Poisonous
3 Cold mind
Cold mind
Levantou-se lentamente deixando que os olhos se acostumassem com a claridade, tentou ajeitar o cabelo bagunçado e reparou que de forma alguma iria domar os longos fios rebeldes. Suspirou olhando o relógio no criado mudo e revirou os olhos resmungando quando viu o letreiro azul anunciando que ainda era muito cedo, grunhiu irritada e se levantou caindo no piso gelado e batendo o rosto contra o local sentindo sua boca se encher de sangue, infelizmente suas pernas ainda estavam falhas.
— Acabei de estragar meu sábado. — reclamou ao olhar o relógio e o piso.
Ainda bem que é Sábado.
Foi em direção ao banheiro, escovou os dentes e tomou um banho rápido fazendo uma trança em seu longo cabelo. Não trabalharia já que Akira ficava lá durante as noites e aos finais de semana para ganhar um dinheiro extra, a morena não se sentia mal já que não precisava de dinheiro, diferente dele que estava na faculdade.
Percebeu imediatamente que o dia seria entediante e olhou pela janela do banheiro decidida a mudar esse fato. Não era do seu feitio ser tão desanimada, a vida responsável praticamente havia mudado toda a sua personalidade. Era como se Marjorie tivesse morrido e a única coisa que havia sobrado dela era um imenso vazio em um corpo.
Bufou vestindo o biquíni cor de vinho e um vestido branco curto, desceu o morro caminhando vagarosamente e por fim desistiu quando viu que já começava a se cansar. Olhou para direita vendo a mata fechada e sorriu deslizando pela terra em uma tentativa fracassada de cortar caminho, como esperado a jovem tropeçou nas próprias pernas e se agarrou em uma imensa árvore cortando as mãos ao se apoiar em algumas raízes e galhos expostos pelo chão. Com um suspiro ela se dirigiu pelo local e caminhou pela areia fria e jogou o vestido no local indo em direção ao mar.
A jovem entrou na água gelada e correu para fora logo retornando e se agachando deixando que uma enorme onda a engolisse por completo provocando um calafrio devido a água gélida que era muito incomum no local. A morena se levantou observando o mar pela primeira vez notando o quão escuro e cinzento ele estava, as ondas estavam bem mais altas que o normal e decidiu por fim que não se aventuraria muito pois corria o risco de se afogar já que não nadava tão bem.
Os olhos verdes dispararam para praia vendo que estava tipicamente deserta, se encolhendo devido ao frio a jovem iniciou uma caminhada vagarosa para a areia seca. Seus pensamentos se dispersaram quando ela se lembrou dos dois dias anteriores desde que conhecera o belo moreno no bar, ao qual ela nem lembrava mais o nome.
Naquela mesma noite a jovem acordou durante a madrugada passando as mãos pelo rosto suado, logo deduziu que o tempo estava quente demais para ficar com a janela fechada. Olhou para as paredes brancas do quarto que eram fracamente iluminadas devido a luz da cidade logo abaixo da colina, a jovem cobriu os lábios ao notar uma sombra masculina parada em sua varanda sendo escondida por sua cortina. Piscou sonolenta e se remexeu notando que a figura havia desaparecido, Marjorie temeu estar vendo coisas onde não existia, mas essa sensação sumiu quando ela teve certeza que era real, afinal havia sido visitada novamente. Durante a noite seguinte a figura havia retornado e dessa vez não havia desaparecido como da primeira vez, isso fez com que a jovem ficasse inquieta se movendo de um lado para o outro até o piso ranger e ela lançar um olhar para a imensa porta da varanda que estava coberta apenas pela cortina. As duas figuras ficaram se encarando através do pano claro como se pudessem se ver.
Marjorie tratou de bloquear portas e janelas assim que a figura desapareceu de seu campo de visão, apenas a porta da frente se tornara acessível lhe dando uma rota de fuga, já que ela não sabia quanto tempo ele se dedicava para a vigiar.
A jovem parou de andar ao sentir seu corpo queimar e cambalear para trás quando ela bateu contra algo, os dedos de seus pés e o nariz arderam e ela finalmente encarou a grande rocha a qual havia acertado. Passou a mão sob o nariz e respirou aliviada ao ver que não havia resquícios de sangue.
— Eu acreditei que você iria parar, se eu soubesse que bateria contra a rocha teria me aproximado mais rápido. — uma voz grossa a despertou de seu ataque de ira contra si mesma.
— Me distrai. — a jovem abriu um enorme sorriso ao ver que ele a encarava de forma simpática — Desculpe por isso. — enfiou os dedos na areia gelada tentando conter a dor.
— Está se desculpando por bater contra uma rocha? — ele riu e ela o acompanhou ao notar o quão patética ela estava sendo.
A morena olhou a praia e depois o encarou seriamente.
— Percebi. Está tudo bem Marjorie? Não está muito cedo para nadar? A água não parece muito agradável. — colocou as mãos nos bolsos do tenor, fato que ela achou extremamente estranho.
Qual o motivo para ele usar terno a essa hora da manhã em uma praia?
— Está muito gelada. — admiti me encolhendo — Fiquei entediada, eu deveria estar dormindo uma hora dessas. Mas não consegui.
— Algo a perturba? — analisou a jovem por breves momentos notando as olheiras.
— Não.
Elijah assentiu com a cabeça, porem não acreditava na história da jovem moça. Marjorie olhava o tempo todo para a praia tentando fugir de um assunto desagradável, e o vampiro era esperto o suficiente para perceber isso com facilidade, ela saberia de algo que não estava o contando? Teria se encontrado com Sophia? Era próxima a ela? Só isso explicaria o motivo para ela ser tão esquia já que ele não se lembrava de ter sido desagradável com a jovem.
— Não foi trabalhar ontem. — a jovem deu um sorriso de canto.
— Não fui. — mordeu os lábios — Não me senti bem o suficiente para receber minha cota diária de irritação.
— Imaginei. — ele viu um brilho de animação cruzar o olhar da jovem e reparou que era devido ao sol que surgia aos poucos — O que acha de um café da manhã? Estou com meu irmão.
A jovem abriu um enorme sorriso não se parecendo em nada com a mulher que ele havia conhecido alguns dias atrás. Elijah logo imaginou que se tratava de bipolaridade, ou talvez ela estivesse em uma constante guerra psicológica assim como seu irmão.
— Sim. — ele se virou e a jovem o seguiu mancando discretamente tentando passar despercebida pelos olhos atentos do vampiro- Está tudo bem Elijah?
— Muito bem, obrigado. — sorriu calorosamente para a jovem diminuindo o passo discretamente.
— Quando voltará para casa? — passou a brincar com uma mecha de seu próprio cabelo.
— Creio que daqui um mês.
Cedo assim?
A jovem fez uma careta, era um homem muito agradável e tinha uma certa curiosidade sobre ele. Como um homem tão bonito e sério poderia ser tão bom e agradável? Isso não é muito comum.
— Oh sim. — respondeu olhando o horizonte.
— E você? — perguntou sentindo-se verdadeiramente curioso.
— Pretendo continuar aqui. — admitiu em voz baixa e ele a olhou interessado, isso definitivamente não era comum, não parecia em nada com um sonho que uma mulher nova teria para si.
— O resto da vida?
— Sim. — respondeu com sinceridade e um enorme sorriso brilhante surgiu em seu rosto — Eu gosto daqui. — tombou para o lado.
— Quantos anos tem Marjorie? — perguntou cordial — Se não a ofender é claro.
Diminuíram os passos quando se aproximaram de NonnoAl.
— 21 e você? — o olhou curiosa.
— 30. — piscou um olho — Velho?
— Se tivesse acima de 60 seria.
Elijah parou comprimindo os lábios reprimindo uma risada sabendo que ele era mais do que um simples velho, Marjorie apenas o encarou não entendendo sua piada interna.
— Vamos. — conduziu até uma mesa onde havia um homem loiro visivelmente entediado — Niklaus essa é Marjorie, Marjorie esse é meu irmão Niklaus.
Elijah reparou que a expressão da jovem se tornou completamente fechada, ela abriu apenas um sorriso convidativo que ele vira no primeiro dia que a conhecera. Os olhos verdes pareceram criar uma barreira e o brilho desparecera imediatamente, ele soube que ela o analisava tentando descobrir se seu irmão era um possível inimigo. Ela parecia impenetrável, Elijah reparou que Klaus encarava a jovem com curiosidade evidente. Estranhamente o híbrido estava sorridente naquela manhã e Elijah como sempre não soube definir se isso era algo bom ou extremamente ruim, Niklaus era uma caixinha de surpresas no que se tratava ao seu comportamento.
— Nicolau? Niklausy. Nicolas... Niklaus. — sussurrou pronunciando com dificuldade enquanto apertava a mão quente do loiro — Olá Niklaus.
— Olá Marjorie. — ele beijou a mão da jovem a deixando surpresa — É um prazer te conhecer.
Marjorie aprovou imediatamente a expressão intimidadora que surgiu no rosto do loiro, ele tinha exatamente a personalidade que aprovava nas pessoas. Niklaus era tão desconfiado quanto ela e logo ele também percebeu isso na jovem, os dois imediatamente relaxaram um na presença do outro não se sentindo tão ameaçados. A barreira aos poucos foi caindo quando perceberam que talvez não fosse tão diferentes um do outros, pessoas iguais demais são previsíveis. Pensaram se sentando.
— Jorie. — olhou para Akira que estava acompanhado por Kálly — Deseja algo?
— Aquela torta. — falou sonhadora.
O jovem Akira se virou para Elijah que apenas negou com a cabeça, Niklaus apenas acenou para a xícara de café mostrando que era suficiente. Kálly se aproximou quando o amigo se afastou, o jovem se aproximou hesitante de Marjorie analisando a jovem cuidadosamente e se abaixou na altura do rosto dela olhando profundamente em seus olhos com o carinho que ela sempre estivera acostumada a receber por parte dele.
— Tenha cuidado. — o jovem falou em sua língua nativa.
Marjorie demorou para compreender e quando viu ele já havia desaparecido do bar. A jovem apenas olhou o local confusa e olhou os dois irmão que a encaravam curiosamente, ela deu de ombros como se não tivesse entendido nada.
Pegou a torta que Akira lhe passou e depositou a sua frente passando a comer com vontade, Louis conseguia fazer milagres com as mãos.
— Onde está Louis? — perguntou curiosa.
— No mercado.
A jovem se remexeu e olhou para Elijah em duvida sem saber se o garoto em que havia esbarrado era mesmo seu irmão, olhou para os dois e viu um par de olhos castanho e outro verdes a encarando esperando que ela dissesse algo.
— Aliás qual é o nome daquele seu irmão? — começou despreocupadamente.
— Kol. – a olhou com curiosidade — O viu?
— Não tenho certeza se era ele, não me deu o sobrenome, disse que se chamava Kol, não era nativo. Olhos azuis meio castanhos, não sei, cabelos longos e escuros. — lembrou do olhar malicioso. — Provocante -lembrou da pizza.
— Onde o viu? — Niklaus perguntou.
— No mercado, no centro. – deu de ombros.
— Mercado? — Elijah ficou confuso — Não é típico dele.
— Não achou a tal da Sophia? — questionou e os dois a olharam.
— Não.
— Descobriu algo? — Niklaus perguntou contido,
O loiro se sentiu animado pela cooperação e Klaus viu a pessoa perfeita para o ajudar naquela ilha, os nativos estavam sendo esquivos em relação a ele e rapidamente desapareciam de seus olhos, era como se soubessem o que ele era. E quem ele era.
— Uma lembrança na verdade. Conheci ela no primeiro dia que vim para cá a vi no aeroporto, estava esperando um homem, acho que era o marido, lembro de ter visto que ela saiu no jornal regional na semana que cheguei. Não lembro o motivo, talvez vocês achem o jornal por ai, mas qual o motivo de procurarem ela? – ela sabia que Elijah tinha mencionado algo, mas a sua fraca memória apagou isso rapidamente.
— Uma familiar perdida. Ela sabe onde está nossa mãe. – ele foi evasivo.
— Hum — resmungou.
A jovem começou a comer sua torta deixando os dois conversando, em algum momento ela sentiu sua cabeça queimar e ergueu os olhos encarando a mata fechada a sua frente. Marjorie ficou confusa ao ver uma figura masculina no meio dos arbustos sendo praticamente impossível de reconhecer, o homem apenas ergueu o dedo indicador na frente dos lábios e gesticulou um pescoço sendo cortado. Quem a queria calada? Olhou de novo e reparou que não havia mais ninguém no local, deu de ombros sem se importar. Jorie deu ombros e tornou a comer a torta ignorando o ocorrido, poderia ser o próprio Kálly brincando com ela.
Os dois Mikaelson pararam de conversar e deram um sorriso duro enquanto a jovem sentia duas mãos geladas tocar seus ombros e apertarem com um pouco mais de força que o necessário.
— Parece que te assustei. — tremeu ao reconhecer a voz e sentir o delicioso perfume — Olá minha querida nova amiga. – ele a cumprimentou com a voz carregada de sarcasmo.
— Ao que de refere? A mata? – perguntou com descaso.
Seria alguma brincadeira desagradável do jovem?
— Está falando do que? — devolveu no mesmo tom, como se fossem inimigos de longa data.
— Tinha alguém ali. Não vai dizer que era você? — apontou na direção e ele bufou.
— Claro que não era eu. Logo eu no mato? — perguntou divertido e ofendido.
Bufaram e ele ficou tenso adquirindo uma expressão divertida para camuflar o incômodo de estar tão próximo a Niklaus que o encarava com uma raiva visível assim como Elijah o repreendia com o olhar.
— Olá irmãos. Ouvi dizer que vieram atrás de mim. — se sentou ao lado da jovem colocando o braço em seus ombros que logo foi retirado.
— E de Sophia. — os três a olharam e ela levantou pegando o resto da torta.
— Vou lavar isso. — avisou.
A jovem saiu rapidamente os dando privacidade e foi em direção a cozinha, lavou a louça enquanto conversava com Ellie e depois se dirigiu até o banheiro. Lavou o rosto e ajeitou o cabelo para logo se dirigir a porta, tentou sair e a porta continuou fechada. Suspirou percebendo que estava emperrada novamente. Olhou para uma das cabines e se aproximou hesitante mesmo que aparentemente não houvesse ninguém. Ela tinha que ao menos tentar.
— Ei, licença. Tem alguém ai? Pode me ajudar a abrir a porta? Ela emperrou!- pediu delicadamente enquanto mexia os dedos.
Bateu nas portas das cabines e não ouviu nenhuma resposta, olhou para baixo se sentindo patética ao ver que não havia nenhum pé no local. Suspirou e voltou para porta tentando a empurrar com mais força e travando ao ouvir passos atrás dela, olhou de esguelha para a cabine e percebeu que havia alguém nela já que um par de coturnos surgiu. Constatou imediatamente que era um homem devido ao pé enorme. Empurrou a porta e gritou, se ele estava se escondendo era por que não tinha intenções boas.
— Ellie. Akira! — chutou a porta com força fazendo um estrondo.
A jovem ouviu os passos se aproximando de seu corpo e passou a chutar e socar a porta com mais força e logo viu que não adiantaria muito pois a caixa de som da loja foi ligada impedindo que alguém pudesse a ouvir. Jorie tremeu quando o som dos passos cessou e logo sentiu algo molhado encostar em seu pescoço, a jovem paralisou completamente e então socou a porta força e gritou tendo sua cabeça segurada com força.
— Silêncio. -sussurrou a puxou.
O corpo da jovem fora lançado para frente com tanta força que a porta se quebrou em centenas de pedaço, o gritou escapou por sua garganta quando ela sentiu os braços e as pernas queimarem ao entrar em contato com a areia gelada, a dor se espalhou por seu joelho enquanto ela sentia um calor doloroso atingindo sua perna direita, a mesma que havia machucado no acidente.
Ellie estava carregando algumas pequenas esculturas e as lançou no chão assim que ouviu o grito, viu a morena jogada no chão e se desesperou passando as mãos pelo cabelo cacheado. Marjorie tentou se levantar, porém retornou ao chão ao sentir a dor forte acertar seu tronco, a morena respirou fundo se apoiou no joelho esquerdo enquanto usava o braço direito como apoio. Quando estava prestes a andar Akira surgiu e a carregou para um banco na varanda da loja, a morena conteve um gemido ao ver Klaus, Elijah e Kol vindo em sua direção.
— O que aconteceu? — Ellie perguntou assustado.
— Tinha um homem no banheiro. — falou com a voz gélida. — Ele me atacou. Me jogou contra a porta.
Olhou chateada para o joelho sabendo que o dia seguinte seria bem pior, a dor era insuportável para ser tolerada e a jovem sabia que remédio algum seria capaz de aplacar sua dor. Os braços tinham alguns pedaços de madeira e pequenos cortes, marcas roxas e algumas avermelhadas, não havia sido nada grave.
— Como ele era? — Akira perguntou.
— Não vi seu rosto. Usava botas. Só. — murmurou.
O suor começou a escorrer pelo corpo da jovem assim que o choque a abandonava, Ellie vendo o estado da garota puxou os longos cabelos para tentar os prender, mas os largou rapidamente sufocando um grito. A grande palavra se destacava em sua pele alva pintada de vermelho, era sangue.
— Silêncio. — Ellie repetiu a palavra que estava marcada nas costas da jovem.
— O que?
— Alguém quer que você fique calada. Me pergunto sobre o que. — Klaus murmurou ao afastar os fios longos.
— Não sei sobre o que deveria. Não sei de nada. E se sei não me lembro. — justificou
— Pode ser da Itália? Não vi você tendo contato com pessoas que não sejam nós do NonnoAl. — Ellie perguntou
Os três irmãos se encararam confusos tentando entender quem iria se dar ao trabalho de perseguir ainda mais vindo da Europa? O que ela havia feito de tão terrível que havia chamado a atenção de alguém que a assustaria dessa maneira? Os três reconheceram o cheiro do sangue humano com facilidade, algo de muito errado estava acontecendo.
— Ela não mandaria alguém da Itália atrás de mim. Talvez motivos pra ela não falte, mas não faria sentido algum. Eu já não a incomodo. — suspirou.
— Vingança? — questionou.
— Já não fez estrago suficiente? — olhou para o joelho — E do que eu falaria? Manter silêncio do que? Se foi um acidente? — tentou justificar embora soubesse melhor do que ninguém a verdade por de trás do trágico acidente que resultou na morte de seus familiares.
— Quem? — Elijah perguntou.
— Ninguém importante. Ninguém que deva ser lembrado. — anunciou com o olhar perdido.
~°~
— Então... grande prêmio Nobel do bumbum mais sexy do colégio Verock Har. — Elijah segurou a placa mal feita e riu olhando para a jovem jogada no sofá.
— Não zombe de mim. Eu ainda posso te dar uma surra. — brincou olhando o prato em suas mãos.
Elijah a olhou de novo vendo o quão confortável ela estava dentro de casa, o moreno não pode negar que a casa da jovem era decorada de uma maneira bem animada evidenciando a personalidade que ela teimava em esconder de todos. O vampiro se sentiu curioso sobre a bela morena, Marjorie parecia ter várias personalidades diferentes ao decorrer do dia e isso o intrigava. Ela não sabia que parte dela deveria expor a ele, ela não tinha ideia se Elijah era confiável ou se era um homem bom.
Olhou a bota ortopédica que ela tentava arrancar com o controle e revirou os olhos disfarçadamente enquanto se sentava a frente dela, era mais do que evidente que mesmo que a bota alcançasse suas coxas ela não diminuía a dor. Estava nítido em sua expressão e em seu corpo, ela ficava pálida e seus lábios ganhavam uma coloração azulada toda vez que ela se movia, fora a quantidade de suor que dominava todo o seu corpo e seus olhos que se reviravam com algum movimento brusco. A dor parecia ser insuportável já que ele vira a morena quase desmaiar diversas vezes e depois agir como se não houvesse absolutamente nada.
O moreno olhou ao redor procurando resquícios de que havia uma outra pessoa no local vivendo com a jovem, mas não encontrou absolutamente nada. Tudo era impecávelmente limpo, organizado, silencioso e a maior prova de que morava uma única pessoa no local era a louça. Havia apenas uma coisa de cada.
— Não precisa ficar. Não é a primeira vez que passo por isso. — estremeceu com as lembranças.
— Que tipo de amigo eu seria? Não me quer por perto? — olhou chocada quando ele se declarou seu amigo.
Isso seria uma espécie de jogo comigo?
— Claro que quero, mas você não iria procurar sua mãe?
— Sim. Está me expulsando?
— De forma alguma. — olhou para a parede.
— Por que você não me mostra quem é de verdade? — ele a olhou firme analisando a postura da jovem, ela parecia quebrada, mas escondia isso extremamente bem.
Se ele não conhecesse um olhar de dor que pedia constantemente por ajuda, isso teria passado direto por ele.
— Ninguém gosta de quem eu sou realmente.- ela sussurrou.
— Já tentou ser você mesma desde que veio para cá? — ela o olhou envergonhada.
— Não. Não.
— O que você esconde? — a jovem respirou fundo.
— Eu não escondo nada. Eu juro. Só não sei como agir perto de você... talvez não goste do que vai ver.
— Então me mostre. -piscou um olho e ela jogou uma almofada no rosto dele demonstrando um pouco de sua personalidade e Elijah estreitou os olhos, se ela fosse sanguinária teria lançado lhe uma faca, assim como Niklaus.
— Eu me perdi completamente há um ano atrás. Eu não me conheço mais, eu não sou quem eu sou Elijah. — admitiu abraçando outra almofada.
Eu me quebrei.
— As pessoas nunca mudam Jorie. Elas só escondem o que são. Você não se perdeu.
A morena abriu um sorriso enorme para o homem extremamente formal, seus dentes brancos e perfeitamente enfileirados provocou um sorriso em Elijah que se concentrou nos olhos claros da morena, ele rapidamente percebeu que os olhos dela eram idênticos a rio verde, puro, imaculado e límpido. Jorie tinha uma pele sem nenhuma imperfeição e Elijah achou isso encantador, era como uma porcelana perfeita e lisa. Como uma delicada boneca e ele viu em seus olhos que de delicada ela não tinha nada, ela poderia estar quebrada agora... mas era nítido que possuia uma personalidade extremamente forte.
— Bem... vou dormir. — tentou se levantar, mas travou ao sentir a dor que quase a levou ao chão.
— Eu entendo. Vou te colocar na cama e já irei.
— Obrigada, me desculpe. — ele a pegou no colo fazendo o corpo dela estremecer de dor.
— Problema algum. Imagina alguém que possa ter feito isso? — questionou, ele estava realmente curioso a respeito disso.
Quem provocou o ataque seria alguém ligado a família da moça ou alguém ligado a Shopia? Ele poderia a hipnotizar, mas temia que isso chamasse a atenção de alguém. Ou até que a jovem possuísse verbena no corpo, eles não poderiam se arriscar mais do que já vinham fazendo. Nada poderia acontecer a eles, mas seus planos poderiam ser frustrados e a bruxa poderia escapar e tempo era algo que eles não tinham.
— Não.
— Bem... descanse.
O moreno a levou até a cama rapidamente, se despediu e desceu as escadas correndo. Trancou a porta e jogou a chave por de baixo da porta se questionando como a jovem desceria depois, os poucos momentos que tivera com ela foram mais do que suficiente para mostrar que a jovem era bem teimosa e nada preocupada com a própria saúde.
A jovem apenas suspirou e olhou em direção a janela do quarto onde novamente a sombra estava, se manteve em silêncio e deixou os olhos fixos no local enquanto seus olhos vagarosamente fechavam devido a exaustão, ela poderia fazer uma ligação. Poderia se esconder, mas ela realmente não se preocupava mais com o que aconteceria com ela.
Fale com o autor