Notas iniciais
Olar “Mas Misaki, porque esse capítulo é porque especial? Como assim especial?” Ah, treinadores, mas essas perguntas tem respostas fáceis. Way é simplesmente porque eu quis fazer uma simbologia nesse capítulo, em que o Alex está pegando novos caminhos pra vida, sabe? Então basicamente quis mostrar que aqui é basicamente ele escolhendo esse novo caminho, e... MENTIRA MINHA! É porque eu estava ouvindo a opening de Devil Survivor 2 enquanto escrevia mesmo, Take your way HAUAHA E sobre esse capítulo ser especial, isso é porque, obviamente, esse é um capítulo totalmente não necessário para a história. Você ler esse capítulo ou não fica por sua conta. UASHAUSHAU Se ler, só vai encontrar nada acontece feijoada bullshit e cenas bobas Mas pra quem vai ler, boa leitura~

Alex se jogou na cama assim que estava no quarto novamente, pouco se importando com o pirulito na boca ou com o celular ainda em uma das mãos. Ele provavelmente continuaria ali do mesmo jeito se não fosse pelo vibrar do aparelho, lembrando-o o que estava fazendo e qual o motivo de não ter de se dar ao luxo de assassinar o smartphone na cama.

— Alex! — Margareth foi a primeira a repreendê-lo, saltando para a cama e assumindo a melhor expressão reprovadora que conseguiu. — Você gastou com balas de novo?

— Ahh, eu fiz algo do tipo, sim — respondeu ele, emitindo um resmungo de irritação. — Mas foi só o pirulito. — Na verdade não fora não, mas Margareth não precisava saber disso.

— E você reclamando comigo que não podia ficar gastando por mil motivos, agora fica aí gastando com balas...

— Ei, eu não gastei só com balas! — Agora ele estava de pé na cama novamente, o palito do doce no canto da boca. — Gastei só o troco do dinheiro que usei pra por créditos no celular.

— Tenho certeza que deve ter colocado créditos aí por uma razão completamente estúpida. — Era Linus quem resmungava dessa vez. Como havia se tornado seu costume, o lobinho estava deitado num cantinho do quarto, os olhos fechados e a cauda enrolada em volta do corpo.

— Não foi não. — O treinador bufou, fazendo uma careta. — Como você acha que vou ligar para casa se eu não tiver créditos o suficiente no celular, hein?

Margareth resmungou alguma coisa, mas Alex ignorou completamente o seu argumento de que ele poderia muito bem usar o telefone do templo ou alguma coisa do tipo. Realmente podia, e definitivamente não devia estar gastando tanto quanto gastara naquela manhã. Tecnicamente, não era para ele ter saído hoje para por créditos no celular, muito menos gastar o troco com balas. Considerando a sua situação e as circunstâncias que levaram ele e Chiyo se instalar na Bellsprout Tower, certamente que gastar ainda mais do que já fizeram estava fora de cogitação.

Mas o fato era que Alex não sentia mais necessidade de ser tão ganancioso com dinheiro, e muito menos sentia vontade de se perder no templo para encontrar um telefone que ele nem ao menos sabia se o pai atenderia. Frederick quase nunca atendia a telefones de desconhecidos. Sua mãe, provavelmente não estaria em casa agora, e bem, ele tinha alguns assuntos particulares para lidar com o pai. Era mais fácil ficar no quarto e ouvir broncas da própria Pokémon quanto ao pirulito na boca.

Margareth provavelmente o repreenderia agora por não estar falando com ela. O vibrar do celular chamou-lhe a atenção primeiro, e Alex fez questão de se endireitar na cama.

Um sorriso ameaçou tomar seu rosto quando finalmente checou a mensagem. Segurou o palito de seu doce por uma das mãos, e com a outra, discou o número do pai.

Dois toques, e ele já estava recebendo resposta.

Alex? Oi Alex, como que vai aí? — A voz de seu pai pareceu imensamente reconfortante naquele momento.

Um sorriso involuntário surgiu no rosto de Alex. Há quanto tempo não falava com o pai?

— Oi pai — respondeu animadamente. — Eu vou bem sim, e o senhor, como é que está aí?

Ahh tendo um ou outro probleminha com o Eddie, mas tá o de sempre. — Ouviu-se um suspiro, mas tão logo ele passou, Frederick já estava falando novamente: — Mais importante, como andam os treinos com seus Pokémon? Conseguindo progresso?

— Mais ou menos... Foi por isso que eu liguei, na verdade.

É? — Alex quase podia ver a expressão curiosa do pai. — E o que tem pra me falar sobre os treinos?

— Bom, é que a competição na Bellsprout Tower que eu mencionei está chegando... E como os treinamentos até agora estão ficando meio repetitivos, pensei em tentar ensinar algum movimento novo pros meus Pokémons, sabe? Talvez ajude no ginásio, também.

Ah, isso. Na verdade eu tenho um monte de coisa para falar sobre o assunto, mesmo que eu considere o seu nível... — Fez uma pausa, quase como se refletisse sobre o assunto antes de continuar. — Tenho a coisa perfeita pra você.

Alex sorriu, e por um momento agradeceu que o pai não pudesse ver o seu rosto. Tecnicamente, Alex queria sim conversar com o pai sobre os treinos e movimentos novos para ensinar aos seus Pokémon, mas o fato era que não era bem isso o motivo de ele ter ligado. Na verdade, Alex queria era conversar sobre coisas... Diferentes. Que iam além de sua compreensão, e provavelmente só alguém como Frederick saberia responder.

Mas bem, ele não sabia iniciar uma conversa daquelas. Não tinha o mínimo de coragem, e se Alex fosse confessar, diria que estava confuso demais para explicar o que queria. Então até que ele arranjasse coragem, o pai que poderia continuar falando com notável animação.

Pelo menos era bom poder conversar com o pai novamente, acima de tudo. Ultimamente, suas oportunidades para fazê-lo estavam incrivelmente escassas, tanto por dinheiro quanto pelos horários em que ligava, onde a mãe quase nunca estava disponível. Se não fosse essa dificuldade, talvez Alex não fosse se dar conta de que sentia falta de se sentar no sofá da sala ao lado da mãe enquanto assistiam à TV, ou de ver a expressão irritada do pai quanto quando Eddie aprontava alguma coisa.

Realmente, ele sentia muita falta dos pais, e eram nesses momentos que descobria isso. Talvez até se arriscasse a voltar para casa para vê-los se não fossem as circunstâncias que o prendiam ali.

Às vezes, Alex se pegava um pouco receoso quanto aos últimos acontecimentos, em que a primeira coisa que ele pensava em fazer era voltar para o conforto da casa de seus pais. Principalmente quando as mãos suavam e ele tinha de olhar duas vezes para elas, apenas para confirmar que elas não estavam vermelhas com o sangue de Margareth, ou mesmo quando a cicatriz latejava e ele tinha medo de aquilo não ser coisa da cabeça dele.

E se ele fosse falar a verdade, então Alex diria que um de seus maiores receios quanto à competição e os treinamentos era não ser um treinador bom o suficiente e acabar exaurindo seus Pokémons mais do que o necessário. Ele também não conhecia seus oponentes dessa vez. Podia subestimá-los. Podia achar que tinha vantagem quando não tinha, e então Margareth — ou mesmo Linus —, estaria em seus braços, sangrando mais uma vez.

Morta.

Por sua culpa.

Sim, sair em jornada estava se mostrando mil vezes mais difícil do que na teoria. Mais assustador também, de um modo que Alex se pegava tentado a deixar tudo e simplesmente abraçar sua mãe novamente. Quem sabe levar uma vida com Margareth e Linus da mesma forma que Frederick fazia com Eddie? As saudades de casa não faltavam.

No entanto, aquilo tudo eram somente pensamentos e vontades causadas por toda aquela distância entre ele e os pais. Não era como se Alex realmente fosse deixar a competição de lado porque ele estava um pouquinho (ou talvez muito) assustado. Não. Não mesmo. Havia os assuntos que ele gostaria de conversar com o pai para impedi-lo.

E por falar nisso...

Alex estava prestes a mudar o rumo da conversa quando um som o impediu de abrir a boca. Duas leves batidas na porta, acompanhadas de uma voz abafada:

— Alex? Alex, você está aí?

— É a Chiyo — Margareth anunciou, levantando-se da cama. — Quer que eu veja o que ela quer?

— Só um minuto, pai — pediu o menino, e então assentiu para a Shinx. — Aham. E pode deixar ela entrar que a porta está aberta.

Então quer dizer que você deixa aquela garota que me falou entrar no seu quarto assim, é? — Era voz de Frederick que o incomodava agora, repleta de malícia. — Não sei se fico feliz ou triste porque meu filho está crescendo...

— Espera, o qu--, o que o senhor está insinuando?! — Ele não se aguentou, e quase gritou com o pai. Merda, podia até sentir o calor subindo por suas bochechas.

Ouviu-se uma risada do outro lado da linha.

Nada não. Só não me inventa de fazer algo imprudente, ouviu?

— O que? Pera aí pai, não é nada disso que você tá pensando! Cacete, não desliga na minha cara, seu... — Mas já era tarde demais. Frederick já havia posto o telefone no gancho, interrompendo a risada que Alex tinha certeza que ele fizera só para aumentar seu tom de desespero. Maldito, maldito Frederick pensando coisas erradas!

Ele até ficaria um pouco mais irritado e continuaria praguejando contra o pai se o som da porta se abrindo não tivesse chamado sua atenção. Chiyo já estava adentrando o quarto com Natsuhi atrás, dirigindo um breve sorriso a Alex.

— Então você está aí, é? — ela perguntou, e diante da expressão confusa do menino, continuou: — A competição vai ser daqui a pouco. Vim te buscar.

— Espera, é hoje? Tão rápido assim? — Certo, não era exatamente, considerando a semana que passaram na Bellsprout Tower, mas Alex ainda foi pego de surpresa.

— Aham. Na verdade, vamos ter uma cerimônia de abertura ou alguma coisa assim antes, e aí sim vai ser a competição.

— Oh...

Merda, agora ele não podia mais fugir da competição ou usá-la de desculpa para conversar com o pai.

Com um suspiro nervoso, Alex mordeu o que restava do pirulito, e chamou Linus para segui-lo. Ele, Chiyo e os Pokémons saíram do quarto assim que o menino colocou mais uma bala na boca, apenas para começarem uma caminhada silenciosa em direção ao local destinado a competição.

Pelo o que Alex ouvira, seria na arena que ele e Chiyo estiveram usando para treinar, onde um total de dezesseis treinadores participariam. A grande maioria deles vinha de uma escola próxima, e alguns, assim como ele, haviam começado sua jornada há pouco tempo, então quem sabe não teriam tido tão poucas batalhas quanto ele? O fato era que aquela informação não ajudava muito no nervosismo de Alex.

Sua mente insistia em achar que aquele seria o momento perfeito para incomodá-lo. Não conseguiu quebrar o silêncio para perguntar a Chiyo que tipo de ritual ou cerimônia seria aquela, muito menos começar uma conversa saudável. Ele começara a ficar receoso quanto à competição, da mesma forma que ficava quando pensava no assunto, e bem, agora que a coisa estava mil vezes mais próxima...

Respirou fundo, fechando os olhos por um breve momento. Alex não podia se dar ao luxo de pensar tanto assim. Havia treinado para aquele momento, e tecnicamente, a coisa não era tão séria assim a ponto dele se preocupar em conseguir o primeiro lugar, certo?

Quando abriu os olhos novamente, o nervosismo de antes se afastou, sendo substituído por um misto de surpresa e confusão. Chiyo não estava se dirigindo até a arena, e sim a uma sala repleta de monges.

— Ué, não íamos para a arena? — Foi Margareth quem ecoou seus pensamentos, a cauda ondulando enquanto caminhava. — Achei que a competição fosse ser lá. Você disse que tinha vindo nos buscar...

— E é — ela respondeu. — Mas isso é depois da cerimônia, e para ela precisamos estar vestido adequadamente.

Alex ergueu uma sobrancelha para aquela informação, desconfiado. Como que para sustentar o argumento de Chiyo, ele encontrou a sala repleta de pessoas, inclusive as que não eram funcionários, monges ou turistas. Na verdade, vários treinadores estavam ali, preocupados em encontrar uma roupa do seu tamanho. Estas, porém, não pareciam algo que fosse se adequar a adolescentes de sua idade. Yukatas ou hakamas, Alex não se lembrava do nome exato, só que as roupas lembravam muito o kimono de Natsuhi, e certamente deviam pesar bastante.

Muito embora Alex quisesse protestar contra aquilo tudo, acabou se deixando guiar por Chiyo para vestir um dos hakamas, complementados por um par de tamancos igualmente desconfortáveis.

Uma arrumada no cabelo naturalmente bagunçado, e lá fora ele jogado de volta para o centro da sala, para deixar que os Pokémon seguissem com um monge e esperar por Chiyo. Aparentemente, eles receberiam o seu próprio tratamento especial antes de entrar.

Tudo que restou a Alex foi esperar, certamente uma ótima oportunidade para checar as roupas que recebera. Um hakama branco e verde, com pesadas mangas que cobriam toda a extensão dos braços, e até cobririam as mãos se ele não tomasse cuidado. O restante era tão folgado e pesado como ele pensara, e tão longo que apenas uma parte de seus pés com tamancos estavam visíveis, o suficiente para ele suspeitar que acabaria tropeçando em algum momento ou outro.

Quando Chiyo finalmente voltou para apresentar-se a Alex, ele duvidou completamente que aquelas roupas poderiam ser irritantes e desconfortáveis. E merda, ele quase não conseguia controlar os lábios se separando para formar uma exclamação de surpresa.

Chiyo estava... (como ele poderia colocar isso em palavras?) Diferente. Muito bonita, talvez, mas tecnicamente ela já tinha um quê de beleza. Agora, essa beleza estava apenas... Maior. A começar pelos cabelos: as usuais tranças que prendiam-lhe os fios foram desfeitas, deixando-o solto para cair sobre os ombros e costas. A franja, na maior parte das vezes posta atrás da orelha, agora estava presa atrás do cabelo, livrando o rosto de quaisquer mechas soltas que ousassem estragar com a beleza de seu rosto. Desde quando ela tinha uma pele marcada pelo sol tão... tão... Desde quando sua pele tinha aquele aspecto?

Agora, sobre o hakama que usava... Sua opinião adquirida quando vestira um desses mudou completamente. Chiyo conseguia trazer elegância que ele próprio achara impossível possuir. As mangas pesadas e o pano longo, quando vistas assim, pareciam mais leves que de costume, ajudavam a passar um ar completamente diferente do que Chiyo costumava ter. Se ele tivesse que resumir aquilo em uma única palavra, ele ignoraria a mente em conflito e diria que ela estava linda.

O suficiente para ele duvidar se aquela seria a mesma Chiyo que conhecera na floresta.

— Vamos, Alex — chamou ela, praticamente alheia ao rosto corado do menino. Ele tinha que resolver isso, aliás. — Primeiro nós vamos lá na sala de jantar, depois para a arena.

— Okay — murmurou, desviando o olhar. Céus, ele devia estar parecendo patético se comparado à Chiyo.

Completamente alheia aos seus pensamentos, Chiyo caminhou de volta para o corredor, e Alex resignou-se ao silêncio. Tão logo ele seguiu Chiyo, já se encontrou com enormes dificuldades para sequer acompanhá-la. Sentia-se como sua mãe, reclamando quando, por pura insistência de Frederick, usara saltos pela primeira vez, reclamando o tempo todo que não conseguia se equilibrar direito neles. Alex não conseguia se equilibrar direito naqueles tamancos. Ele estava até prevendo o momento que não conseguiria encontrar apoio e se esborracharia no chão.

— Alex... — Chiyo o encarou, subitamente parando de caminhar. Mais alguns passos desajeitados, e Alex estava ao seu lado.

— Sim? — Ele teve de se esforçar para ficar ereto. Ele queria que aquele esforço pudesse servir de exemplo para as tentativas de parar o palpitar rápido de seu coração.

Chiyo dirigiu-lhe um sorriso.

— Você pode ficar descalço se quiser, sabia?

Alex a encarou por um momento, e preferiu não responder.

Ele tinha coisas mais importantes para se preocupar agora. A começar pelo fato de que, apesar da cerimônia, ainda estariam indo para a competição. Toda vez que ele caminhava ao lado de Chiyo sem ter que se preocupar em cair no chão por puro desequilíbrio daqueles malditos tamancos, ele se perguntava se aquele treinador ou aquela garota que acabara de passar não seria sua oponente na batalha. Que tipo de Pokémon teria? Que tipo de estratégias?

Céus, e ele ainda podia ser um dos primeiros a ser chamado por culpa do nome. Não, não, ele tinha que se acalmar um pouco, Chiyo estaria assistindo, várias pessoas o veriam com um hakama e ele tinha que, no mínimo, mostrar o que havia aprendido com seus treinos até então. Não era por aquilo que estava esperando, a chance de batalhar com pessoas diferentes e ganhar um pouco mais de experiência?

A resposta veio rápida em sua mente: sim, era por aquilo que ele estava esperando. Uma pequena chance de provar a si mesmo que estava se saindo bem nos treinamentos, o suficiente para se ver com chances de derrotar o oponente. Alex queria melhorar, queria poder mostrar para Linus que era capaz de levá-lo a uma vitória, e que apesar do nervosismo, Alex poderia fazê-lo.

E ele realmente o faria.

Notas finais
Sobre os especiais... Eu na verdade penso em continuar colocar uns desses aqui e ali, com cenas nada acontece feijoada ou coisas bestas mesmo, algo que não dá pra encaixar normalmente. Eu presumo que eles podem acabar curtos como esse aqui, mas oh, nunca se sabe. Caso houver mais algum, estarei lançando no mesmo dia da postagem do principal, assim como fiz com esse~ Pra quem leu até aqui, eu só tenho a agradecer HAUAHA Espero que tenham gostado dessa coisa boba que foi esse chapter. :3 Até o próximo~