Pokémon Adventures: Rumo a Liga Pokémon de Kanto!
5 O Museu Pré-histórico de Pewter
Notas iniciais

< Por Red >
Blue e eu tínhamos acabado de nos despedir de Ingro e já estávamos avistando a cidade de Pewter, quando eu vi algo voando em alta velocidade em nossa direção. Seja lá o que fosse, era muito rápido, passando por cima de nossas cabeças como um borrão rosa claro. A criatura fez um som ao passar por cima da gente. Virei-me na mesma hora para tentar ver melhor, mas ela continuou rápida e sumiu dentro da floresta de Viridian.
— Você viu isso, Blue? – perguntei olhando pra ela assustado.
— Vi. O que diabos era aquilo?
— Não faço a menor ideia, mas parecia ser um Pokémon. Ouviu o som que ele fez ao passar por nós?
— Sim, parecia um miado...
— Pois é... – ficamos em silêncio encarando as árvores altas da floresta de Viridian. Seja lá o que fosse aquilo, estava procurando abrigo na floresta e não era nenhum Pokémon que eu conhecia.
— Bom, vamos andando – Blue falou quebrando o silêncio e entrando na cidade.
Dei uma última olhada para a floresta, antes de me virar e a seguir.
Entramos em Pewter, conhecida como a cidade da pedra. Pewter era uma cidade um tanto agitada se comparada com a pacata Pallet, e a pequena cidade de Viridian. Começamos a caminhar até o centro Pokémon, sem tocar mais no assunto do “Pokémon misterioso” se é que aquilo era um Pokémon, nem sequer tínhamos certeza do que vimos, então era melhor deixar pra lá.
Enquanto eu e a Blue esperávamos pela enfermeira Joy no balcão da recepção, pude sentir um cheiro maravilhoso vindo do refeitório, minha barriga roncou alto, fazendo com que a Blue olhasse pra mim assustada.
— Você engoliu um monstro? – perguntou soltando um risinho.
— Não, só estou morrendo de fome. Podemos almoçar depois de pegar nossos Pokémons com a Joy?
— Mas eu achei que o plano era passar no ginásio ANTES do almoço – respondeu dando ênfase no “antes”.
— Por favooooor... – supliquei fazendo a minha cara de cachorro abandonado a qual nem meus pais, nem a Blue e nem ninguém conseguiam dizer não.
— Tudo bem... – ela suspirou.
Pegamos nossos Pokémons que tinham se recuperado da nossa última batalha que tivemos um contra o outro e nos dirigimos ao refeitório que ficava na porta à esquerda do balcão da recepção. O almoço era self service, não preciso nem dizer que eu lotei o meu prato com um pouco de cada coisa. Eu e a Blue nos sentamos à uma mesa e começamos a comer, ela ainda estava na metade do primeiro prato enquanto eu já estava terminando o segundo. Trocávamos poucas palavras entre uma mastigada e outra.
— Por que será que o Centro Pokémon daqui é tão mais lotado que o de Viridian? – ela perguntou, enquanto colocava um pedaço de palmito na boca e olhava para os treinadores que estavam sentados nas mesas ao nosso redor.
Antes mesmo que eu pudesse dizer algo, uma voz conhecida respondeu a pergunta dela.
— Porque a cidade de Pewter tem um ginásio ativo, diferente de Viridian onde o seu líder não é visto há meses, além do mais, aqui tem o museu pré-histórico e isso atrai o público.
— Green! – a Blue exclamou parecendo feliz em vê-lo, eu mal me virei para olha-lo.
— E ai pessoal, tudo certo? – ele perguntou, puxando uma cadeira e se sentando na nossa mesa, ele segurava uma bandeja e parecia ter acabado de pegar comida.
— Tudo sim e contigo? – Blue perguntou, Green apenas assentiu enquanto mastigava um pouco de macarrão. – O que está fazendo aqui?
— Bom, cheguei a Pewter ontem antes do anoitecer e já fui direto desafiar o líder de ginásio. Como eu estava cansado depois da batalha decidi passar a noite no centro Pokémon mesmo, para poder tomar um banho e relaxar, acordei quase agora e estou almoçando para depois prosseguir minha jornada.
— E você conseguiu ganhar a insígnia? – perguntei curioso e um tanto a contra gosto.
— Isso responde a sua pergunta? – Green colocou a mão no bolso e de lá puxou um estojo verde, ao qual ele abriu mostrando oito espaços de formatos diferentes e o primeiro estava ocupado por uma insígnia cinza de oito lados. – A insígnia da Rocha, preciso dizer que foi fácil ganha-la.
Eu e a Blue ficamos fascinados olhando para insígnia, até Green fechar o estojo e guarda-lo de volta no bolso.
— E o museu? Você deu uma passada lá? – Blue voltou a perguntar.
— Pffff. E o que eu ia querer fazer em um museu? – Green respondeu com desdém.
— Ah Green, qual é, o museu é legal. Eu adoro coisas antigas – ela falou com os olhos brilhando. – Lembra quando viemos aqui na excursão da escola há uns três anos atrás? Agora eles devem ter coisas novas, fósseis e esqueletos de novos Pokémons. Eu adoraria dar uma olhada.
— Coisas novas? Aquilo é tudo uma velharia – ele disse entediado.
— Eu gostei bem mais da excursão ao laboratório do professor Carvalho – falei enquanto cortava meu bife.
— Pois eu e o Red vamos dar uma passadinha lá no museu antes de ir para o ginásio.
— Fale por você – falei. – Pois eu estou indo para o ginásio agorinha mesmo! – confesso que descobrir que o Green já possuía a insígnia e tinha dito que ela fora “fácil” de conseguir me deixou louco de raiva. Até quando Green ia estar um passo a minha frente?
— Ah mas não vai mesmo! Eu queria ir para o ginásio antes do almoço, você pediu para almoçarmos antes e eu concordei. Agora quero ir ao museu antes de ir para o ginásio e você vai me acompanhar – ela me olhava com certa irritação. Ok, a Blue podia ser um doce de garota, super meiga e educada, mas quando se sentia irritada ou contrariada, sai de baixo.
— Tá bom... – concordei com um suspiro.
— Green vem com a gente, vai... Pelos velhos tempos? – seus olhos azuis brilhavam na direção dele enquanto fazia o pedido.
— Tá legal, eu vou com vocês – ele disse meio aborrecido. Acho que não era possível dizer não aqueles olhos azuis. – Pelos velhos tempos, mas assim que sairmos de lá vou prosseguir viagem sozinho, tenho muito que treinar ainda.
Alguns minutos depois no museu...
Vinte reais gastos para se entrar em um museu, fala sério. Eu poderia comprar um lanche enorme com isso e ainda sobrava dinheiro pra sobremesa. Blue e Green estavam caminhando a minha frente, eu ia logo atrás meio emburrado. Queria ir para o ginásio logo.
— Uau – a Blue exclamou. – Esse esqueleto é novo! – ela estava de frente para um esqueleto colossal de um Pokémon pré-histórico que tinha asas. Aproximei-me mais para ver também. Realmente, aquele esqueleto não estava aqui quando viemos há três anos atrás, a placa dele dizia:
“Aerodactyl, acredita-se que ele era do tipo Pedra/Voador. Esse Pokémon extinto percorria os céus na era dos dinossauros. Seus dentes se moviam como uma serra de mastigar.”
— Bom isso é bem mais interessante que aqueles fosseis chatos de Omanyte e Kabuto – o Green falou enquanto olhava o majestoso esqueleto. Ele e Blue começaram a discutir sobre como teria sido viver na época pré-histórica e levantar teorias um tanto absurdas. Percebi que estava de escanteio naquela conversa, então fui me afastando um pouco deles. Fiquei distraído andando e observando algumas coisas do museu, subi para o primeiro andar e comecei a olhar os fosseis chatos a que o Green tinha se referido, quando escutei uma voz.
— Hey garoto – alguém sussurrou, olhei para os lados confuso. – É você mesmo ai de boné e mochila, venha cá – olhei para a esquerda e havia um cara esquisito vestido de jaleco me chamando a um canto. Voltei a olhar para os lados e como não vi ninguém perto de mim pude ter certeza de que ele estava falando comigo.
— Me chamou? – perguntei me aproximando
— Sim garoto, preciso que você me faça um favor, sim? – ele perguntou.
— Que favor?
— Preciso que leve isso – sussurrou me mostrando o que parecia ser uma pedra dourada, mas era perfeitamente redonda com um formato oval – para a Ilha Cinnabar.
— Mas o que é isso? – ele deu um sorriso estranho quando perguntei.
— Esse é um âmbar envelhecido de uma árvore que foi endurecido pelo tempo, ele contém o DNA de um Pokémon pré-histórico.
— E por que quer que eu leve isto até a Ilha Cinnabar?
— Porque lá há um instituto de pesquisa que pode conter uma máquina que ressuscita Pokémons pré-históricos se tiver o DNA deles – fiquei olhando para ele sem entender, esse cara não poderia estar falando sério.
— Por que o senhor mesmo não leva?
— Eu não posso sair daqui, estou trabalhando. Além do mais, ninguém aqui me dá ouvidos, nunca iriam bancar minha viagem até Cinnabar, eles não acreditam que aqui contém o DNA de um Pokémon e, mesmo que acreditassem, não acham que essa máquina que possa ressuscita-lo realmente exista. A única pessoa que acreditava em mim era o Frank, ele trabalhava em Cinnabar e estava desenvolvendo essa máquina para ressuscitar Pokémons a partir de seu DNA, por isso disse a ele que encontraria um fóssil e levaria até ele para testarmos a máquina. Comecei a escavar no Monte Lua e finalmente encontrei algo, mas o problema é que não tenho noticias do Frank há 15 anos. A última vez que falei com ele, ele me garantiu que a máquina estava funcionando, mas ai perdemos o contato. Por isso preciso que leve ele pra mim e apenas o coloque na tal máquina.
— Olha senhor... eu não acho que seja uma boa idei...
— Ah, por favor – ele suplicou. – Olha, você é um treinador Pokémon certo? – fiz que sim com a cabeça. – Então, veio até Pewter para conseguir uma insígnia? – continuei afirmando com a cabeça. – Acontece que lá em Cinnabar também tem um ginásio, então você terá que passar por lá de qualquer jeito. Por favor, leve ele pra mim? Não custa nada tentar, será só um peso adicional na sua mochila, além de que se realmente um Pokémon for ressuscitado a partir desse âmbar, ele pode ficar pra você, desde que você me de os créditos por tê-lo descoberto.
— Bom... – comecei a coçar a cabeça sem jeito. Ele estava pedindo tanto, não conseguia dizer não. Quer dizer, passar quinze anos sendo contrariado por seus colegas de trabalho e ainda assim acreditar firmemente no que defende? Não deve ser fácil. – Tudo bem – suspirei.
— Muito obrigado, garoto! – ele exclamou todo feliz me entregando o âmbar, era mais pesado do que eu imaginava. Eu já ia guardando o âmbar na mochila quando ele voltou a falar. – Não conte para ninguém que eu te pedi isso até que consiga colocar o âmbar na máquina, é muito importante manter isso em segredo.
— Tudo bem, então... – concordei.
— Espero noticias suas em breve – ele falou se virando e entrando em uma porta que dizia “permitida somente à entrada de funcionários do museu”.
Fiquei lá parado por um tempo pensando no que tinha acabado de acontecer. Se eu acreditava naquele cara? Bom... não. Francamente, ele tinha uma cara de doido, talvez uma pedra tivesse caído na cabeça dele enquanto ele fazia a escavação ou algo assim. Por que eu iria levar o âmbar até Cinnabar se eu não acreditava nele? Bom, porque eu não tinha nada a perder. Havia a mínima chance de eu conseguir um Pokémon pré-histórico para minha equipe, e se isso não acontecesse eu ainda poderia usar o âmbar para segurar a porta do meu quarto.
Desci novamente até o térreo do museu, Blue e Green ficaram conversando tanto tempo que nem perceberam que eu tinha sumido. Vê-los interagindo daquele jeito me fez ficar com um pouco de raiva e eu nem sequer entendi o porque. Decidi que não ia falar nada sobre o âmbar para eles, como o cara tinha pedido que eu fizesse.
< Por Blue >
O Green estava me explicando como eram feitas as escavações dos fósseis de Pokémon. Para alguém que não estava interessado em vir ao museu ele sabia muito sobre o assunto, eu estava fascinada por cada palavra que ele falava. Notei a aproximação do Red com aquela cara de emburrado, estávamos no museu fazia um bom tempo.
— É melhor irmos indo para o ginásio – falei me voltando para o Red, ele logo abriu um sorriso.
Saímos os três do museu e paramos de frente a ele. Era hora de se despedir. Red e eu iriamos seguir para a esquerda em direção ao ginásio e Green iria seguir a direita para a rota que saia da cidade de Pewter.
— Então, até mais Green – falei um pouco cabisbaixa, não queria que ele fosse embora. Tinha gostado tanto do nosso tempo no museu.
— Até – ele se virou, colocou os dois dedos na cabeça e agitou a mão fazendo o sinal de despedida que sempre fazia. Suspirei. Vê-lo ir embora daquele jeito me desanimou.
— Então, vamos indo – Red que nem se deu ao trabalho de falar tchau para o Green se virou e começou a ir para o ginásio, eu apenas o segui.
O ginásio de Pewter não era menos do que eu esperava que fosse. Ele era monumental, ou melhor dizendo, colossal. Uma estrutura completamente erguida de pedras cinzentas, com os dizeres “GYM DE PEWTER”. Eu fiquei boquiaberta.
— Vamos entrar – Red disse já indo em direção as pesadas portas que eram feitas de rocha pura. Foi necessário que nós dois empurrássemos a porta para que ela abrisse. Por dentro o ginásio era frio e escuro.
— Olá – chamei com minha voz ecoando pelo local. – Somos treinadores Pokémon e viemos desafiar o líder desse ginásio – ninguém respondeu.
— Só falta o líder não estar aqui – Red já tinha começado a ficar chateado.
— Eu estou aqui sim e aceito seu desafio – ouvimos uma voz no meio da escuridão. Uma luz foi acessa ao nosso lado direito revelando o que parecia ser um pequeno altar feito de pedra e havia um garoto sentado nele.
Ele tinha a pele parda, os cabelos castanhos estavam espetados para cima, seus olhos eram puxados e escuros. Vestia uma camiseta preta com detalhes laranja, uma calça verde e tênis, não parecia ser muito mais velho que nós. Ele se levantou e pulou do altar de pedra aterrissando bem na nossa frente.
— Nós dois estamos te desafiando – Red disse se colocando a minha frente.
— Só posso aceitar um desafio por enquanto, não posso ter duas batalhas seguidas, preciso de tempo para meus Pokémons se recuperarem. Batalharei com um de vocês agora, e com o outro só de noite ou amanhã de manhã. Decidam entre si quem vai primeiro.
O garoto ordenou que as luzes do ginásio fossem acessas revelando um grande campo de batalha completamente feito de rochas. Olhei para cima, era incrível como esse lugar era grande, alguns níveis acima do campo de batalha havia uma pequena passarela que rodeava todo o ginásio, de onde as pessoas poderiam ter uma visão privilegiada das batalhas. Aquilo mais parecia um estádio. O garoto se posicionou em umas das extremidades do campo.
— Quem de vocês vai me enfrentar hoje?
Eu estava pronta para dizer que Red podia ir primeiro já que estava tão ansioso para isso, mas ele já tinha subido nas plataformas em volta do ginásio, fiquei olhando pra ele sem entender.
— Boa sorte, Blue – ele gritou de lá de cima.
— Por que é que você não vai primeiro? – perguntei intrigada.
— Primeiro as damas é claro, e além do mais... gosto de te ver batalhar – ele disse sorrindo, corei um pouco com aquele comentário dele. Dei alguns passos ficando na outra extremidade do campo. Eu estava começando a suar de nervosismo.
— Esse garoto é meu assistente e será o juiz – o líder do ginásio disse gesticulando para rapaz que tinha aparecido na lateral direita do campo segurando duas bandeiras.
— Apresentem-se! – o juiz ordenou.
— Meu nome é Brock, sou o líder do ginásio de Pewter e minha especialidade são os Pokémons do tipo Pedra.
— Meu nome é Blue, e sou da cidade Pallet – minha voz saiu um pouco falhada.
— Será uma batalha 2x2, sem limite de tempo e apenas o desafiante terá o direito de trocar de Pokémon. Estão prontos? – o rapaz perguntou, o Brock assentiu e eu também.
— Comecem! – ele gritou abaixando a bandeira iniciando assim a batalha.
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