Pokémon Origens - Ano 1

2 Capítulo 002 - Eu Serei Seu Guia


Notas iniciais
Vamos viajar para Kanto nesse capítulo. Aqui nós conhecemos Gary e John (Jonathan) e vocês podem conhecer o começo da história deles. Nada muito uau, bastante simples, mas eu gostei. Aproveitem!

As crianças estavam sentadas em suas devidas cadeiras, todas no grande salão com um palco a frente, aguardando o fim da apresentação. Em pé, atrás do pedestal, a professora fazia um pequeno discurso sobre a graduação e parabenizava-os.

– Agora eu gostaria de chamar a atenção de vocês para uma pessoa muito especial, o Professor Oak! – Com esse último anúncio, a professora da escola onde John e Gary estudavam começa a bater palmas e a descer do palco, dirigindo-se ao seu lugar, ao fundo do salão. As crianças também aplaudem. Gary olha para John com um sorriso confiante enquanto as luzes se apagavam.

De repente, todos estavam imersos em escuridão. O silêncio era absoluto, todos aguardando o famoso Professor Pokémon, conhecido por todo mundo por suas pesquisas. O ar estava pesado com a tensão que se formava até as luzes de três holofotes se ascenderam, todos iluminando um mesmo ponto: o centro do palco, onde um senhor de cabelos grisalhos e jaleco estava parado.

– Olá! E bem-vindos ao mundo dos Pokémon. Meu nome é Professor Oak. Também sou conhecido como Professor de Pokémon. Existem algumas criaturas muito interessantes que habitam esse mundo e, como vocês devem sabem, são conhecidas pelo mundo simplesmente como Pokémon. – Ao falar isso, o professo estalou os dedos e atrás de si, uma grande tela que ocupava praticamente toda a parede brilhou em tons azulados, com silhuetas das diversas criaturas que ele falava, cada uma se movendo à sua maneira, em seus determinados quadrados divisórios.

– Para algumas pessoas, Pokémon são animais de estimação, enquanto outras pessoas gostam de usá-los para batalhas. Nós nos encontramos coexistindo com eles. – Ao dizer isso, o professor tirou uma Pokéball de seu bolso e a lançou, liberando um tipo de raposa filhote com pelagens marrons e um rosto alegre. – Vocês estão interessados em aprender sobre esse mundo de Pokémon? Eu serei seu guia em uma história de sonhos e aventuras. Agora, o Mundo Pokémon os aguarda! Vamos começar!

E com isso, o telão apagou e as luzes foram acesas. O professor agradeceu os aplausos que as crianças davam e a pequena raposa em seu colo parecia estar gostando também.

Uma a uma, elas foram saindo do salão, retornando para o prédio principal, mas não sem antes pegar um convite pessoal do Professor Oak para que fossem ao seu laboratório no final de semana, caso desejassem, para receber seu Pokémon inicial e partir na tão falada aventura.

– John, Gary, vocês dois são os que estão mais animados, não é mesmo? – Perguntou a professora, entregando os convites dos garotos. – Estou orgulhosa de vocês.

– Obrigado, Srta. Mason. – Responderam em conjunto, o que fez com que ambos rissem.

– Vou acordar bem cedo para pegar um Pokémon bom. – Falou o primeiro, ajeitando seu boné vermelho, que era sua marca registrada.

– Eu não preciso me preocupar com isso, já que meu avô vai me dar o Pokémon inicial – provocou Gary, arrumando seus cabelos castanhos, realinhando o topete, os olhos verdes brilhando em tom de desafio.

– Não enche, Gary! – John o empurrou de leve e os dois começaram a correr, rindo juntos de volta ao prédio principal. Não estavam voltando para a aula. Elas haviam acabado de manhã, agora, no espaço do refeitório, uma festa estava sendo dada pelos professores, comemorando a formatura dos garotos.

Muitos estavam animados com a festa e a formatura. Claro que nem todos sonhavam em sair e conhecer o mundo batalhando com Pokémon, mas todos certamente tinham planos para o futuro. Isso era visível em cada uma das mesas que estava ocupada com os jovens de onze anos conversando sobre o que iriam fazer. Alguns iriam se mudar para outras cidades, onde começariam a estudar para se formarem em outros cursos, alguns mudariam de continente com os pais, mas a maioria respondia a mesma coisa: Sair em uma jornada.

– E então, garotos? Já decidiram que Pokémon escolher? – Pergunta uma menina, que acaba de se sentar na mesa onde John e Gary estavam. Ela tinha cabelos castanhos e lisos, curtos e sempre presos com dois elásticos, um de cada lado da cabeça. Seu sorriso era alegre, e ela tinha olhos azuis reluzentes.

– Claro que sim, Kate – Gary responde, com um tom confiante. Isso sempre o fazia parecer um pouco arrogante, mas Kate o conhecia bem.

– Nossa! Eu não faço ideia de qual escolher.

– Eu quero um que seja bem forte. Vou treinar ele e fazer com que ele se torne o melhor e mais forte Pokémon que alguém já treinou!

– Você sonha alto, John. – A garota fala com um risinho. Gary, a essa altura já estava com aquele sorrisinho cínico que sempre usava para desbancar a confiança de qualquer um.

– Você quis dizer o segundo melhor, não é? Porque eu vou vencer a Liga e terei os Pokémon mais fortes que existem e ninguém conseguirá me vencer...

– Gary, seu exibido! – Kate disse rindo. E todos os três tinham certeza de que, se estivessem de pé, ela o empurraria, o que fez com que todos os três rissem.

Três amigos que sempre sonharam em conhecer o mundo. Agora eles finalmente teriam essa chance, só precisavam esperar mais algumas horas. E foi o que fizeram. A festa acabou por volta das seis da tarde, um horário relativamente mais longo do que o período normal de aulas. Kate se despediu deles e os garotos foram juntos para suas casas.

O caminho, como sempre, era silencioso, eles não falavam muito enquanto andavam, era um costume, mesmo que John se incomodasse um pouco com isso no começo. Os anos foram passando e John acabou se acostumando com isso. Gary não era o tipo de pessoa que saia falando as coisas no meio da rua, e John até que gostava disso no amigo. Era um ótimo jeito de saber que ele era uma pessoa confiável.

O caminho em si não era longo. Pallet era uma pequena vila, com casas mais ou menos iguais e sem muitos alvoroços. As ruas eram de cimento, mas havia grandes praças calçadas em ladrilhos por onde os garotos gostavam de andar. E era onde estavam agora. Na praça central, há algumas centenas de metros da escola. A fonte que havia no centro da praça jorrava água naquele fim de tarde, e logo ela seria iluminada. As casas em volta eram um pouco mais chiques, mas continuavam sendo simples perto das grandes casas das cidades grandes.

Algumas pessoas estavam sentadas nos bancos alimentando Pokémon que passavam por lá. Majoritariamente gatos selvagens e pombos, vez ou outra algum ratinho e inseto também apareciam. John gostava de onde morava, mas ansiava pelo mundo.

– Amanhã será um grande dia... – Comenta mais para si do que para Gary, que o encara com um misto de dúvida e compreensão.

– Amanhã nós vamos embora. Vamos estar por nossa conta. Oficialmente. – John encarou o amigo com certa tristeza. Ele sabia que, apesar de Gary sempre querer aquilo, finalmente estar por sua conta era um assunto delicado. – Sei que não vou perder tempo. Quanto mais rápido eu treinar e ficar forte, mais rápido eu serei um Mestre Pokémon.

– É, mas eu ainda vou ganhar de você – ele respondeu, tentando ignorar o clima tenso que havia se formado enquanto eles saíam da praça e chegavam na rua em que moravam. Vizinhos. 11 anos morando juntos e agora iriam se separar. Já haviam discutido isso antes, Gary não queria viajar com ninguém, afirmando que isso só ia fazer com que ambos demorassem mais para alcançar seu objetivo. – Te vejo amanhã?

– Se você não se atrasar, Jonathan... – Gary adorava provocar o amigo usando seu nome. John odiava ser chamado pelo nome, e Gary sabia disso.

– Se você não se atrasar, Oak. – Provocou o amigo, dando um soquinho em seu ombro, e os dois se despediram.

John caminhou até sua casa, suspirando antes de atravessar a porta. A abriu com certa confiança, e foi recepcionado apenas pelo som da televisão no noticiário e o barulho de algo fritando na cozinha. Ele sorriu, iria sentir falta disso.

– Cheguei! – Anunciou, entrando e fechando a porta.

– Como vai o meu formando? – Perguntou uma voz feminina enquanto uma mulher com um avental por cima da camisa rosa e saia branca. Os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo e o sorriso cansado estampado no rosto.

– Bem... normal. Tô um pouco ansioso.

– Meus parabéns, querido! – A mãe abraçou o filho, que devolveu o abraço fortemente. – Estou tão orgulhosa de você! Amanhã vai sair em uma jornada, mas antes, vai precisar de umas coisinhas...

– O quê? – Ele não estava acreditando. Ela estava falando sério?

– Lá em cima, no seu quarto. É um presente de despedida.

Ele correu para o andar de cima e entrou no seu quarto, se deparando com o mesmo lugar e as mesmas coisas. Excerto por uma mochila novinha em folha. Ele a abriu e dentro havia um estojo metálico. Ele o abriu. Uma espuma com oito espaços para serem preenchidos.

– Um estojo de insígnias? Uau, obrigado, mãe, eu adorei! – Ele dispara corredor abaixo, mas para ao ver a mãe sentada no sofá da sala com o cenho franzido.

“...Ilha Cinnabar. Relatos dizem que a mansão do Dr. Fuji começou a pegar fogo durante a madrugada dessa noite e o fogo tomou conta de toda a mansão. Por sorte, ninguém estava na casa no momento do acidente. O Dr. Fuji havia dispensado o serviço de todos, pois tinha uma viagem planejada para amanhã, e não via necessidade de manter seus funcionários trabalhando sem que ele estivesse lá. Conversamos mais cedo com o professor, que nos deu melhores explicações sobre o acidente”.

A mulher desligou a televisão, balançando a cabeça.

– Mas que tragédia! O Dr. Fuji parece ser um homem tão bom. É uma pena isso ter acontecido com ele.

– Está tudo bem, mãe. Ele é uma pessoa importante, logo vai conseguir uma nova casa. – O garoto tentou reconfortá-la. Ela sorriu e o abraçou.

– Gostou do seu presente?

– Muito, obrigado. – Ele devolveu o abraço e beijou seu rosto.

– Vem, o jantar está quase pronto. Pode pôr a mesa, por favor?

– Tudo bem, eu só vou guardar isso.

Ele voltou para o quarto e guardou o estojo, ajudando a mãe com o trabalho e eles tiveram uma ótima refeição. Foi muito alegre e eles conversaram bastante e John podia ver que a mãe parecia muito sonhadora enquanto ele falava sobre suas expectativas. Era algo que eles gostavam de fazer. Segundo sua mãe, ela se apaixonara pelo pai do garoto justamente por ele ser um aventureiro incorrigível. E era exatamente por isso que ela o amava.

– Quando ele vai voltar? – Ele pergunta, com curiosidade e expectativa.

– No final do semestre, querido. É quando ele pretende vencer a próxima liga.

– Eu espero que ele consiga. Vai ser legal poder comemorar isso. – Ele sorriu para a mãe, que retribuiu o sorriso.

Conversaram mais um pouco e então John foi dormir. Estava cedo, mas ele queria que o dia seguinte chegasse logo. A noite foi tranquila, mas a manhã foi agitada. John estava correndo em seu quarto, arrumando suas roupas e coisas que levaria na viagem, enquanto a mãe fazia o café-da-manhã e se arrumava para ir até o centro da cidade com algumas amigas.

– Tudo pronto. – Ele diz, finalmente, descendo as escadas e encontrando a mãe ao telefone. Ela sorri para ele e desliga depois de dois minutos. John já está atacando biscoitos na cozinha a essa altura.

– Ahã! Nada de biscoitos, já vamos tomar café!

Ele riu e guardou o biscoito que havia pego, sentando-se à mesa após arrumá-la. A mãe o serviu e eles comeram juntos. Foi um café-da-manhã incrivelmente rápido, mas o motivo estava claro.

– Boa sorte, meu bem. Tenha cuidado e me ligue, certo? Eu te amo.

– Também amo você, mãe. Te amo muito.

Ele saiu de casa sem esperar Gary. Ele sabia que o amigo estaria no laboratório. A brincadeira do dia anterior não tinha consistência. Gary sempre ajudava o avô nos finais de semana. Então ele fez seu caminho até o grande prédio com a torre do planetário. Uma construção retangular, mas com uma torre cilíndrica que, durante a noite, era usada para pesquisas ou, no caso dos garotos, para observar as estrelas e imaginar como seria o espaço.

Suspirando, ele atravessou as portas de vidro quando elas se abriram automaticamente e nem precisou andar muito para encontrar seu amigo na frente do Professor Oak.

– E aí, John. Achei que teria que te esperar até amanhã.

– Cala a boca, Gary – ele respondeu, rindo.

– Meninos, se comportem. Hoje é um dia especial. Não é uma surpresa para nenhum de vocês o que eu vou dizer, então, que tal pularmos a parte introdutória e ir direto para a escolha?

O professor caminhou até uma máquina com três Pokéball e apertou um botão, fazendo três silhuetas aparecerem sobre as esferas. A primeira era de um quadrupede com um tipo de broto nas costas, já os outros dois eram bípedes e tinham poucas diferenças. Um era ligeiramente mais magro e possuía uma cauda mais longa, enquanto o outro era mais rechonchudo e uma cauda mais curta e arredondada na ponta.

– Eu já sei qual que vou escolher. O melhor de todos é o meu. – Gary caminhou até a máquina e pegou sua Pokéball.

– Bom, nesse caso, eu vou escolher esse daqui. – John pega sua Pokéball e dá alguns passos para o lado.

– Muito bem, agora vocês dois estão prontos para começar suas jornadas. Um mundo de aventuras aguarda vocês. Boa sorte garotos. Passem aqui depois, encomendei uma coisa para vocês, mas quero que tenham suas primeiras experiências no mundo dos Pokémon antes.

– Ei, Jonathan... quer ver como eu sou melhor do que você? – Gary provocou. John sorriu e olhou para o amigo.

– É claro que sim. Vai ser minha primeira chance de mostrar que eu vou ser o melhor treinador do mundo.

Eles saíram do laboratório, indo para o grande campo que havia atrás do mesmo. Era lá que o professor deixava os Pokémon que ele cuidava.

– Certo. O primeiro Pokémon a ficar esgotado perde.

– Eu sei como funcionam as regras, Gary. E eu vou vencer você! – Dito isso, ele lançou sua Pokéball, apertando o botão. A esfera se abriu, liberando uma criatura alaranjada e com a cauda flamejante.

Gary fez o mesmo, revelando uma tartaruga de pele azul. Ambos os Pokémon ainda sem saber direito o que estavam fazendo, mas visivelmente felizes por estarem fora de suas Pokéball e com novos donos.

– Charmander, vamos vencer essa batalha. Vamos começar com um Growl seguido de um Scratch, certo?

– Você não vai me vencer tão fácil, John. Squirtle, vamos fazer um combo de dois Tackle!

Squirtle parecia mais destemido e partiu para o ataque. Charmander, por sua vez, olhou para o novo treinador. Os olhos azuis do Pokémon se encontraram com os castanho-avermelhados do mestre, que sorriu e assentiu para ele. Foi instantâneo, Charmander voltou-se para a batalha e soltou um grito estridente, que atordoou um pouco a tartaruga, dando espaço para que ele corresse e a arranhasse com suas pequenas garras. A proximidade ajudou Squirtle, que, por sua vez, jogou seu corpo contra o lagarto, exatamente como um jogador de futebol americano.

– Charmander! Você está bem? – John pergunta, preocupado, mas o lagarto assente, confiante. – Ótimo. Então use seu Scratch mais duas vezes e tente não deixar Squirtle te atacar.

– Squirtle: Use seu Tail Whipe e depois um Tackle para impedir ele!

Charmander começou a correr. Ele era ligeiramente mais rápido do que Squirtle, então partiu para o ataque, mas logo depois de dar o primeiro arranhão na tartaruga, que agora estava sobre quatro patas e com a cauda para cima, ele pareceu ficar entretido com cauda azul que balançava de um lado para o outro. Realmente parecia ser fofa para se acariciar.

Squirtle se aproveitou disso para poder atacar, troncando seu corpo no do lagarto uma segunda vez. Charmander ficou levemente atordoado e caiu sentado no chão, murmurando seu nome tristemente.

– Charmander! Retorne. Obrigado, me desculpe.

– Eu disse, John, eu vou ser o melhor treinador de todos os tempos. Obrigado, Squirtle, você é o melhor. – Dizendo isso, Gary retornou o Pokémon para sua Pokéball. – Você ainda vai ter muitas chances de ganhar, John, não se preocupe por perder sua primeira luta. Você sabia que eu ia ganhar minha primeira não importa contra quem fosse.

Gary não esperou resposta, apenas saiu andando e deixou John lá, que pediu ajuda para o Professor Oak, que ajudou a recuperar as forças do Pokémon. Charmander parecia um pouco triste, mas John logo o consolou. Parecia fácil cuidar de Charmander, mesmo que ainda não se conhecessem muito bem.

Agora John estava partindo para seu próximo desafio. Iria seguir seu caminho pela Rota 1 até a Cidade de Viridian, onde tentaria ganhar sua primeira insígnia. Será que ele perderia novamente? Talvez sim. Ele poderia não ser um bom treinador como o seu pai. Mas não podia, precisava tentar. Com esse pensamento, John deixou o laboratório.

Notas finais
E por hoje é só. Agora vocês já conhecem os personagens principais da história. A partir de agora vocês vão poder acompanhar o desenvolvimento deles como pessoas e treinadores. Então comentem, digam o que gostaram e o que pode ser alterado, críticas construtivas sempre ajudam. PS. Charmander foi derrotado, mas eu optei por não fazer o Pokémon desmaiar como nos jogos/anime, na fic os Pokémon vão (na maioria das vezes) apenas ficar exaustos a ponto de não poderem lutar.