Pokémon Mystery Dungeon: Uma História de Piratas
2 Confronto nas Cavernas-sem-nome
Como se fosse da noite para o dia, os três pequenos Pokémon mudaram de ideia em relação as suas andanças, na verdade estavam pensativos quanto anova escolha, mas muito sedentos de alguma coisa nova, o que quer que fosse. Com ajuda de uma folha brilhante eles subiram uma íngreme passagem para cima a fim de perseguir os Pokémon misteriosos e forasteiros que resolveram se embrenhar em seus domínios em busca de algum tesouro que julgam existir.
Todos estavam com medo, mas Melyn não dava a transparecer o fato. No fundo, todos estavam com vontade de viver aquilo, então que vivessem o perigo como se suas vidas dependessem disso.
─ Olhem só isso ─ disse a Vulpix. ─ Estas passagens podem ser usadas por nós para fugirmos deles caso nos persigam.
─ Você so precisa tomar cuidado com essa luz aí ─ advertiu Nob, o Snubbull. ─ Se eles nos virem, estamos mortos.
─ Eles não nos verão, Nob ─ disse, Kochi. ─ Mas o que me preocupa é que todos eles são Pokémon muito rápidos e podem nos pegar de jeito se vacilarmos. Aquele Ursaring, no entanto, não aparenta ser tão ágil, ainda mais com aquela armadura que parece ser bem pesada.
Antes de chegarem ao fim do túnel, Nob e Kochi pediram a raposinha para ver o seu mais novo brinquedo, a folha brilhante.
─ Como é bonita!
Demoraram ainda para alcançar os quatro Pokémon estrangeiros. Melyn achou que jamais os encontrariam novamente, mas o faro bastante aguçado de Nob entrou em ação novamente. Assim sendo, eles conseguiram encontra-los. Melyn guardou sua folha entre suas caudas, prendendo-a bem e os três seguiram os outros com muito cuidado.
Seguindo-os, os três puderam descobrir alguns fatos em relação aos novos Pokémon. O pidgeot caolho se chamava Furioso e aparentava estar guiando o grupo na exploração, embora quem detivesse o mapa fosse um Croagunk chamado apenas de Gunk, um sapo azulado, bípede e de sorriso sempre sarcástico no rosto. O Ursaring se chamava Bombo e demonstrava ser muito irritadiço; por último o vaidoso Persian, chamado Navalha, seguia calmo e despreocupadamente por último. Eles seguiam conversando em tom relativamente baixo até pararem num determinado ponto.
─ Muito bem, chegamos aqui ─ disse Furioso. ─ E agora?
─ Agora seguimos pela esquerda ─ disse Gunk.
─ Esquerda? É só uma parede! Este mapa está errado!
─ Claro que não! Você contou os passos até aqui?
─ Sim. Mas veja bem, um passo seu não é igual ao meu, nem de Bombo ou de Navalha ─ disse frustrado o pássaro.
─ Isso está me enchendo ─ disse Bombo. ─ Se não há passagens nessa porcaria de caverna, então formamos uma!
O urso empurrou seus companheiros e antes que alguém fizesse qualquer tipo de protesto, as suas enormes patas brilharam com uma luz branca muito forte naquela escuridão e ele atacou a parede com elas. Uma explosão muito alta se seguiu e as pedras voaram em todas as direções.
Todos ainda ouviram um “Cuidado! Seu idiota, avise antes de atacar! ”, provavelmente vindo de Navalha. Bombo se abaixou depois de atacar porque mais Zubats começaram a voar praguejando e os xingando de tudo quanto era nome feio e ele já estava farto deles. Quando todos os morcegos se foram e o Pidgeot moveu suas asas. Aquela parte da caverna permitia que pudesse ao menos movê-las para afastar a poeira que subiu.
Nenhum zubat ousou voar para prejudicar o grupo novamente, talvez nem houvessem mais Zubats naquele corredor.
Kochi olhava, escondido sob as pedras, o mapa sob a posse de Gunk, mas ainda não era hora de agir. Uma das pedras quase o atingiu bem numa das patas e quando Furioso baixou a poeira ele pode vê-la melhor: tinha um aspecto estranho, enrolado, parecia que tinha algo ali dentro, ia pegá-la quando Nob o puxou pelo braço e apontou.
─ Onde está Melyn?
Os dois reviraram os olhos, já iam procura-la quando viram a sua cabeça sair, aparentemente de uma rocha que ficava a alguns passos atrás de onde estavam.
Ela fazia sinal para que as seguissem, mas fazer isso indicaria voltar pelo corredor de onde vieram. Mesmo assim eles fizeram. Kochi, ainda intrigado, pegou a estranha pedra e a carregou consigo. A passagem por onde Melyn passou foi obstruída, várias pedras tapavam o que antes era uma abertura que até Bombo passaria sem problemas, mas o tempo tratou de esconder muito bem essa passagem, de modo que as pedras pareciam estar ali desde sempre. Por sorte nenhum Graveler tapava a passagem.
─ Vejam, eles se perguntaram se haviam passado do local indicado no mapa. Vi essa abertura aqui na parede, pode ser ela.
─ Significa que erraram? Não é possível! Estamos na frente? ─ Comemorou Kochi.
─ Ainda não temos certeza, Kochi, mas já é um bom início ─ alertou Nob. ─ O que é isso que está carregando?
─ Isso? Estranha, não é? ─ e o Pokémon mostrou a pedra para o amigo.
─ Nossa! ─ Exclamou o cão.
─ O que foi, Nob? ─ perguntou Kochi, assustado.
─ Não sabe o que é isso, Kochi? É UM FÓSSIL!
─ Fóssil? ─ repetiu o inseto. ─ Não sei o que é isso.
─ É o traço ou um pedaço de um Pokémon muito velho como uma casca ou até mesmo todo o corpo, que viveu num período muito, muito, muito antigo e que se mantem preservado aqui na terra.
─ Uau! Quer dizer que isso que Kochi está segurando é um cadáver? ─ perguntou Melyn.
─ Eca! ─ e Kochi jogou a pedra para cima, limpando as patas nas paredes.
─ Não faça isso! ─ e o Snubbull pegou a pedra a tempo, antes que caísse no chão. ─ Você vai quebra-lo!
─ Mas já está morto! Que nojo!
─ Não é bem assim, seu bobo. É possível trazê-lo de volta à vida ─ ele disse muito sério.
Melyn deu de ombros e seguiu inspecionando o novo cômodo descoberto.
Kochi não entendeu muito bem o que Nob disse, mas deixou que ele ficasse com o fóssil, pois o achava nojento, imagine só estar andando por aí segurando o que já foi um Pokémon vivo! O inseto entendia que Pokémon que não obtinham um descanso adequado viraram fantasmas sem vestígios com suas vidas passadas, como novos Pokémon. Eles não poderiam ser ressuscitados, não havia uma força capaz de fazer isso. Mas se ressuscitar um fóssil era fazer uma criatura “presa” ser “solta”, então aquela pedra deveria sim, estar viva, porém “adormecida”.
Ele ficou um bom tempo pensando nisso quando seus amigos o interromperam, chamando-o.
─ Kochi! Kochi! Venha aqui!
Ele foi e então seus amigos apontaram para uma parede cheia de desenhos. A luz da folha de Melyn mostrou a presença de desenhos toscos, muito antigos de criaturas no qual nunca haviam visto ou ouvido falar antes.
─ São Pokémon? ─ perguntou Nob.
Se o cãozinho estava em dúvida, o que dizer então os outros tão perdidos quanto?
Os desenhos mostravam pelo menos três criaturas, a primeira tinha um aspecto saurópode com uma crista em sua cabeça, que também tinha dois chifres em seu topo e duas protuberâncias que lembravam presas em torno de sua boca. Ele tinha um diamante no centro de seu peitoral e três espinhos na parte de trás do seu pescoço. Os pés e o peitoral possuem o mesmo aspecto metálico. A segunda criatura se encontrava num lado diametralmente oposto da primeira, tinha um aspecto terópode, com placas redondas no que pareciam ser seus ombros, onde duas pérolas rosas jaziam incrustadas. Ele possuía um par de asas nas costas. O pescoço era longo, duas presas bem ao lado de sua mandíbula e uma cauda poderosa.
A última era a mais interessante e se encontrava entre as duas, numa posição ligeiramente superior, ela tinha uma aparência serpentina, com seis flâmulas fantasmagóricas em sua parte traseira. Sua cabeça era adornada com o que parecia ser uma coroa de ouro que o rodeia com dois grandes chifres apontando para o lado.
Eles ficaram ali observando aquele desenho intrínseco daquelas três criaturas e só então Kochi lembrou-se dos quatro Pokémon que ficaram para trás. Afinal que fim teria dado a eles?
Foi então que ouviu uma gritaria. “Um combate?! ”. Parecia que seus “novos amigos” estavam arrumando problemas. Só deu tempo de ouvir um “Cuidado” e uma forte explosão chacoalhou toda a caverna, poeira desceu como se o teto fosse cair, os garotos, assustados correram e ficaram juntinhos num canto, não ousavam falar muito alto. Mais barulho de combate e em seguida um som de pedras quebrando. Depois de um período o silêncio reinou, mas não por muito tempo.
Eles ouviram então, as vozes dos novos Pokémon, estavam reclamando de alguma coisa. Kochi voltou para o que viria a ser a entrada do aposento que Melyn descobriu e colocou, muito devagar, a cabeça para fora das pedras e os Pokémon coberto de pó.
─ Kochi, tenha cuidado! ─ pediu Melyn.
─ Veja só o que você fez! ─ Gritou Navalha com raiva. ─ Veja como estamos! Não tinha por que você agir com tamanha violência, seu bruto! Olhe quanta poeira...
─ Não estou ligando para nada, você sabe! Aliás todos vocês sabem que meus métodos são bem diferentes! ─ Retrucou Bombo ─ Se aquele pançudo não fosse tão preguiçoso, ele mesmo estaria aqui buscando o que diz ser dele! Quanto a você, se não tem nenhuma ideia nessa sua cabeça cheia de pelos, ao menos concorde com alguma coisa que fazemos, seu saco de pulgas!
O clima já estava tenso e os olhos do Persina e do Ursaring já faiscavam de raiva.
─ Parem com isso vocês dois ─ disse o sereno Furioso. ─ Esta não é a sala do mapa, na verdade ela nem existe, você mesmo formou isso aqui, Bombom. Temos de procurar novamente, mas dessa vez por uma sala que realmente exista. Bombo, nos consulte antes de tomar uma medida drástica, esses Gravelers não gostam de ser perturbados então é melhor que ajamos sem destruí-los.
Kochi ficou pensando por que Furioso recebeu esse nome. Ele tinha a aparência assustadora, mas era tão calmo que deixava qualquer um desconfiado de suas atitudes. Mas voltando a ira de Bombo, ele acabou deduzindo que eles todos estavam ali a mando de alguém, mas quem? Talvez fosse esse o único motivo de tantos Pokémon diferente unirem-se por um objetivo.
─ Vamos nos dividir ─ continuou o caolho. ─ Gunk e Bombo, vocês voltam e procuram alguma passagem pela parede que talvez tenhamos deixado passar. Navalha e eu seguiremos em frente em busca de uma nova passagem.
Kochi ficou receoso quanto ao cheiro que eles teriam deixado na passagem. Bombo ou, mais provavelmente Navalha, poderiam segui-los pelo faro, mas as duas nuvens de poeira que se sucederam deixaram o pequeno inseto mais tranquilo. Ainda com a cabeça para fora, ele percebeu que o tal Gunk, de sorriso traiçoeiro, passaria com sua tiracolo, onde o mapa estava visivelmente vulnerável, bem na sua frente.
“É a minha chance!”, pensou.
Ele se posicionou dentro do reconto, de modo que seu braço pudesse passar pela fresta e puxar o papel.
O Croagunk se aproximava cada vez mais...
“Vamos lá. Vamos lá...”
Kochi estendeu o braço, mas não alcançou o papel. De repente, outra explosão, dessa vez bem maior, foi ouvida como se fosse no próprio recinto!
─ De novo, não!
Bombo e Gunk pararam bem em frente a fresta. Eles não viram Kochi, mas parecia que a sua atenção estava voltada em outra coisa. Um som de pedras rolando foi se tornando crescente. O Pokémon inseto tentou, então, mais uma vez. “Dessa vez não vou desperdiçar essa chance! ”. Ele ainda ouviu um outro grito, a voz lhe era estranha, era muito grave e lembrava as pedras se batendo. Kochi ouviu a voz de Furioso gritando:
─ Voltem, voltem! Tem um Golem derrapando!
Sem perder tempo, ele esticou uma das patas e dessa vez alcançou o mapa, puxando para si, mas o sapo viu o seu gesto.
─ Ei! Você de novo!?
Mas Navalha já havia alcançado os dois. Gunk ainda tentou pegar de volta o que era seu, mas Kochi já havia retornado para dentro do aposento. Como a entrada era pequena, o sapo não conseguiu adentrar na sala de pedra, se fosse um pouco menor...
─ Ora, seu...
Furioso agora já os alcançava, ele voava próximo ao teto, mas como o corredor era estreito para suas asas, ele não conseguia voar direito e rápido, como costumeiramente, mas pelo menos, dessa vez deus graças por Bombo ter expulsado todos os Zubats de seu lar com toda a sua arruaça! Uma pedra muito grande e redonda passou por baixo do pássaro caolho e iria atingir Bombo e Gunk; Navalha já havia passado por eles, rápido como o quê.
─ Está fugindo disso? Furioso? Onde está a sua fúria agora? ─ Os punhos de Bombo iluminaram-se novamente e ele partiu com tudo em direção a pedra.
Foi tudo muito rápido e antes que ele pudesse atingir a pedra, ela saltou, como se uma rampa de terra tivesse sido responsável por isso, e da pedra, quatro patas e uma cabeça saíram muito rapidamente, era o Golem! Ele era bem maior do que o costume, tinha quase uns dois metros de altura, era um pouco menor do que Bombo! Obviamente que era mais pesado, devia ter, pelo menos meia tonelada!
Os antebraços do Golem brilharam da mesma forma que a pata de seu oponente; duas patas se chocaram, causando um enorme impacto que ecoou por toda a caverna, mas o Golem ainda não havia usado a outra pata e com ela atingiu em cheio Bombo, que caiu para trás com estrondo.
─ O que está havendo aí fora, Kochi? ─ Perguntou Melyn.
Kochi voltou para o encontro dos amigos, dizendo:
─ Vejam só isso! Peguei o mapa!
Todos festejaram até que um novo impacto fez a caverna tremer.
─ Céus! Meus pressentimentos estavam certos! Esse lugar vai desabar! ─ lamentou a raposa.
─ Não é isso, Melyn. O Ursaring está lutando contra um Golem enorme, venham ver.
Kochi foi na frente e viu os olhos de Gunk pela fresta, o teto começou a ruir cada vez mais.
─ Mas aquele sapo feio e sorridente me viu quando peguei o mapa, agora ele não desgruda da entrada!
Dessa forma eles não poderiam ver a luta, pois o sapo tapava a entrada sem dizer uma só palavra.
─ Grande, Kochi... como sairemos daqui, agora?
─ Não sei, é melhor que esse Golem dê cabo de todos eles ou estaremos mortos já-já!
─ A propósito, de onde saiu esse Golem? ─ perguntou Nob.
─ também não sei ─ respondeu Kochi. ─ Mas ele saiu do mesmo lugar que eles “criaram”. Deve ter se irritado com toda a baderna que aquele urso causou.
─ E se esse combate continuar, estaremos mortos soterrados pelas pedras! Veja como o teto parece estar caindo! ─ a luz da folha dourada de Melyn iluminava bem aquele local e, de fato, o teto parecia estar arrefecendo com os impactos.
─ Se aquele Golem explodir, será o fim!
─ Isso se aquele sapo não tentar alguma coisa... ─ disse Melyn hesitante, mas logo recompondo-se. ─ Mas se tentar, vai se ver comigo!
O Golem e o Ursaring ainda se engalfinhavam na luta, a tartaruga de pedra tentava a todo custo esmagar o oponente com seu peso, enquanto Bombo não permitia e tentava quebrar o seu corpo com suas garras, que de tão poderosas, poderiam feri-lo. Só restava ao Golem devolver o ataque na mesma medida, e nisso ele obtinha vantagem. Porém ele era lento e o urso se aproveitou bem dessa desvantagem, desferindo ataques poderosos contra a pedra, cujo corpo ia se rachando.
Os socos desferidos causavam barulhos causticantes aos ouvidos, então, aproveitando um pequeno deslize de seu oponente, o Golem conseguiu investir contra ele, fazendo-o cair pela segunda vez. O urso estava com dificuldades para se levantar, mas ao invés de lamentar o ocorrido, levantou-se com um sorriso feroz nos lábios. Bombo partiu novamente contra seu inimigo, ele sabia que poucos de seus ataques conseguiriam atingir o Golem, embora aqueles que fossem úteis estivessem surtindo o efeito esperado. E foi assim que ele prosseguiu.
O golem defendia-se com sua casca de pedra pesada, mas ela parecia ruir cada vez mais rápido com os ataques mais ferozes de Bombo. A tartaruga de pedra estranhou o fato dele agora estar muito mais forte. No entanto, o urso tinha dificuldades em mover seu corpo e o Golem, então aproveitou-se de sua lentidão para fazer com que uma pilha de pedras caísse bem em sua cabeça, soterrando-o quase que por completo.
Gunk olhou para tudo aquilo assustado, e moveu-se de onde estava, desviando a atenção dos jovens Pokémon por um momento. O trio ficou parado onde estava, tamanho o medo do barulho de pedras caindo. Olhos esbugalhados.
Depois disso, o silêncio reinou por um tempo.
E logo foi quebrado quando Bombo ressurgiu vibrante por entre as pedras num rugido aterrador. “Incrível!”, foi o que pensou seu oponente; no entanto, fazia questão de não demonstrar surpresas perante um inimigo tão poderoso. Não vendo mais outra forma de expulsar o invasor, o Golem rolou rapidamente para perto dele enquanto ainda se livrava das pedras que prendiam suas patas, o corpo da tartaruga de pedra começou a brilhar e a esquentar e o urso percebeu o que ele estava tramando há tempo.
─ Gunk! ─ Era o único que ainda restava no corredor ─ Corra, ele vai explodir!
Sem opções, tudo o que pode fazer naquele momento foi colocar a boca na fresta, abri-la e disparar milhares de setas, tão finas que pareciam agulhas. Elas atingiram Kochi bem no ventre ele caiu num grito.
Seus amigos foram socorrê-lo em pleno desespero e Nob viu a face satisfeita de Gunk pela entrada para logo desaparecer numa fuga desenfreada. Os amigos arrastaram sem muito esforço o amigo inconsciente para o mais longe possível do combate e ali ficaram encostados na parede mais distante do recinto, mais próximo do canto de onde ficava a primeira figura, da esquerda, apenas esperando o pior... até que ele veio.
BOOOOOOOOM!!!!
A explosão clareou o recinto e o barulho foi tão alto que deixou os Pokémon com os ouvidos doendo. Por sorte, as pedras que protegiam a entrada os protegeram da forte explosão, embora pedras voassem para todos os lados do aposento. Melyn acertou em seu palpite, e o Croagunk havia envenenando seu companheiro; Kochi também acertou em seu palpite, porque logo depois daquela explosão o teto ruiu e caiu com estrondo, derrubando milhares de pedras gordas e grosseiras...
A última coisa que Kochi viu foram dois olhos brilhantes na escuridão que se arregalaram como os olhos de uma aranha prestes a dar o bote. Esses olhos se converteram em puro cinismo e o observavam enquanto cresciam e cresciam até engoli-lo!
─ NÃÃÃO!
─ Kochi! Kochi! Calma, estamos aqui! ─ e o inseto reconheceu a voz de Nob.
Ele percebeu que encontrava deitado, bem que tentou levantar-se, mas foi impedido.
─ Descanse, amigo. O veneno logo sairá do seu corpo ─ disse Melyn, tranquilizando-o. ─ Por sorte nós estamos todos bem.
Apesar da tontura, Kochi reconheceu as pedras, o chão, a poeira e até mesmo o cheiro ambiente. Ainda estavam na caverna, ali o clima era mais quente e ao seu lado ele viu alguns trapos embebidos e metade de uma grande casca do que outrora fora um vigoroso fruto servindo de recipiente para um pouco d’água.
─ Nós não estamos mortos?
─ E como poderíamos? ─ respondeu Melyn, rindo.
─ Fomos salvos no último momento, Kochi... difícil de acreditar devido as circunstâncias, mas foi isso que aconteceu.
Melyn e Nob estavam comendo alguma coisa, que depois Kochi reconheceu como payapas. Constatou, em meio a uma dor lancinante em todo o corpo, que alguém os ajudou, mas como e porque, isso ele não fazia ideia.
Então uma criatura adentrou no aposento.
A cerca de meia hora atrás, dois Pokémon encontravam-se fora da caverna sem nome. O dia já havia virado noite e o escuro dava as árvores um contorno sombrio sob a luz da lua.
─ Estão todos bem? ─ perguntou Furioso.
─ Acho que sim ─ Respondeu Navalha, ─ mas por mais que me seja doloroso dizer isso, não acha que deveríamos entrar e ajudar o Bombo contra aquele Golem?
─ Não podemos contra ele, Navalha. Bombo pode cuidar disso sozinho.
Era difícil para o felino acreditar naquilo, mas uma ponta de esperança e curiosidade estava pairando seus pensamentos. Sabia que Bombo era um Pokémon muito forte, mas também sabia o quão perigoso eram as explosões de Pokémon como os Golens. Ele olhou para Furioso e não viu nele nada que indicasse preocupação, talvez ele confiasse demais nos companheiros, talvez fosse ingênuo. Navalha preferiu ficar com a primeira opção, mas não sabia se aquilo seria uma qualidade ou um defeito.
─ Me pergunto o que Gunk está fazendo lá dentro.
─ Eu também não sei, mas aposto que deve estar tentando ajuda-lo com alguma coisa.
─ Novatos... ─ gabou-se Navalha.
─ Não diga isso, Navalha. As intenções do jovem são boas, mas um hora ele perceberá o seu limite ─ disse o caolho olhando para a entrada, agora só uma mancha muito escura, da caverna.
─ Você não desconfia dele? ─ perguntou o felino fingindo desinteresse. ─ Ele tem um olhar meio estranho, não sei se deveríamos confiar nele.
─ Você sabe o que o capitão acha disso tudo, não é? ─ disse Furioso, elevando um pouco a voz e olhando sério para Navalha.
─ Eu sei, mas até os grandes cometem deslizes, Furioso. Não me admira que ele tenha tentado de alguma forma se infiltrar entre nós. Mal entrou no bando e já possui fortes vínculos com o capitão, nem nós que estamos a maior tempo.
─ Acredito que seja apenas uma questão de vínculo, Navalha. Não leve isso tão a sério. Se ele realmente mostra para nós que é alguém útil, então aproveitemos dessa utilidade e correspondemos da mesma forma.
─ Mas e se ele mostrar que realmente não é de confiança?
─ Então nós nos livramos dele, simples assim.
Um silêncio se seguiu, cortado pelo barulho do vento nas copas, derrubando algumas folhas e balançando de leve a cabeleira longa de Furioso até que o gato quebrou o silencio.
─ Me pergunto se o capitão aprovaria nossa atitude.
─ Qual? ─ Perguntou o pássaro caolho, como se desperto de um sono.
─ A de deixar os companheiros para trás ─ respondeu Navalha. ─ Você sabe que ele jamais faria isso.
─ Sim, eu sei... mas também sei que ele jamais atrapalharia algum serviço feito por nós... ─ disse secamente.
No fundo a ave tinha razão, batalhar ao lado de Bombo apenas o atrapalharia naquelas circunstâncias.
BOOOOOOOOM!!!!
O barulho fez alguns pássaros se assustarem em seus ninhos. Furioso sentiu o sono bater.
─ Acho que agora as coisas terminaram de vez ─ disse ele.
Pouco depois a face de Gunk apareceu sob a escuridão da noite. Ele carregava uma lanterna numa das patas e um semblante de contentamento no rosto.
─ O que houve ali dentro, Gunk? ─ perguntou Navalha.
─ Bombo e o Golem ainda estava batalhando, ele pediu para que eu saísse da caverna, o Golem explodiu.
─ Percebemos. Teremos de voltar outra hora para explorar o local, mas ao menos saberemos onde estará a passagem com o próximo local descrito no mapa.
De repente o rosto de Gunk mudou suas feições.
─ Ocorreu um imprevisto enquanto isso... lembra-se daqueles Pokémon que estavam dentro da caverna quando chegamos? Pois bem... um deles roubou o mapa!
─ Como você permitiu uma coisa dessas?! ─ espantou-se Navalha.
─ Eu não vi quando isso aconteceu, muito provavelmente ele esperou o momento certo para me assaltar.
─ Isso é mau, Gunk... muito mau ─ disse Furioso fitando-o com seu único olho vivo. ─ Teremos de voltar agora mesmo e pegar o mapa de volta. Consegue lembrar onde foi o ocorrido?
─ Claro que sim, mas o Golem explodiu bem na entrada do aposento onde ele estava escondido...
─ Cada vez a situação só piora para o nosso lado. ─ disse Navalha andando preocupado e graciosamente em frente a caverna, a cauda serpenteando indicava ansiedade. ─ E Bombo?
Até o felino se espantou com a sua própria pergunta, pois de todos os membros do bando, Bombo era quem ele menos simpatizava.
─ Não sei, temos de encontra-lo e rápido. A caverna pode desmoronar com tantas explosões.
Então eles voltaram sob a luz da lanterna de Gunk. Estava muito escuro e o cheiro de poeira impregnava as narinas. Furioso seguiu atrás de Gunk, Navalha vinha por último, o pássaro segurou um bocejo e seu único olho viu o grande urso deitado no chão.
─ Lá está ele.
Todos correram em direção a Bombo, a caverna permanecia no mais completo silêncio e então eles viram outro Pokémon que não reconheceram de imediato, parecia estar fazendo alguma coisa com o urso e assim que a luz a atingiu, ela correu numa velocidade impressionante para o fundo caverna.
─ Ajudem Bombo, vou atrás dela! ─ disse Furioso tomando a lanterna de Gunk e voando como podia na mesma direção em que o Pokémon fugiu.
─Dela? ─ perguntaram os dois, mas a essa altura o Pokémon já estava a muitos metros deles.
Pidgeot voava, mas a luz não alcançava o Pokémon. Ele bateu as asas com força, levantando poeira, mas nada aconteceu.
─ Droga! ─ Piou irritado.
Voltou para seus companheiros, Bombo estava desacordado, mas ainda respirava.
─ Que bom, ainda está vivo! ─ disse Gunk.
─ Temos de acordá-lo, ele é muito pesado para o tirarmos daqui ─ disse o caolho.
Gunk retirou de sua bolsa um fruto, cortou em pedaços e os colocou na boca de Bombo, ele demorou para reconhecer o que estavam fazendo, mastigou o fruto e abriu os olhos.
─ Onde está aquele maldito Golem?
─ Explodiu. ─ foi tudo o que disse Furioso.
─ Você teve sorte ─ disse Navalha. ─ Não fosse essa armadura te protegendo você teria morrido na explosão.
─ DROGA! Eu poderia tê-lo derrotado com minhas próprias patas! ─ ignorou Bombo.
─ Não esquente com isso, você foi o vencedor mesmo assim. ─ respondeu Furioso.
─ Deixem isso para lá, é orgulho da parte dele. ─ e o felino deu de ombros.
─ E o tesouro? ─ perguntou Bombo.
─ Temos problemas quanto a isso ─ disse Gunk um tanto constrangido. ─ O mapa foi roubado.
─ O QUÊ?! ─ Bombo olhou para Gunk ─ E você deixou que levassem?
─ Que podia eu fazer? Ele quase me pegou desprevenido! Além disso, ele era pequeno, menor do que eu (Gunk era o menor dentre os quatro ali presentes) conseguiu se esconder numa entrada que não percebemos.
─ A propósito, Gunk ─ interrompeu Furioso. ─ Onde foi mesmo a entrada que você havia visto?
Gunk mostrou a entrada, custou a encontrar o local, pelo que podia ver, as pedras cobriram todo o aposento.
─ Está cheio de pedras ali!
─ Não me diga que foram soterrados? ─ perguntou Furioso já demonstrando impaciência.
─ Acho que sim...
O corpo de Furioso praticamente debruçou-se sobre o do pequeno sapinho azul e sua face surgiu em sua mente numa imagem assustadoramente grande.
─ Você tem boa memória, Gunk? Espero que sim, por que se voltarmos para aquele navio de mãos abanando você não tem ideia do castigo que nos aguarda. Mas se não tiver boa memória, nós podemos resolver esse problema rapidamente.
Ele dizia essas palavras numa frieza tenebrosa. Seu único olho arregalado e fitando os do sapo.
Gunk havia visto o mapa algumas vezes, lembrava-se vagamente dos passos seguintes até o tesouro. Mas ao ponto de saber com exatidão a sua localização. Ele sabia que seria punido por ter vacilado com o mapa, ainda mais para Pokémon que nem sequer indicavam uma ameaça. Ao menos se estivessem vivos, estariam em algum ponto procurando descansar, pois não teriam saído pela única entrada visível da caverna, já que Furioso e Navalha estavam por lá.
─ Está bem, está bem! ─ disse por fim, livrando-se dele. ─ Mas antes temos de descobrir em qual lugar devemos entrar.
─ Vamos fazer isso agora! ─ disse Bombo levantando-se devagar. ─ Já anoiteceu? Bem... isso não importa. Tudo aqui é escuro faça lua faça sol.
─ Vamos ao trabalho, homens, só voltaremos quando acha-lo. ─ Furioso tomou a frente novamente. ─ E quanto a você, Bombo, chega de tomar atitudes exageradas, vai chamar muita atenção, como aconteceu com aquele Golem maluco.
─ Não se preocupe, minha cota de briga por hoje já acabou.
─ Acho bom ─ e o pássaro deu de ombros.
Todos procuraram tal qual Furioso havia proposto anteriormente. Por sorte havia uma lanterna extra na bolsa e assim as duplas conseguiram procurar a passagem sem problemas. Foi Navalha quem achou uma passagem cujas pedras já haviam tapado. Bombo entrou em ação mais uma vez, estava cansado, mas mesmo assim fez seu serviço, abriu passagem quebrando as pedras com suas patas poderosas e assim seguiram o restante do corredor.
Gunk fechou os olhos por um momento, era melhor que seu palpite quanto a localização do tesouro estivesse certo, ou teria de sofrer com as consequências por ter perdido o mapa!
Enquanto isso, o Pokémon misterioso continuou correndo. Ele era muito rápido e parecia saber bem para onde ir naquela escuridão. Depois de várias viradas, caminhos estreitos e meias-voltas ele adentrou num aposento onde três criaturas o aguardavam.
─ Oh! Ela chegou! ─ disse Melyn alarmada.
Kochi observou o novo Pokémon, que, segundo seus amigos, havia os salvado a tempo da explosão.
A pelagem negra brilhava sob a luz de fogo das tochas, três penas vermelhas brilhantes formavam o que parecia ser uma cauda, mais uma em sua orelha esquerda. O que mais chamava atenção além dos olhos ferinos eram as suas garras retráteis e muito grandes, uma em cada pata.
─ Vejo que já acordou, está melhor, Kochi? Chamo-me Yula.
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