Pokémon Hopes And Dreams

1 A Encrenca das Cópias!


Notas iniciais
Bom, espero que vocês curtam a história! :D

Todos os três garotos estavam em êxtase, Jade e Kyle por terem conseguido suas insígnias de arco-íris da líder de ginásio Erika, e Claire por ter conseguido sua segunda fita de coordenador, a Fita Esmeralda. Por conta disso, nem prestavam muita atenção ao caminho à sua frente, nem mesmo se lembrando que o próximo destino era a cidade de Saffron, cidade da líder de ginásio Sabrina, conhecida pelos boatos sobre seu poder de se comunicar com seus pokémons por telepatia.

Jade era uma treinadora de dez anos de idade e vinda da cidade de Pallet, assim como sua amiga de infância: Claire. Seus cabelos eram castanhos, lisos e longos, com franja, e duas mechas que ficavam à frente dos ombros. Seus olhos verdes tinham o poder de mandar o mais mortal dos olhares quando lhe bem era necessário. Vestia uma blusa branca regata por baixo de um colete lilás, sempre aberto. Para completar, saia jeans, meias cinco oitavos pretas e botas pretas de cano curto com cadarço lilás. Sobre seu ombro, a alça de sua bolsa roxa.

Claire, após um certo momento de indecisão, decidiu virar uma coordenadora. Era loira com os olhos azuis mais doces que alguém poderia ver. Seus cabelos sempre estavam presos em maria-chiquinhas, com uma boina cor-de-rosa por cima. Usava uma jardineira rosa por cima de uma blusa com listras brancas e rosa-choque, um cachecol vermelho amarrado de forma que parecesse um laço, meias três quartos brancas e um tênis com detalhes em rosa-choque, preto e branco. Para carregar suas coisas, dependia de sua pochete bege.

Por último, o único garoto do trio: Kyle. O treinador de onze anos de idade vinha da cidade de Oldale, em Hoenn, porém acabou preferindo Kanto como o lugar que faria sua jornada. Seu cabelo era vermelho-escuro, desajeitado, e seus olhos castanhos sempre estavam por trás de seus óculos. Vestia uma camiseta verde-água por baixo de um casaco verde, o mesmo verde de seu par de tênis, e uma calça jeans. Em suas costas, a sua inseparável mochila verde-musgo.

– Certo, então para chegar em Saffron, temos que voltar para Lavender, certo? — Claire, a pessoa que não entendia nada de mapas, perguntava pela terceira vez naquele intervalo de uma hora para sua melhor amiga. Ela e Umbreon — uma de suas companheiras fiéis — apenas confirmaram com a cabeça. — Hm... Será que a gente pode parar pra fazer um lanchinho? — E riu, sem graça. Os outros dois treinadores arregalaram os olhos.

– Nós almoçamos não faz nem duas horas, Claire! — A morena constatou. — Se ficarmos parando desse jeito, só chegamos em Lavender no ano que vem!

– Mas eu tô com fome! E cansada.

– Não é possível que você ainda não tenha se acostumado com nossas caminhadas diárias. E se tá com fome... — Jade tirou um pacote de bolinhos de arroz de sua mochila e os entregou. — Ande e coma, ande e coma. — Vencida, a garota simplesmente suspirou.

– Tá certo...

– Ei, gente, alguém sabe se todos aqueles contos sobre fantasmas em Lavender são apenas boatos? — A coordenadora, que naquele exato momento dava uma mordida em um dos bolinhos de arroz, paralisou nesta mesma pose, apenas arregalando os olhos. Sua amiga fuzilou Kyle com o olhar.

– F-F-F-F-FANTASMAS?! — E cuspiu a comida.

– São só boatos. — Jade respondeu, tentando acalmá-la.

– Será?

– Cala a boca, Kyle. — Falou por entre os dentes, e ele finalmente entendeu o que estava acontecendo.

– Erhm... É, devem ser apenas boatos. — E riu falsamente. — Fantasmas? Até parece que eles existem!

– Eu não tô gostando dessa história!

– Isso são só boatos por causa da Torre Pokémon. As pessoas enterram seus falecidos pokémons lá, por isso os boatos. — O ruivo ameaçou adicionar algum comentário à explicação da garota, mas esta simplesmente o proibiu com o olhar.

– Hm... Tá certo, então... — Ela fez uma careta, ainda não satisfeita com a justificativa. Rapidamente, Kyle tentou mudar de assunto.

– Então, Jade, qual é a especialidade da líder de Saffron, mesmo?

– Pokémons psíquicos. — Ele engoliu em seco.

– Eu acho que nunca lutei contra um desses antes...

– Bay! — Umbreon comemorou e abanou a cauda, recebendo um carinho na cabeça de sua treinadora. Naquele momento, o que o garoto de Hoenn mais queria era um pokémon como a Umbreon.

– Tanto o Nidorino quando o Machop tem desvantagem contra psíquicos... Você é sortuda, Jade.

– Eu acho que sortuda não é bem o termo correto... — E ela arqueou a sobrancelha direita, visivelmente ofendida. Ele apenas suspirou. — Com medo?

– Lógico que não! E além do mais... Eu tenho um pokémon a mais que você. — Jade simplesmente girou os olhos e suspirou.

– Isso de novo...?

Enquanto isso, perdida na paisagem ao redor enquanto terminava de comer seu último bolinho de arroz, Claire viu algo se mexer nos arbustos do lado esquerdo da trilha. Ela piscou algumas vezes, tentando confirmar sua visão, mas o arbusto continuava a se mexer. Se afastou da dupla que discutia sobre como um pokémon a mais ou a menos não decidiria uma batalha contra pokémons psíquicos, e decidiu investigar, tirando algumas folhas do arbusto da frente, tentando enxergar o que tinha lá dentro. Quando a criatura decidiu se mostrar, o grito dela ecoou por toda a floresta.

– O que hou-- MAS O QUE É ISSO? — Os óculos de Kyle quase caíram de seu rosto com o susto.

– São duas... Claires? — Até mesmo a treinadora parecia chocada, tentando entender o que estava acontecendo. Ela tinha certeza de que sua amiga de infância não possuía nenhuma irmã gêmea.

– SOME DAQUI CLAIRE-FALSA! — A loira começou a bater em sua cópia. — SAI! SAI! — A outra Claire parecia apavorada, com os olhos arregalados e se defendendo dos tapas.

– Dit! Dit--DIT! — Ao ouvir aqueles sons, a morena arqueou a sobrancelha direita. De repente, a compreensão veio à sua mente como um clarão.

– CLAIRE, PARA! — E obviamente, a garota não parou, mais preocupada em espancar seja lá quem estava lhe copiando. Ela correu até a amiga, segurando seus braços. — Eu falei pra parar!

– Mas, mas, mas...

– Isso é um Ditto!

– ... Mas HEIN?

O Ditto pareceu feliz, sorrindo e voltando à sua forma original: algo que parecia mais com uma geleca ou gelatina cor-de-rosa. O treinador rapidamente sacou sua Pokédex e a apontou para o pokémon.

"Ditto, o pokémon da Transformação. É capaz de rearranjar as células de seu corpo e assumir qualquer forma. Seu único golpe é Transform." Todos os três piscaram várias vezes, confusos.

– Certo, um Ditto pode se transformar em qualquer pokémon... Agora, humanos? Essa é nova pra mim. — Ele comentou, guardando o aparelho de volta no bolso. Jade apenas respondeu dando os ombros, também não entendendo.

– De repente... Ele é um Ditto super bem treinado ou especial?

– Ditto, ditto! — Provavelmente ele estava respondendo à teoria da coordenadora.

– ... Eu vou considerar isso um sim. — Jade apenas colocou as mãos na cintura, sem saber o que fazer.

Não muito longe dali, um trio chamuscado de Rockets caminhava pela floresta, sem muitas opções do que fazer. Mais uma vez o plano de capturar um certo Pikachu havia falhado, e estavam sem rumo até conseguirem se recompor. Eles finalmente jogaram-se na grama, não aguentando o peso dos próprios corpos.

– Aaaai, aquele pirralho ainda vai acabar com a gente. OLHA SÓ O QUE ELE FEZ COM O MEU CABELO!

– Olha o que ele fez com nós inteiros... — James suspirou. — O que vamos fazer agora?

– Arranjar um robô à prova de eletricidade E chamas de Charmander E qualquer outra coisa que possa causar uma explosão. — Meowth estava com os olhos fechados, e sentiu o ronco de seu estômago. — Eu preciso deee comiiida.

– Nós precisamos impressionar o chefe de alguma maneira... Mas como?!

Como se respondendo à pergunta da integrante da Equipe Rocket, um grupo de mais de dez Dittos os cercaram, fazendo com que o trio sentasse rapidamente na grama e olhasse ao redor, preocupados. Sem muito o que fazer, abraçaram-se numa tentativa desesperada de se proteger daquela invasão de pokémons.

– FALA COM ELES, MEOWTH! — Jessie gritou desesperadamente.

– O quê?! E se eles quiserem atacar a gente? Aí sim vão fazer isso!

– Você é o único daqui que pode entender a resposta deles! — Foi a vez do homem, duas cachoeiras escapando de seus olhos. O felino girou os olhos e se soltou dos humanos, aproximando-se do grupo de criaturas cor-de-rosa. Ele limpou a garganta e começou:

– Ei! Nós somos amigáveis, não precisam se preocupar! — E deu o seu melhor sorriso. Um dos Dittos começou a rir e transformou-se em Meowth, imitando o sorriso. Aquilo fez uma veia de sua testa saltar. — EI! Meus bigodes não são tortos assim! — Os outros Dittos começaram a rir. — Aaah, é assim, é?! — A garras de sua pata direita ficaram enormes, prontas para que ele pudesse avançar. Num momento de lucidez, James o segurou.

– VOCÊ FICOU LOUCO?! — A mulher de cabelos roxos, que até agora apenas observava, puxou os dois parceiros para um canto com uma força impressionante.

– Vocês notaram o que ele acabou de fazer?!

– Virou... O Meowth?

– Exato! E se nós fizéssemos eles se transformarem no Pikachu? Nós teríamos mais de dez e entregaríamos todos para o chefe! — Seus olhos estavam brilhando, e logo os olhos dos outros dois também começaram a brilhar, já imaginando a promoção.

– Certo, deixe comigo! — O pokémon novamente limpou a garganta, e colocou a pata direita sobre o peito. — Queridos pokémons, o que vocês achariam de se juntar à Equipe Rocket? — Os Dittos começaram a olhar uns para os outros, não compreendendo aonde ele queria chegar. — Vocês teriam uma vida de luxo, riquezas e poder!

Enquanto o grupo de pokémons decidia se deveria ou não acreditar nas palavras de Meowth, os outros dois Rockets posicionaram-se atrás deles, com redes em mãos.

– Bom, tanto faz se vocês querem isso de boa vontade ou não. AGORA, JESSIE E JAMES! — Eles jogaram as redes, prendendo todos os pokémons e os deixando desesperados, tentando fugir. O trio rapidamente começou a comemorar.

– É ISSO AÍ! Agora só temos que encontrar o pirralho com o Pikachu e--

De repente, eles ouviram o grito de uma garota que ecoou por toda a floresta. Entreolharam-se, tendo a certeza de que conheciam aquele berro. Foi Jessie, com a mão direita no queixo, que reconheceu a voz.

– Isso é a pirralha loira escandalosa. É nosso dia de sorte! Além dos Dittos, vamos finalmente pegar os pokémons daqueles pirralhos! — James arqueou uma sobrancelha.

– Hm... Sem nenhum robô?

– Mas é claro!

– E como é que vamos fazer isso? — O pokémon falante cruzou os braços. A mulher simplesmente apontou para o grupo de Dittos. — Eles não vão obedecer a gente! — Ela levantou o dedo indicador, como se pedindo tempo, e aproximou-se do grupo aprisionado, agachando-se ao lado deles.

– Ei, amiguinhos. — E sorriu. — Vocês querem sair daqui, certo?

– Dit, dit, dittoooo!

– Ótimo! Se vocês nos ajudarem, libertaremos vocês! — Os outros dois arregalaram os olhos.

– Depois de todo esse trabalho você quer soltá-los, Jessie?! — Meowth praticamente rosnou.

– Nunca mais te ajudo com nada!

– Shhh! — Ela correu para tapar as bocas dos dois. — Até parece que eu vou realmente soltá-los... Mas é a única maneira deles concordarem! — Sussurrou. Após compreenderem, balançaram a cabeça positivamente, e ela correu para terminar a conversa com os pokémons. — E então?

– Dit, dittooo, dit! — Aquilo parecia um sim.

– Maravilha! — E riu.

Os três amigos estavam em volta de Ditto, ele parecia fazer várias mímicas mas que nenhum deles conseguia decifrar. Depois da quarta tentativa, ele simplesmente suspirou e desistiu.

– Olha, desculpa... Mas tá simplesmente IMPOSSÍVEL de descobrir o que você quer dizer. — Kyle arqueou uma sobrancelha. — Eu me perdi depois da parte em que você ganhava dinheiro por causa das imitações.

– Eu me perdi... Logo depois que ele começou. — Gotas oceânicas formaram-se nas nucas de todos por conta do comentário da loira. — O quê? Sou péssima de mímica.

– Não brinca... — A treinadora suspirou. — Ditto, vamos tentar mais uma vez. Você fazia apresentações de transformações para ganhar dinheiro, certo? — Ele concordou com a cabeça. — E depois?

O Ditto tomou a forma de seu treinador, um garoto de dezesseis anos com cabelos castanhos, não era possível ver seu rosto por causa de seu boné. Depois, tomou a forma de um Voltorb e arremessou-se contra o chão, transformando-se de volta à sua forma normal, com cara de triste.

– ... O seu treinador te fez virar um Voltorb depressivo? — Jade deu um tapa na própria testa, às vezes o treinador parecia não pensar.

– Lógico que não! Por que um Voltorb-- Peraí. Voltorb, Poké Bola...

– MEU DEUS, SEU TREINADOR TE LARGOU! — Claire gritou, interrompendo toda a linha de raciocínio de sua amiga, a fazendo lhe mandar um olhar mortal. Ela nem mesmo notou, correndo para abraçar a pobre criatura. — Quem foi o insensível?! — O pokémon simplesmente arregalou os olhos com a atitude inesperada dela.

– Claire... Menos. Quase nada. — A coordenadora se recompôs, o soltando, e olhou para a amiga com um sorriso amarelo.

– Você quer que a gente te ajude a achar seu treinador? — Os olhos de Ditto brilharam para o ruivo. — Certo!

– Peraí, como que você pretende achar ele? — Jade estava com os braços cruzados, como se dizendo para o treinador não fazer promessas que ele não poderia cumprir. Ele apenas colocou um sorriso confiante no rosto, enquanto tirava uma Poké Bola do bolso.

– Ditto, quando que ele te deixou aqui? — Ele pareceu pensativo.

– Dit, dit, ditto!

– ... Eu não entendo dittês, Ditto. — Uma gota oceânica formou-se em sua nuca.

– Bay! — Umbreon tentou traduzir o que ele quis dizer batendo a sua pata dianteira, mas antes que pudesse terminar, uma bomba de fumaça explodiu no meio do grupo, os fazendo tossir.

– O que tá acontecendo?! — As garotas não souberam responder. Quando a fumaça começou a dissipar, viram as figuras de dois humanos e... um Meowth. E automaticamente sabiam o que estava por vir.

– Preparem-se para a encrenca!

– Encrenca em dobro!

– Para proteger o mundo da devastação!

– Para unir as pessoas de nossa nação!

– Para denunciar os males da verdade e do amor!

– Para estender o nosso poder às estrelas!

– Jessie!

– James!

– Equipe Rocket decolando na velocidade da luz!

– Rendam-se agora ou preparem-se para lutar, lutar, lutar! — Meowth pulou por cima da dupla.

– Meowth, é isso aí!

– O que vocês querem agora, Equipe Rocket? — Jade, com sua paciência infinita, já havia cruzado os braços. O Ditto estava escondido entre suas pernas, completamente apavorado.

– O de sempre, seus pokémons! — E Jessie riu. A treinadora apenas suspirou e olhou para Umbreon, sinalizando com a cabeça para que ela entrasse em combate. — Ditto, eu escolho você! — Um Ditto saiu do meio dos arbustos e assumiu a posição de batalha, deixando os três garotos surpresos. — Use Transform! — Rapidamente ele transformou-se em Umbreon, não a deixando contente.

– Baaay! — E rosnou para o adversário.

– Opa, minha vez. Venha você também, Ditto! — James sinalizou para outro Ditto que veio do mesmo lugar. Foi a vez de Kyle arremessar uma Poké Bola.

– Geodude, eu escolho você! — A pokémon de pedra parou ao lado de Umbreon, pronta para o combate.

– Transform! — E a criatura ouviu às ordens do integrante da Equipe Rocket, transformando-se em Geodude. A garota morena mais do que rapidamente ordenou sua pokémon a atacar logo:

– Umbreon, use Bite! — A pokémon noturna correu em direção ao seu adversário, e a mulher teve que pensar por alguns instantes antes de dar qualquer comando.

– Ditto, use... Bite também! — Ambos chocaram-se no meio do caminho, lançando cada um para lados diferentes. O treinador de Hoenn não perdeu tempo, apontando para o Ditto em forma de Umbreon.

– Geodude, use Rollout!

– Geo, geoodude! — Colocando os braços em volta de seu corpo, ela começou a rolar rapidamente na direção do alvo, o acertando em cheio.

– Ditto, use Rock Throw! — James comandou, olhando um cartão que tinha em mãos. Ali havia uma lista de todos os golpes que já haviam sofrido de todos os pokémons dos pirralhos. O pokémon da transformação arremessou uma grande pedra em direção a Geodude.

– Umbreon, use Shadow Ball na pedra! — Uma esfera de energia sombria formou-se na boca da criatura, e ela a lançou, acertando em cheio a pedra e a quebrando em vários pedaços. Jessie, por algum motivo, riu.

– Dittos, usem Shadow Ball!

Jade e Kyle congelaram por alguns segundos, não compreendendo o porquê dela ter usado o plural, apenas perceberam o que estava acontecendo quando a coordenadora apontou para as cinco esferas que vinham na direção de Umbreon.

– Use Dig, rápido! — Ela juntou todas as forças que tinha em suas patas dianteiras, cavando um buraco a tempo de conseguir escapar dos golpes. — Mas o que tá acontecendo?! — Quando olhou novamente na direção da mulher, mais cinco Dittos em forma de Umbreon haviam surgido. — Essa não...

– Geodude, tente usar Rollout em todos eles! — Ela obedeceu, partindo rapidamente em direção aos Dittos.

– Rock Throw! — Para a infelicidade dos treinadores, mais cinco apareceram, agora com a aparência de Geodude, e jogando pedras na direção dos pokémons.

– Bulbasaur, use Vine Whip para protegê-las! — Assim que saiu da Poké Bola, a pokémon de Claire fez com que os cipós de seu bulbo batessem nas pedras, as rebatendo para longe. — O que nós vamos fazer? Eles são muitos!

– Vamos continuar atacando... É a nossa única opção! — Jade respondeu, com uma gota de suor escorrendo por sua testa. — Agora, Umbreon! — A pokémon saiu de debaixo da terra, acertando uma de suas cópias.

– Vocês podem lutar o quanto vocês quiserem, nós somos maioria. — Comentou Meowth, orgulhoso do plano que, pela primeira vez, parecia dar certo. — AAAO ATAQUE, DITTOS!

Cada um dos pokémons copiadores começaram a atacar com ataques diferentes copiados de seus alvos. Eram esferas de energia e pedras voando para todos os lados, Geodudes rolando para todos os lados e Umbreons avançando com Quick Attack. Sem para onde fugir, Umbreon, Bulbasaur e Geodude ficaram uma ao lado da outra, encolhidas, tentando se defender.

– Poliwhirl, use Protect! — A voz desconhecida atiçou a curiosidade de todos ali, até mesmo de Jessie, James e Meowth, e fazendo com que Ditto apertasse a perna direita da morena. E então, o pokémon colocou-se à frente das outras três, as defendendo dos golpes com uma barreira verde. — Hydro Pump, agora!

Ele conseguiu acertar todos os Dittos, os lançando para longe e os deixando completamente encharcados. Aproveitando a oportunidade, o trio de garotos olhou de relance para o treinador de Poliwhirl, mas a única coisa que conseguiam ver eram seus cabelos castanhos, já que um boné preto e branco os impossibilitava de ver seu rosto. No segundo seguinte, o Pikachu de Jade — que parecia estar sempre alerta ao que acontecia do lado de fora de sua Poké Bola — saiu, tomando posição na batalha, eletricidade saindo de suas bochechas vermelhas.

– Claro, Pikachu, use Thunderbolt! — Por conta de toda a água, o golpe elétrico teve o dobro de estrago nos Dittos, desesperando a Equipe Rocket. Eles comandavam os pokémons para atacarem, mas ainda não estavam recuperados. E Jade não deixaria isso acontecer, pegando outra Poké Bola de seu bolso, ela gritou: — E para finalizar... Fire Blast, Charmeleon!

– Chaaar! — Após tomar fôlego, lançou uma rajada de fogo em formato de estrela, que atingiu não apenas os Dittos, mas também os três integrantes na Equipe Rocket, causando uma grande explosão. Segundos depois, era possível ver todos os Dittos, Jessie, James e Meowth voando pelos ares, os três gritando:

– Equipe Rocket decolando de nooovoo!

Os três garotos respiraram aliviados, pela primeira vez algum plano da Equipe Rocket havia sido realmente cansativo para eles. E sinceramente esperavam que aquela havia sido a primeira e última vez. Finalmente olharam com atenção ao garoto que havia os salvado com Poliwhirl, e o ruivo aproximou-se para apertar sua mão.

– Obrigado! De verdade! — O garoto de dezesseis anos pareceu não notar a existência de Kyle, apenas olhando para o pokémon que estava agarrado a uma das pernas da treinadora de olhos verdes. — Espera aí... Você é o treinador do Ditto!

– Eu nunca fui treinador dele. — Respondeu friamente. — Agora que eu tenho a chance de ser um treinador, não vou carregar pokémons fracos comigo. — O menino de onze trincou os dentes ao ouvir aquilo, e uma veia da testa de Jade pareceu saltar.

– Como é que é?! — Ele ajeitou os óculos, nervoso.

– Eu precisava de dinheiro para ajudar meus pais, por isso eu e o Ditto nos apresentávamos nas ruas para ganhar algum dinheiro. Agora que eu virei um treinador, ele se mostrou completamente inútil. — Ditto pareceu começar a chorar, e o garoto apenas olhou para ele com o canto dos olhos.

– E agora você vai abandoná-lo assim?! — Claire cruzou os braços e bufou.

– Claro, eu apenas ando com pokémons que já se mostram fortes durante a captura. Não adianta treinar um pokémon fraco.

– Umbreon, Shadow Ball! — Ela entendeu perfeitamente a intenção de sua treinadora, lançando a esfera de energia sombria no chão próximo aos pés daquele garoto de boné, deixando um enorme buraco. Ele pareceu um pouco impressionado com a capacidade dela.

– Muito bom... Mas qual foi a função disso?

– Tá vendo essa Umbreon? — A pokémon sentou ao seu lado. — Eu a treino desde que ela nasceu, durante uma luta contra o líder de Ginásio Brock. O Pikachu — ela apontou para o rato elétrico, que acenou com a pata direita. — era um Pichu amedrontado por terem sumido com sua mãe. O Charmeleon foi meu primeiro pokémon, quando ainda era Charmander. E há pouco tempo eu capturei um Eevee.

– Tem também a Butterfree que você largou com o professor Carvalho. — Kyle adicionou.

– Ele praticamente implorou pra ficar com ela porque queria pesquisar mais sobre insetos! — Falou por entre os dentes, já era a quarta vez que ela explicava a mesma história para ele. — Eu não tinha como negar mais! — O treinador mais velho pareceu não se importar com nada do que ela acabara de falar.

– Isso não vai me fazer mudar de ideia, sinto muito. — Pela primeira vez ele levantou um pouco seu boné, deixando visíveis os seus olhos negros e sua cara de poucos amigos. Ditto abaixou a cabeça, deprimido. — Até nunca mais. — E virou as costas para o trio, pronto para ir embora.

– Espera! Qual é o seu nome? — O ruivo perguntou, completamente irritado com aquela situação.

– Ian.

– E uma batalha? O faria mudar de ideia? — Seus dois amigos arregalaram os olhos, não era da natureza de Jade desafiar outros treinadores. Parecia que dessa vez ela estava realmente irritada. Ian olhou para trás, encarando os olhos verdes da garota, e sorriu.

– Talvez.

Notas finais
QUEM ODIOU O IAN LEVANTA A MÃO! o/