Pokémon: Kyurem - O Terror Dos Ares
2 Capítulo 01 - Drake
Notas iniciais
Dez anos após o ataque de Kyurem, Drake levava a vida como um nômade, procurando sempre viajar por lugares inabitados, como florestas ou encostas de montanhas. Sua única companhia eram os Pokémon, mas nem sempre eles apareciam. Somente um estava sempre com ele: um forte e majestoso Arcanine. Os dois estavam juntos desde os primeiros meses após a fuga de Drake, quando o Pokémon cachorro ainda era um pequeno Growlithe, que havia se perdido de seus pais.
Para fazer companhia à adaga do pai, Drake passou a usar um elmo feito do crânio de um Houndoom que os atacou certa vez e foi abatido rapidamente por Arcanine.
***
Agora, os dois estavam caminhando por um bosque cheio de cerejeiras e com vários Pokémon insetos e voadores ao redor. Dois dias haviam se passado desde a última vez que os dois saíram para caçar. Essa era a deixa para Arcanine começar a correr atrás deu um grupo de Spearows que bicavam o chão ali perto, em busca de minhocas. Assim que o viram, os Pokémon pássaros levantaram voo para tentar fugir. Mas o ataque de Arcanine foi mais rápido. Apenas uma baforada de chamas e três dos Spearows estavam no chão, já bem cozidos.
“Essa é uma das vantagens de se viver com um Pokémon que cospe fogo!” disse Drake enquanto corria para acariciar as orelhas do Pokémon. Antes de comer, o jovem desceu até um rio muito limpo que ficava na entrada do bosque para pegar um pouco de água para si e para Arcanine. Quando voltou, os dois se sentaram na grama um pouco queimada e começaram a comer. Enquanto comia, Drake se lembrava do dia em que sua vida virou do avesso, o dia do ataque de Kyurem. Ele se lembrou do grito aterrorizado dos moradores da vila quando o dragão surgiu rugindo do topo da montanha, dos Pokémon fugindo em disparada quando ele começou a descer e, principalmente, de seus pais gritando para que ele descesse até o porão e se escondesse lá durante o ataque. Nem mesmo as paredes da casa e o teto do porão puderam abafar totalmente o rugido que congelou a vila e fez os pêlos da nuca de Drake se eriçarem.
Depois que Kyurem se foi, o garoto fugiu para a floresta, mas antes de chegar lá pôde ver a destruição que o Pokémon dragão causara no local onde ele nascera e crescera. Todas as casas, exceto uma parte da sua própria, estavam completamente congeladas, então não era possível invadi-las para tentar encontrar alguma comida. Mas o que mais o assustava eram as pessoas e os Pokémon nas ruas. Todos eles morreram olhando para Kyurem, em pânico, sem ter nenhuma chance de escaparem. Drake ainda pôde ter um vislumbre do dragão ao longe, apenas uma mancha branca voando sobre a floresta. E, assim como já havia feito diante de seus pais, ele jurou que um dia encontraria e mataria o Pokémon que destruiu, sem motivo, sua vila, seu lar e sua família.
***
Quando acabaram de comer, Drake e Arcanine continuaram subindo o bosque e quando chegaram ao topo, viram uma pequena cidade logo abaixo. Quase todas as casas eram feitas de madeira, e para todos os lados se podia ver barraquinhas que vendiam frutas, verduras e legumes. Bem no centro da cidade havia uma pequena praça rodeada por um lago com uma ponte de madeira. Uma grande cerejeira se erguia imponente no meio da praça, com vários Pokémon insetos em seus galhos e pássaros ao redor. Pessoas descansavam nos bancos, algumas traziam Pokémon sentados no colo, recebendo carinho nas orelhas. Arcanine balançou alegremente a cauda quando percebeu que um pequeno Growlithe brincava no lago.
Drake não gostava muito de andar por lugares habitados, mas esta parecia ser um cidade tranquila, então ele decidiu descer. Algumas pessoas se assustaram com o enorme Pokémon ao seu lado e com sua aparência selvagem, mas ninguém tentou pará-lo. Quando atravessou a ponte na praça, um garotinho loiro e com sardas se aproximou dele, encarando Arcanine com um brilho no olhar. “Uau! Ele é lindo! Queria muito que meu Growlithe crescesse rápido para ficar igual a ele...”. Drake não conversava com outro humano há quase uma década, mas fez o possível para ser educado. “Mas é claro que ele vai crescer. Você só precisa brincar com ele e alimentá-lo bem, e um dia poderá sair por aí montado em suas costas!”. O garotinho ficou admirando o Pokémon por mais alguns segundos, até que uma mulher, provavelmente sua mãe, chegou por trás dele e o pegou pelo braço, enfurecida. “Cody! Quantas vezes eu já lhe disse para não falar com estranhos?!” “Mas mãe, olhe só o Pokémon dele, não é maravilhoso?” “Não tem nada de maravilhoso, ele é um selvagem, assim como este homem!”. Ao ouvir isso, Arcanine começou a rosnar e deu um passo em direção à mulher, que congelou de medo. “Archi, não”, disse Drake, colocando a mão nas costas do grande cachorro. Ele olhou para a mulher, deu um leve sorriso para o garoto e bateu fraquinho na cabeça de Arcanine. “Vamos, não queremos causar problemas aqui.”
Os dois saíram da praça e seguiram até o outro lado da cidade. Já era quase noite, e eles precisavam de um lugar para dormir. Como Drake não tinha dinheiro, teriam que dormir na floresta logo à frente. Mas assim que chegaram lá, os pêlos de Arcanine se arrepiaram, e Drake sabia que isso era sinal de que algum perigo se aproximava. Do meio das árvores surgiu o som de uma tromba, e logo depois, o causador desse som: um imenso Donphan, que deveria ser o dono daquele território selvagem. Então, ele investiu contra Arcanine, que fez o mesmo, e a briga começou.
Notas finais
Obrigado por terem lido e até o próximo capítulo!
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