Pokémon - Contos de um treinador

1 Capítulo 0 - Prólogo e reflexões


Notas iniciais
Um mar de oportunidades nasce quando nos esforçamos.

Ano 760 d.A.

Quem sabe quanto tempo deve se passar para que entendamos a morte de alguém? Pois é, eu não sabia que seria difícil me acomodar com a morte de meu tão querido pai. Minha mãe ficou com minha guarda e procurou exercer os dois papéis, paterno e materno. Com o tempo eu fui me acostumando com o fato de minha pobre mãe trabalhar diariamente para me sustentar e me dar o mínimo de luxo possível, cuidando como podia de mim, um pequeno menino. Os anos foram seguindo até o dia em que um professor, alocado em uma das serras entre Viridiana e Pallet, fez uma oferta interessante a minha mãe. Essa “gentileza” era na verdade uma grande cilada emocional que consistia em um emprego para ela só que exigia que a mesma assinasse um contrato que permitia a minha intromissão e participação de projetos coordenados pelo homem. A minha mãe pensou muito, pensou sobre o meu futuro e jeitos de me bancar durante a fase de crescimento, mas a proposta fora tão incisiva que ela aceitou.

Tudo correra bem nos primeiros dias. Uma cama novinha para ela e para mim, comida, água e a permissão para assistir certos programas na televisão e/ou me entreter em jogos de computador. Só que a alegria duraria pouco. Certo dia, quando acabara de amanhecer e os potentes raios de luz alaranjados mergulhavam toda a cidade e ardia em nossos olhos como uma tempestade de chamas, dois cientistas nos visitou. Um deles era um homem de aparência jovial, óculos de fundo de garrafa e um longo jaleco de um branco pálido, como se estivesse escurecendo, abotoado até metade, deixando uma gravata emergir de sua gola redonda. O outro era na verdade uma mulher, uma jovem que possuía cabelos castanhos e cacheados que sempre armavam aos finais dos demorados dias de trabalho, armada com sua prancheta e trajando um jaleco curto, cuja aparência remetia uma saia, mas logo abaixo despontavam calças de cor branca folgadas.

Os dois foram honestos comigo e com minha mãe, disseram que nossa presença no plano deles era crucial, pois precisavam de alguém que arcasse com o andamento. O quê ocorria dentro daquelas paredes não era nada mais, nada menos que um estudo sobre o apego aos Pokémon e uma espécie de criação do mais poderoso treinador que já pisou naquela região. Informaram a minha mãe que vários meninos e meninas passaram pelo mesmo e desistiram por estarem cansados de tentativas fúteis ou por acontecimentos indesejados. Logo naquele dia, os dois me levaram por corredores de paredes, teto e chão puramente branco, passando por vidraças que protegiam salas onde pessoas e Pokémon eram testados em plena harmonia.

Entramos em um cômodo completamente fechado, exceto por uma parede de vidro que dava acesso a outro espaço com três cadeiras, as três sendo utilizadas por sujeitos engravatados, um deles era uma mulher. Deram-me o espaço para andar e acessar um computador localizado numa mesa de centro. Uma poltrona preta, acolchoada e com braços para apoiar meus antebraços fora abandonada em frente ao móvel. A cientista transitou de uma sala para a outra, fazendo companhia aos três executivos que atenciosamente me estudaram. Dali de dentro eu vi os lábios carnudos da mulher se mexer, sua pele era pálida assim como o jaleco e os orbes de seus olhos eram de um azul piscina profundo e encantador. Não me recordo da face de nenhum dos três executivos, mas eram bem sérios, é tudo que eu sei.

O homem se apoiou, arrastando uma cadeira que jazia encostada em uma das três paredes brancas. Sentou-se, demorou um tempo para se acomodar e finalmente apoiou os dois cotovelos na mesa para começar uma longa explicação sobre os riscos que eu iria correr.

- Desculpe ser tão rápido nos processos, menino, mas eu preciso de sua total atenção – Não parei de encará-lo, interessado – Acolhemos você não só por ser um necessitado e um dos meninos que viriam a ser capazes de se tornar nosso trunfo, — Apontou para o meu peito, mais especificamente para o meu coração – Em seu sangue corre a linhagem de treinadores que enlouqueceu o mundo décadas atrás – Ele sorriu orgulhoso de si mesmo e de suas atitudes em prol de si e de sua equipe, como eu pensava, ele não seria tão amigável assim. Tardou um pouco a voltar a si e me instruir da situação. – Como eu dizia, a sua mãe está sendo privilegiada apenas por SUA causa, você é o fator especial para nós e é por isso que está tendo uma vida luxuosa – Estava convencido de me controlar por suas palavras, permaneci em silêncio – O projeto é para criarmos o maior de todos os treinadores já vistos na história e você, menino, é a nossa última esperança.

Virei meu rosto para enxergar as pessoas na outra sala. Eu sempre fui um garoto bem quieto, com medo das pessoas me questionarem caso eu falasse, mas minha mãe exaltava meu intelecto superior aos das outras crianças de mesma idade. Os meus olhos eram poços negros de curiosidade, dotados com a mais poderosa gula existente, salivando por informações que me aprofundariam mais na experiência. Sedento por uma explicação eu me voltei ainda calado para o cientista que captou minha sede por informações.

- O projeto começa no momento em que você entender a capacidade física, mental e emocional sua e dos Pokémon – Minha ânsia era tanta que eu comecei a tremer, os dentes tilintaram um no outro. Ele percebeu aquela ansiedade e fez a pergunta chave – Garoto, qual é o seu nome?

- Meu nome? – Franzi o cenho como se aquilo fosse um mero ato de confusão – Eu me chamo Fly, Fly Carter.

Notas finais
Caçamos a estranha sensação de satisfação, espero que gostem e até o próximo, ^^!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.