Pokémon NeoUnova
1 Capítulo 1

(imagem do narrador/protagonista)
Era meu momento de brilhar.
As arquibancadas estavam cheias, e o ambiente muito quente. Eram as finais da Conferência de Vertress, e um campo de luta Pokémon com chão de areia se mostrava na minha frente. Passei meus olhos pelas arquibancadas, e meu olhar foi atraído para o campeão, Alder, que repousava em um tipo de assento de honra, como o trono de um rei.
Era alguém já de idade, com grandes cabelos vermelhos, usando uma roupa de algodão de Whimsicott com suas 6 pokébolas penduradas, unidas através de uma faixa preta que passava pelo seu pescoço. Conversava com a minha mãe, Shauntal, e com minha avó, que havia viajado de Sinnoh até ali apenas para poder ver minhas lutas na liga. Eles se localizam em um ângulo onde eu poderia ver eles o tempo inteiro durante a batalha, o que me congelava a espinha. Me sentia sobre pressão. Odeio me sentir sobre pressão.
Do lado oposto ao meu, estava Cheren, um garoto com um estilo mais nerd que era neto do campeão, e meu melhor amigo. Ele usava uma camisa social com calças azul escuro (como sempre, aliás, ele nunca troca as roupas, pelo amor de Arceus) com uma gravata vermelho sangue e óculos da mesma cor. Ele tinha uma expressão de confiança no rosto, com um sorrisinho arrogante de lado. Ele olha por cima do ombro, encarando seu avô. Eles não tinham a melhor relação, mas Alder gostava de Cheren, tanto que interrompeu sua conversa e levantou sua taça de ouro, como em um brinde ao seu querido netinho.
Após o “brinde”, Cheren se virou de volta, envergonhado, e vestiu sua luva de batalha, que, como seus óculos, era vermelho sangue. Com uma simples flexão de mão, Cheren chama sua pokébola de dentro da bolsa que carregava e a joga na arena. O brilho revela um grande Serperior, longo e imperioso. Ele não seria tolo de revelar seu melhor pokémon de cara, mas era sentimental o suficiente para começar sua escalada de simples treinador para campeão com seu primeiro pokémon.
Ele devia achar que eu era idiota. Ou tão sentimental quanto ele.
Eu, que já estava com a luva desde antes de entrar na arena, saquei a minha duskball, e já vi o orgulho de Cheren desmoronar pouco a pouco. Liberei Hidan, meu Chandelure, com um giro corporal, como no balé, invocando a sombria pokébola no final do giro. Aquela pokébola eu não perderia de vista nunca.
A plateia já delirava ao nosso redor, e olha que nem qualquer movimento havia sido feito ainda. Cheren não iria recuar seu Serperior. Ele podia ser inteligente, mas o orgulho dele imperava sobre qualquer decisão que ele tomava. E isso hoje iria derruba-lo do pódio em que ele se considerava estar, talvez para sempre.
Um som alto reverberou por toda a arena.
A batalha estava liberada para começar.
[***]
Serperior caía no chão.
Vencido. Lutou bem e duramente, mas no fim havia sido vencido e nocauteado.
A última Shadow Ball de Hidan o havia lançado longe, nas paredes da arena, que era onde se sustentavam as arquibancadas. Como eram de rocha, e graças também à potência do golpe, um grande buraco foi deixado onde Serperior havia tido seu impacto. Cheren, que já estava com a camisa suada pelo seu nervosismo, estende sua mão, recolhendo a pokébola e logo após seu Pokémon caído.
Ter seu inicial derrotado.
Quase humilhado.
Isso havia sido um golpe para ele.
Agora ele iria cometer erros, e a batalha ficaria mais fácil.
— Hidan, meu garoto, você foi sensacional, mas agora é hora de voltar — Voltei-me para Cheren, que já tinha sua próxima pokébola em mãos. Havia tirado seus óculos, prendendo-o em sua camisa, e encarava a pokébola em sua mão fixamente – Tá em choque Cheren? Vamos lá!!!
Arrancado de seu devaneio momentâneo, o neto de Alder limpa sua pokébola em sua camisa, lançando-a no ar logo após. Porém seu Pokémon não foi libertado.
A pokébola, ainda no ar, havia sido pega pelas garras de um (ou uma), veloz Braviary que passou em rasante no momento exato do lançamento. Cheren até havia tentado reconvoca-la para sua mão, o que deveria funcionar, mas desta vez, parecia que sua luva não mais funcionava.
Depois de algum tempo voando ao redor de nossas cabeças (o que, junto com as tentativas do Cheren de recuperar a sua pokébola resultaram em algumas risadas), como um maldito Mandibuzz faria com sua presa em um deserto, ele começou um rasante pela plateia, soltando a pokébola em algum lugar por entre as arquibancadas.
Com a mesma pokébola na mão, um homem encapuzado se levanta. Ele pula por 3 fileiras de bancos em um só salto (é, eu também fiquei surpreso na hora), caindo no chão da arena. Tirando seu capuz, ele revela uma longa e vasta cabeleira verde, com olhos azul marinho e uma constituição frágil, de pele branca.
— Senhor, eu não sei seu nome, mas devolva meu pokémon — O tom da voz de Cheren estava começando a ficar impaciente. Depois de ser feito de piada nas finais da liga, em frente de toda a região, eu não estaria diferente (Olha só, rimou) — Olha aqui, eu não sei seu nome, mas DEVOLVA. MEU. POKÉMON.
Cheren estava começando a parecer um idiota. Mais do que normalmente parecia, com alguns de seus hábitos. O homem, que parecia ter por volta dos 34, 36 anos não havia se incomodado pelo aumento do tom de voz do finalista. Parecia tranquilo e sereno.
Até demais.
Foi-se ouvido mais três sons de algo solido batendo no chão em três lados da arena. Três pessoas, como se tivessem combinado com o homem e pulassem também da plateia, estavam com um manto preto sobre si quando foram vistos no chão. Com um movimento sincronizado, levantaram-se e jogaram o manto novamente para a plateia.
— Olha, achei isso muito legal e interessante, mas estamos em uma batalha pokémon oficial da Conferência de Vertress, não em um concurso — Eu estava começando a perder a paciência. Eram só um bando de lunáticos querendo chamar a atenção as custas dele e de meu amigo/oponente — Ei cara de cabelo legal, devolva a pokébola do Cheren para ele perder do jeito certo. Não gosto de ganhar por W.O.
Ele virou-se para mim, com uma ponta de fúria em seus olhos. Endireitou suas costas, e quando falou, sua voz, grossa e intimidadora, pareceu ressoar por toda arena, atingindo mesmo os pokémons e o próprio campeão.
— Vocês realmente se esqueceram de mim. Houve guerra, houve mortes, e vocês não aprenderam a lição de vocês — Conforme falava, duas coisas aconteciam em conjunto: Os caras que saltaram da plateia se aproximavam lentamente de mim e de Cheren; e ele aumentava o aperto de sua mão sobre a pokébola roubada — Vocês os escravizam, os obrigam a batalhar a seu bel-prazer em disputas onde apenas seu próprio orgulho está em jogo. Vocês são podres.
Foi nesse momento que eu finalmente pude prestar atenção o suficiente nos três que se aproximavam. Estavam vestidos em roupas negras, com uma máscara para tampar toda a parte de baixo de seus rostos. Tinham a pele cinza, como carne velha querendo apodrecer, e cabelos brancos como a neve. Conforme andavam, cada um deles tirava um objeto diferente de suas roupas, sendo um uma katana; outro, dois pequenos punhais e o último uma corrente com um gancho em sua ponta. Em seus braços, havia um símbolo: Um escudo igualmente dividido em preto e branco, com um P azul no centro. O símbolo da equipe plasma.
— A humanidade, em seu cerne, é podre. Nós não temos o direito de viver com criaturas tão... — Interrompeu-se, dando um último aperto na pokébola de Cheren, que se estilhaçou sob sua mão, liberando seu Liepard, que se esfregou e ronronou nas pernas daquele que o libertou — ... harmoniosas e sagradas. Poucos de nós despertaram para essa verdade, e apenas eu e meus compatriotas estamos vivos atualmente.
Tomou um último folego, como se estivesse se preparando para um combate mortal. Acariciou o pokémon libertado que residia ao seu lado, que, como se num estalar de dedos, olhou em fúria para Cheren. Tudo que ambos haviam passado foi jogado no lixo, por um simples carinho de um estranho.
— Você disse que não sabia quem eu era, criança. Já fui chamado de Sucessor de Ghetsis, e por muito repudiei esse nome. Mas hoje eu o aceito com orgulho. Meu nome é Natural Harmonia, e há muito tempo atrás fui chamado de N pelos que considerei amigos. Os pokémons me conhecem como seu salvador, mas vocês podem se referir a mim como seu novo imperador. Ajoelhem-se perante mim. Ou morram.
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