— Então foi isso que aconteceu? – o Zorua havia terminado de escutar a história que o detetive Apollo falou.

— Sim, eles são os únicos sobreviventes daquela cidade... é uma pena que eles tenham sofrido desse jeito. – o Arcanine suspirava, guardando os papeis.

— Mesmo que tenham sofrido, não justifica o que eles estão fazendo agora... – respirando fundo, o garoto estava determinado a parar o trio de criminosos.

— De fato, mas minhas mãos... é... patas estão atadas. Porém, agora que tenho ajuda, talvez nós possamos prender eles...

— Aliás, alguém sabe o motivo do Genesect ter atacado?

— Ele é um Pokémon que gosta de se testar, dizem que era uma maneira de aprimorar suas técnicas... – Apollo respondia.

— Certo! Eu tenho que ver se meu irmão já levou alta do hospital, quando podemos nos ver de novo?

— Venha aqui no final do dia, nós iremos planejar direito o que vamos fazer...

Consentindo, o garoto então saiu do escritório. A história que ele escutou foi certamente trágica, e mesmo que ele pudesse entender o sofrimento da Companhia, ele tinha um trabalho a cumprir para evitar que mais famílias se machucassem. Com uma nova empolgação, Brian seguiu para o hospital onde estava o irmão.

Lance estava deitado na cama do hospital, ele se mexia como se estivesse tendo um pesadelo e seu corpo estava suando frio, molhando o cobertor que cobria o Riolu.

Número 10... parece que você falhou... sabe o que isso significa, não sabe? – a voz dizia dentro da mente de Lance. O garoto se via em uma sala escura com uma porta aberta e um Pokémon cujos olhos eram a única parte do corpo visível.

Não... por favor! Eu vou acertar da próxima vez! Me deixa ir embora! — desesperado, o Pokémon gritava.

A porta então se fechava e Lance podia apenas ouvir a risada do Pokémon no fundo. Ele colocava as mãos nas orelhas, tentando tapar o barulho. O garoto então gritava.

— LANCE! VOCÊ TÁ BEM?!

O líder do time acordou de seu pesadelo gritando, vendo seu irmão na sua frente. Ofegando, ele se sentava na cama do hospital.

— Essa cena tá se tornando comum... já é a segunda vez em menos de uma semana! – Brian gritava, mas arqueava as sobrancelhas, parecendo preocupado.

— Eu percebi isso sozinho, gênio... – ele levantava devagar, respirando fundo.

— Fico feliz que esteja bem, Lance! Os médicos disseram que era para você ter morrido, mas parece que o seu corpo se curou bem rápido...

— É, eu tenho essa habilidade... o que eu perdi durante esse tempo?

— Eu encontrei um aliado... ele é da polícia, mas acho que deveríamos ir pra casa primeiro e descansar, o encontro com ele é só de noite!

Os irmãos saíram do hospital e fizeram o trajeto normal para o apartamento. Dessa vez, Lance não falou nada durante o caminho inteiro. Brian, estranhando, pensou em perguntar o que estava acontecendo, mas decidiu deixar seu amigo em paz no momento.

— O aluguel de vocês vai ter que aumentar... – o Weavile que era síndico do condomínio disse, folheando um jornal.

Eu... falhei... era um sonho, mas eu falhei... como eu ainda estou vivo? — a mente de Lance estava cheia de pensamentos, ele não ligou para o síndico e simplesmente seguiu para seu apartamento.

Ao entrarem, Brian se deitava no sofá, se espreguiçando, ele estava exausto de andar o dia inteiro procurando por pistas dos alvos da equipe. Seu irmão, porém, parecia ainda mais estressado do que antes. Em pé, ele começou a tremer, sua respiração estava acelerada.

Não posso falhar... não... não! NÃO! Se controla, Lance! Você não pode mostrar fraqueza de jeito nenhum, ou você vai morrer!

— Lance? – notando isso, o Zorua saiu do sofá.

— Se afasta de mim! – ele começou a carregar um golpe na sua mão, quando os pensamentos voltaram. Dessa vez, ele não conseguiu se segurar.

Lance caiu no chão, chorando desesperadamente e gritando, dando socos no solo. Olhando aquilo, Brian se aproximou de seu irmão, arregalando os olhos.

— Ei! O que foi?! Respira, Lance! Você está bem, nós dois estamos bem! – tentando acalmá-lo, Brian colocava as mãos no ombro do Riolu.

— Não, você não entende... não entende nada! Eu não posso falhar! Naquele lugar que eu estava, se eu falhasse, eu ficava sem comer nem beber por dias! Eu... fracassei de novo.

— Eu entendo isso, mas respira! Você não vai morrer aqui! Olha, você se machucou e eu assumo a culpa disso, eu fui precipitado e...

— Você! É verdade... – Lance rangia os dentes, arqueando suas sobrancelhas. – Foi culpa sua! A ideia foi sua de fingir ser o papai e eu falhei por sua causa! – ele então fechava o punho, dando um soco no Zorua.

Brian caía no chão, passando a mão no rosto, onde foi atingido. Cuspindo, o garoto encarava o irmão, respirando fundo.

— Eu disse que eu assumi a culpa, mas não significa que você pode me dar um soco do nada!

— Cala... a boca! Eu tenho tudo planejado, do começo ao fim do nosso dia e você só tá atrapalhando tudo! – ele pisava no chão com força, seu corpo estava tremendo e o nariz do Riolu escorria.

— Nós somos seres vivos! Ninguém é uma máquina sem sentimentos esperando que você ordene eles para fazer algo!

— Mas eu não posso... fracassar... – o garoto caía de joelhos, chorando alto.

— Todo mundo fracassa alguma vez! Até o papai e o tio Shiron já falharam várias vezes ! Vai ficar tudo bem! Respira! Por favor Lance, eu quero te ajudar! – sua voz parecia trêmula, mesmo tentando parecer calmo, era visível que ele não conseguiria se manter assim.

O Riolu inspirou por alguns segundos, contando até cinco e prendeu a respiração, contando até sete. Então, ele expirou lentamente, contando até oito. O garoto repetiu o movimento várias vezes, até que enfim conseguiu se acalmar. Lance se afastou, deitando no sofá e olhando o teto.

— Ei, escuta aqui... eu sei que você não gosta de falar sobre aquele período da nossa infância, mas... se precisar eu estou aqui. Somos parceiros e eu sou seu irmão, me preocupo com você.

— Então... vamos encontrar quem? – ainda ofegando, ele perguntou para Brian.

— Um detetive da polícia que está investigando os mercenários... ah, sim, são três. Conhecidos como Companhia Coração de Aço, eles vieram de uma cidade chamada Oreshard.

— Eu ouvi falar, ela foi destruída e ninguém sobreviveu... ou foi isso que eu li, pelo visto três Pokémons saíram de lá.

— Foi... bem, nós só vamos de noite, vou pedir o nosso almoço.

— Lasanha... – ele dizia cobrindo seus olhos com a mão.

— Então vai ser lasanha! – Brian forçou um sorriso, ligando o telefone de casa.

Depois de almoçarem, os dois estavam no sofá, sentados e planejando o próximo passo. Lance estava de olhos fechados, concentrado. Em sua mente ele pensava em quais lugares deveria ir, considerando na delegacia primeiro.

— Podemos ir em uma loja que vim quando chegamos aqui, eu... acho que podemos comprar coisas úteis para as próximas dungeons que formos. – Brian disse, se lembrando do Watchog de antes.

— Onde você comprou o item pra eu evoluir? Bem, se eles tiverem mais coisas que os Kecleons...

— Eles tem! É cheio de itens!

— Então vamos agora. – o garoto descia do sofá.

Com as mochilas nas costas, o time saiu de sua casa, seguindo na direção do mercado do Watchog. O dia parecia ser tranquilo, apesar do ataque da noite anterior, muitos Pokémons ainda andavam tranquilamente pelas ruas. O céu estava limpo, com poucas nuvens e o vento batia nos pelos dos meninos.

— Esse lugar é bem diferente de casa mesmo... você sente saudade de lá? – o Zorua perguntou enquanto andava.

Lance pensou por uns instantes, parando de andar. Apesar de algumas memórias ruins, ele gostava de sua vila e dos amigos que fez durante o treinamento na guilda.

— Eu... acho que sim, mas acredito que sair de lá foi uma decisão que precisei tomar. – hesitando, o Riolu voltou a andar.

O mercado em que eles queriam ir estava se aproximando cada vez mais e na porta o Watchog parecia entregar panfletos para alguns Pokémons que passavam pelo lugar.

— O que é isso, senhor? – o Zorua perguntava enquanto se aproximava, analisando o papel.

— Hm? Ah! É o Zorua de antes! Explorador, certo? Eu tenho que divulgar meu negócio garoto! – rindo, o Watchog entregava um dos papeis para Brian.

— Não estamos aqui para ver panfletos. Queremos ver os itens em estoque. – Lance chegava, cruzando os braços.

— Conhecido seu, garoto? – o vendedor olhava Lance de cima a baixo, vendo que ele já havia entrado na loja.

— Meu irmão, ele é assim mesmo... viemos procurar alguns suprimentos para nossas próximas missões. – Desapontado, o Zorua abaixava suas orelhas.

— Certo, quando forem pagar me avisem, eu vou distribuir mais papeis aqui... – o Pokémon se virava para a rua, estendendo o braço com os panfletos.

Concordando com sua cabeça, Brian entrava no local. Ao chegar, ele viu o irmão analisando a bancada, vendo os produtos disponíveis. Ele estava com sua cauda balançando lentamente, olhando as sementes.

— Viu? Eu disse que era boa ideia vir aqui! – Brian se aproximava, sorrindo e abanando sua cauda.

— De fato, você estava certo, irmão. – Lance virou seu rosto para olhar o Zorua.

— Aliás, você foi meio rude com o vendedor, então eu tomaria cuidado. Vai que ele aumenta os preços por causa disso... – o garoto então virava o rosto para onde o Riolu olhava. – O que está procurando?

— Essas sementes podem ser muito uteis se usados corretamente... ajudam bastante em dungeons.

— Hm, é verdade... – Brian então viu algumas esferas em outra bancada, se dirigindo para lá.

Os produtos eram esferas azuis, que pareciam ser feitas de vidro e com um adesivo indicando o nome. O Zorua parou para pensar no que fazer.

Meus golpes são Pursuit, Copycat, Fury Swipes e Shadow Ball. São bons golpes, mas com essas esferas eu posso...— a inspiração parecia ter batido na raposa como a cauda de um Salamence. Sorrindo, ele pegou algumas.

— Pode entrar! A loja está aberta, estou apenas divulgando. – a voz do Watchog do outro lado podia ser ouvida pelos meninos.

— Muito obrigado... – o Pokémon respondia, entrando. Seu corpo era alto e a pele parecia uma armadura.

O novo cliente olhava os itens em outra área, quando notou os irmãos. Batendo a cauda no chão, ele arregalou os olhos. O Aggron havia reconhecido seus alvos da última missão.

Calma Atlas, eles nem devem saber quem eu sou... E eu não posso acabar com eles aqui, vai chamar atenção... – pensando no que fazer, ele resolveu fingir que estava procurando algo para comprar.

— Ok Lance, eu já decidi! E você? – Brian falava, guardando os itens.

— Você vai encher a mochila de Orbs... mas tudo bem, eles podem ser bem uteis, vamos... – o garoto saía, seguido de seu irmão.

Passando pelo mercenário, os adolescentes seguiam em seu caminho, até chegarem no vendedor, que sorria, vendo que eles haviam comprado muitas coisas.

— O total será de... 3000 moedas. – ele falava empolgado, esperando para ser pago.

— A sua sorte é que dinheiro não é um problema para nós. – Lance abria sua mochila, entregando o dinheiro para o Pokémon. O Riolu, então, saía calmamente dali, junto de seu irmão.

Eles notavam que já estava anoitecendo, o horário combinado havia chegado. Os dois seguiram pela direção oposta, indo para a delegacia. No céu, o Sol começava a desaparecer para indicar que a noite estava se aproximando.

O detetive Apollo estava em seu escritório, tomando um chá e revisando os documentos quando ouviu alguém bater em sua porta. Suspirando, ele imaginou quem era.

— Garotos, entrem! – ele gritava para que o Pokémon na porta entrasse.

De fato, os pequenos exploradores foram para dentro da sala. Notando o novo Pokémon, o Arcanine viu a cicatriz no corpo de Lance. Por um momento, o policial pensou em perguntar, mas achou melhor ficar quieto e falar do assunto que foi combinado.

— Então, você é quem está investigando os mercenários? Meu nome é Lance. – ele cruzou os braços, se sentando em uma das cadeiras do escritório.

— Certo, me chamo Apollo. Vejo que seu irmão deu alguns dos detalhes. – o cachorro colocou os envelopes na mesa.

— Bem, eu disse que eram três criminosos, só não disse a espécie deles... – comentando, Brian se sentou também.

— Hm, um Aggron e um Bisharp... – o líder do time falou, virando as páginas do documento.

— Bem, o que vocês sugerem fazer? Precisamos de uma confissão direta ou não vai dar para prendê-los... – Apollo tomava um gole de chá.

— A ideia é muito simples, nós vamos... – o Riolu era então interrompido.

— Arrancar a confissão deles pessoalmente. – Brian terminava a frase que o irmão começou, olhando o grande cachorro laranja.

— Eu não disse que isso seria arriscado? O que estão pensando? – arqueando a sobrancelha, ele esperava uma resposta.

— Como eu disse, é simples. Brian e eu iremos nos dividir. Eu irei interrogar o Swalot.

— Sou do tipo sombrio, é melhor eu ficar com a parte do Alakazam...

— Se conseguirmos tirar o principal apoio desse trio, vai ser mais fácil... – o cão coçava seu queixo. – Certo, eu entendo a ideia de vocês, mas vamos esclarecer uma coisa. Eu não posso apoiar muito vocês, então o máximo que posso fazer será ajudar a gravar a conversa...

— Quando vamos executar esse plano? – Lance perguntava, ainda olhando os documentos.

— Me dê dois dias para me preparar e nós iniciamos... – o canídeo consentia com sua cabeça. Ele erguia sua pata para a dupla e Brian cumprimentava o policial.

Com o anoitecer, a cidade de Bright Dawn parecia adormecer um pouco. Porém, em um dos bares locais estava o Aggron conhecido como Atlas. Ele comia uma torta e junto dele estavam os seus colegas de equipe e amigos de infância, Flint e Napoleon.

— Esses moleques ainda não desistiram da gente... seu Pokémon inútil! Era para ter matado eles quando teve a oportunidade! – o réptil batia sua mão na mesa, olhando o pinguim.

— Bem, é culpa do prefeito por não ter oferecido mais dinheiro... – dando de ombros, o Empoleon suspirava.

— Essa sua atitude mesquinha vai acabar nos matando e você sabe disso... mesmo assim, não acho que eles serão um problema, é só pensarmos em uma emboscada. – o Bisharp refletia, cutucando a mesa com a espada no braço.

— Eu posso ajudar. – os três mercenários ouviram, se virando na direção da voz.

Perto deles havia um Pokémon colorido, com dois olhos cianos e em sua cabeça um terceiro olho, da mesma cor. Seu corpo flutuava no ar e tinha vários apêndices. O Sigyliph começou a falar, mesmo sem nenhum som saindo de sua boca.

— Estão precisando de ajuda nesse trabalho? – o Pokémon psíquico flutuava enquanto perguntava para eles.

— Delphis, o que você tá fazendo aqui? Você nem bebe! – Atlas disse, mordendo um pedaço da torta que comia.

— Bem, parece que estão em uma situação desagradável e eu pensei em dar um ombro amigo...

— É uma boa ideia. – Flint resolveu falar. – Se ele for atrás das crianças, eles não saberão que tinha algo a ver conosco e ficarão fora da nossa cola, pelo menos por enquanto.

Parando para refletir, o líder do bando suspirou e resolveu concordar. Na melhor das hipóteses, eles não teriam que lidar com os exploradores e na pior, eles teriam mais tempo para planejar como iam acabar com eles. O dia seguinte ia ser longo para todos os envolvidos.

Diário da aventura

Itens:

5x Oran Berry

1x Sun Ribbon

1x Escape Orb

2x Apple

1x Blowback Orb

1x Petrify Orb

Lance

Espécie: Riolu

Idade: 16 anos

Level: 21

Moves conhecidos:

Force Palm

Cross Chop

Brian

Espécie: Zorua

Idade: 16 anos

Level: 21

Moves conhecidos:

Pursuit

Copycat

Shadow Ball

Fury Swipes