Poisonous
1 Prólogo
Notas iniciais
“Sabe querido avô, as coisas não são mais como antes. Os dias aqui passam bem rápido, é eu sei que eu sou extremamente distraída, mas eles passam mesmo. É uma paz tão grande, é tão diferente da vida que eu tinha. Quer dizer que eu sai da cidade e você simplesmente resolver ir assim? Embora? Eu mal virei as costas. Fazem apenas duas semanas que eu comecei essa nova fase da minha vida, duas semanas que eu fugi de meus problemas por ser uma covarde. Eu tenho uma nova história em que as pessoas me aceitam.
Eu passo os dias me sentindo em paz quando eu percebo que existiu uma pessoa que se importou com a minha dor, que se importou com o meu sofrimento e que me deu a ajuda que eu implorava mentalmente. As pessoas sempre me mantiveram em silêncio, eu continuaria por ser uma covarde... admito, mas eu espero que isso mude logo. Você me ouviu e eu tenho que te ouvir, me tornar forte por você, pois você foi forte por mim. Eu estou descansando e se não fosse por você eu estaria ao seu lado, eu te agradeço por isso.” — a jovem apertou a tecla enviando a mensagem para o seu falecido avô.
Com um suspiro a jovem se remexeu inquieta sobre a mesa que estava sentada. Todos os dias ela se sentava em cima da mesa da loja e olhava para o mar azul turquesa, escrevia uma pequena mensagem e enviava para o celular de seu falecido avô sabendo que ele nunca responderia. Para a jovem havia faltado coragem de cancelar o número, ela se quer sabia se alguém estava com o celular, ou se as mensagens chegavam. Mas era o suficiente, infelizmente ela não conseguira se despedir de seu querido avô de forma adequada.
— Eu não consigo me desfazer, não consegui simplesmente acreditar nisso, é tão injusto. – o rapaz ao seu lado a olhou de maneira estranha, ele nunca havia visto traços de tristeza no olhar da jovem, ela sempre fora tão espontânea.
Parecia ser tão neutra.
— É assim que é a vida. Infelizmente algumas pessoas precisam ir, para que a vida de outras sigam. É bem contraditório, mas algumas pessoas crescem quando não tem mais ninguém para se apoiarem.
Ele não sabia de nada sobre a vida dela, a jovem sempre foi extremamente evasiva em suas conversas apesar de ser calorosa. Akira sabia que aquele sorriso que ela exibia não era verdadeiro, ela estava quebrada e o silêncio era seu pior inimigo. Ela precisava de ajuda, mas lidava com tudo sozinha e ele tinha medo que isso a quebrasse por completo. Achava que ela cresceria, agiria, mas ela apenas retrocedia cada vez mais.
Mas ela era uma pequena guerreira, ele sabia disso. Ela estava em silêncio, mas a sua mente lutava constantemente contra a crueldade que tentava a dominar.
— Seu pai era um homem fraco, seu avô era um homem forte... e você não foi criada pelo fraco. Você não se dava bem com seu pai, o odiava, mas no fim de tudo você viu algo mais não foi? Quando viu ele morrendo, você viu o quanto ele te amava e o quanto você o amava. E no fim, o homem que você tanto odiou foi o seu verdadeiro herói. Se não fosse por ele, você teria acabado ali. – ela suspirou dando um pequeno sorriso para ele.
A jovem engoliu as lágrimas enquanto o homem a dava um abraço transmitindo todo o seu amor fraternal. Era isso que ela era para ele, uma irmã. Pura, bondosa, que não sabia o quanto era valiosa. Marjorie Albanio se fazia de cega, não enxergava além do que queria ver, não enxergava o amor de outras pessoas, não enxergava seu próprio valor. Ela tinha medo de ver mais do que poderia suportar.
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