não é dele de nunca ter ouvido a sua péssima reputação de querer mandar nos outros, afinal você voltou a pouco tempo de seu intercambio e como ele é um aluno novo, nunca ouviu falar do esnobe e irritante Raphael. – contou Tetsuya.

— Esnobe e irritante? Vejo que você não mudou nada desde que partir.

— Já que percebeu, por favor, saia do meu caminho. – sorriu Tetsuya.

Raphael não tinha paciência para aquilo e deu um soco no rosto de Tetsuya que caiu no chão.

— Você realmente é um cara chato, não me admira que quase toda escola resolveu participar da viajem a Unova exatamente quando você voltaria, tudo pra não ter que lhe ver de novo. – comentou Tetsuya se levantando do chão.

— Está insinuando algo seu desgraçado. – Raphael preparava para socar Tetsuya mais uma vez.

— Você é realmente um desses idiotas que quando perde no argumento e não sabe mais o que falar, parte para violência física. – riu Tetsuya.

Raphael que estava quase socando o outro garoto desistiu.

— Não tem graça bater num fracote que nem você. – comentou ele ao começar a caminhar para ir embora.

— Não me importo com minha força física, eu sou um treinador muito melhor que você e tenho certeza que te derrotaria com olhos fechados. – argumentou Tetsuya.

Raphael voltou a fitar Tetsuya.

— Você realmente acha que é um melhor treinador do que eu?

— Não, eu tenho certeza. – respondeu Tetsuya.

— Então, porque não resolvemos batalhar, daqui dois dias ocorrerá um torneio, vamos participar dele e assim poderemos ver quem é o melhor. – sugeriu Raphael.

— Eu estava pensando em pular este torneio, mas como você pediu com tanto jeitinho, eu aceito.

Os sete estavam sentados numa grande mesa, dentro do Maid Café mais famoso da região, diversas garçonetes vestidas de empregadas com orelhas de Pokémon gatos ou caninos passavam por ali, atendendo as diversas mesas.

— Um torneio a fantasia?

— Isso mesmo, Valerie está como convidada especial para este torneio que ocorrerá em dois dias e será organizado por este Maid Café, para entrar há apenas um requisito, ir fantasiado de algum Pokémon. – explicou Kali. – A vovó disse que seria um bom treinamento assistir o torneio e observa Valerie, então cá eu estou.

— E como eu faço para participar? – indagou Katy com olhos esfomeados por batalhas.

— É só se inscrever no balcão de recepção. – disse a garçonete que os servia, ela era pequena, loira de olhos verdes e estava vestindo roupas de empregadas com orelhas de cachorrinho. – Tenho certeza que será um evento muito divertido, então quando tiverem a chance se inscrevam.

A Maid sorriu belamente.

— Nós já nos conhecemos? Você me é bastante familiar. – comentou Katherine.

— Eu mentiria se dissesse que não, também reconheço alguns de vocês, devem ter vindo aqui antes. – contou a Maid.

— Você é a Azuki Azusa! Você cantou muito bem da última vez. – lembrou Eve.

— Obrigada! – sorriu Azuki. – Tenho que voltar a meu trabalho, espero ver vocês no torneio a fantasia!

Azuki foi embora e deixou os setes na mesa a sós.

— Então Katy, eu te contei tudo sobre o que aconteceu enquanto estava fora, agora é sua vez. – pediu Kali.

Katherine assentiu e contou todas as coisas boas sobre sua viajem, mostrou seus Pokémons e sua insígnia, mas omitiu os fatos mais tristes que ela não queria lembrar.

— Muita coisa aconteceu mesmo. – refletiu Kali.

— Tenho uma coisa que eu gostaria de perguntar. Que roupas são essas? Por que não está usando seu furisode? – indagou Katy se referindo a camisa preta e saia curta vermelha de sua irmã.

— Isso é obvio! Estou em uma viajem, é claro que tenho que usar roupas diferentes. Não achou que eu ficaria andando com um furisode por um lado e pro outro, não é mesmo?

— E qual é o problema de viajar usando um furisode?

— Katy, não vai me dizer que está usando esse furisode sempre? – indagou Kali.

Katy ficou calada como se estivesse assentindo.

— Pelo menos, você está lavando?

— É claro que sim! – berrou Katy.

— Mas por que você continua usando este furisode, mesmo podendo usar diferentes tipos de roupas?

— Mesmo que eu não seja mais uma garota furisode oficialmente, eu continuo usando este furisode para me lembrar de quem eu sou e de onde eu vim, pode parecer uma coisa meio boba, mas ainda não estou pronta para deixar este furisode pra trás. – contou Katherine.

— Não posso dizer que te entendo, afinal nossas posições são bem diferentes, mas se te faz sentir melhor, continue usando a vontade, só não se esqueça de lavar. – riu Kali.

— É claro que não vou! – reclamou Katy.

Depois de algumas risadas, o silêncio retornou e Kali falar:

— Ainda tem uma coisa que está me incomodando.

— O que foi? – indagou Katy.

— Por que está usando essas luvas? É algum tipo de moda? – indagou Kali referindo-se as longas luvas brancas que cobriam das mãos de Katy até o fim de seu antebraço, onde as mangas do furisode começavam a aparecer.

A pergunta pegou Katherine de surpresa que exitou em responder, ficando em silêncio por alguns segundos. Foi então que ela suspirou e finalmente resolveu falar.

— Eu uso essas luvas para esconder isto. – Katy retirou as luvas e mostrou seus braços cheios de cicatrizes para sua irmã que ficou em choque sem conseguir falar nada. Katherine resolveu colocar a luvas de voltas e disse com uma voz triste. – Eu não lhe contei tudo que aconteceu comigo, há coisas que prefiro não lembrar.

Kali ainda estava tentando processar a imagem do braços de sua irmã. Ela tentava imaginar tudo que poderia ter acontecido com Katy assim como as dificuldades que ela teria enfrentado. Todos permaneceram em silêncio em um clima melancólico.

Foi então que a Maid Azuki anunciou:

— E a hora do Karaokê começou! Aqueles que quiserem participar é só subir no palco escolher uma música e começar a cantar!

Ao ouvir Azuki, Kali teve uma ideia. Ela se levantou segurou a mão de sua irmã e disse:

— Vamos cantar uma música.

— Vai ter muita gente olhando. – alertou Katy com vergonha.

— Não se preocupe, eu estarei ao seu lado. – sorriu Kali.

Katherine assentiu e junto a sua irmã subiram no palco.

— Que música desejam cantar? – indagou Azuki entregando-as um menu com diversas músicas escritas.

— Não tem a grande família Bidoof. – comentou Katy.

— Vamos querer Sister’s Noise. – disse Kali ao escolher a música. – Você se lembra da letra, Katy?

— É claro!

Com tudo preparado, a música começou a tocar e as duas cantaram belamente agrando todos presentes.

Fazia bastante tempo que não cantava junto com a Kali, não me lembrava que era tão divertido, apesar de eu estar nervosa com todas aquelas pessoas olhando para mim. Quando eramos mais novas, costumávamos fingir estar dentro de animes e desenhos que assistíamos enquanto cantávamos e ouvíamos as aberturas. A vovó reclamava com a gente por colocar o volume da música muito alta, Kali ficava com raiva da reclamação e aumentava ainda mais o volume, isto não dava muito certo e acabávamos de castigo.

Lá estava ele, sentando na cabeceira da longa mesa retangular que sediava a reunião entre diversos empresários e políticos famosos de Lumiose. Possuía cabelos laranjas espetados que se uniam a sua grande barba da mesma cor e formato, assim transformando os pelos de sua cabeça em algo parecido com uma juba laranja e chamativa, seus olhos eram dourados e ele vestia um terno preto extravagante com detalhes e vermelhos assim como sua gravata que era picotado no meio, assim parecendo mais um lenço.

— A taxa de aumento dos lucros das grandes empresas de Lumiose vêm diminuindo. Proponho que procuremos um reajuste de imposto, os elevando para assim garantir um maior lucro por parte governamental. – sugeriu um empresário que participava da reunião.

Os outros presentes pareciam aceitar bem a ideia, exceto pelo misterioso homem de juba laranja, que os olhava com desprezo.

— Senhor Lysandre, tem algo a comentar? – indagou um dos presentes ao misterioso homem.

— Vocês são uma escória. – respondeu ele.

Todos ficaram supressos.

— Acho que eu ouvi errado, pode repetir. – pediu uma mulher.

— Não, vocês ouvirem certo. – disse Lysandre se levantando. – Vocês querem aumentar a taxa de impostos de Lumiose, que já é uma das mais altas da região de Kalos, assim para garantir mais dinheiro fácil do povo.

— Acho que o senhor não está entendendo, os impostos servem para pagar as contas e ajudar a desenvolver a cidade. – argumentou um homem presente.

— Você está certo, os impostos são importantes e devem existir, mas quando a quantidade não reflete na qualidade algo está errado. Em vez de investirem os impostos em praticas de desenvolvimento tanto na cidade como em suas próprias empresas, os senhores preferem gastar para o próprio prazer assim criando uma queda na produção e como consequência diminuição na taxa de aumento de lucros. Como solução, vocês resolvem aumentar os impostos, para assim o povo ter que pagar pelo dinheiro que foram gastados para prazeres seus. – contestou Lysandre.

— Você tem ideia com quem você está falando? – berrou um homem.

— É claro, estou conversando com os mais corruptos da cidade. – respondeu Lysandre.

— Parece que você não entende o mundo empresarial. Desse jeito a sua empresa vai ser a primeira a cair.

— A taxa de aumento de lucros no último ano aumentou em mais de 500% nos Laboratórios Lysandre e com o lançamento do nosso novo projeto o Holo Caster, este número aumentará. Então, eu diria que não estou nem um pouco preocupado em minha empresa cair. – Lysandre se levantou e caminho até a porta. – Mas eu acho que vocês já sabiam disto, afinal o verdadeiro motivo para a taxa de lucros de suas empresas estarem diminuindo é o de que a da minha empresa está aumentando, talvez por ela estar roubando seus consumidores. – Lysandre abriu a porta. – E mais uma coisa, eu não sei quem de vocês fez estas contas erradas, mas a taxa de lucro geral de Lumiose está aumentando e não diminuindo, o que está diminuindo são as taxas de suas empresas mesmas. – Lysandre saiu enquanto dizia. – Acho que logo, não terei mais concorrentes.

— Pronto, agora poderei participar do torneio a fantasia. – comentou Katy. – Não vai se escrever também, Serena?

— Sinto muito, mas eu e o Calem não poderemos participar, nós partiremos assim que sua batalha com Meyer terminar. – respondeu Serena. – Falando nisso, precisamos resolver algumas coisas hoje, nós encontramos no hotel de noite.

Os dois partirem e deixaram os cinco restantes.

— Eu também vou indo, tenho que resolver algo no Hospital Geral de Lumiose. – contou Shiro.

— Foi William que pediu? – indagou Katy.

— Sim, ele falou para visitar o Hospital e se encontrar com alguém chamado Dominique, que vai me passar algumas tarefas e passar alguns livros. William disse que um pouco de prática e contato direto com os pacientes será bom. – respondeu Shiro.

— Você quer ser um médico? – perguntou Kali interessada.

— Eu ainda não tenho certeza, mas sei que quero usar essas mãos para ajudar pessoas, por isso, no momento vou seguir este rumo até ter certeza do que realmente quero. – revelou Shiro.

Kali encarou Shiro de forma que o deixou desconfortável.

— Eu disse algo errado? – questionou ele.

— Não é nada. – suspirou ela.

— Então vou indo para não me atrasar.

Shiro foi o próximo a partir.

— Mais cedo, eu vi que estava tendo uma feira de culinária não muito longe daqui. Vou até lá para ver se acho alguns ingredientes e receitas novas para minha comida. – contou Kuro.

— Você cozinha? – indagou Kali.

— Sim, meus amigos adoram a minha comida! Não é mesmo, Katy?

— Que….quer dizer…claro! – gaguejou Katherine.

— Um dia vou querer prová-la! – confessou Kali.

— Então eu farei pra você. – sorriu Kuro.

Katy e Eve pareciam receosas com o pedido de Kali.

— Até mais! – disse Kuro ao deixar as três garotas sozinhas.

— Só sobrou a gente. – comentou Katy.

— Isto não é problema, pois hoje será o dia das irmãs! – anunciou Kali.

— Dia das irmãs?

— Isso mesmo, como já faz mais de um mês que não passamos tempo, juntas. Quero celebrar este reencontro passeando por Lumiose com você, assim nós duas vamos nos divertir muito!

— Kali, você está esquecendo da Eve. – lembrou Katy.

— Eu achei que ele também ia dar alguma desculpa e ir embora para nós deixar a sós. – disse Kali.

— Na verdade não. – contou Evelyne. – Eu estava pensando em passear com vocês.

— Está bem. – Kali parecia decepcionada. – Então, hoje será o dia das irmãs mais ela.

Serena havia acabado de sair do aeroporto de Lumiose com Calem.

— Agora está tudo resolvido. – disse Serena.

— Tem certeza que acha uma boa ideia viajar para Unova? – indagou Calem.

— Não muita, mas como eu prometi a Mauser que cuidaria da neta dele, tenho que manter a minha palavra. – respondeu Serena. – De toda forma, viajar para uma nova região vai ser divertido e pode servir como um bom treino.

— É verdade, e o melhor de tudo, eu ficarei sozinho com a Senhorita Serena por bastante tempo!

— Isto não vai acontecer. Eu vou para Unova sozinha.

— Mas eu vi você comprando duas passagens. – contestou Calem.

— Você está certo, mas a sua passagem não é para Unova e sim para Hoenn. – revelou Serena.

— Hoenn? Lá não era o lugar onde a Shauna está?

— Isso mesmo, quero que você vá se encontrar com ela e a ajude em sua pesquisa.

— Não pode mandar outra pessoa no meu lugar? – reclamou Calem.

— Olhe o lado bom, você queria passar um tempo sozinho com uma garota, agora vai poder com a Shauna. – riu Serena.

Calem suspirou, estava relutante, mas acabou assentindo. Foi então que os dois viram uma pessoa familiar não muito longe, acenando para eles.

— Aquele não é o… – Calem foi interrompido por Serena.

— Sim. – suspirou Serena. – Fique aqui, que eu falarei com ele.

Serena caminhou até o rapaz que havia acenado para ela, quando foi se aproximando sua aparência ficou mais clara e era na verdade Scar.

— Olá minha fofa! – sorriu Scar.

— Eu já te pedi para não me chamar mais assim. – lembrou Serena vermelha.

— Velhos hábitos. – riu Scar.

— Então, o que você quer? – indagou Serena.

— Só passei para dar um oi, mas me parece que estou atrapalhando o seu encontro com o Calem. – brincou Scar.

— Você sabe muito bem que não é isto que está acontecendo. – disse Serena corada.

— Pelo que vejo, você vai viajar para Unova nos próximos dias. – Scar mudou o assunto.

— Sim, eu tenho uma promessa a cumprir.

— Saber que você vai viajar me deixa feliz e triste ao mesmo tempo.

— Como assim? – perguntou Serena

— Triste porque você não me contou.

— Você descobriria de qualquer forma.

— Apesar de ser verdade, isto não vem ao caso. – argumentou Scar.

— E por que você fica feliz?

— Porque as coisas ficaram meio malucas nos próximos dias.

— O que você quer dizer?

— Ultimamente a gangue Vermelha está chamando mais atenção e causando mais problemas. Judge não parece estar com a mente no lugar certo. Sinto que coisas ruins aconteceram e terei que agir. Por isso fico feliz que você não estará aqui, assim não preciso me preocupar com a minha fofa se metendo em problemas. – explicou Scar.

— Coisas ruins? – disse Serena para si mesma de forma pensativa

— Está ficando preocupada com seus novos amigos? – Scar acertou os pensamentos de Serena. – Se é isto, não se preocupe, tomarei conta deles, além disso Katherine Fée é conhecida da Juvia, que parece ter um grande afeto por ela, então além de mim, a gangue Azul também os protegerá se necessário.

A garota de cabelos dourados suspirou, ficando quieta por alguns segundo. Foi então, que finalmente resolveu falar:

— Como você não costuma mentir para mim, eu acreditarei em você.

Scar sorriu e abraçou Serena.

— Tome cuidado em Unova, minha fofa.

— Eu já pedi para você não me chamar assim, seu bobo. – disse Serena de forma carinhosa enquanto retribuía o abraço.

Por fim Scar se despediu e foi embora.

—Obrigado por sua ajuda, aqui estão seus livros. – disse um homem da mesma idade que William entregando diversos livros para Shiro, que colocou em sua mochila.

— Eu que agradeço, Doutor Dominique. Mas não te ajudei em nada, apenas o observei atendendo pacientes. – falou Shiro.

Eles estavam em um corredor do Hospital Geral de Lumiose.

— Você está correto, mas sua presença trouxe mais segurança aos pacientes. Como o este hospital atende pessoas de qualquer faixa etária, é comum as pessoas se sentirem mais à vontade com jovens do que velhos como eu. – contou Dominique. – Observe os corredores, vê algo que acha interessante?

Shiro observou bem o local e viu diversos integrantes do hospital andando de um lado para o outro cuidando de pacientes.

— Muito deles são jovens. – respondeu Shiro.

— Ótima percepção. – elogiou Dominique. – A maioria desses jovens são estudantes fazendo estágios, isto ajuda bastante o hospital. Claro que todos eles são supervisionados. Quem sabe um dia, você possa ser um desses jovens.

— Talvez, eu ainda tenho muitas coisas para resolver antes.

Dominique assentiu.

— Eu tenho que ir, foi um prazer te conhecer Shiro.

— O prazer foi meu. – Os dois apertaram as mãos e se despediram.

Shiro estava pronto para ir embora e encontrar-se com os outros no ponto marcado, mas quando estava prestes a sair se esbarrou com uma garota e os dois cairiam. Depois de reclamar da dor e se levantar, Shiro olhou para a garota ainda no chão e perguntou:

— Você está bem?

— Estou e me desculpe, eu não estava prestando atenção. – respondeu ela tentando se levantar, mas sem conseguir.

— Precisa de ajuda? – Shiro esticou o braço para a garota que aceitou e segurou sua mão, assim conseguindo levantar, mesmo que com um pouco de dificuldade.

— Muito obrigada. – disse ela.

— Você realmente está bem? – questionou ele, após ter visto a dificuldade dela para se levantar.

— Sim, é que eu sou bem fraquinha mesmo. – Ela tinha longos cabelos castanhos e olhos verdes, estava vestindo algo que parecia um pijama branco que fez Shiro perceber que ela era uma paciente.

— Fraquinha?

— Eu não tenho muita força em meu corpo, então as vezes não consigo ficar em pé e acabo caindo, mas não é nada para se preocupar. – sorriu ela.

— Entendo. – falou Shiro, ao perceber a situação da garota.

— Você está trabalhando aqui? – indagou a garota.

Shiro negou.

— Por isso não te reconheci. – riu ela. – A propósito, me chamo Daisy Oak.

— Shiro Bretteur é meu nome.

— Então, o que você veio fazer aqui? É algum paciente?

— Não, eu vim resolver algo com o Doutor Dominique.

— Você não está trabalhando aqui, mas foi falar com o Doutor Dominique. Está a procura de algum trabalho?

— No momento, não.

Apesar de ter um corpo bem fraco, Daisy parecia ser uma garota bem alegra que estava sorrindo quase que todo o tempo.

— No momento? Então planeja trabalhar aqui no futuro?

— Eu ainda não sei, tenho assuntos para resolver primeiro, além disso teria que estudar muito para conseguir alguma chance de trabalhar aqui. – respondeu Shiro.

— Que tipo de assuntos você tem para resolver? – indagou Daisy.

— É impressão minha ou você faz perguntas de mais?

— Me desculpe. – riu Daisy. – É que eu já passei muito tempo neste hospital, então conheço todo mundo. Toda vez que me encontro com alguma pessoa nova fico bem ansiosa e começo a fazer milhares de perguntas.

— Você conhece todo mundo? Mas este hospital é enorme.

— É verdade, mais já passei anos andando por estes corredores. – contou Daisy.

— Ano? – repetiu Shiro inconscientemente por não acreditar naquilo.

— É, desde pequena, vivo em hospitais. Pode parecer chato, mas depois você se acostuma e os todos são bem gentis comigo. Além de que é bem divertido conhecer todos que entram e saem daqui! – exclamou Daisy sorrindo.

Shiro riu um pouco.

— O que foi? – indagou ela.

— É que você me faz me lembrar de uma amiga. – contou Shiro.

— Como assim?

— Vocês duas se animam bastantes em conhecer coisas novas, assim como sempre tentam olhar pelo lado positivo das coisas. – explicou Shiro.

— Eu não sou exatamente assim. – contestou Daisy.

— Foi esta a impressão que eu tive. – riu Shiro.

— E essa sua amiga, poderia me apresentá-la algum dia? – perguntou Daisy.

— É claro, tenho certeza que vai gostar dela.

— Ótimo, então vamos fazer uma prome… – Daisy sentiu uma grande dor na cabeça e começou a se desequilibrar.

— Daisy, você está bem?

— Estou, é só uma dorzinha de cabe… – Daisy sentiu outra grande dor em sua cabeça e desmaiou, por sorte, Shiro conseguiu segurá-la.

— Socorro! Ela precisa de ajuda! – gritou Shiro.

Aqueles que passavam pelos corredores, logo, os viram e aparecerem para ajudá-los. Daisy foi levada até sua cama em seu quarto, onde começaram a injetar algum tipo de soro em sua veia, assim como colocaram uma máscara de gás em seu rosto.

— Ela vai ficar bem, não se preocupe Shiro. – disse Dominique ao ver o garoto preocupado.

— Doutor, o que ela tem? – indagou ele.

— Para falar a verdade, não sabemos, desde pequena Daisy tem uma doença misteriosa, por causa disso o corpo dela é bem fraco. As vezes ela tem alguns ataques assim e acaba desmaiando.

— E não tem nenhuma forma de curá-la?

— Médico não são deuses, há coisas que não conseguimos fazer, existem diversas doenças que não possuem cura. A primeira coisa que alguém deve saber como médico é que nem sempre é possível salvar todo mundo. – contou Dominique. – Felizmente, mesmo não sabendo a causa o como curar a doença da Daisy, enquanto ela estiver no hospital recebendo o devido tratamento ela poderá continuar vivendo normalmente.

— Vivendo normalmente? Como é que alguém que tem que passar a vida todo dentro de um hospital pode viver normalmente? – berrou Shiro.

— Eu entendo sua frustração, mas é assim que as coisas são. – Dominique preparou para sair do quarto. – Se quiser pode esperar aqui, ela não deve demorar muito para acordar.

Dominique saiu do quarto e Shiro ficou lá sentando esperando Daisy acordar e depois de alguns minutos, isto finalmente ocorreu.

— Eu desmaie de novo? – perguntou Daisy.

— Sim, me deu um grande susto. – contou Shiro.

— Me desculpe. – riu Daisy.

Shiro se aproximou da garota segurou sua mão e cruzou seu dedo mindinho com o dele.

— O que está fazendo? – indagou ela.

— Era isto que você queria fazer antes de ter desmaiado, não é mesmo? Uma promessa?

Daisy assentiu.

— Então, é uma promessa. – sorriu Shiro.

Kuro estava passeando pela feira de culinária, olhando e anotando ingredientes e receites que poderia fazer algum dia. Foi então que um homem lhe chamou atenção:

— Venha aqui, jovem! Tenho diversos ingredientes a venda que deixarão sua comida deliciosa.

— No momento estou apenas olhando, decidirei se comprarei algo depois. – contou Kuro. – Seria bom se eu pudesse testar os ingredientes primeiro.

— Então eu tenho o local ideal para você! Há uma loja perto daqui onde é possível entrar e preparar uma pequena porção de comida com os ingredientes dela, lá você poderá provar a comida e se ficar de seu grado, poderá comprar os ingredientes. – O homem passou o endereço para Kuro.

— Muito obrigado! Vou procurar este lugar, agora mesmo!

Como dito, Kuro foi até a loja de ingredientes, foi muito bem atendido e depois de escolher alguns ingredientes, resolveu cozinhar, obviamente a porção era bem pequena, afinal aquela loja não poderia ficar dando comida de graça o tempo todo. Depois de terminar seu prato, Kuro resolveu provar.

— Está bom. Acho que vou levar alguns desses ingredientes. – disse Kuro.

— Posso provar um pouco? – indagou o homem que o atendia.

— Claro, seria bom, algumas dicas também. – pediu Kuro.

— Não se preocupe, eu sou um chef renomado e te darei ótimas dicas de como melhorar o sabor, mas antes, vamos a degustação.

O chef pegou uma garfada da massa que Kuro tinha feito e levou até a sua boca. Assim que colocou dentro e começou a mastigar, sentiu uma fria e gélida mão apertando seu coração como se estivesse sendo ameaçado, horrível era pouco para descrever o sabor daquela comida, o chef não aguentou e cuspiu tudo. Ainda sentindo o terrível gosto em sua boca, o homem procurou loucamente por água e quando achou bebeu alguns litros para purificar sua boca. Ao ver aquela cena toda, Kuro não entendia nada, achou que o chef tivesse se engasgado ou coisa do tipo, mas a verdade era mais dolorosa.

— Sua comida é horrível! – exclamou o chef. – Não sei o que você fez para estragar ótimos ingredientes, mas o gosto ficou muito ruim.

— Horrível? Ruim? Mas eu provei, e mesmo não sendo o melhor gosto de todos, a comida estava boa. – contestou Kuro.

— Meu jovem, queria puder dizer outra coisa, mas como chef é meu dever fala a verdade, e a sua comida é uma das piores que já provei até hoje.

— Mas meus amigos disseram que ela é gostosa. – contou Kuro.

— Talvez, eles estejam mentindo para te deixar mais alegre. – suspirou o chef. – Eles devem ter muita coragem para engolir aquilo que você chama de “comida”.

— Não pode ser. – disse Kuro sem acreditar.

— É a mais pura verdade.

Kuro estava um pouco desorientado e muito pensativo.

— Eu já vou indo. Obrigado por me atender. – falou ele com a voz baixa de tom depressivo.

Depois de sairmos do Maid Café, passamos por diversos lugares famosos de Lumiose. Passamos em diversas boutiques também, onde Kali queria me fazer vestir diversos tipos de roupas, fomos até em uma loja de cosplay onde reservamos as fantasias de Pokémons para o torneio que aconteceria em dois dias. A nossa próxima parada foi num fliperama, onde Kali quase foi presa por tentar destruir a máquina de pegar bichinhos que ela alegava ser um roupo, pois era impossível conseguir um bichinho daqueles sem gastar o dinheiro todo, felizmente no fim, a polícia resolveu liberá-la e assim continuamos o passeio. Sugerir irmos no museu, mas Kali não estava muito interessada e Eve estava com fome, por isso acabamos indo para um restaurante de doces.

— Delicia. – disse Eve muito feliz comendo um pedaço de torta.

Kali estava assustada enquanto observava Evelyne comendo tantos doces.

— É… – Kali tentou falar algo.

— Que foi? Quer pedir mais alguma coisa? – indagou Eve. – Não se preocupe com o preço eu pago.

— Não é exatamente isto…é que você não acha que está comendo demais?

— Mas este é só meu quinto pedaço, ainda cabe mais uns seis na minha barriga. – sorriu Eve enquanto colocava outro pedaço na boca. – Delicia!

— E eu que achava que a Katy comia muito. – contou Kali.

— Eu não como tanto assim! – reclamou Katy.

— Se esqueceu da ceia de natal do ano passado? – Por causa daquela memória lembrada por Kali, Katy resolveu ficar em silêncio.

— O que aconteceu? – perguntou Eve.

— Antes de dar a hora de começar o banquete, a Katy foi escondida até a cozinha e comeu todo o peru sozinha. Quando a vovó descobriu virou uma fera, até hoje me pergunto como ela sobreviveu.

— É porque eu estava com muita fome! Naquele dia, eu tinha esquecido de almoçar, por isso fiquei com muita fome e não aguentei esperar mais! – berrou Katy tentando tirar a culpa de si.

— Se você diz. – riu Kali.

A garota de cabelos negros se virou para Eve e perguntou:

— Agora é sério, como você consegue manter este corpo comendo tanto?

— Eu não como muito, apenas os doces, afinal não há coisa melhor. – contou Eve colocando outro pedaço de torta na boca.

— Ainda assim, você está exagerando. – comentou Kali.

— Eu não veio sempre para Lumiose, então quando a chance chega, é melhor aproveitar.

Kali assentiu mesmo achando que era um exagero e então fitou Katy sorrindo.

— O que foi? – indagou Katy.

— É que eu tenho certeza que você passou por muitas coisas nesse tempo, então fiquei com medo que estivesse muito diferente, mas eu fiquei bem feliz em ver que você continua sendo a mesma irmã que tanto amo. – respondeu Kali sorrindo.

— Não é que eu não tenha mudado, mas acho que eu prefiro continuar sempre seguindo enfrente do que desistir e olhar para atrás. Então mesmo com coisas ruins tendo acontecido, eu não desistirei. – esclareceu Katy.

— E essas é uma das suas melhores qualidades. – sorriu Kali. – Eu queria poder ter essa determinação toda.

— O que você quer dizer?

— É que me tornar uma candidata a sucessora me fez refletir que, talvez, eu não tenha o necessário para isto. Não consegui me evitar de pensar que só assumir está posição porque você partiu. Eu vejo você indo atrás de seu sonho com tanta determinação, mas eu não tenho esta mesma convicção e me pergunto seu eu deva desistir. – desabafou Kali.

— Você quer assumir o ginásio de Laverre? – indagou Katy.

Aquela pergunta pegou Kali de surpresa.

— Bem, eu quero, mas tem tantas outras de nossas irmãs que também tem este desejo e sinto que os desejos delas sejam mais fortes que os meus, por isso, eu não sei se gostaria de assumir o ginásio e passar por cima desses desejos.

— Kali, eu comecei esta jornada almejando alcançar o topo, por isso sei que terei que passar por cimas de outras pessoas com o mesmo desejo, afinal existe apenas um que pode ser o melhor. Se você realmente quer suceder Valerie, você tem que parar de se preocupar com as outras pessoas e a agarrar este desejo com força enquanto diz “Eu serei a próxima líder de ginásio de Laverre!”.

— Katy! – exclamou Kali vendo a sua irmã te ajudar.

— Exagerei?

— Não, só me surpreendi um pouco. Tenho certeza que você seria uma ótima líder de ginásio. – riu ela. – De qualquer forma obrigada. Ainda não sei bem o que devo fazer, mas darei tudo de mim para tentar alcançar este desejo.

Ao observar as duas, Evelyne percebeu que faltava algo nela que as duas irmãs tinham em comum, um sonho ou desejo.

A noite finalmente chegou e as luzes da cidade se acenderam a iluminando em seus pontos principais. Como combinado todos se reuniram no Hotel Richissime, assim resolvendo irem para seus quartos e se reencontrarem no dia seguinte.

No quarto dos garotos, Calem já havia dormido rapidamente, deixando apenas os dois irmãos acordados. Desde que se reencontraram Kuro estava quieto, mas estava com vontade de perguntar algo ao seu irmão, e depois de muito tempo, finalmente tomou coragem e disse algo:

— Shiro.

— O que foi, Kuro?

— Bem… é que… minha comida realmente é boa?

— Por que está me perguntando isto?

— Hoje, eu acabei conhecendo um chef e ele disse que minha comida era horrível, mas como vocês sempre falaram que ela era boa, fiquei bem confuso. – disse Kuro enquanto olhava pra baixo. – Então, eu queria que você me falasse a verdade.

Shiro suspirou, ficou apreensivo de início, mas cedeu.

— Sinto muito, Kuro, mas sua comida é ruim.

— Então, por que vocês falaram que era boa?

— Na primeira vez que você cozinhou, você estava tão ansioso e alegre, que eu não conseguir evitar e acabei mentindo, eu não queria destruir o sorriso que você sempre faz enquanto cozinha. Por isso resolvi continuar mentindo e pedi para os outros fazerem o mesmo. – revelou Shiro.

— Você não devia ter mentido. – reclamou Kuro.

— Você está certo, mas a minha intenção não era te ferir.

— Eu sei. – suspirou Kuro. – Você achou que a verdade era demais para mim e que eu não aguentaria.

— Não era isso que eu quis dizer.

— Tudo bem, não estou com raiva de você. A única pessoa que sinto raiva agora, é de mim mesmo, por não percebido antes. – desabafou Kuro.

— Vamos, não seja assim, se você se esforçar pode melhorar e fazer uma comida gostosa de verdade.

— Talvez. – disse Kuro friamente num tom vago.

— O que foi? – indagou Shiro percebendo que o irmão queria falar algo mais.

— Acho que vou desistir da culinária. – respondeu Kuro de forma sério.

— Você está brincando, não é mesmo? – perguntou Shiro sem acreditar no que tinha acabado de ouvir.

— Estou com sono, vou dormir, boa noite, Shiro. – disse Kuro se deitando e fechando seus olhos.

— Não mude de assunto.

— Eu disse boa noite. – repetiu Kuro de forma grosa.

Shiro colocou a mão no rosto e pensou:

— Droga!

Foi então que neste momento, a campainha do quarto tocou.

— Quem deve ser a esta hora? – questionou Shiro.

— Eu não sei, mas se for para mim, estou dormindo. – respondeu Kuro.

— Ele realmente ficou com raiva. – pensou Shiro.

O irmão mais velho foi atender a porta e quando abriu viu sua amiga de cabelos roxos com pontas douradas.

— Shiro! – exclamou ela.

— Eve, o que foi que veio fazer aqui está hora da noite? – indagou ele.

— Eu vim falar com você.

— Comigo?

— É que eu… – Eve parecia nervosa, ela enrolava seus dedo nas pontas douradas de seus cabelos enquanto falava. – Eu…bem…saindo hoje com a Katy e a Kali, eu pude perceber que as duas grandes objetivos, mas eu não tenho nenhum, por isso me sinto um pouco deslocada.

— E por que você não fala isto com elas?

— Acho que conversar com elas não seria de tanta ajuda e elas não me entenderiam, afinal elas possuem este sonhos desde pequenas.

— Eu entendo, mas o que você quer que eu faça?

— Eu percebo que todos tem grandes objetivos, mas eu não tenho nenhum, eu queria saber se você poderia me ajudar a encontrar algum. – contou Eve.

— O que? – Shiro pareceu surpreso.

— Tem pouco tempo que você decidiu que queria ajudar as pessoas médico, então eu pensei que assim como você encontrou o que queria fazer, você poderia me ajudar a fazer o mesmo. – pediu Eve.

Shiro sorriu e disse:

— Eve, eu ainda não tenho certeza do que eu realmente vou fazer, ainda tenho assuntos pedentes para resolver, e até lá, não poderei me dedicar 100% no que quero, mas eu percebi que quero ajudar as pessoas, assim como William nós ajudou quando nos nós machucamos. Por isso que eu resolvi começar a estudar e tomar este rumo desde cedo, mas, ainda assim, eu não acho que você deva fazer o mesmo.

— Como assim?

— Não ter um objetivo não é algo necessariamente ruim, claro que objetivos e sonhos são importantes para definir alguém como pessoas, mas eu acho que não adianta tentar se forçar a fazer algo. Quando você realmente desejar algo e tiver isto como objetivo tudo ficará mais claro, até lá, viva do jeito que você é, pois você é uma ótima pessoa e minha amiga. – sorriu Shiro.

Enquanto sorria Eve assentiu.

— Tem mais uma coisa. Você disse que Katy e Kali tem o mesmo desejo desde pequenas, mas todas crianças têm sonhos e desejos, então tenho certeza que você já teve um quando pequena. Posso saber qual era? – indagou Shiro.

— O meu maior sonho sempre foi viajar pelo mundo. – respondeu Eve um pouco envergonhada.

— Então, por que não começar por ai? Tenho certeza que quando chegar a hora, você saberá o que quer fazer.

— Sim, muito obrigada, Shiro!

Os dois se despediram e foram dormir, e assim o dia acabou.

Cidade de Lumiose, 12 de novembro de 2016.

Dentro da Torre Prisma, no ginásio de Lumiose, estavam Meyer e Clemont esperando a chegada de Katherine, para assim Meyer travar outra batalha com ela.

— Eles estão atrasados. – comentou Clemont que olhava quase todo momento em seu relógio.

— Não se preocupe, logo eles vão chegar. – disse Meyer.

— Pai…

— O que foi, filho?

— Você tem certeza sobre o fato de eu assumir o ginásio? – indagou Clemont.

— Claro, seu pai já está ficando velho e não pode continuar trabalhando na oficina e no ginásio ao mesmo tempo, além disso suas técnicas de batalhas são ótimas, ainda tem muito o que aprender, mais isto você absorverá com a prática. – respondeu Meyer.

— Certo.

— Está ansioso pela volta de sua irmã amanhã? – perguntou Meyer.

— Na verdade não, a Bonnie atrapalha mais do que ajuda. – respondeu Clemont.

— Você diz isto, mas tenho certeza que gosta muito dela. – riu Meyer.

Foi então que um alarme tocou, avisando que tinha pessoas na recepção da Torre Prisma, Meyer liberou para elas subirem.

— Clemont, eu quero que você assuma o ginásio no ano que vem e este tempo está chegando, por isso quero que você preste muita atenção nas minhas batalhas, pois ser um líder de ginásio, não é apenas ser um treinador forte, requer muito mais. Então, observe bem, esta batalha, pois eu tenho certeza que a Jovem Katherine evolui muito desde a nossa última batalha e por isso, sinto que ela irá nos surpreender.

Foi então que uma voz robótica ecoou por todo o lugar:

— Novo desafiante! Treinadora Katherine Fée! Quantidade de insígnias: Uma! Ajustando nível!

A porta ao lado do campo de batalha, que até então estava fechada, começou a se abrir e de lá de dentro Katherine e seus amigos saíram.

— A quanto tempo, jovem Katherine. – sorriu Meyer.

— Olá Meyer. – disse Katy. – Na nossa última batalha, eu perdi feio, mas aquela derrota me ensinou bastante. Só que agora é diferente, agora é hora da minha…

… Revanche.

Notas finais
E o capítulo acabou, mas como sempre, eu vou comentar um pouquinho dele aqui. Como já tinha dito nas notas inicias, este capítulo é o começo de um novo arco e uma nova temporada, por isso ele foi um dos capítulos mais carregados de informações novas e introduções que eu fiz até hoje. Tem a primeira cena misteriosa, entre o líder da gangue vermelha com alguém que não foi revelada a identidade. Depois a trama volta para o núcleo principal, que teve algumas mudanças em relações a algumas personagens pelo fato de ter passado mais de uma semana desde o final do capítulo 20. Como já disse o capítulo contou com diversas apresentações de novos personagens como a Kali, que mesmo sendo uma personagem mais antiga, teve um foco maior neste capítulo assim como terá neste arco. Dois personagens que foram introduzidos na história foram o Tetsuya e o Raphael que são dois estudantes de um colégio especial de Lumiose que será melhor explicado nos próximos capítulos. Outra personagem introduzida foi a Daisy Oak, a irmã do Green, o que acharam dela? Muitas coisas aconteceram neste capítulo, e não vou relembrar todas aqui, mas uma das introduções mais importantes que este capítulo teve foi a do Lysandre. Não quero falar muito dele para não dar spoiler, mas tenho certeza que ele será um personagem bem interessante que pode surpreender muitas pessoas. O capítulo acaba com a promessa para a próxima batalha de ginásio, e é exatamente isto que ocorrerá no próximo capítulo. Uma revanche entre Katy e Meyer, espero que gostem! Antes de me despedir, como curiosidade deixo a musica com legendas que Katy e Kali cantaram na cena no maid café. Escolhi está musica, pois achei que combinaria com o tema irmãs, além de que a letra dela tem bastante a ver com o tema deste arco. Segue o link abaixo: Sister’s Noise Legendado: https://www.youtube.com/watch?v=vf3CEgM_7OU É isso, espero que tenham gostado! Comentem as suas impressões do capítulo! Tudo de melhor e até mais!