Dois Pokémons andavam por uma estrada no meio de uma floresta, a Lua no céu iluminando o caminho que seguiam. Um deles estava segurando um mapa com uma mão e com a outra, segurando uma caneta. O outro olhava atenciosamente a floresta em que se encontravam.

— Lance... você não faz nem ideia de onde estamos indo, não é? – o pequeno Pokémon falou.

— Na verdade, a gente está indo pelo caminho mais rápido. Como eu disse antes, Brian, eu tenho um plano... – Lance falou calmamente.

— E eu já ouvi você dizer isso umas 10 vezes... o que é esse seu plano? Aonde estamos indo?

Lance suspirava, parando de andar e ele mostrava o mapa para o irmão. No mapa havia uma cidade marcada com um “X”. O desenho da cidade indicava que ela aparentava ser grande.

— Se chama Bright Dawn, é uma das maiores cidades do nosso continente... poderemos arrumar missões boas lá. Mas vai levar um tempo, considerando que estamos indo a pé, acho que chegamos lá em uma semana...

— Sabe, a gente saiu da vila faz dois dias, e você quase não falou nada a viagem inteira... – Brian comentou enquanto andava.

— Eu não gosto de conversar e você sabe disso.

Brian suspirava e os dois permaneciam na caminhada por mais um tempo. De longe, eles podiam ver um agrupamento pequeno de Pokémons com uma carroça, que estava virada de cabeça para baixo. Notando isso, a dupla começou a correr, preocupados com o que havia acontecido.

Um dos Pokémons acenou para o time que estava chegando perto deles, percebendo pelo brasão em seus corpos que era um time de exploração. Seu corpo era baixo e similar a um sapo, com a coloração azul e os dentes que eram visíveis mesmo com a boca fechada.

— Bom dia senhor... o que aconteceu aqui? – Lance perguntava, se aproximando do grupo.

— Uma carruagem... nunca vi uma na nossa vila! – Brian dizia logo em seguida, chegando após o irmão. Ele olhava para o veículo, vendo alguns pokémons com o formato de engrenagem onde as rodas ficavam.

— Obrigado por admirar nosso veículo, mas não estamos em uma situação muito boa. São um time de exploração, certo? Eu acho que podemos precisar da ajuda de vocês... – o Croagunk falava cruzando os braços.

— Nós somos o Time Liberators, me chamo Lance e esse Zorua é meu irmão. Ficaremos felizes em ajudá-los – o Riolu pegava o brasão do time, mostrando para o sapo.

— Eu me chamo Brian! – ele acenava.

— Eu sou Gama. Nós estávamos dirigindo pela estrada com o Marty, ele é um Zebstrika e é quem dirige a carruagem. Do nada nós fomos atacados por um bando de Mightyena! Eles eram malucos, pegaram o Marty e fugiram com ele para dentro da floresta! Eu mal tive tempo de reagir, só pude proteger os pequenos!

— Entendo... essas hienas devem ser selvagens... – o Riolu coçava o queixo, pensativo. — Alguns estudiosos dizem que Pokémons perdem a racionalidade se ficarem tempo demais em Dungeons... Eles se tornam muito territoriais e atacam sem dó nem piedade...

— Nós temos que ir... – Brian falava, já correndo para dentro da floresta.

Lance concordava com a cabeça, olhando o Croagunk e logo ele seguia o irmão. A Dungeon em que se encontravam tinha árvores espessas, com diversas folhas e galhos, sendo impossível ver o céu sem que eles subissem nas plantas. Procurar por alguém seria como tentar achar uma agulha em um palheiro. Apesar das dificuldades, o time Liberators estava determinado em encontrar o Pokémon desaparecido.

— Esse lugar é enorme, você não pode usar a sua aura pra achar ele? – Brian parava de andar, ofegando e olhando ao redor.

— Na verdade, eu ia fazer exatamente isso... – ele suspirou, fechando os olhos e se concentrando.

O Zorua ficava em posição de combate, atento para cada movimento que ocorresse onde eles estavam. Seu irmão estava focado em sua meditação. Riolus e sua evolução, Lucario, eram famosos por serem capaz de manipular a aura, uma energia presente em seres vivos, para diversos fins. As orelhas do pequeno Pokémon se mexiam enquanto ele meditava, procurando pela aura do Zebstrika na floresta. O processo era lento e gastava energia, então Lance estava focando o máximo que podia na busca.

A visão que ele estava tendo era diferente, procurando apenas a aura de Pokémons do local, Lance via os arredores apenas em tons de preto e azul. Escaneando, ele ampliava a área de procura, focando no tipo corporal do Zebstrika, um Pokémon equino. Nesse caso, por estar perto de Mightyenas, a zebra deveria ser mais fácil de se encontrar.

E assim foi. Ele estava junto de três dos Pokémons selvagens. Lance abriu os olhos, caindo de joelhos e ofegando, ele havia se esforçado demais na busca. Brian, notando isso, se aproximou do irmão e, sem falar nada, o olhou, arqueando as sobrancelhas, preocupado.

— Antes que diga qualquer coisa, eu estou bem... encontrei o Marty, vamos! Não temos muito tempo! – Ele falava correndo o mais rápido que podia.

Os dois seguiam floresta a dentro, e conforme se aproximavam da localização, sentiam no ar o cheiro de sangue, que ficava cada vez mais forte. A fauna parecia mudar também, com as árvores mais secas e folhas caídas.

— Esses lugares devem ser horríveis pra sua cabeça se o bando atacou alguém no meio da estrada... – o Pokémon raposa dizia para o irmão.

— Vai saber, eu já li vários livros de teorias e hipóteses sobre o que acontece nessas Dungeons para deixar quem fica aqui desse jeito.

Brian consentia, engolindo seco. Essa era a primeira missão oficial do time e ele queria que fosse um sucesso, mas, mais importante do que isso, ele queria que o irmão não se machucasse. Lance, então, parou de andar, cobrindo o nariz com a mão. Ele sentia cheiro de podre no ar, com certeza estavam no local da alcateia de hienas.

A região em que se encontravam passou a ser mais rochosa. No chão, podiam ver o Pokémon que deveriam resgatar no chão, ferido e com marcas de mordida. Perto dele, dois Pokémons se encontravam, seus dentes vermelhos de sangue, rosnando para a presa. Além deles, havia um terceiro Pokémon, sentado no topo de uma rocha, olhando os outros dois membros de seu grupo.

— Mightyenas são fracos contra o meu tipo, logo, estou na vantagem, Brian, vamos nos preparar...

— Eu vou primeiro...

— Brian seu idiota! – ele reclamou, mas seguiu o irmão.

Um dos Mightyenas rosnou, avançando contra o Zebstrika com a boca aberta para finalizá-lo. Lance respirou fundo, então ele correu o mais rápido que podia, saltando. O Zorua golpeou a hiena em cheio com o corpo.

— Pursuit! – ele declarou.

— Cross Chop! – Lance disse, saltando logo após o golpe do Zorua e atingindo a hiena com os braços em forma de X, lançando o Pokémon contra a parede, o deixando desacordado.

Vendo isso, o líder da matilha saltou, rosnando para Lance. Atrás do garoto, o outro Pokémon avançava, suas presas estavam flamejantes e ele tentava acertar Lance.

— Pursuit! – A voz pertencente ao Zorua declarava, colidindo com o outro Mightyena e o empurrando para longe do irmão.

— Foi uma ideia idiota, mas funcionou.. Agora são dois contra dois.– Lance estralou os dedos, olhando o chefe do grupo de selvagens.

— Toma cuidado... – Brian corria para perto do outro Pokémon, seus braços brilhando.

Enquanto isso, o líder da matilha saltava contra Lance, o golpeando com as garras. Lance tentava bloquear cruzando os próprios braços para proteger sua cicatriz, sendo arrastado alguns metros para trás com o impacto. O Mightyena, então, virava de costas, sua cauda brilhando, golpeando o Riolu com ela. Lance, após receber o impacto, batia na parede rochosa, tossindo e respirando fundo.

Brian, por outro lado, desviava dos ataques ferozes da hiena que estava enfrentando. Ao ouvir o barulho do irmão, ele desviava o olhar, preocupado com o amigo.

— Lance! Você tá... Argh!– ele gritou de dor.

O Mightyena carregava eletricidade nas presas, mordendo o Zorua enquanto este não esperava. Brian, mesmo gritando, percebeu que também tinha uma brecha, copiando o ataque que Lance havia usado, golpeando o Pokémon inimigo e se libertando, mesmo ficando ferido com o ataque. O inimigo caiu no chão, desmaiado.

— Copycat! Cross Chop! – ele declarou antes de iniciar o ataque.

— Você tá me deixando irritado... – Lance passou a mão no rosto, tirando o suor. Ele encarava o líder da matilha. Era possível perceber que o garoto estava zangado ao olhar seu rosto, e ele foi se aproximando lentamente do inimigo. Seus olhos, normalmente vermelhos, estavam em um tom azul brilhante, e suas orelhas se mexiam, se concentrando nos movimentos do inimigo.

O Mightyena apenas rosnava, avançando contra o Riolu com suas presas, tentando mordê-lo. Lance, por sua vez, ergueu o punho, esperando o Mightyena se aproximar. A distância entre os dois estava cada vez menor.

— Force Palm! — Lance disse, vendo que o inimigo estava perto. Ele, então, deu um soco forte no estômago da hiena. De suas mãos, uma onda de energia azul surgia, atirando o adversário contra a parede e o nocauteando. Lance caiu de joelhos, sentindo a dor no braço pela força que havia exercido e permaneceu lá por alguns instantes.

Brian se aproximou do irmão, ofegando de cansaço, mas ao menos eles haviam vencido. Faltava apenas levar o Zebstrika de volta. Lance abria a mochila, pegando três Oran Berries, comendo uma, jogando a outra para o irmão e em seguida o Riolu se levantou.

— Nós já terminamos por aqui. – ele dizia se aproximando da zebra, abrindo a boca do mesmo e fazendo-o engolir a fruta.

Marty abria os olhos lentamente, vendo os dois estranhos. Ele balançou a cabeça, ainda tonto, mas parecia estar melhorando.

— Onde... eu estou? Quem são vocês? – ele perguntou para os dois irmãos.

— Somos o time Liberators e nós fomos contratados para resgatar você. Me chamo Lance e esse é meu irmão Brian. – ele apontou para o Zorua.

— Isso mesmo, nocauteamos os Mightyenas, mas eles devem acordar em breve, temos que ir logo...

— O... Obrigado garotos. – Marty se levantou com um pouco de dificuldade.

O trio então deu meia volta pela floresta, e os dois irmãos ficavam atentos no caminho inteiro. Apesar da matilha ter sido derrotada, ainda poderiam encontrar mais inimigos na floresta e, agora que o cliente estava com eles, seria ainda mais perigoso.

Felizmente, a viagem de volta foi tranquila, eles levaram a zebra em segurança para a carruagem. Ao notar o trio, o Croagunk arregalou os olhos, surpreso pela eficiência do time desconhecido.

— Marty! Você está bem! – Gama foi correndo para ajudar a socorrer o amigo.

— Estou sim... graças a esses dois. – ele dava um leve sorriso.

— Ah, o prazer é nosso! – Brian estava com o rosto vermelho, envergonhado mas aceitava o elogio.

— É o nosso trabalho. Demos uma Oran Berry para ele, mas eu espero que tomem mais cuidado daqui em diante. – Lance falou de maneira rígida.

— Garotos! Vocês merecem a recompensa! Para onde vocês estão indo? – Gama falava sorrindo.

— Nós estamos indo para... Bright Dawn! O que você sugere? – Brian falou com os olhos brilhando, já suspeitando do que seria a recompensa.

— Acho que posso dizer pelo meu amigo que nós ficaríamos felizes em levá-los, mas Bright Dawn é um pouco longe. O que acham de levarmos vocês até a vila mais próxima? Se forem andando, levarão um tempo enorme para chegar no seu destino. – Marty falou enquanto batia os cascos no chão.

— Por mim tudo bem, sempre quis viajar numa carruagem. – disse Lance, analisando a situação.

— Muito bem garotos, mas nós partiremos amanhã, Marty ainda está machucado, então vamos montar um pequeno acampamento, tudo bem?

Os dois garotos concordaram e foram buscar lenha na floresta. Enquanto isso, Gama ajeitava Marty no chão com cuidado para não abrir os ferimentos dele. O sapo suspirou levemente, pensando se deveria agradecer mais a dupla que salvou seu amigo.

Ao anoitecer, Lance estava dormindo encostado numa tora de madeira. O Zebstrika estava deitado, de olhos fechados. Brian estava olhando o céu em silêncio. O Croagunk se aproximou do garoto, se sentando do lado dele, o olhando com um sorriso no rosto.

— Queria agradecer você, seu irmão também, mas pelo visto ele dormiu.

Brian suspirou, esse tipo de conversa poderia se tornar comum se o irmão dele permanecesse distante emocionalmente.

— É o jeito dele, não gosta de falar muito com ninguém, além do necessário, as vezes acho que ele só fala comigo por que estamos na mesma equipe...

— Isso pode ser ruim pras relações com os seus clientes... desculpe me intrometer, mas pode me dizer o motivo dele ser assim? Ou é só o jeito dele mesmo? – Gama se encostava em uma tora de madeira.

Brian desviou o olhar, revivendo memórias antigas. Ele balançou a cabeça, tentando tirar da mente o que havia pensado.

— Não gosto de falar disso...

— Bom, tudo bem. É bom você descansar, pelo que vi a luta que tiveram foi intensa...

Brian consentia, bocejando e se deitando no chão. O sapo riu um pouco e se afastava do Pokémon, fechando os olhos e tentando dormir. O Zorua não conseguia cair no sono ainda, pensando no que viria a frente para a dupla, os desafios que iam enfrentar e se ele conseguiria proteger Lance. Os pensamentos eventualmente o cansaram, e ele dormiu.

Diário da aventura

Itens:

2x Oran Berry

1x Blast Seed

1x Escape Orb

2x Apple

Lance

Espécie: Riolu

Idade: 16 anos

Level: 20

Moves conhecidos:

Force Palm

Cross Chop

Brian

Espécie: Zorua

Idade: 16 anos

Level: 19

Moves conhecidos:

Pursuit

Copycat