Pokémon - Candlelit Dinner (Season 1)

11 Capítulo 9 - Bons sonhos, Ethan.


Notas iniciais
Saaiu mais um capitulo :3
Revisado pela minha linda, Bells ♥
Espero que gostem, acho que ta meio grandinho, mas oks.
Divirtam-se.

Ethan acordou sobressaltado no meio da noite. Ele levantou-se da cama do Centro Pokémon de Nimbasa e coçou o cabelo. Sonolento, olhou ao redor, procurando sua camisa, achou-a embaixo de Eevee. O menino sorriu e achou melhor não pegá-la para não acordar o monstrinho.

Abriu lentamente a porta e caminhou pelo corredor de quartos que o Centro possuía. Logo após o seu, vinha o quarto de Alice. O garoto olhou para a porta e pensou em abri-la, precisava conversar com alguém, estava se sentindo solitário aquela noite e a sensação ruim não passava.

Um pensamento maldoso sobre como a menina estava vestida passou pela sua cabeça e logo ficou envergonhado e resolveu seguir em frente em direção ao banheiro.

“Onde já se viu? Eu acabo de conhecê-la pessoalmente e cometo uma gafe dessas? Melhor não.” Pensou o menino abrindo a porta do banheiro e indo direto até a pia defronte ao espelho para lavar o rosto.

Ethan passou as mãos em forma de concha cheias d’água no rosto e respirou fundo. Olhou para seu reflexo – seu novo reflexo – e suspirou. Até que reparou um movimento no fundo do reflexo. Um vulto estava parado na frente da porta de Alice, encarando-a, imóvel. Estava escuro demais, e a iluminação gerada pelo banheiro, não chegava até aquele ponto do corredor.

- AAAAAAAAAAAAAAAAAH – Ethan berrou o mais alto que pode.

Em questão de segundos, várias portas se abriram ao mesmo tempo e todos olhavam confusos para os lados. A luz do corredor acendeu e todos puderam ver que só havia um Ethan sem camisa e um Abra sentado diante da única porta que não abriu. A maioria saiu que nem um zumbi, mas o resto olhava para Ethan com ódio.

- Hehe! Desculpa? – perguntou ele e muitas portas foram batidas em sua cara.

- Palhaço, deixa as pessoas dormirem! – um homem reclamou entrando de novo em seu quarto.

Ethan olhou para o Pokémon parado na porta e bateu na porta da amiga. Passado algum tempo, ela abriu a porta, ainda de pijama. Ethan, que já estava vermelho que nem um tomate por ter acordado noventa e nove por cento do Centro Pokémon ficou fluorescente olhando para ela.

- Pois não? – perguntou ela sonolenta.

- Ahn... Esse Abra estava esperando você – disse o menino apontando para o Pokémon.A garota deu um leve pulo e ficou encarando o Pokémon.

- Acho que ele gostou de você – Ethan começou a rir. – Parece que ele quer que você o capture.

- Não pode ser isso – ela olhou para o Pokémon, que acenou afirmativamente com a cabeça – É?!

- Ahn, eu sei que eu não sou lá esses gênios, mas... Eu acerto às vezes – Ethan respondeu a pergunta que não havia sido feita.

A garota sumiu durante alguns segundos e voltou com uma pokébola na mão. Olhou para Ethan, insegura. Ele a encorajou com os olhos e ela jogou a pokébola na cabeça de Abra. A pokébola abriu e uma luz vermelha cobriu o Pokémon que logo foi sugado para ela. A pokébola nem mesmo vibrou com tentativas de escape e simplesmente daquela maneira, Alice tinha um novo Pokémon.

- Ok, essa foi a captura mais estranha que eu já vi – falou ele para ela, que pulava animadamente com a pokébola na mão.

- Cala boca, você tem um Koffing roubado de um empresário que compra de criminosos – falou ela magoada.

Ethan olhou ao redor, ninguém estava no corredor, só eles dois. Estava prestes a repreender Alice sobre o comentário quando deu de cara com uma porta fechada.


- Desculpe-me Ethan, eu não vou poder lutar com você – Elesa falou olhando para o menino com uma expressão de pena.

- Como sabe que eu sou... – Ethan interrompeu o que ia dizer e encarou Alice, que sorria sem graça – Ah, sim. Deixa pra lá. Mas... Sabe quanto tempo vai levar para reformar seu ginásio?

- Não, com a estupidez que aqueles monstros fizeram, vai levar algum tempo. Provavelmente eu vou ter que conseguir outro local para lutar com os treinadores desafiantes.

- Bom, — Ethan falou e reparou como estava triste por não poder lutar contra a Líder – sinto muito, não posso ficar esperando por muito tempo. Eu vou em frente, e depois eu volto. Tem algo que eu preciso descobrir.

- Tudo bem, até a próxima então, Ethan – os três trocaram apertos de mão e os dois seguiram em frente.

“Engraçado como dois dos Líderes de Ginásio que eu encontrei e ia investigar foram atacados pela Grimm Grotto” pensava Ethan enquanto ele e Alice caminhavam pela estrada alternativa que acharam para ir até Opelucid City. Ethan não conseguia se concentrar em mais nada senão o pensamento de quem seria o Líder de Ginásio traidor.

Alice estava triste. Algo parecia incomodar Ethan, mas o garoto não deixava ela transpassar a barreira que ele havia criado. Como tentativa de quebrar o gelo ela perguntou:

- Sabe o que eu não entendo, Ethan?

- Hm?

- Como um garoto que PULA de mais ou menos quinze metros de altura só para salvar uma garotinha que ele nunca viu na vida consegue ter medo de um Pokémon no escuro – ela comentava rindo um pouco.

- Isso é culpa do meu pai, ok? – o garoto comentou e logo se arrependeu, a dor da perda do pai apareceu. A falta que fazia poder ligar para casa e contar sobre seus Pokémon e sobre Alice; precisava contar tudo.

“Por que logo eu tenho que ser o diferente?”Alice sentiu um peso no coração ao ver Ethan caindo na morbidez de sempre. Dessa vez, deixou o silencio comandar no local.

Começava a escurecer quando eles voltaram a falar algo. Ethan foi o primeiro.

- Ei, é melhor pararmos, daqui a pouco vai ficar... – o resto da frase foi preenchido pelo som retumbante de um trovão – Bosta. – falou ele olhando para o céu.

A escura nuvem que declarava guerra ao bom tempo dos dias recentes apareceu do nada. Parecia que uma chuva extremamente forte estava para cair e Ethan não sabia como iriam fugir daquilo. Olhou horrorizado para Alice que também parecia nervosa.

- Vee? – o Pokémon colocou a cabeça para fora e viu a nuvem de chuva. Pulou para fora e caiu em pé diante de Ethan e Alice.

- Vamos, temos que ir, a chuva parece que vai ser muito forte.

Os três começaram a correr em desespero. Pegar uma chuva daquelas parecia uma péssima ideia para qualquer um.

As árvores eram muito afastadas e sua folhagem estava muito pequena para servir como proteção. Aparentemente a floresta seguia da mesma maneira quilômetros e quilômetros à frente. Ethan sentiu um leve desconforto e logo Eevee começou a gritar olhando para eles.

- Vee, Vee, Eevee! – os dois olharam sem entender então do nada, Eevee saiu do meio das arvores e correu para a esquerda, sumindo da visão de Ethan e Alice. O garoto olhou para ela e falou:

- Vem, vamos! – e correu para a direção onde Eevee havia sumido. Alguns metros à frente, Ethan viu Eevee correndo em direção a uma casa antiga.

A casa tinha dois andares e era toda de madeira. Devia ter sido uma construção incrivelmente bela. O capacho estava todo roído pelo tempo e algumas das janelas do andar de cima estavam completamente destruídas. Ethan correu o mais rápido possível.

Os três chegaram ao capacho, que era coberto por um pequeno telhadinho de madeira e a chuva começou. Caia de maneira torrencial. Ethan e Alice se entreolharam, a chuva parecia tê-los esperado.

Eevee andou até a porta e empurrou-a de leve com a pata. Não havia nada no local. Não tinha moveis nem nada que demonstrasse que foi utilizada por qualquer ser vivo.

- Sinistro. – Alice olhou ao redor e parou encarando Ethan – Acha que podemos ficar aqui?

- Não acho que o dono vá se incomodar muito, Ali – Ethan sorriu para ela.

- Mas eu vou! Esse lugar é assustador demais, E! – a expressão de Alice demonstrava súplica.

- Bom, a gente também pode ficar lá fora... – ele olhou para fora e como se fosse um aviso, uma enorme onda de vento sacudiu a casa vinda da frente.

- Ta bom, nós ficamos aqui essa noite – Alice se deu por vencida.

Alice estava com a cabeça apoiada no peito de Ethan quando escutou alguém chamando seu nome. Ela olhou sem graça para o menino que dormia profundamente. Desde quando estavam daquele jeito? Ela não se lembrava de ter dormido.

A garota levantou-se ruborizada pela situação e olhou para os lados, a pequena Litwick de Ethan dormia encostada na barriga de Eevee e a visão a menina sorrir. Logo após ela percebeu que estava do mesmo jeito com Ethan e sentiu seu rosto esquentar.

- Alice – uma voz a chamou de novo.Um arrepio passou pela nunca da menina quando ela escutou seu nome sendo chamado daquela maneira.Ela sacudiu Ethan, olhando ao redor, procurando a origem da voz.

- E, por favor, acorda. To precisando de você! – ela segurou a camisa do menino com as duas mãos e começou a sacudi-lo freneticamente ainda olhando pros lados.

- Não vai adiantar, Alice... Ele não vai acordar nunca mais – um par de olhos vermelhos apareceram do outro lado do cômodo. A escuridão os deixava mais aterrorizantes, pois ele praticamente brilhava.

- Q-que-quem é você?! – a voz da menina saiu esganiçada.

- Eu sou o monstro que habita o escuro embaixo de sua cama – uma risada sombria seguiu após esse comentário.

- Ethan, por favor, me ajuda – as lágrimas brotaram do rosto da menina quando ela percebeu que o chão ao redor do menino estava completamente molhado. Ela levantou as mãos e aproximou-as do fogo fraco de Litwick. Era sangue.

Ethan acordou e olhou ao redor. Todos haviam sumido.

O coração do menino parou. Ele sentou-se rapidamente enquanto o desespero tomava forma em seu corpo. Nem sequer lembrava-se de ter caído no sono. Algum tempo atrás ele havia se fingido de corajoso para Alice, mas no fundo, estava morrendo de medo do local. Ele só queria provar para ela que não era um medroso.

“É isso, pode ser uma pegadinha! Ela está tentando me assustar, pra ver se eu fico com medo. Litwick e Eevee devem estar ajudando!” o garoto sorriu e se levantou.

- Vamos lá, galera. Eu já entendi a brincadeira, podem voltar. Lembrem-se que amanhã de manhã o dia vai ser corrido e nós vamos estar na cidade de Dave, talvez possamos falar com ele.

- Mas não haverá nenhum amanhã para você, Ethan Dalles... – uma voz sinistra respondeu ao garoto.

- O-ok. Ali, sua voz foi uma imitação muito boa. Agora já pode parar. Anda, cadê vocês – a coragem do menino sumiu com a voz. Era impossível Alice fazer uma voz daquelas.

Um par de olhos vermelhos brilhou ao lado de Ethan. O garoto deu um pulo para o lado, em choque. Não conseguia parar de encarar aquele par de olhos vermelhos flutuantes.

- Já que você os quer tanto... – a voz sinistra saiu da direção dos olhos – Então pega!

Um movimento aconteceu do lado de Ethan e o garoto se controlou para não gritar. Da escuridão, saiu Alice com Litwick e Eevee. O coração do menino aliviou e ele soltou uma risada sem graça por ter ficado assustado, mas o alívio durou pouco. Após observar por alguns segundos, Ethan percebeu que os olhos dos três estavam vermelhos. E o mais assustador eram suas bocas. Estavam costuradas.

Ethan entrou em pânico e correu de costas até encostar-se à parede. Alice carregava uma agulha comprida e enferrujada com uma linha preta presa. A mesma linha que mantinha a boca dos três seladas. O garoto olhou ao redor, procurando uma saída, enquanto o par de olhos vermelhos no fundo gargalhava de divertimento.

Na esquerda, uma parede. Na direita, a escada mal feita que parecia querer ceder. Ele respirou fundo e subiu a escada correndo. O segundo andar era um corredor enorme e comprido, havia uma porta ao fundo. Ethan começou a correr em desespero enquanto a voz parecia falar em sua cabeça.

- Para onde vai, Senhor Dalles? Vai se trancar no quarto? Espero que saiba que lá não tem nada. Quer mesmo ficar sozinho? Eu sei que esse é o seu maior medo! – novamente a voz começou a rir e Ethan tampou os ouvidos enquanto corria, mas a risada estava dentro de sua cabeça. Infectando seu cérebro.

O garoto empurrou a porta com o corpo e fechou-a correndo. De relance, conseguiu ver seus três amigos vindo em sua direção. Ele apoiou as costas contra a porta e olhou para o quarto.

Uma cama pequena e azul com foguetinhos-pokébola desenhados nela estava em um canto. Do outro lado, um pequeno móvel repleto de gavetas. De frente para Ethan, tinha um jovem sentado contra uma porta.Ambos levaram um susto a se ver e Ethan percebeu que era só seu reflexo. Ali estava ele, como sempre. Camisa preta, calça jeans, expressão de desespero com leves acessos de pânico nos olhos e seus cabelos impecavelmente azuis. Ethan sorriu ao observar seu reflexo e logo após se assustou com algo.

“AZUL? Meu cabelo esta pintando!” ele olhou para ele mesmo. Sua imagem estava esquisita, diferente. Ele estava completamente limpo e isso era estranho, pois ele não estava limpo depois de passar tanto tempo na floresta. Ethan também não conseguia ouvir o som da chuva.

“Isso é um sonho! Eu to preso em um pesadelo!” a cabeça do garoto começava a trabalhar em uma maneira de sair, mas o acesso de pânico atrapalhava.Dalles se beliscou, mas não adiantou de nada. Continuava no mesmo local. Logo, batidas violentas começaram na porta e o garoto quis gritar.

“Não posso gritar, eu falo dormindo! Ali vai rir de mim” o garoto pensou enquanto escutava som de madeira rachando. “EU FALO DORMINDO!”

- Eevee! Eevee, acorda! – Ethan começou a gritar.

- Não adianta, garoto! Seu Pokémon está perdido.

- Cala boca, seu idiota! Estou falando com meu Eevee de verdade, não essa imitação fajuta que você fez! – Ethan gritou pro ar – Vee! Use Mordida em mim! AGORA!

Uma dor lancinante atravessou o braço do garoto e quando ele abriu os olhos, Vee estava ao seu lado, rosnando enquanto o mordia.

- Muito obrigado, garoto! – ele passou a mão na cabeça de Eevee e olhou ao redor.

Alice tremia enquanto estava dormindo e suava frio. Litwick e Eevee olhavam para o alto e resmungavam. Em cima de Alice, flutuando, havia um Haunter.

O Pokémon fantasma mexeu as duas mãos ainda encarando Ethan. Seus olhos vermelhos brilhavam na escuridão do local e o garoto reparou que a boca do Pokémon estava costurada.

- Então era você o idiota, né? – Ethan gritou para o Pokémon – Estava usando o Devorador de Sonhos em mim! – o garoto olhou para Ali no chão – E ta usando nela! Eu vou acabar com você!

Eevee e Litwick pularam para frente de Ethan, era um sinal de que ambos estavam prontos.

- Litwick, use Lança-chamas! Vee, use Esfera de Sombras! – os dois Pokémon começaram a atacar juntos.

Da chama na cabeça de Litwick, um jorro de fogo roxo saiu e Eevee soltou a esfera negra com a boca. Os ataques se reuniram e acertaram o Pokémon fantasma ao mesmo tempo.

O som do impacto propagou por quilômetros, Ethan tampou os ouvidos. Ao mesmo tempo, o Pokémon fantasma adversário estava encostado na parede, um olho fechado. Tinha surtido muito efeito.

- Agora, vocês dois. Repitam o processo! — os dois Pokémon atenderam ao comando e novamente o ataque pegou.

O Haunter parecia irritado e logo começou a usar o Hipnose. Ethan fechou os olhos, mas esqueceu de comandar seus dois Pokémon para fazerem o mesmo. Quando abriu os olhos, os dois estavam dormindo.

"Droga, esse monstro vai usar o Devorador de Sonhos nos dois! Eu preciso impedir isso" Ethan pensou, desesperado.O garoto sabia que jogar qualquer coisa no Pokémon seria desperdício de energia, Haunter era um fantasma. Então ele fez a unica coisa que pôde.

- Vai, pokébola! — e lançou uma das pokébolas que seus pais haviam lhe dado de presente.

Haunter olhou assustado para a esfera vindo em sua direção e começou a brilhar. Ethan olhou horrorizado para a situação quando o brilho aumentou. Uma onda de impacto jogou o garoto pela janela da casa. Ele quicou no chão e aterrissou de costas. Logo após isso, três impactos o fizeram perceber que seus três companheiros cairam em cima de seu corpo.

- Nham? — perguntou Alice olhando ao redor.

- Só agora que tu acorda, mulher?! — Ethan gritou com ela.

- E! — a garota abraçou ele forte, esmagando os Pokémon que estavam entre os dois.

- Sim, eu — ele conseguiu falar — Esperava por quem? — Eevee e Litwick começaram a resmungar e se sacudir para se libertarem do abraço de urso da menina.

- Ninguém. O que aconteceu? Por que a gente está aqui fora? — ela olhou ao redor.

Ethan contou tudo que aconteceu detalhadamente para a menina que ouviu tudo sem questionar nada.

- E no fim parece que ele usou Auto-destruição — terminou o garoto.

O sol começou a surgir em seus rostos e iluminou a casa. O brilho da manhã mostrou a parte da frente arruinada e também a parede dos fundos. Estava completamente quebrada e carbonizada. Os quatro olharam para a parede durante um bom tempo. Sons de madeira estalando apareceram do nada e eles só saíram quando os sons ficaram fortes.

A casa inteira cedeu. Desabou por completo, levantando uma fumaça enorme e uma quantidade de poeira absurda. Ali jazia uma história terrivelmente estranha, nenhum deles conseguia entender por completo o que havia acontecido. Mas ali, na luz da manhã, eles resolveram continuar seu caminho.

Notas finais
Espero que gostem :3
No proximo capitulo:
- Como sera a chegada de Ethan e Alice em Opelucid?
- Irao conseguir achar seu amigo Dave?
- O que aconteceu com Patrick?
- Como a chegada do Natal influenciara a jornada deles