Pokémon Evolution

8 Capítulo 8 - O Rapto de Darkin


Um mês depois do início das aulas, Bob está saindo da casa de Lyo depois de os dois fazerem um trabalho, pensando vagamente em dar um pulo na casa de Liv para dar um oi, quando vê de longe uma pessoa na porta da casa dela. Ele se aproxima, reconhece Nick e resolve escutar a conversa. Liv atende a porta.

Liv: O que você quer agora, Nicolas?

Nick: Eu ganhei uns ingressos para um show, e queria saber se você queria ir comigo.

Liv parece frustrada. Respira fundo, como se estivesse preparando para uma longa batalha, e responde:

Liv: Cara, eu já te falei que não rola. Você vive por aí roubando pokemons de crianças com metade da sua idade, eu não quero ser vista com você!

Nick: Se eu parasse de roubar pokemons, se eu saísse da New Rocket, você sairia comigo?

Liv: Eu já te expliquei, Nicolas, pela milésima vez: não se ilude, por favor. Eu estou com a cabeça cheia, estudando e me preparando pra Silverado, eu não tenho cabeça pra namorado agora!

Nick: Você vive pra cima e pra baixo com o Robert.

Liv: O Bob é meu amigo, nós vamos sair em jornada em grupo, isso não significa que ele seja meu namorado.

Nick: Mas se você não tá a fim dele, o que te impede de sair comigo?

Liv: Passa pela sua cabeça que eu não esteja a fim de ninguém, garoto? Você consegue compreender esse conceito? Eu já tive muita paciência com você. Agora me faz um favor e vai viver sua vida, desencana de mim, vai ser feliz do seu jeito, ok? Tchau!

Liv bate a porta na cara de Nick, que sai parecendo não muito abalado. Bob acha que não é uma boa idéia incomodá-la naquele momento e vai embora. No meio do caminho, King fala:

King: Você tá bem?

Bob: Tô ótimo. Por que?

King: Você tá quieto desde que saímos da casa da Liv. Alguma coisa que a gente ouviu te preocupou?

Bob: Não... não foi nada. É que esse pessoal da New Rocket cismou com ela e o Lyo...

King: O Nick não esconde de ninguém que é a fim da Liv. E a irmã dele parece bem interessada em você...

Bob: A Natalie é meio surtada. Ela não tem a menor noção de como chamar atenção. Ela se joga em cima de mim sem eu ser nada dela, imagina se eu tiver alguma coisa. Não vai me deixar sair de casa.

Os dois seguem seu caminho. Nesse meio tempo, Liv está em casa. Cindy estava lá quando a campainha tocou, e elas estão conversando enquanto fazem uma tarefa.

Liv: Ele não entende que eu não quero nada com ele.

Cindy: É, eles têm esse problema. Eu tenho dormido com as cortinas fechadas, acredita? Já peguei o Edward tentando me espiar umas duas vezes. Estou ficando assustada.

Liv: Eles passam dos limites. Outro dia a Emilly se jogou de propósito na frente da minha bicicleta pra ver se eu machucava ela e o Lyo socorria. Eles são todos loucos.

Cindy: E o que aconteceu?

Liv: Eu freei em cima dela, mas nada aconteceu graças aos céus. Aí ela disse que o Lyo deixava ela distraída.

Cindy: Hum.

Liv: Mas ele nem deu muita bola pra ela, viu? Não se preocupe.

Liv deu uma piscadinha para ela e Cindy corou. Elas continuaram trabalhando por um tempo, até que Liv se esticou.

Liv: Estou exausta. Vamos dar uma pausa? Podemos fazer um milk-shake e chamar o Lyo e o Dylan, o que você acha?

Cindy: Mas e o Bob? Não vai chamar ele também?

Liv (corada): Ah, é mesmo... vamos chamar ele também.

10 minutos depois, Bob estava chegando na casa de Liv com um pote de biscoitos amanteigados, que ele tinha feito uns dias antes. Era a única coisa que ele cozinhava bem, e ainda não tinha entendido bem porque estava tão desanimado desde que ouvira o diálogo entre Liv e Nick. “Ela não gosta de ninguém. Vocês são amigos. Só amigos”, dizia uma vozinha na cabeça dele. “Mas”, dizia outra vozinha, “o que impediu ela de mentir pra tirar o cara da cola dela? Ela nem imaginava que você estava ouvindo.” “É, como você não sabia que ela estava ouvindo quando você falou aquelas bobagens daquela vez...”

Ele chacoalhou a cabeça para afastar os pensamentos. Encontrou Lyo e Dylan na porta, E Liv atendeu.

Liv: Oi gente! Oba, bolachinhas! Sua mãe que fez, Bob?

Bob: Não, na verdade eu que faço. Minha avó quem me ensinou.

Lyo: Olha só, pelo jeito ninguém vai morrer de fome na jornada!

Eles riram e entraram. Depois de comerem e tomarem milk-shake, estavam conversando na cozinha. Dylan estava jogando um biscoito para Vulcanyon, e disse:

Dylan: Bob, essas bolachinhas são uma delícia! Já dá pra casar!

Bob: Valeu, Dylan. Eu vou te chamar pra dizer isso quando tiver uma pretendente.

Dylan: Mas eu acabei de dizer na frente da sua pretendente!

Lyo: Opa! Acho que é hora de mais milk-shake por aqui, hein! Dylan, traz seu copo aqui na pia!

Dylan: Mas eu não qu (Lyo dá a famosa “olhada” para o irmão) tô indo, tô indo!

Dylan deixa o climão na mesa da cozinha. Cindy pensa em quebrar a tensão, mas Darkin vem correndo:

Darkin: Liv, corre aqui! A Kuropi tá mal!

Liv levanta de um pulo e vai atrás de Darkin.

Liv: A Kuropi? O que houve?

Darkin: Ela está com muita dor. Eu só não entendi bem se é na barriga ou na cabeça, ou nos dois... eu consegui ajudar ela a ir até o estúdio, e vim te chamar.

Liv entra no estúdio e encontra sua mightyena encolhida, arfando e chorando. Parece estar com muita dor. Os outros entram atrás dela, preocupados. Bob se adianta.

Bob: O que houve?

Liv: Não sei... ela está com um pouco de febre... eu preciso colocar ela em cima daquela mesa... mas se eu mexer, a dor pode piorar... eu não aguento com ela...

Bob pega a mightyena no colo com delicadeza e a coloca em cima da mesa do estúdio.

Bob: Calma, nós vamos ajudar no que for preciso, ok? Ela vai ficar bem.

Lyo: Isso mesmo! É só falar o que nós precisamos fazer. Ela vai ficar bem, você cuida de pokemons como ninguém. É só dizer o que a gente precisa fazer.

Liv olha para os primos e os amigos, todos preocupados. Então respira bem fundo e diz:

Liv: Certo... precisamos determinar o que fez ela passar mal e onde são as dores. Lyo, me passa o estetoscópio que está naquele armário... Dylan, pode fazer carinho na orelha dela? Ela adora e com certeza vai tranquiliza-la. Cindy, pega pra mim aquele frasco azul? Vamos, querida, me diz o que você tem...

Liv observa e apalpa o pokemon em vários pontos. Bob, que observa o exame, pega a mão de Liv e põe junto com a dele na barriga da mightyena.

Bob: Tá sentindo isso?

Liv: Parece que tem alguma coisa se mexendo na barriga dela.

Bob: Sim, o que ela tem comido?

Liv: A minha ração caseira, um poffin por dia, nada mais.

Bob: Tem alguma coisa no seu quintal que ela possa ter comido?

Liv: Impossível. Vamos ter que fazer lavagem e dar laxante pra ela. O coração tá acelerado... Cindy, dosa pra mim por favor 10 ml desse remédio que você pegou numa seringa...

Os quatro continuaram ali enquanto Liv dava o indutor de vômito. A mightyena soltou alguns pedaços de carne.

Lyo: Peraí, sua ração vai a carne bem moidinha, não pedações feito esses!

Cindy: Alguém tentou envenenar a Kuropi, só pode!

Liv: Mas quem faria uma maldade dessas?

Cindy: Pode ter algo por aqui que nos dê uma pista! Nós investigamos pra você, certo, Lyo?

Lyo: Com certeza! Eu e a Cindy vamos até em casa pegar lanternas, porque já tá escurecendo, e voltamos rapidinho! Dylan, fica aqui ajudando a Liv, tá? Eu já venho.

Darkin: Eu vou dar uma farejada pela casa enquanto isso, tentar descobrir se alguém estranho entrou no quintal.

Lyo: Ótimo, voltamos já!

Eles saem e Liv encosta a testa na cabeça de Kuropi. Ela e Astro foram seus primeiros pokemons, Kuropi desde que era uma poochyena bebê. Bob colocou a mão em seu ombro.

Bob: Vamos dar o laxante agora? Ou você prefere o antídoto primeiro?

Liv: Não, vamos dar o laxante pra ela expulsar o que ainda tiver de veneno no corpo. Quando eu encontrar quem fez isso, eu te juro, eu mato!

Bob: Eu sei que você tá brava, mas eu não vou deixar você matar ninguém. Vamos chamar a polícia pra resolver isso, certo?

Bob olha para Liv. Ela está abatida e triste, parecendo prestes a cair no choro. Meio sem jeito, ele puxa ela para si. No abraço, ela acaba caindo no choro. Ele dá uns tapinhas nas costas dela, e olha para Dylan por cima da cabeça dela pedindo ajuda.

Dylan: Olha, Liv, ela tá abanando o rabo já! O remédio pra dor fez efeito!

Bob solta a garota, que vai até o primo e dá um beijo na testa dele. Depois, eles dão o laxante para ela e esperam. Meia hora depois, Lyo e Cindy entram no estúdio.

Lyo: Nada. Ou ela escapou e comeu por acidente, ou quem fez foi bem esperto.

Cindy: Mas de que jeito a Kuropi ia sair? Os pokemons da Liv não costumam fugir, ou costumam?

Liv: Não, a Kuropi nunca saiu. Será que o Darkin farejou alguma coisa?

Cindy: Ele ainda não voltou?

Liv: Não, por que?

Cindy: A gente andou o quintal inteiro e não vimos ele. Ou você viu, Lyo?

Lyo: Verdade, não vi o Darkin em lugar nenhum. Será que ele entrou?

Liv: Ele não teria entrado sem me avisar. Mas a camuflagem do Darkin no escuro é muito boa, pode ser que vocês não tenham percebido ele.

Bob: Galera, venham ver isso um pouco.

Todos se reúnem em volte de Bob, que está de máscara e luvas mexendo nas fezes do pokemon.

Lyo: O que exatamente a gente deve ver, Bob?

Bob: Tão vendo essas folhinhas? Isso não é veneno comum. Isso é folha-de-maldade, uma planta muito venenosa. Precisamos de um antídoto especial pra isso, Liv, o comum não resolve. Precisamos ir a um centro pokemon agora mesmo. Melhor colocar ela numa pokebola.

Liv sai com Bob rapidamente, e Lyo e Cindy ficam no estúdio.

Cindy: Lyo, eu estou com um mau pressentimento. Vamos chamar o Darkin?

Lyo: Tudo bem. Dylan, vê se ele não está dentro da casa, por favor. Vai com ele, Vulcanyon!

Os três saem procurando Darkin. Uma hora depois, Liv volta, e dá de cara com eles, com olhares entre preocupados e assustados.

Cindy: A Kuropi tá bem?

Liv: Sim, deram o antídoto certo, eu vou soltar ela pra ela poder descansar agora. O que houve? Que caras são essas?

Lyo: Liv... o Darkin...

Dylan: Nós procuramos em todo canto...

Cindy: Ele sumiu, Liv. A gente chamou, chamou, mas ele não vem.

Liv sentiu o chão rodar. Tonteou e Bob precisou ampará-la. Ela olhou para Lyo e Cindy e caiu no choro, sem saber o que fazer.

Lyo, Cindy e Bob não sabiam o que fazer. Liv estava chorando igual uma criança, Darkin tinha sumido e a noite já estava avançada. Vulcanyon e Dylan se olharam, e o pokemon encorajou o garoto. Ele se aproximou, pegou na mão da prima e disse:

Dylan: Liv, ele deve estar bem... ele deve ter se perdido na cidade. A gente vai encontrar ele.

Liv olhou para Dylan e parou de chorar. Ajoelhou e abraçou o pequeno. Cindy lhe deu um lencinho e ela enxugou as lágrimas.

Lyo: Vem, vamos entrar e pensar. Ninguém vai resolver nada parado aqui na porta.

Enquanto isso, Darkin acordava atordoado. Estava tudo escuro. Se debateu um pouco e percebeu que estava amarrado em um saco apertado. Então ouviu uma voz. Uma que ele conhecia vagamente.

Nick: Ei, pessoal! Acho que ele acordou!

Darkin ficou furioso. Queria gritar, morder o saco, então percebeu que tinha um plástico duro amarrado em volta das patas e uma focinheira. Parou e continuou ouvindo.

Emilly: E agora, o que a gente faz com ele?

Edward: Se tirarmos ele dali agora, ele vai nos morder ou arranhar.

Natalie: Vamos deixar ele ficar com fome. O estômago vai fazer ele colaborar com a gente, com certeza.

Darkin se desesperou. Estava amarrado, longe de Liv e de casa, sem nenhuma chance de fugir ou pedir ajuda. Ela nunca saberia onde procurar por ele. Será que ela ia achar que ele tinha fugido? Será que Lyo e os outros iam convencer ela a procura-lo?

Lyo estava com o tablet, explorando um mapa da cidade.

Lyo: Podemos começar a procurar aqui no bairro. Quem sabe ele não foi até o lago e se perdeu?

Bob: O Darkin tem um pouco de DNA de mightyena, e elas são muito curiosas. Você já tinha notado algum traço de mightyena nele, Liv? Liv?

Ela estava sentada na mesa, encolhida, deixando rolar uma ou outra lágrima discreta. Parecia ter esquecido como se falava.

Liv: Ele foi embora. Ele me achou uma porcaria de dona e foi embora.

Bob: Você é a melhor e mais incrível criadora do mundo. Seus pokemons te amam, você é carinhosa. Nunca mais diga isso. Se você disser, eu vou ficar bravo.

Bob olhou com firmeza nos olhos dela. Ela olhou de volta pra ele, os olhos enchendo e a boca tremendo. Então se jogou nos braços dele e recomeçou a chorar. Bob olhou para Lyo atrapalhado. Era a segunda vez que a garota chorava em seus braços, o que não era exatamente o que ele gostaria que ela fizesse. Lyo devolveu o olhar e deu de ombros, entre penalizado pela prima e achando graça no mau jeito do amigo. Era engraçado ver o quanto ele estava apaixonado sem perceber. Decidiu socorrê-lo.

Lyo: Liv, calma, chorar não adianta nada. Nós vamos achar o Darkin, ok? Vamos dar um jeito.

Liv se acalmou e soltou Bob. Os três começaram a especular lugares onde o pokemon poderia ter ido. Enquanto isso, Darkin começou a ficar honestamente preocupado: a fome estava batendo. Ele não queria ter que pedir ajuda para a New Rocket, e sabia que no estado em que estava, era alvo fácil em uma batalha. Desejou do fundo do coração que Liv soubesse onde ele estava, que alguém pudesse ouvi-lo, começou a ganir e chamar em pensamento. Na mesma hora, King deitou de barriga e colocou as patas na cabeça, tremendo.

Bob: King, o que houve? Tá tudo bem?

King: Estou ouvindo o Darkin. Chamando por socorro.

Bob: Como assim?

King: É na minha cabeça. Parece que ele está dentro da minha cabeça...

Bob: Você consegue transmitir alguma coisa pra ele? Consegue sentir de onde vem o chamado?

King: Não... só sei que está tudo escuro... ele quer muito a Liv... diz que eles não vão dar comida pra ele...

Lyo: “Eles”?

Bob: O Darkin foi roubado pela New Rocket. É a única explicação.

Liv: Eu vou fazer picadinho deles.

Ela levanta e vai para a porta. Lyo e Bob precisam segurá-la.

Bob: Liv, fique calma! Nós vamos com você! Você é uma só, eles são quatro!

Cindy: Não adianta você ir nervosa desse jeito.

Lyo: Eu tenho 3 pokebolas comigo. Bob?

Bob: Estou com 4.

Cindy: Eu tenho só duas aqui comigo.

Dylan: Eu não tenho nenhuma! Como faço?

Lyo: Você fica aqui quietinho com o Vulcanyon. É perigoso vocês irem, o Vulcanyon não tem treinamento agora.

Dylan esperneia, mas é obrigado a aceitar a ordem do irmão. Os quatro saem com King, no colo de Bob, pois fica desnorteado demais para andar. Dylan observa quando eles viram a esquina, então corre até a bolsa que Liv deixou na sala e pega uma pokebola qualquer.

Vulcanyon: O que você tá fazendo com isso?

Dylan: Nós vamos lá também!

Vulcanyon: Você pirou? Seu irmão vai me matar se eu deixar você sair daqui!

Dylan: Nós precisamos ajudar. E é uma chance de você torrar aqueles caras que ameaçaram me bater daquela vez...

Vulcanyon fica de bigodes duros, o que não é um bom sinal. Ele deixa Dylan montar nele e os dois seguem devagar, atrás de Lyo e os outros. Enquanto isso, eles discutem um plano.

Lyo: O que a gente faz? Atacamos de surpresa ou anunciamos?

Bob: Eu acho que o ideal é a gente tentar disfarçar. Podemos começar espiando as janelas, eu estou com o meu staraptor aqui, uma das meninas que é mais levinha pode voar nas costas dele e olhar a parte de cima da casa... se entrarmos e sairmos com o Darkin sem chamar atenção, evitamos uma batalha.

Cindy: Eu concordo com o Bob, Lyo. Eu prefiro não gastar a energia dos meus pokemons duelando com eles.

O grupo concorda com o plano, e se aproximam em silêncio da casa. Uma janela da sala está aberta, e eles conseguem ouvir a conversa:

Natalie: ... foi muito fácil, eu falei pra vocês, com a mania que a nanica tem de deixar os pokemons passeando pelo quintal. Eles são espertos, mas você viu como aquela migthyena pulguenta ficou doida com a comida que nós jogamos?

Emilly: Eu ainda não concordo 100% com o que você fez, Nat. Tem certeza que a dose de veneno não era fatal?

Natalie: Absoluta. Apenas o suficiente pra uma dorzinha de barriga. Meu querido irmão fez o favor de distrair a anãzinha enquanto eu jogava a comida pra dentro do quintal, mas ela nem comeu tudo.

O queixo de Liv caiu com o que ouvia. Lyo temeu que a prima invadisse a casa soltando fogo, mas ela se controlou. Bob falou baixinho:

Bob: Cindy, vamos ali mais no fundo do quintal, pra eu poder te ajudar a montar no Bicuço, ok?

Nesse momento, vieram mais vozes de dentro da casa:

Edward: Qual devemos roubar a seguir? O branco grandalhão ou o da gatinha?

Emilly: Você quer dizer o do Bob ou o da fresca Carvalho?

Natalie: Acho que deveríamos pegar o do Bob primeiro. Assim eu tenho uma desculpa de ver meu campeão...

Nick: Porque não o do Lyonard?

Emilly: Querido... não precisamos roubar os pokemons do Lyo. Quando ele for só meu, ele vai dividir tudo comigo!

Nick: Ah, claro! E com a Cindy você vai fazer o que? Mandar ela pra lua? É capaz de nem assim ele esquecer dela...

Emilly: Aquela mocréia não tem chance nenhuma comparada comigo! Ela não sabe nem mexer numa pokebola direito, imagine concorrer comigo!

Cindy fica furiosa e, distraída, pisa e quebra um graveto.

Natalie: Que barulho é esse?

Ela corre para a janela e vê os quatro ali, agachados. Dá uma gargalhada:

Natalie: Depois nós é que somos os ladrões! Venham ver quem estava rodeando nossa casa, gente! É o quarteto fantástico!

Descobertos, eles têm pouco a fazer a não ser olhar para dentro da casa. Liv decide então confrotá-los:

Liv: Devolvam o Darkin!

Natalie: Você quer dizer aquela bola de pelo que te deram na Tech? A que você deixou fugir?

Liv sente o que Natalie diz como se fosse um tapa. Fica de boca aberta, sem saber como responder. Então Bob se adianta:

Bob: O pokemon que vocês roubaram dela! Depois de envenenarem a migthyena dela!

Emilly: Que cavalheiro, defendendo a namorada!

Bob: Ela não é minha namorada! Mas é minha amiga e eu vou defender o quanto eu quiser!

Edward: Ei, veja como fala com a minha irmã!

Lyo, Bob, Cindy e Liv acabaram pulando pela janela para enfrentar a New Rocket. Dentro da casa, no meio da sala mesmo, eles liberaram seus pokemons. Dylan chegou pouco depois e espiou pela janela, de pé nas costas de Vulcanyon:

Dylan: Ih, a coisa tá feia!

Vulcanyon: O que houve?

O absol de Liv e o charizard de Lyo lutavam com o skuntank de Nick e toxicroak de Edward. Do outro lado da sala, Cindy com seu teddiursa e Bob com seu carracosta enfrentavam Natalie e seu gothorita e Emilly com um malamar. Na confusão, King tinha ficado em um canto, no pé das escadas, ainda com as patas na cabeça. Vulcanyon colocou Dylan pra dentro e entrou em seguida. Disfarçadamente foram até King. Enquanto isso, no andar de cima, Darkin ouviu a confusão de vozes. Desejando mais que nunca que alguém pudesse ler seus pensamentos, ele gritou mentalmente. Na mesma hora, King berrou os pensamentos de Darkin:

King: EU TÔ PRESO! AQUI EM CIMA!

Dylan e Vulcanyon conseguiram amparar King até um canto mais seguro e subiram correndo as escadas. No segundo cômodo, encontraram o saco onde Darkin estava amarrado. Rapidamente Vulcanyon rasgou o saco e Dylan desamarrou as patas e a focinheira de Darkin.

Dylan: Pronto! Você está... li... vre...

Dylan se agarrou em Vulcanyon assustado. Darkin não parecia o pokemon calmo e amigável de sempre. Estava todo arrepiado, as asas abertas e tensas, a mandíbula arreganhada em um rosnado furioso. Saiu do cômodo em direção das escadas, lentamente fazendo seu caminho até os lutadores, que, ao ouvirem o som que ele fazia, pararam a batalha. Os olhos de Darkin brilhavam em um vermelho intenso, e ao encarar a New Rocket, ele deu um berro com uma voz muito mais potente que já tinha usado:

Darkin: VOCÊS IAM ME DEIXAR MORRER DE FOME E SEDE!

Nenhum deles era capaz de responder ao pokemon furioso. Os pokemons de Lyo, Cindy, Liv e Bob, sentindo a aura que emanava de Darkin, começaram a se aproximar dos donos. Darkin, sem poder mais se conter, lançou um raio noturno tão forte que nocauteou os 4 pokemons e os membros da New Rocket de uma vez. Depois, rugiu com raiva, e se virou para Liv:

Darkin: Liv, você veio...

Liv: Claro que eu vim!

Ela amparou Darkin nos braços. Lyo olhou para ele e disse:

Lyo: Ué, quem te soltou?

Darkin: O Dylan...

Foi nesse momento que eles notaram Dylan e Vulcanyon ali. King estava mais além, caído. Bob foi socorrê-lo.

Dylan: Oi... é...

Lyo: Eu não tinha mandado você ficar em segurança?

Dylan: É que... bem...

Lyo: E não tinha mandado você (vira pra Vulcanyon) ficar de olho nele?

Vulcanyon: É... tinha, mas...

Cindy se aproxima e põe a mão no ombro de Lyo. Ele olha pra ela, que faz um aceno de cabeça. Ele suspira e diz:

Lyo: Bom, vocês estão bem e ainda ajudaram a libertar o Darkin. Vão ficar só dois dias sem sobremesa.

Dylan: DOIS DIAS? Mas você não acabou de dizer que (olha para a cara do irmão e percebe a sorte que teve) tudo bem, tudo bem...

Bob: Vamos embora daqui, o Darkin precisa comer, vamos...

Os cinco retornam cada um para sua casa. No dia seguinte, depois de uma boa noite de descanso e uma refeição, os cinco se reúnem novamente, contando para Brock e Daisy o que aconteceu.

Brock: Vocês deveriam ter chamado a polícia. Agora, não tem chance de denunciar a New Rocket.

Liv: É, nós sabemos... mas ficamos com medo do King perder a ligação.

Lyo: Aliás, essa ligação, tio Brock... o que você acha? Passamos a manhã tentando reproduzir com outros pokemons, mas não funciona...

King: Eu acho que minha antena queimou ontem.

Brock ri, depois diz, com um sorriso:

Brock: Bem, é só uma teoria, mas... reparem no King e no Darkin. O King é todo branco, chega a brilhar o pelo. Já o Darkin é bem escuro. O King tem hábitos diurnos, o Darkin é noturno. Alguns podem dizer que eles são opostos, mas eu acho que na verdade eles são complementares. Se eu acreditasse nessas coisas, diriam que eles são predestinados. Mas eu não acredito... querida, estou morrendo de fome, vamos fazer uma lanche?

Brock e Daisy se levantam, deixando Liv e Bob boquiabertos e Lyo, Cindy e Dylan com sorrisos enviesados na sala. Liv se vira para Bob, corada, e diz:

Liv: Você entendeu o que ele quis dizer?

Bob: Se você que é filha não entendeu, imagine eu, né? Alguém quer um sorvete, ou só eu?

Eles se levantam e saem, todos juntos, Darkin e King um olhando na cara do outro, depois para Liv e Bob.