Pokémon - A Tale of Kanto
12 Capítulo 12 - O confronto entre amigos! Meowth no limite!
Notas iniciais
As lutas estavam acontecendo havia uma hora. A arena principal, um complexo de plateia e espaço recluso no andar inferior, estava cheio de pessoas ansiosas pelos resultados do torneio dos novatos de Cerulean.
Nilo observava atentamente as entradas para a arquibancada, preocupado. Georgia, pelo contrário, focava nos dois gladiadores em combate. O primeiro detalhe importante de se ressaltar era o formato quadricular da plataforma que tinha uns oito metros de comprimento para cada lateral. Líria e Cain trocavam golpes cruéis de seus parceiros. O rapaz com sobrepeso lutava lado a lado com um Lickitung menor do que o normal, mas não menos poderoso. Do outro lado, a donzela se aproveitava da versatilidade sua parceira Gloom para enfrentar o seu rival.
Depois de momentos de tensão, ambos arriscaram bastante. A Gloom saltou e aproveitou a luz do sol a pino para concentrar uma grande quantidade de energia em seu bulbo, mas isso foi o seu pior erro. Cain sacou rápido o que tinha de fazer e correu para o outro lado, Lickitung foi tão ágil quanto e entendeu o que devia ser feito.
A sua língua se projetou para cima, mais alta que o Gloom em pleno ar e em trajeto descente. O membro se expandiu o suficiente para sobrepor o bulbo sem tocá-lo, cortando o fluxo de energia. Uma pancada vinda do céu foi o suficiente para trazer o Gloom ao chão. A menina procurou reagir, mas não deu tempo, pois seu adversário sabia exatamente o próximo passo e o realizou com exímia maestria.
O Pokémon adiantou-se sobre o inimigo e esmagou-o sob seu peso em um golpe de corpo. O impacto foi o suficiente pra rachar o chão e causar danos internos o suficiente para o nocaute.
— Temos um vencedor! – O juiz, um novo homem trajando terno e com o cabelo negro preso em um coque samurai, encerrou a partida.
— YEAH! – Cain gritou, indo abraçar o parceiro. A sua adversária recolheu o Pokémon.
Na plateia, houve pouca comemoração, uma vez que Cain não era muito querido pelo público da cidade. Por ele ter vindo da cidade rival, Celadon, o rapaz era desgostado pelos moradores locais. Como exceção, Georgia e Nilo aplaudiram a vitória, mas o rapaz que almejava ser cineasta ainda estava preocupado.
O problema era que Antony, o amigo dos dois, não havia chegado. Não deu sinal de vida nenhum a manhã toda e ninguém o viu nas salas de treino regular. Os narradores começaram a falar, aparecendo em um telão acima da arena, suspenso por vigas. Nilo ficou ainda mais nervoso.
— A próxima luta é bem aguarda, não é, Michele? – disse um dos apresentadores da emissora PokeTV.
— Muito, Cle! – disse a mulher – A estrela do campeonato, o herdeiro Scliar, Luke, irá mostrar suas habilidades.
— E o outro competidor?
— É a primeira vez que o vejo em alguma competição e os nossos registros não informam qualquer parentesco relevante, mas há bons comentários a respeito dele.
Os dois trocaram mais algumas informações. Enquanto isso, nos andares inferiores, uma confusão começou. Alguns guardas procuravam saber o que havia acontecido e ficaram de boca aberta quando se depararam com uma cena sem igual. No meio de uma corrida para não se atrasar para o seu combate, alguém trombou com um jovem de gorro e confiante de sua superioridade.
Roger, o vencedor da primeira rodada, apontava o dedo para o rosto de outro treinador, esse vestindo um suéter de lã bege clara e tinha o cabelo curto preto penteado em forma de topete. Para a surpresa de todos, era Antony quem estava encarando o rapaz.
— Eu sou o rival do Luke – disse o garoto mais velho, sorrindo – Faça um favor e perca para que eu dê uma surra nele.
Tony ficou impassível e, antes que os guardas apartassem o confronto, o rapaz andou em outra direção, ignorando o menino.
— Como ousa me ignorar? – ele exclamou logo que foi deixado de lado.
Foi então que Antony parou, olhou para trás e sorriu.
— Você não é páreo em uma luta com ele... – ele disse – Não acho que ninguém aqui pode com ele, mas vou dar o meu melhor.
O rapaz ficou quieto e sério, encarando Tony.
— Te vejo outra hora, boa sorte na sua próxima luta.
E o garoto seguiu correndo, passando fácil pelos seguranças completamente aterrorizados pela atitude calma do jovem diante de Roger, o novato de maior destaque da temporada. Mas o que mais os assustou foi como o rapaz reagiu ao final do confronto. Ele sorria como um leão que vê uma presa digna de seu abate.
Corredores à frente, Tony conseguiu chegar à sala de espera. O responsável pela entrada dos competidores era um estagiário de camisa social branca e gravata preta que ficou muito aliviado de ver o menino entrando correndo no recinto.
— Tá atrasado! – disse impulsivo.
— Relaxa cara, deu tudo certo! – o menino se aproximou e assinou o nome em um papel disposto na mesa ao lado da entrada.
A sala era pequena e tinha dois sofás azuis e uma televisão que serviu para mostrar as lutas dos participantes anteriores e agora não serviria para nada. Sorriu ao terminar de assinar o seu nome e entregou a caneta para o funcionário.
— Boa sorte lá, Antony.
— Obrigado – disse, dando as costas para a sala de espera e atravessando a porta.
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— Se preparem! A luta que todos esperavam irá começar! – Michele, a apresentadora, começou – O primeiro dos competidores a entrar é Luke!
Ao anunciar, o garoto passou pelo portão. Vestia um casaco listrado com o gorro erguido sobre a sua cabeça, o rosto era sombrio.
— E o seu oponente da vez é Antony! – o menino entrou correndo, suando um pouco.
Nilo arregalou os olhos e se apoiou na amurada à sua frente. Gritou pelo amigo, feliz de vê-lo. Georgia não se mexeu, sem expressar surpresa de que o rival apareceria para lutar. Os dois se levantaram para torcer quando o juiz se aproximou deles para ditar as regras do confronto.
— Será um confronto de um pra um – disse sem demoras – Perde quem desmaiar ou ser lançado para fora da plataforma, entenderam? – houve a resposta de ambos com um aceno de cabeça curto – então se preparem.
Cada um subiu pela escada da plataforma. Encararam-se sorrindo. Luke abaixou o capuz e retirou do bolso da calça moletom uma esfera de onde saiu o seu Scyther, em uma breve cortina de fumaça. Tony observou com atenção e desceu da manga o compartimento de seu mais antigo companheiro. A cápsula eclodiu em uma lufada de vapor, liberando o felino Meowth. Os dois animais trocaram olhares incisivos. Os apresentadores começaram a contagem regressiva junto com a plateia. Nilo parecia preocupado com Tony, até Georgia começou a ficar nervosa, mas sem falar nada.
— COMECEM! – o juiz gritou.
— Fake Out! – quem tomou a partida do combate foi Antony. O felino desapareceu por um momento.
O louva deus saltou para a lateral, parecendo enxergar os vultos, mas não foi o suficiente para anular a vinda veloz do seu adversário que atingiu o abdômen do inseto com a cauda, o enviando um metro para trás. Por sorte, Scyther freou o corpo com as lâminas e manobrou para frente, se lançando numa velocidade bem alta contra o oponente.
— Pegue-o por cima com Slash! – Luke deu a ordem que o seu parceiro acatou de primeira.
Gingando e esbanjando muito mais velocidade do que seu oponente, o louva deus facilmente o acompanhou e cercou com avanços e técnicas velozes. Efetuou um golpe vindo de cima com as duas garras, pegando de raspão Meowth, sem cortá-lo profundamente, mas causando dores no seu alvo. De reação imediata, o gato usou as garras para enganchar na lâmina e saltar para ficar por cima dos braços do inimigo. Arreganhou suas garras.
— Agora, Fury Swipes, força total!
O felino sorriu e avançou com as garras, criando alguns talhos no adversário antes dele dar um passo para trás e lançar o pequeno animal pra cima com um balanço forte dos braços. Acompanhou-o na queda e raspou uma das lâminas pelo piso, girando o corpo e preparando para cortar o oponente ao meio.
— Slash, mais uma vez!
— Night Slash!
Tornando as suas presas e garras negras, Meowth desceu diretamente contra o alvo. Lançou as quatro patas para baixo e abafou o golpe cortante do inimigo, anulando qualquer dano. Com a cauda, envolveu a parte não afiada do braço de Scyther e foi para baixo. Os dois treinadores não conseguiam ouvir a narração de jeito algum, estavam centrados demais.
— Não o deixe fugir, Quick Attack! – Luke parecia ter entendido o que Tony queria fazer.
Na hora em que Meowth parecia ter achado uma brecha para escapar, o louva deus se mexeu, dando um curto salto e voltando para baixo, ricocheteando o alvo para o lado com uma força incrível e quase o tirando da arena. O felino gastou muito das suas garras para frear o lançamento. Ergueu-se, ofegante. Embora tenha sido alvo de ataques, o inseto parecia estar muito cheio de vigor.
Em um momento, o gato saltou mais uma vez, agressivo. O corpo se elevou alguns metros e foi jogado pra frente.
— Corte-o com as suas garras, Fury Swipes!
— Não o deixe te cortar, Night Slash! – disse o herdeiro Scliar, permitindo que seu parceiro embebedasse seus braços com trevas. O grande Pokémon esverdeado sorriu e se adiantou.
Uma enxurrada de ataques foi guiada contra o corpo do inseto. Cortes menores foram talhados em seu corpo, principalmente nas pernas e nos ombros. Ele parecia cada vez mais debilitado, mas conseguiu fechar um golpe perfeito contra o felino, atingindo-o com o braço negro, usando a parte sem lâmina. Meowth perdeu o ar por um momento.
— Aproveite para atacar, Quick Attack! – Luke andou um metro e observou mais atentamente seu companheiro.
— Bloqueie com a cauda e saia daí! – Tony gritou, se aproximando também.
O gato foi rápido e trouxe a cauda para frente do corpo, mas o louva deus demonstrou uma maestria ideal e trespassou a defesa com um movimento lindo. Primeiro ele saiu do chão em um salto e planou com a ajuda das suas asas. No embalo da corrida e agora no ar, ele girou o corpo e chutou a defesa do oponente que no final não serviu de nada. O felino bateu no chão e foi para o lado quicando.
— Esse foi um golpe e tanto, Cle! – disse a apresentadora, aflita.
— Sim, um ataque brutal, mas não parece ter sido o suficiente para desmaia-lo.
O juiz se aproximou de Tony enquanto Meowth se erguia, teimoso. A plateia aplaudiu e rugiu a favor do felino.
— O seu parceiro ainda consegue lutar?
— Claro que sim! – respondeu de imediato – Não são só uns tapas que vão derrubá-lo. Vamos, Meowth!
O gato parecia cansado, mas abriu um sorriso e avançou contra o inimigo sem titubear, preocupando até o seu treinador. As garras cresceram e ele avançou, sabendo exatamente o que fazer. Scyther olhou para trás, para o seu treinador e acenou com a cabeça. Voltou a olhar o alvo e avançou com tudo contra o inimigo. De repente, o seu corpo borrou no ar, em sombras, reaparecendo várias vezes no caminho. Por fim, passou do felino e o flanqueou pela lateral, jogando-o longe. Meowth não desistiu e controlou o corpo com a cauda, firmando-a no chão e voltando contra o seu oponente.
— Meowth, use Pursuit! – ele deu a ordem deliberadamente. Não percebeu a sua insensatez. O juiz deu um passo pra frente, mas não deu tempo.
— False Swipe! – Luke deu a ordem final, seu olhar era frio.
O louva deus esperou o alvo chegar com os braços abertos, as lâminas a mostra. O felino o atingiu no peito com o corpo, o projetando um pouco para perto da borda, mas não foi o suficiente para atordoar o alvo, por que quando Meowth se recompôs para um próximo ataque, o primeiro golpe de Scyther chegou certeiro.
— Um ataque surpresa vindo por parte de Scyther?! – a apresentadora Michele perguntou, chocada.
Um corte rápido passou de raspão no braço direito do animal menor. Afastou-se em um pulo e encarou Scyther, ainda em pose de luta. Voltou com tudo contra o seu oponente em um avanço emendado com um salto que surpreendeu a todos na plateia. Era a chance de vencer e pela primeira vez no combate isso era possível. Só que esse foi o seu erro. O inseto arqueou o corpo para frente e chegou muito perto do gato, o cortando violentamente na região do abdômen.
— MEOWTH! – Tony correu para a arena, vendo o sangue do seu parceiro no piso.
O gato caiu imediatamente. Antony o pegou no colo. O juiz observou atentamente o nocaute e respirou fundo, frustrado com o resultado.
— Esse pegou em cheio, Mi... – disse o apresentador – Bem, no final, o resultado foi o mais previsível.
Ergueu enfim a bandeira vermelha, a da mão esquerda, apontada para o lado de Luke.
— O vencedor é Luke Scliar e seu Scyther! – disse então. A plateia ficou atônita por um momento e aplaudiu em alto tom um segundo depois.
Antony viu seu parceiro ser socorrido pelos enfermeiros e ser levado para a ala médica. Por um instante, ele se viu sozinho. Seus amigos tentaram gritar por ele, mas não deu tempo. Luke viu seu melhor amigo andar solitariamente para o complexo sem ter dito nada. Não podia fazer nada naquele momento e apenas o assistiu partir sozinho.
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No topo do complexo havia uma sala pequena e bem perfumada. Uma janela enorme dava visão para a arena onde um grande combate havia acabado de acontecer para encerrar a primeira rodada da parte final da competição. Dois sofás estavam virados um para o outro e um senhor fumava um charuto lá dentro. Tinha longos cabelos brancos atados em um rabo de cavalo e sorria atrevidamente. O outro individuo era um homem de cabelos negros bagunçados e ouriçados, a barba por fazer e a atitude desleixada atraíam a funcionária em pé, na frente da porta.
O senhor de idade quebrou o silêncio.
— Essa criança cresceu bastante...
Depois de um silêncio, o homem respondeu.
— Falta muito para que ele atinja o ideal, senhor Scliar. – disse com um sorriso no rosto – Ele ainda é novo demais.
Ele riu espalhafatosamente.
— Pode me chamar de Ryou... Deixe de formalidades.
Os dois riram dessa vez.
— Mas você precisa admitir que ele progrediu bastante para um jovem sem instrução adequada... – continuou Ryou.
— Ele é melhor que eu na idade dele...
O velhote pareceu abismado e riu novamente, dessa vez mais alto ainda.
— Bem, ele é seu filho... – disse sorrindo – Não é mesmo, Edward Asher?
— É verdade... – os dois riram mais uma vez.
— E quando vai cumprimenta-lo? – o patriarca dos Scliar perguntou por fim, curioso.
— Logo... A hora de nos encontrarmos está próxima.
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