Notas iniciais
[Dedico este capítulo a duas divas que me ajudaram muito. Primeiro, a Cah, minha namorada que sempre me deu a inspiração que eu precisava. E segundo a Gih, que me ajudou bastante divulgando a fic. Agradeço de coração à vocês

Onde eu estava? Minha cabeça doía mais que qualquer coisa. Mantinha meus olhos fechados, não tinha coragem de abri-los. O calor estava mais perto, o sentia bem próximo a mim. Finalmente, abri os olhos. Droga. Estava deitado de barriga pra cima no meio de escombros, todo sujo de poeira. Olhava para os lados, nada além de paredes de chamas. Não tinha sequer uma saída dali. Como é que eu fui parar ali? Minhas memórias brincavam comigo, duas figuras vindas de dentro do fogo... uma explosão... gritos... Muitas coisas circulavam minha mente e me deixavam ainda mais desorientado.

–Flame! Digo alto, mas sem muitas forças para gritar, era minha última súplica, não me restavam mais muitas opções de fuga –Me ajude! Minha voz falha nesta parte. Droga. Uma lágrima cai de meus olhos e faz um caminho limpo em minha bochecha suja

Sem respostas, sem movimentos, sem esperança. Mas afinal, o que eu queria? Que no momento em que eu chamasse ele, ele viesse para me salvar? Eu era mesmo muito tolo. Fechei os olhos, e apenas aceitei o meu destino. A fumaça ia me levando a um sono forte, que sabia que seria eterno... E então, adormeci.

[...]

Quando recobrei minha consciência, uma luz forte verde clara me cercava. Minha respiração voltara a ser continua e pura, sem mais resquícios de fumaça que me sufocavam. A luz então se fora. As chamas do local não estavam mais crepitando, nem sequer estavam mais ali. O céu, que antes era coberto por uma densa fumaça que o deixava sombrio e escuro, agora era claro, com o sol batendo diretamente em meu rosto. Me levantei, dolorido. O que tinha acabado de acontecer? Vi Flame, ao fundo, correndo em minha direção com uma caixa em mãos.

–Flame! Graças à Arceus você está bem. Corri até ele e o abracei, a caixa caiu das mãos dele e tombou de lado, a abrindo, revelando inúmeras pokébolas lá dentro. –Flame... você encontrou a encomenda. O olho nos olhos e sorrio, mas logo minha expressão se tornou de preocupação. –Tinha alguém lá dentro, Flame? Mordo o lábio, ele poderia ter visto cenas fortes para um bebê pokémon... Na verdade, fortes para qualquer um. Ele negou com a cabeça, suspirei aliviado. –Bem, se não tem ninguém ferido, vamos indo, amigo. O deixei no chão e peguei a caixa, e comecei a caminhar de volta para o laboratório. Que dia louco fora aquele. Só queria ir pra casa e descansar, depois decidiria o que faria a seguir. Mas, uma coisa me intrigava, aquela luz verde... O que era aquilo? Ela quem desfez tudo... Não foi? Me pegava pensando nisso, até que, sem perceber, já estava na frente do portão do laboratório. –Eita... Olhei Flame ao meu lado, ele não parecia cansado nem nada do tipo. Toquei a campainha duas vezes. –Professor, sou eu, o prodígio. Deixe-me entrar, peguei sua encomenda.

O portão se abriu, sem nenhuma resposta do interlocutor. Dei de ombros e entrei no local. Estava quieto demais, até os pássaros pokémons pararam de cantar, o que era no mínimo, curioso. Sem muitas mais delongas, percorri o caminho do portão até a porta do laboratório e então entrei, devagar. O professor George estava sentado em uma cadeira, mexendo em uma máquina, com uma máscara de ferreiro, para se proteger de fagulhas que escavam da máquina.

–Hm, professor? Digo calmo –Trouxe sua encomenda. Disse me aproximando devagar.

–Ah, prodígio, finalmente voltou. Ele tira a máscara e então me olha calmo, com um sorriso amistoso. A sala estava pouco iluminada, o que não dava um ambiente muito... alegre. –Venha, traga aqui pra mim. Ele se levanta e bate palmas duas vezes, as luzes do laboratório são acessas. Ele então começa a caminhar até a máquina central, onde estavam os três iniciais de Sinnoh.

–Então professor, vai me dar as pokébolas e posso ir ou terei de ir buscar mais coisas para o senhor? Rio fraco e então deixo a caixa na frente dele quando ele para. –Estou com um pouco de sono, aconteceram algumas coisas estranhas lá na cidade e... Só quero voltar pra casa logo. Estralo o pescoço e solto um longo bocejo.

–Pois bem, rapaz. Ele sorri e então se inclina para frente, abrindo a caixa, revelando mais uma vez as pokébolas. –Ah, e como está a Jenny? Ele pergunta enquanto pega algumas pokébolas.

–Espero que bem, professor. Abaixo o olhar. Ele então me olha, curioso.

–O que houve, meu jovem?

–Houve uma explosão no posto policial... Eu e Flame fomos averiguar as coisas por lá, mas não tinha nada além da caixa e destroços. Digo o mais rápido que pude, não gostava de dar algumas notícias, mas era necessário. Suspirei, ainda cabisbaixo.

–Uma... Explosão? Ele tinha uma expressão de surpresa e dor –Vocês estão bem? Então é por isso da poeira em suas roupas... Ele deduz, certo.

–Estamos bem, eu só torci meu pulso direito, mas nada demais. Flame não sofreu com as chamas, então, estamos muito bem na verdade, melhor do que imaginaríamos. Digo respirando fundo, achei a parte da luz verde desnecessária, talvez ele acreditasse em mim, ou talvez ia me achar um lunático.

–Bem, se vocês estão bem, é o que importa. Ele então me entrega quinze pokébolas comuns. –Para a sua jornada, prodígio. Se você tiver 10 pokémons consigo e capturar outro, ele virá para o meu laboratório. Mas acho que é desnecessário eu dizer isto para ti.

–Tudo bem professor. Entendido. Posso ir? O dia foi bastante corrido hoje. Tento relaxar meus ombros, sem sucesso –Só queria me deitar um pouco. Disse e então coloco as pokébolas vazias em torno de meu cinto.

–Pode ir, mas depois quero conversar um pouco mais sobre essa explosão. Tem de ter alguma causa para isso. Teremos de investigar depois.

–Certo professor. Assinto e sorrio de canto, finalmente iria pra casa. Me viro de costas e começo a caminhar rumo a fora do laboratório.

–Espere, prodígio. Ele correu um pouco e pôs sua mão em meu ombro –Tenho um presente para você, por você ter sido corajoso e ainda ter trazido minha encomenda. Ele sorri de canto, quando eu me viro e o olho.

–Não precisa professor, ambos nos ajudamos. Fui humilde, mas estava um tanto curioso a respeito do presente.

–Por favor. Eu insisto. Ele sorri calmo. Assinto com a cabeça. –Muito bem, me dê sua pokédex. Dei de ombros e então tirei a pokédex de meu bolso da jaqueta, tinha sorte dela ainda estar intacta. –Muito bem, muito bem... Ele abre a pokédex e começa a apertar vários botões, dizer comandos e afins. –Terminei. Te dei dois presentes, para ser sincero. Ele pisca e abre um grande sorriso para mim. Aquilo seria cômico para mim caso eu não estivesse morrendo de sono.

–O que você fez, professor? Pego minha pokédex novamente, e a analiso, não parecia nada diferente.

–A atualizei, pode-se dizer assim. Ele põe as mãos no bolso do jaleco, satisfeito –Só professores e mestres de maior nível tem esta atualização. Ela permite a você rastrear pokémons na área em que você estiver. Ou seja, poderá ver se tem algum pokémon de seu interesse ali.

–Isso é... Muito bom. Sorrio fraco. –Mas, não eram duas surpresas? O olho nos olhos.

–A segunda surpresa é um pouco mais simples, mas de coração. Sei que quer se tornar forte, e que quer derrotar Trevor. Mas para isso, terás de trilhar uma jornada longa e árdua. E por isso, tomei a liberdade de te inscrever na liga pokémon de Sinnoh. Não é uma competição tão honrada quanto a Junior, mas é um começo. Aliás, você pegou a última vaga. Ele pisca com o sorriso enorme e então se vira e caminha até uma de suas máquinas.

Aquilo estava mesmo acontecendo? O professor havia me inscrito na competição de Sinnoh... Quando eu pensava que não haveriam mais vagas. Ele é realmente um anjo da guarda. Sorri bobo e então olhei Flame, e depois o professor.

–Obrigado. Foi tudo que consegui dizer, ainda sorrindo besta. Então me retirei dali.

Já havia chegado em casa a um bom tempo, estava morrendo de cansaço. Quando cheguei, meus pais não estavam, deixaram um bilhete a mim dizendo que iriam almoçar fora e que deixaram comida na geladeira. Era meio entediante ficar sozinho em casa, ouvindo o silêncio. Por sorte, ainda tinha Flame. Ele me ajudava a sair do tédio, brincando comigo.

–Que tédio Flame. Respiro fundo e suspiro –Vamos fazer alguma coisa, certo? Que tal sairmos um pouco, ir a praça talvez? Será bom socializarmos um pouco. Flame nega com a cabeça –Vamos logo teimoso. Rio fraco e então esfrego com meu punho fechado os meus dedos na cabeça dele. –Vamos ser pessoas sem amigos. Sorrio de canto –Vamos logo. Me levantei de minha cama. Flame veio logo atrás de mim, deixei a jaqueta em casa, estava calor. Estava de regata branca, bermuda preta e tênis vermelho. Minha pokébolas estavam em meu cinto e a pokédex no bolso da bermuda. A faixa agora estava na minha coxa esquerda. Desci correndo as escadas e sai de casa, sem muito me importar se meus pais voltaria antes de mim, precisava de ar fresco.

Fui caminhando a passos lentos até o parque, Flame me acompanhava. Lá haviam várias crianças brincando na grama, treinadores e seus pokémons treinando, vendedores ambulantes vendendo comidas. O clima estava agradável, uma brisa gostosa percorria aquela bela tarde. O sol brilhava e parecia que aquelas explosões de mais cedo sequer existiram.

–Nada mal, não é Flame? Sorrio de canto, caminhando pelo parque com as mãos no bolso. Flame caminhava ao meu lado, ele parecia contente, apesar de todos os acontecimentos. Então avisto uma garota sentada em um banco de lá, era familiar. Me lembrei. A garota do Misdreavus de mais cedo. Ela me olhava com atenção. Por curiosidade, talvez, me aproximei.

–Veja só Misdreavus. Ela diz quando me aproximo o suficiente e então seu Misdreavus surge, como se fosse um fantasma, não pera (-q). –Um Magby fofo. Ela volta sua atenção para Flame, me ignorando completamente.

–O nome dele é Flame. Digo calmo, tomando a frente, como se dizendo que eu também estava ali. Flame, por sua vez, se escondia atrás de minha perna esquerda, a abraçando. –E você? A analiso –Quem seria?

–Ele deve ser tímido. Ela sorri de canto e então finalmente me olha –Ahn, sou Alex. Ela estende a mão, devagar. –E você?

–Pode me chamar de prodígio. Digo retribuindo o sorriso, só que mais fraco. Então tiro minha mão do bolso e aperto a mão dela, levemente e rápido, e então recolho minha mão. –Ele não é muito sociável com outras pessoas digamos que ele teve um passado conturbado. Digo brevemente, com um leve suspiro e então ela se levanta do banco e se agacha, próximo à Flame.

–Ele deve ser novo... Você já lutou? Ela dirige a palavra a ele. Flame nega, hesitante. –Então deve ser isso. Ela sorri fraco –Ele precisa lutar para se soltar e se sentir confiante diante de algumas situações.

–Ou ele pode se sentir pior e mais acuado. Retruco, mas no fundo, sabia que ela só queria ajudar, e eu fui rude. –Desculpe. É que ele é só um bebê, acabei de busca-lo no laboratório. Não sei se seria muito sensato bota-lo em uma batalha agora... Suspiro.

–Sem problemas. Ela se levanta e sorri reconfortante para mim. –Se quiser, eu posso ajuda-lo, se eu comandar, Misdreavus não irá feri-lo. Talvez ele seja forte e você nem saiba. Ela brinca rindo fraco. Observo então Flame, ele ainda estava abraçando minha perna. Me agachei e o olhei nos olhos, sorrindo fraco.

–Se quiser tentar, iremos. Se não quiser, não é vergonha alguma. Acaricio o topete dele, ainda com o sorriso calmo e fraco no rosto, ele parecia mais tranquilo com meu gesto –Então, você quer ou não? Ele observa meu rosto, e então volta sua atenção a Misdreavus, que flutuava acima do ombro de Alex. Então ele fechou os olhos e respirou fundo, pequenas brasas se formaram neste processo. Ele então abriu os olhos e me olhou novamente, com uma expressão calma e determinada. Ele assentiu –Você é muito corajoso, Flame. Sorrio alegre e então me levanto, girando meu corpo para olhar Alex. Flame correu e então ficou a minha frente. Sorri desafiador. –Pois bem Alex. Vamos lutar.

Notas finais
Por hora é isso, volto a postar amanhã, sem horário definido. Vejo vocês lá, até lá, um beijo e um queijo