Pokémon Evolution

13 Capítulo 13 - O Blackout


Dylan tinha pensado a semana toda como fazer para que Liv e Bob ficassem a sós, e tivessem que conversar. Não podia ser em um cinema, nem na Tech, nem em nenhum lugar de Pallet onde algum conhecido pudesse interromper. Bob jamais iria até a casa de Liv pra se declarar. Até a quinta-feira, na creche, quando ouviu um coleguinha contando para a monitora:

Criança: ... e o navio é muito legal! Eu só fiquei com medo porque uma noite deu um raio, e faltou luz, aí o elevador que eu estava com a mamãe e a vovó travou! Mas logo veio um moço e fez o elevador funcionar de novo.

Uma luz acendeu na cabeça de Dylan. Na loja de departamento de Pallet, tinha um elevador. Ele só precisava levar Liv e Bob até lá. No sábado, veio a oportunidade que ele precisava.

Dylan: Lyo! Cadê você!

Lyo: Oi, Lan, estou aqui no escritório. Estou cuidando de uma lista de exercícios para a Tech. O que houve?

Dylan: A Cindy esqueceu de comprar um calção pra mim!

Lyo: Você tem calção, Lan.

Dylan: Aquele do ano passado cheio de desenho de dratinis? Aquele é de criança!

Lyo: E você é o quê, Dylan?

Dylan: Eu sou um rapazinho, todos vocês falam. E eu quero um calção de rapazinho!

Lyo: Bom, temos um problema, essa lista aqui vai levar o dia todo e eu sei que a Cindy também tem esse trabalho pra fazer porque é da mesma matéria.

Dylan: A Liv faz essa matéria?

Lyo: Verdade, ela não faz... a dela é outra porque ela vai entrar como criadora... liga e vê se ela pode, tá?

Dylan sai feliz, e põe em prática a segunda parte do seu plano:

Bob: Alô?

Dylan: Bob? Aqui é o Dylan, tudo bem?

Bob: Oi Dylan, aqui tudo bem. E com você?

Dylan: Tudo bem. Eu preciso ir na Mespin, você vai comigo? O Lyo tem lição e não pode.

Bob: Claro, quer que eu vá te pegar?

Ele liga para Liv e combina o mesmo horário. Na hora combinada, Liv e Bob chegam juntos na casa de Lyo.

Bob: Ué, veio ajudar o Lyo com a lição?

Liv: Ia te perguntar a mesma coisa. Eu vim por causa do Dylan...

Bob: Mas eu vim por causa do Dylan!

Dylan abre a porta e os dois olham para ele com cara de quem sabe que ele está aprontando alguma. Ele faz a cara mais inocente de que é capaz e fala:

Dylan: Oh, eu esqueci de cancelar com você, Bob! Achei que a Liv não pudesse, mas liguei pra ela e ela podia!

Liv: Hum, sei.

Dylan: Mas já que vocês dois vieram, porque não vamos juntos na Mespin?

Liv e Bob se olham, julgando que é mais uma arte de Dylan, que no fundo não desistiu de juntar os dois.

Liv: Por mim... pode ser.

Bob: É, já estou aqui, né? Vamos?

Os três vão para a loja, bonita e com todo tipo de produto. Compram o calção para Dylan e decidem passear mais um pouco.

Liv: Eu adoro a sessão de doces daqui. Eles têm uns chocolates incríveis, e a melhor manteiga de amendoim do mundo!

Bob: Eu gosto daquele chocolate recheado com mousse de pistache.

Liv (fazendo a famosa expressão WWWWOOOOOOWWWW): Mentiraaaaaa! Eu amo pistache!

Depois de deixarem bastante das mesadas na sessão de doces, Dylan pede para ver os brinquedos. Eles concordam. Enquanto Dylan corre para lá e para cá, vendo jogos, bonecos e pelúcias, Liv observa de longe, andando no corredor de bonecas.

Liv: Eu estou dormindo com a boneca que a sua mãe me fez.

Bob (corando): Ah, é? Que bom. Eu estou aproveitando muito aquelas ferramentas, são incríveis.

Liv sorri, e vira para procurar Dylan. De repente, ela sente o chão girar debaixo dos pés: não consegue achar o primo em nenhum lugar da loja.

Liv: Meu Deus, cadê o Dylan?

Bob: Ele estava aqui, dois minutos atrás! Bem aqui na ponta do corredor!

Liv: Bob, ele é muito pequeno! Será que alguém levou ele?

Bob: Não, ele é esperto demais, não ia sair com um estranho. Ele deve ter se perdido da gente. Vamos falar com a segurança.

Liv: Mas e se ele voltar aqui?

Bob: Vamos pedir para o caixa segurar ele aqui dentro. Você está tremendo, branca, eu não vou te deixar sozinha. Vem comigo.

Liv aceitou a sugestão de Bob. Eles foram até o segurança, que a princípio deu a descrição de Dylan e das roupas que ele usava pelo rádio.

Liv: Seu guarda, ele sempre tem nos bolsos um bilhete com o número de telefone de quem está com ele! Se alguém achar, é só me ligar no meu celular!

Guarda (falando no rádio): Acharam? Onde ele está? Fica aí com ele, por favor, a prima já vai até aí. Moça, acharam ele no andar de baixo, no fliperama.

Liv: Como é que ele desceu de andar sem a gente?

Bob: Você sabe como é o Dylan, Liv. Ele acha que é um adulto às vezes. Vamos, a gente pega o elevador.

Dylan estava no fliperama, com um segurança da loja, quando ele deu o rádio para o colega. Do lugar onde ele estava, tinha uma visão mínima do elevador do andar de cima, por onde os dois entrariam. Quando viu que mais ninguém tinha entrado no elevador, o pichu que ele já tinha liberado da pokébola que ele “pegou emprestado” (ele só não tinha avisado que tinha pegado, mas ia devolver depois, oras) do irmão já estava de patinhas numa tomada próxima, esperando um sinal. Dylan deu o sinal:

Dylan: BUUÁÁÁÁÁÁÁ!! EU QUERO A MINHA PRIMAAAAAA!

O pichu na mesma hora soltou a maior descarga que era capaz na tomada. O prédio inteiro entrou em curto, mas o pichu continuou. O guarda pegou Dylan no colo, sem saber muito mais o que fazer, e, atrapalhado, não foi ver o que estava causando o clarão. E então, tudo ficou escuro. Mães se agarravam aos filhos, adolescentes riam e os balconistas trancavam os caixas e vitrines. Vários celulares ligaram suas lanternas.

Guarda: Calma, filho, calma, está tudo bem... só caiu a luz... sua tia deve estar no elevador, deve ter ficado presa... o tio está aqui e vai ficar com você até ela chegar, tudo bem?

Dylan parou com o choro fingido, o guarda colocou ele de volta no chão e sentou com ele em um banco. Enquanto isso, no elevador, Liv ligava para Lyo.

Liv: ... é, ele está com um segurança no fliperama da loja. Traz um documento seu, pega ele, deve estar apavorado. Como é? A cidade TODA? Nossa, isso é que é azar. Não, eu estou bem, o Bob está comigo e nós temos sacolas de doces. Lyo, minha bateria está fraca... beijo, tchau!

Bob: O que aconteceu?

Liv: Ninguém sabe ainda. As oficiais Jenny estão pelos bairros, anunciando em megafones que a cidade está em blecaute, que é pras pessoas não entrarem em pânico e ficarem em casa, e quem precisar sair é pra falar com elas.

Bob: Caramba!

Liv: Pois é. Pelo menos eu sei que o Dylan está seguro. Ia morrer presa aqui dentro no escuro, sem saber dele.

Bob: Você tem medo?

Liv: Tenho pavor de escuro desde criança. Inexplicável, sabe? Durmo com aquelas luzinhas de criança até hoje. E pior que meu telefone está com bateria fraca... não posso ligar a lanterna.

Bob pega uma pokébola do bolso e libera um cyndaquill, que ilumina o ambiente com a chama.

Bob: Melhora?

Liv: Muito! Obrigada!

Liv sorri para ele e ele fica sem jeito. Desde as perguntas de Dylan e a conversa que eles tiveram, estavam mais à vontade perto um do outro, mas Bob não esquecia do sonho que tinha tido com ela, e ainda sentia as borboletas no estômago quando a via. Resolveu sugerir uma distração.

Bob: Bom, vamos tentar nos manter vivos enquanto dá, né (ergue a sacola com os chocolates)?

Liv senta ao lado dele e eles comem por um tempo, até que Liv decide puxar assunto.

Liv: Sabe uma coisa que me deixa curiosa?

Bob (com a boca cheia): Hum?

Liv: A gente gosta das mesmas coisas. Dos mesmos programas de TV. Das mesmas comidas. Até de pistache. Das mesmas músicas. Como foi que a gente passou tanto tempo brigado?

Bob: É porque a gente é muito parecido. Se nós não fôssemos tão iguais, a gente tinha se acertado mais rápido, eu acho.

Liv (rindo): Que coisa de doido. A nossa única diferença é que você não é medroso. Você teria visto aquele filme horroroso inteiro e dormido. Do que é que você tem medo?

Liv olhou para ele. De novo, ele encarou o rosto sorridente dela e sentiu o coração pular uma batida. Respondeu automaticamente:

Bob: Eu tenho medo de você.

Liv riu, achando que ele estava falando de quando eles brigavam e como ela era agressiva, sem perceber na meia-luz do elevador que ele estava roxo. Começou a cantar baixinho uma música que Bob conhecia, “Will the circle be unbroken”. Ela não era boa cantora. Mas ouvir na voz dela, uma música que ele amava, que era linda, fez ele quase perder o controle. Jogou a cabeça para trás e acabou batendo na parede. Liv parou de cantar.

Liv: Bob, tudo bem com você (ela vê que a boca dele está suja de chocolate e passa a mão pra limpar)? Sua boca tá toda suja, parece cr...

Aquilo foi demais. Arrebatado, Bob beijou Liv de surpresa, apaixonadamente. Colocou todo o coração naquele beijo, porque não sabia como ela ia reagir. Quando sentiu as mãos dela nos ombros dele, e a retribuição dela, sentiu que não tinha mais chão, não tinha mais elevador, eram só os dois no mundo, e ele passou a mão na nuca dela, onde estava a tatuagem, que tinha o hipnotizado, que fizera ele colocar uma máscara e aprender uma valsa em duas horas, por ela e só por ela –

Sentiu o clarão com os olhos fechados. A luz tinha voltado, mas o elevador continuava parado. Isso separou os dois, já sem ar, assustados pelo que tinham acabado de fazer.

Bob: D-desculpa. Eu não sei o que deu em mim.

Liv: É, eu... eu...

Se encararam de novo, sem fôlego, até que o telefone do elevador tocou e Bob quase atravessou o teto num pulo. Coração martelando no peito, ele atende:

Bob: Oi... é, estamos em dois. Certo, a gente aguarda mais esse tempo. Eu aviso (ele desliga). Era o técnico do elevador. Vão nos tirar daqui uns 15 minutos. Tem uma velhinha em outro elevador e ela tem prioridade ou algo assim.

Eles se encaram. O telefone cortou o clima, mas nenhum dos dois parece querer esquecer do que aconteceu.

Bob: Liv, eu não ia te falar isso, mas eu já fiz bobagem, então vou soltar. Eu te amo (Liv se escorou numa parede do elevador). Eu não sabia se eu estava só atraído, impressionado pela nossa dança, mas nos últimos tempos eu não consigo evitar. Eu sonho com você, eu penso em você o tempo todo, aquela boneca fui eu que pedi pra minha mãe fazer, eu mesmo desenhei a tatuagem nela. Aquele dia que o Dylan perguntou se eu estava apaixonado por você, eu queria dizer que sim, que você é o amor da minha vida, mas segurei, porque eu sei que eu falei muita besteira quando a gente era criança, eu falei que nunca namor...

Dessa vez foi Liv quem interrompeu com um beijo. Eles se abraçaram e quando Liv se afastou, olhou nos olhos dele:

Liv: Passado é passado. Eu também te amo. Também estou louca por você, mas não tinha coragem de falar porque você ficava falando que nossa amizade era ótima, que estava feliz de ser meu amigo... não queria me iludir. Mas eu quero, quero muito...

Bob: Espera. Eu quero fazer isso do jeito certo.

Liv: Oi?

Bob: Eu não quero que nosso namoro comece dentro de um elevador. Quero que a gente tenha uma história bonita, que você conte pras suas amigas e elas fiquem comovidas. Eu vou te levar para passear amanhã, pode ser? Vamos fazer alguma coisa romântica. Eu te ligo.

Liv (sorrindo): Tudo bem... eu aceito sair com você. Temos um encontro. Mas só pra te avisar, eu gosto de filmes de ação, ok? Não me leva ver drama água com açúcar não!

Eles riem e o elevador volta a funcionar. A porta abre, e Lyo, Cindy e Dylan estão na porta esperando.

Lyo: Vocês estão bem?

Bob (suado e pálido): Estamos, foi tranquilo. Quanto tempo ficamos lá dentro?

Cindy: Uma hora e meia, mais ou menos. Foi um blecaute na cidade toda.

Liv: Lan, você tá bem? Quase me mata de susto! Não sai de perto de mim nesses lugares!

Dylan: Desculpa, é que vocês estavam conversando e eu tinha cansado dos brinquedos!

Liv: Tudo bem... importante é que tudo está bem. Vamos?

Os dois não comentam nada com os outros. Já em casa, deitado na cama, Bob recebe um texto de Lyo:

“Cara, no duro, o que aconteceu dentro do elevador? A cara de vocês estava diferente.”

“Nós conversamos, e eu vou levar ela pra sair amanhã.”

Cindy também manda um texto para Liv:

“Menina, o que aconteceu? Você saiu cor-de-rosa e o Bob branco feito um papel de lá de dentro!”

“A gente se beijou.”

“AAAAAAIIIIIII QUE TUDOOOOOOOOO e aí????”

“Eu tenho um encontro com ele amanhã.”

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.