Pokémon - Onde os Laços São Mais Estreitos

3 Três amigos, dois Pokémon e uma lua


Notas iniciais
SINTO MUITO por ter demorado tanto assim para postar esse capítulo *se ajoelha pedindo perdão* MAS ESTOU DE VOLTA *pula*, é que colégio mexe com o tempo de qualquer um ¬¬ ENFIM, ESTOU DE FÉRIAS E VOU PODER ESCREVER MAIS O/ APROVEITEM O CAPÍTULO E COMENTEM, COMENTEM, COMENTEM!

— Então, me deixa ver se eu entendi... Você acabou de nos conhecer e quer nos acompanhar numa jornada? — Alven olhava para a garota com uma expressão curiosa enquanto a examinava de cima a baixo.

— O que quer dizer com isso? — indagou Nathan, fazendo um sorriso maléfico logo depois — Alven, você mal me conhece direito e já inventou de nós viajarmos toda Hoenn juntos, e se eu for um mal-intencionado que planeja o seu mal, hein?

Alven esbugalhou os olhos e num pulo improvisado, foi para perto da árvore mais próxima, onde se escondeu atrás do tronco. O Ralts ficou apenas observando do mesmo lugar onde estava. Dew levantou o olhar para o garoto que a segurava e voltou a visar seriamente Nathan e Luna.

— Ele só está tentando te apavorar, vamos — Luna saiu de onde estava e puxou Alven pelo braço — Temos caminho até a cidade de Rustboro, esqueceram?

— Verdade, temos que nos apressar. Daqui a pouco fica de noite e não queremos passar a noite numa floresta — Afirmou Nathan.

Alven pegou o Ralts no colo e colocou ao lado de Dew, então os três começaram a andar. Não havia chuva, porém ainda havia grandes nuvens cinzas espalhadas pelo céu. A grama ainda guardava algumas gotas da chuva que caiu há algumas horas, porém as perdia assim que os sapatos dos adolescentes pisoteavam o chão.

Nathan olhou para trás por um instante, mas voltou a focar no caminho. Um pequeno lago com sua água parada e monótona contrastava com a grama da cidade.

— Não tem mesmo movimento aqui... — disse Nathan, dando uma leve olhada para a cidade.

— É uma cidade bem pequena, não tenha muitas expectativas — respondeu Luna. A garota andava com passos determinados e não olhava para trás em nenhum momento, porém estava tranquila e sorrindo.

Passaram por algumas árvores e chegaram a uma parte do caminho com bastante grama baixa. Bem na costa, havia uma casa de madeira com o pé do telhado pintado de um azul melancólico. Na frente da casa havia um cais. Um pequeno barco branco adormecido residia ali. Parecia estar naquele local e posição a um bom tempo.

— Quem será que mora aqui, isolado? — Alven questionou.

— Provavelmente, um marinheiro antissocial ou algo assim — respondeu Nathan, parando um segundo para analisar a casa e o barco.

Andaram mais um pouco até chegarem perto das árvores da rota 104. De longe podiam ver a entrada de uma floresta escura.

— Então, me conte sobre você — disse Luna olhando para o "novo garoto" desconhecido por ela.

— Como assim contar sobre mim? — questionou Alven virando-se para Luna. Dew e o Ralts se entreolharam.

— Sei lá, fala de você.

— Tenho 14 anos, gosto de coisas fofas e amo plantas.

— Eca — Nathan se manifestou na intenção de irritar o garoto. Alven olhou pra ele por um segundo e voltou seu olhar para a adolescente.

— Bem, eu tenho 16, sou aspirante à bióloga e me interesso bastante por ciência e Pokémon.

— Legal — disse Alven.

— Ah, e eu gosto de insetos, também. Inclusive, eu acabei de tirar uma foto de um Nincada ali naqueles matinhos — Luna apontou para o local onde Alven havia achado o Ralts.

— Ah, é mesmo? — Alven deu um passo para o lado enquanto falava, sarcástico.

— É, e... Ué, você tem medo?

— Tenho pavor de insetos assim como Nathan tem medo de plantas — Alven virou-se para a frente enquanto andava. O Ralts continou olhando para Luna.

— Tem medo até dessa mariposa? — Luna mostrou a foto de uma Dustox, mariposa rosa com antenas largas e amarelas, asas verdes com ovais vermelhos estampados, quatro mãozinhas curtas vermelhas e olhos em forma de triângulo com três pupilas cada.

— Não é que eu tenha medo, sei que eles não fazem nada de mal, mas eles são bem nojentos e assustadores.

— Há! Tá aí uma coisa que eu vou mudar em você!

— Duvido conseguir.

— Eu vou.

— Não vai.

— Vou sim.

— Tá, vamos fazer uma aposta. Até o final dessa jornada, se você conseguir me fazer gostar de insetos, eu te pago cinco sorvetes.

— Sorvetes? Já ganhei! Você vai ter um Heracross ou um Ninjask até o final disso aqui!

— Vai achando!

— Não sabia que tinha medo de insetos — disse Nathan.

— Tenho, sim. Detesto eles e quero distância.

— Não tem por que ter medo, eles não fazem nada de mais.

— Se é assim não tem motivo pra ter medo de plantas!

— Alven um, Nathan zero. — disse Luna.

Chegaram á floresta. Um aroma vegetal invadiu todas as narinas. Grandes árvores se estendiam pelas extensões escuras do lugar e uivos baixos e barulhos na grama poderiam ser ouvidos por toda parte.

— Enfim, chegamos! — disse Nathan.

— Esse lugar é tão relaxante — Alven adentra mais o local pisando em folhas caídas pelo chão.

— Aqui deve ter muitos insetos pra eu tirar foto, não é? — Luna pegou a câmera de sua mochila, passou a fita da mesma pelo pescoço e ligou.

— Só não quero me deparar com algum Heracross ou Scyther por aqui — disse Alven, olhando para o Ralts e Dew — Ah, não acredito!

— O que foi? — perguntaram.

— Eu esqueci!

— De quê?

— Me esqueci de por um nome no Ralts!

— Ah, nossa... — disse Nathan, revirando os olhos e voltando a se concentrar no caminho.

— Eu tive muito trabalho para colocar os apelidos nos meus Pokémon, então não posso te ajudar.

— Os nomes dos meus foi minha mãe quem colocou.

— Quais são os nomes? — Alven deu uma olhada rápida para o garoto e voltou a olhar para cima, tentando ver até onde iam as árvores.

— Mudie pro Mudkip e Loty pro Lotad.

— Assim, nada óbvios — respondeu a garota, rindo com Ironia — tinha que ser coisa da tia Rose...

— Acho que as únicas vezes em que ela escolheu um bom nome foram quando ela colocou o meu nome e o da minha irmã — disse, rindo.

— Você vai colocar novos nomes, então? — perguntou Alven.

— Não pretendo.

— Olha! Vejam isso! — Luna apontou sua câmera para um Wurmple pequeno, que rastejou rápido pelo tronco da árvore assim que viu que chamava atenção. Era uma Polaroid.

— Ai, que bicho feio! — Alven tapou os olhos e deu alguns passos para longe.

— Para de ofender ele assim! — Luna tirou uma foto. O flash fez com que a lagarta se assustasse — Desculpa, lagartinha, pode ir agora!

— Acho que os Pokémon não gostam quando luzes explodem na frente deles assim —apontou Nathan.

— Faltava só uma foto dele para completar a linha evolutiva inteira...

— Você coleciona fotos? — Alven perguntou.

— Sim, de lugares e Pokémon diferentes que vejo e visito. Depois te mostro mais.

Luna guardou a Polaroid dentro de sua mochila e os adolescentes voltaram a andar. Os passos quebravam as folhas duras e amassavam as recém-caídas, intensificando o som de floresta que se ouvia naquele momento. Alven segurava forte o Ralts e a Budew e olhava para todos os lados. Nathan parou por um segundo para coçar a perna e depois voltou a caminhar.

— Então, que nome quer colocar? — Luna se dispôs a ajudar o garoto.

— Não sei, não faço ideia de como ele seja — O Ralts olhou para seu treinador como se quisesse dizer algo. Dew olhou rapidamente para Alven, depois desviou o olhar e continuou sorrindo.

— Bem, ele é menino ou menina?

— Acho que é meio impossível saber, a menos que pudéssemos falar com ele, né? — questionou Nathan, se aproximando da garota.

— Nós podemos falar com ele, mas ainda não.

— Como? — disse o treinador do Ralts encarando a garota.

— Bem, Pokémon psíquicos podem se comunicar tranquilamente por telepatia, que eu saiba. Mas acho que como o Ralts é pequeno, não tem poder o suficiente pra fazer isso.

— Ah, que coisa... — Alven olhou para o Ralts, que devolveu o olhar. Dew grunhiu, o que fez Alven dar uma Rawst pequena para a planta — Você está com fome, Ralts? — O pequeno negou com a cabeça.

— Ok, vamos pensar nas evoluções dele.

— Não me fale das evoluções, quero uma surpresa! — protestou Alven.

— Assim fica mais difícil... — Luna pensou por um tempo até que sorriu maliciosamente. Teorizou qual iria ser a evolução final do Pokémon e se voltou para Alven, que impacientemente esperava uma resposta.

— Que tal Kend?

O silêncio tomou conta do ambiente por alguns segundos. O som das folhas balançando podiam ser ouvidos da floresta inteira.

— É ótimo! — comemorou Alven — De onde tirou a ideia?

— Bem, como você não quer spoiler, não direi mais nada.

— Tá, né — Alven olhou para baixo e acariciou Kend. O Pokémon parecia contente com o nome — De agora em diante, seu nome será Kend, ok?

Nesse momento um vulto passou rapidamente na frente dos adolescentes. Um grunhido parecido com um choro foi emitido. Atrás do animal desconhecido, homens vestidos de verde correram atravessando galhos e arbustos pelo caminho.

— Eles nos viram? — Nathan estava imóvel e sério.

— Eu acho que não, mas o que está acontecendo, afinal?

— Não vamos lá, né? — Alven apertou Kend e Dew contra seu tórax, desconfiado. Os Pokémon grunhiram em reclamação e o garoto folgou o abraço.

— Vamos, ficaremos na espreita sem que eles nos percebam.

— Isso é bem arriscado, sabia? Você não era assim na época de escola — observou Nathan.

— Você esqueceu que mal nos falávamos na época de escola?

— Ótimo, então eu não estou em desvantagem aqui, já que não sou o novato do grupo — respondeu Alven.

— Como assim? — Nathan foi puxado por Luna para um arbusto,

— Vamos, eles estão ali — Luna apontou para um espaço entre as árvores. Agora podiam ouvir coisas passando rápido pela grama.

— Ei, esperem por mim! — Alven se juntou aos dois. Abriram espaço entre a grama e se depararam com uma cena absurda.

Dois homens vestidos de verde ameaçavam um Poochyena pequeno com chicotes. Os mesmos eram verde-escuro e se camuflavam facilmente no matagal verde. O som dos chicotes caminhando pela grama parecia com o serpentear de duas Serperior enfurecidas.

Os homens usavam longos casacos verdes-escuros com as cabeças cobertas por capuz da mesma cor. Calças jeans pretas, sapatos pretos e luvas também pretas, provavelmente para camuflagem. Os rostos eram dificilmente vistos.

— Por que não fica quieto com os outros? Seria bem mais fácil, mas se você quer assim, vamos ter que apelar — disse um dos homens estalando o chicote em sua mão.

— Não vamos ajudar? — sussurrou Nathan. Ele, Luna e Alven estavam do outro lado do lugar escondidos em um arbusto grande e camuflados pela sombra das árvores.

— E temos alguma chance? Esses caras parecem bem armados — respondeu a garota, sem tirar os olhos da cena.

— Dew pode paralisar esses marmanjos com o Stun Spore dela, o que acha? — Mas assim vai afetar o lobinho também...

— Ah, é verdade... — O garoto olha para Kend e Dew pensativo, que se entreolham e continuam em silêncio. Aparentavam preocupação.

— Ah, já estou sem paciência! Vamos logo, temos muita coisa para fazer ao invés de esperar a sua boa vontade! — O homem se aproximou e deu uma forte chicotada no Poochyena. O lobinho grunhiu como se chorasse, estava machucado. Um ferimento deixava escapar sangue do Pokémon. Foi então que Nathan se revoltou. Levantou do arbusto onde estava e foi andando na direção do homem.

— Calem a boca e parem com isso. Agora.

— Nathan! Volta aqui! — Luna estalou a língua e se escondeu. Alven estava perplexo e se levantou.

— Quem é você, garoto? — O homem se virou para Nathan escondendo o chicote em suas costas — caia fora daqui, se não vamos...

— Se não o quê?

E Nathan deferiu um forte soco no rosto do homem. Luna se deu conta da situação e se levantou para ajudar, enquanto Alven ficou olhando.

— Acha que podemos? — olhou para Dew como se pedisse algo. A planta concordou e pulou do colo do garoto, que ficou segurando o Ralts — Razor Leaf!

Enquanto Luna corria atrás do outro capanga — que estava fugindo—, Dew abriu os pequenos bracinhos e soltou folhas afiadas na direção do homem, fazendo-o cair.

— Suma daqui e deixe esse Poochyena em paz, está ouvindo? — Nathan falava com uma voz ameaçadora enquanto olhava sério para o homem.

— Que atrevido, você — o indivíduo tentou ignorar o olho roxo e foi na direção de Nathan.

— É minha vez agora! — gritou Alven, já atrás do homem. Dew e Ralts estavam do seu lado.

O homem partiu para cima de Nathan, mas no mesmo momento Alven deu um forte chute entre as pernas do inquilino, que caiu gemendo de dor.

— Morra! — disse Alven colocando o pé nas costas do criminoso.

— Vamos, temos que sair daqui — Nathan deu Dew e Ralts para Alven, pegou o Poochyena no colo e partiram para sair da floresta.

(...)

Quando saíram, uma enorme luz laranja cegou os garotos. Já estava escurecendo e o sol estava mergulhando no horizonte com toda a sua aura flamejante.

Aquela parte da rota 104 era composta de um longo caminho de grama até uma ponte paralela á passagem. A mesma não era muito grande e atravessava um lago, onde algumas pessoas passavam ás vezes. Á frente dos garotos havia uma floricultura com algumas mulheres dentro.

— Aquela floresta era tão escura assim? Eu estou cego! — Alven esfregava os olhos com uma mão enquanto apoiava Dew e Kend no outro braço.

— Estamos bem de frente para o sol — disse Nathan, com os olhos bem fechados e a mão horizontalmente apoiada na testa. O Poochyena olhava melancolicamente para frente com os olhos quase fechados. O sangue escorria lentamente do Pokémon, caindo no braço de Nathan. — Luna está ali, vamos?

Os dois garotos correram até Luna, que virou rapidamente ao perceber a presença deles. Pediu silêncio com o indicador na frente da boca e retirou um distintivo dourado em forma de escudo com um dragão em formato de “S” estampado.

— Tá, mas por que temos que fazer silêncio? — questionou Alven, falando baixo.

— Nada, foi só pra criar um climão — brincou a garota. Nathan suspirou.

— O que é isso? Precisamos levar esse Pokémon para o Centro rápido!

— O coitado está sangrando! — Alven apontou para o ferimento no lobo. Não era tão profundo, mas o sangue saía continuamente.

— Eu tenho alguns curativos comigo, sou precavida pra esse tipo de coisa. Vamos, bichinho — Luna pegou o Poochyena com cuidado, colocou calmamente em seu colo e se sentou logo em seguida. Pegou sua mochila e tirou uma caixa branca com uma cruz vermelha que se assemelhava a uma caixa de sapato. Tirou a tampa e pegou um remédio pouco comprido circular, com uma cor variando do vinho para marrom. Também pegou um pano rosa. Colocou o mesmo no chão e em seguida pegou um curativo — Esqueci da água! Algum de vocês tem aí?

— Toma! — Alven tirou seu vaso de água com estampa de Goldeen da mochila, abriu e deu para a garota. Ela pegou um pouco com a mão, colocou a garrafa no chão ao lado do remédio e despejou calmamente pela ferida.

Luna tirou o excesso de água com o pano que tinha e pegou o remédio. No que abriu, uma mini espátula branca acompanhou a tampa do medicamento, melada do líquido marrom.

— Isso pode doer, só avisando — disse a garota olhando para o Poochyena, que gemeu tampando os olhos com as patas. Passou de leve a ponta da espátula na ferida, fazendo o lobo dar um pequeno grito de dor.

— Ok, já chega. Vamos levá-lo ao Centro Pokémon mais próximo — decidiu Nathan, pegando o Pokémon no colo com cuidado e chamando Alven e Luna com as mãos.

— Espera, mas eu ainda não terminei de... — Luna olhou para Alven com olhar de desaprovação, e o garoto retornou com o mesmo olhar. A adolescente guardou tudo dentro da mochila novamente.

Os três começaram a correr pela rota. A terra recém-seca grudava nos solados dos sapatos dos três enquanto corriam. Atravessaram uma ponte de madeira que passava sobre um pequeno lago ali perto, fazendo um barulho enorme de passos desesperados.

Ao descer da estrutura de madeira, se depararam com uma cidade cinza e bege: Rustboro. As casas eram feitas de uma pedra lisa que dava um efeito rústico surpreendente. As ruas aparentavam velhice, mas na verdade eram tão novas quando caminhos de ladrilho de uma cidade paradisíaca. As pequenas áreas verdes contrastavam com o cinza relaxante da cidade.

— É aqui — Nathan apontou para o Centro Pokémon, com seu telhado vermelho contrastando com a paisagem.

— Você deveria ter esperado eu terminar de cuidar das cicatrizes dele... — resmungou Luna. Alven continuou calado. Ralts e Dew se entreolhavam e grunhiam, pareciam conversar algo.

Ignorando tudo, Nathan adentrou o estabelecimento, que por sorte estava vazio. Não viu ninguém, somente mesas e cadeiras vazias. Não havia nada de deslumbrante ali, somente um balcão com um telefone, um compartimento de remédios, um caderno e uma caneta.

— Olá? — exclamou o garoto. O Poochyena observava com o mesmo olhar triste de antes.

De repente longas orelhas grandes e pontudas levantaram atrás do balcão, assustando Nathan. Uma portinhola do lado direito do mesmo se abriu e de lá saiu um Clefable: um Pokémon rosa de corpo aparentemente oval, pernas grossas e pequenas, braços também grossos e curtos, com três dedos pequenos cada. Possui uma ondulação na sua testa que simula uma pequena franja. Nas suas costas, um de asinhas curtas. Também possui uma cauda em forma de disco, que imita uma espiral.

— Quê? Você é o enfermeiro daqui? — olhou confuso para a criatura, que devolve um olhar curioso. De repente a porta de vidro bate e uma sombra rápida como um Liepard ultrapassou Nathan. Lá estava Alven, em toda a sua glória.

— QUE FOFO!— gritou o garoto, abraçando o Clefable como se fosse feito de ouro. O Pokémon estranhou o chamego e se afastou aos poucos.

— Ah, esqueci que vocês também estavam vindo, eu encontrei esse cara no lugar do enfermeiro.

— Cuidado pra não esquecer nossos nomes também... — Luna surgiu desapontada da porta segurando Kend e Dew no colo — Alven, toma seus Pokémon aqui.

— VENHAM, VAMOS CONHECER O AMIGUINHO! — Alven pegou os Pokémon em um salto e foi para perto do Clefable em outro. O Pokémon fada continuou observando sem entender.

— O que está acontecendo aqui, Fabe? —Um homem alto e um pouco mabro surgiu do corredor. Usava jaleco branco, camisa azul turquesa e uma longa calça jeans. Usava sapato branco com cadarço também azul. Seu cabelo era liso e bagunçado.

— Deve ser o enfermeiro, fale com ele — Luna apontou para o homem enquanto limpava o suor de sua testa.

— Estamos com um problema sério aqui. —Nathan deu o Poochyena para o enfermeiro que sem entender nada apenas concordou.

— Nossa... vamos, irei cuidar deste problema agora. — O homem deu um sinal para os adolescentes o seguirem, e os três obedeceram.

Andando pelos corredores largos do lugar, era notável uma grande quantidade de branco em toda parte. Algumas outras cores como rosa ou vermelho brilhavam tímidas aqui e ali. Nathan encarava o chão o tempo todo. Luna olhava para todos os lados procurando analisar o local. Alven explorava através dos vidros de cada quarto: pessoas sentadas ao lado de seus Pokémon debilitados descansando numa cama branca. Médicos e funcionários do Centro passavam o tempo todo pelos locais para checar o conforto e necessidade dos pacientes. Ouviam-se conversas e perguntas por todos os lados, mas o ambiente calmo e limpo nunca deixava sua aura médica.

— Chegamos. É aqui. — O enfermeiro apontou para um quarto aberto: cama branca, alguns aparelhos usados em casos graves e uma cesta de remédio em cima de uma mesa. O chão era de uma cerâmica limpa e harmoniosa de um rosa quase branco. Na parede, alguns quadros de Pokémon alegres para tirar a melancolia daqueles que precisavam de cuidados.

— Esse lugar é tão bonitinho — Alven observava a limpeza e cuidado aparentes com brilho nos olhos. O Clefable entrou e puxou a camisa de Nathan, como se o convidasse a entrar.

— Ah, você quer que eu entre, também? — Nathan olhou para o enfermeiro, já dentro do quarto. O homem colocou cuidadosamente o Poochyena na cama.

— Pelo que eu pude ver vocês já cuidaram da ferida, não é? — indagou.

— Eu passei água e um daqueles remédios para ferimentos leves. — disse Luna com a mão levantada — consegui o remédio em um Centro Pokémon, também.

— Então agora ele só precisa de descanso. É um filhote e por isso é tão frágil, um Poochyena maior não se abateria tanto com um ferimento desse tipo.

— Então por isso ele está tão caidinho? — Alven foi para perto da cama.

— Exato — respondeu o homem de jaleco — Ah, desculpem se eu não me apresentei. Meu nome é Fábio e sou estagiário aqui no Centro Pokémon. Este é meu Clefable assistente, se chama Fabe. — mostrou o Clefable que acenou, sério.

— Me chamo Nathan, esses são Alven e Luna. Somos treinadores.

— Vão ficar aqui em Rustboro por enquanto? Se ficarem, vamos cuidar desse Poochyena até que sare — disse, abrindo um curativo e colocando com cuidado na ferida do lobo. O Pokémon havia adormecido, movendo-se ás vezes.

— Então vamos voltar mais tarde para buscá-lo, obrigado por tudo — Nathan sorriu e direcionou-se á saída do corredor. O enfermeiro sorriu e chamou uma funcionária.

— Ah, calma aí! — Alven deu Kend e Dew para Luna. Todos se entreolharam. O garoto se direcionou ao Clefable e abraçou o Pokémon.

— Ah, ele é sério e não gosta muito de grude... — disse Fábio, coçando a nuca e falando como se quisesse rir.

— Tchau, coisa fofa! — Alven tomou seus Pokémon da garota e acenou para o Clefable, que acenou sem expressão.

— Tchau, doutor! — disse Luna, indo atrás de Alven.

— Mas eu sou somente um estagiário... — olhou para Fabe, que revirou os olhos e sorriu.

(...)

Já anoitecia do lado de fora do Centro Pokémon. Alven encontrou Nathan sentado em um banco de frente para o lago, pensativo. Luna veio logo atrás.

— O que está fazendo aí parado? — interrogou o garoto, chamando atenção de Nathan.

— Nada, apenas admirando a lua — o garoto levantou a cabeça e encarou a lua, que timidamente surgia no horizonte.

— Deixa a gente sentar aí também, né? — Nathan se afastou e abriu espaço para Alven e Luna sentarem. Alven sentou no meio com Ralts e Dew no colo, e Luna sentou na ponta com sua câmera já em mãos. Todos colocaram suas mochilas no chão.

— Vocês estão muito calados, querem comer? — Alven olhou para os Pokémon em seu colo, que viraram-se e grunhiram felizes. — Sabia! Não falaram nada desde que viemos.

De repente Alven ouviu uma fina e calma voz, como se viesse do fundo de sua mente.

— Mas eu sou quieto assim mesmo...

Parou por alguns segundos, mas foi tão baixo que achou que fosse alguma criança perto deles falando com alguém, então ignorou.

O garoto pegou uma vasilha em sua mochila e retirou duas Sitrus. Ofereceu uma para Kend, que se virou novamente para o luar enquanto comia. Dew mordia a berry a medida que Alven oferecia.

Luna apontou a câmera para o tímido luar que apagava o laranja do céu e substituía por um roxo majestoso. Clicou no botão e tirou uma foto, que logo saiu por baixo da câmera em formato de quadrado.

— Que legal! — Alven olhou na foto recém tirada, porém estava branca. — Ué, cadê a foto?

— Ela precisa ser sacudida para aparecer — disse a garota sacudindo a foto, o que provocou um clássico som de papel ao vento — Bem, isso acelera o processo de revelação.

— Ei, vamos tirar uma foto de todos nós? — disse Nathan, surgindo de volta dos devaneios.

— Boa ideia! — Alven ajeitou Kend e Dew em seu colo para sair bem. Nathan apenas endireitou-se na direção de Luna. A garota virou a lente da câmera para si e levantou de modo que abrangesse todos os presentes ali.

— Estão prontos? — perguntou.

— Sim! — responderam os garotos. Kend levantou o braço em resposta e Dew engoliu o pedaço de berry que mastigava.

— Um, dois e...

Luna clicou no botão e então um pequeno estalo foi ouvido. Segundos depois, um pequeno quadrado branco de papel saiu da câmera e caiu, mas a garota o agarrou a tempo.

Ali, incutido na foto, estavam três amigos, dois Pokémon e uma lua.

Unidos por laços cada vez mais estreitos.

Notas finais
Nada a dizer, quem me dirá são vocês >:p TCHAU POVO LINDO O/