Poisonous
12 Cold desire
Cold desire
Jorie olhou para os corredores vazios esperando Kol a buscar para irem para o carro, mas o vampiro ainda não havia aparecido como havia dito que faria, isso só provocou uma onda de fúria na morena que decidiu ir até o local sozinha agradecendo por ter ficado com a chave, ela encheria os ouvidos dele por horas por ter a feito esperar por tanto tempo.
O celular de Jorie tocou e ela pegou o imenso aparelho de seu bolso com frustração, suspirou ao ver o nome de Niklaus e rolou os olhos deslizando o dedo pela tela.
— Jorie onde está?— ele estava tenso e isso a deixou imediatamente alerta.
— Na faculdade, estou tentando achar Kol, onde ele está? – passou a andar pelos corredores vazios e gelados.
— Ele teve que vir para casa mais cedo. Eu estou por perto e já estou indo até você. — a voz do loiro saiu rápida.
— O que foi?
— Parece que algumas bruxas estão sabendo sobre você... na realidade especulando sobre a nova Mikaelson.
— Eu avisei. – a voz dela saiu repreensiva e ao mesmo tempo divertida ao ver que ele estava com problemas.
— E acha que isso me preocupa? Eu estou adorando, que tal conhecer um pouco do meu mundo hoje?
— Hum. Você nunca me dá escolhas.
Ele riu e Jorie gritou quando uma mão surgiu em seu pescoço a jogando contra a parede e a apertando com força, ela abriu os olhos e viu o azul brilhante relampejando em direção a ela enquanto ela lutava para buscar ar.
— Você não é vampira. – ele sussurrou.
— As pessoas daqui tem uma mania bem desagradável de dizer oi. – ela bufou e ele sorriu.
— E tem um senso de humor ótimo.
— Damon o que pensa que está fazendo? – Stefan questionou aparecendo no fim do corredor e cruzando os braços, ele sabia que o irmão iria se meter em encrencas.
— Descobrindo o monstrinho Mikaelson. – o moreno estreitou os olhos dando um sorriso de lado.
— Não se passou pela sua cabeça que ela pode ser uma bruxa? – o moreno deu uma risada de escarnio.
— Eu não estaria de pé se ela fosse.
— Os Mikaelson tem uma combinação familiar estranha, talvez ela produza clorofila e você não saiba. – Elena apareceu apoiando o cunhado – Damon, pare... não quero mais problemas do que já temos com os Mikaelson.
— Não é um problema se ele não souber. – ele apertou mais ainda o pescoço dela a deixando vermelha – Que tipo de monstro você é?
— Você vai ver o tipo de monstro que eu sou se não a soltar.- a voz sombria surgiu do lado de Jorie e antes mesmo que ela piscasse o loiro já entrava de frente a ela e quebrava o braço de Damon o lançando para longe derrubando Elena e Stefan no processo.
— Niklaus meu amigo, quanto tempo. – os olhos azuis faiscaram em direção ao loiro que tampava a humana.
— Jorie eu estou impressionado, porque toda a vez que eu viro as costas tem alguém com seu pescoço em mãos? – ele a olhou de lado.
— Sou seu Karma eterno. – ele riu baixo e focou os olhos nos outros três
— Se querem respostas perguntem diretamente a mim, Jorie não deve nada a nenhum de vocês.
— Por que mantém uma humana Niklaus? – Stefan questionou.
— Eu disse que ela era humana? O que te faz ter a certeza disso? Pelo que eu sei Jorie pode ser uma vampira, uma bruxa, um lobisomem, uma caçadora... até que se prove o contrário. Nesse momento a certeza que eu dou é que ela é uma Mikaelson, já é o suficiente não é? – Niklaus cruzou os braços arqueando as duas sobrancelhas.
— Temos outras coisas para nos preocuparmos.
— Oh eu tenho certeza que sim. – o loiro sorriu ao se lembrar do loiro trancado em seu porão – Vamos Jorie.
Os olhos verdes faiscaram contra os azuis e mais do que depressa ela o seguiu entregando sua mochila para ele enquanto mancava rapidamente pelos corredores, a morena travou se dobrando aos sentir a fisgada no joelho que quase a fez desmaiar. Levantou o rosto e o olhou ofegante vendo que ele a analisava, Jorie foi ao chão encostando a cabeça no armário e passando a língua pelos lábios secos enquanto ajeitava o cabelo no rosto suado, Niklaus só se lembrava de ter ficado de maneira parecida quando uma dor insuportável o atingiu ao ter uma estaca enterrada em seu estômago.
O loiro jogou a mochila no chão e se agachou de frente para ela e ergueu o rosto pálido, os lábios ficando arroxeados e os olhos baixando a medida que os segundos corriam.
— Sentiu algo quando tomou meu sangue pela primeira vez?- negou com a cabeça e ele suspirou sabendo que não iriam muito longe com ela naquele estado.
— Não. – eles se olharam intensamente, ela sabia muito bem o que ele tentaria.
Sem avisar ele levou o próprio pulso aos lábios e os rasgou levando até Jorie, a garota moveu os lábios até o pulso dele e bebeu uma grande quantidade de sangue enquanto ele a observava, Niklaus olhou atentamente vendo os olhos esverdeados escurecerem até se tornarem completamente negros. Se afastou e se assustou quando ela levantou e correu até a porta da frente entrando no local e desaparecendo, ele a seguiu segundos depois para a encontrar debruçada sobre o sanitário enquanto vomitava todo o sangue avidamente. O corpo dela havia simplesmente rejeitado, mas a surpresa maior ainda foi quando ele a viu se levantar sem nenhum problema.
A jovem já não sentia mais dor nenhuma na perna, Klaus notou que o corpo dela absorveu a quantidade necessária e expulsou completamente aquilo que não precisava mais, isso chamou a atenção dele mais ainda. A jovem limpou os lábios e logo em seguida todo o rosto, prendeu o cabelo e o acompanhou até o estacionamento entrando ao lado dele enquanto ele colocava a mochila dela no porta malas.
— O que nós vamos procurar? – ela esticou a perna sentindo que não havia dor alguma, seu corpo completamente revigorado – Vai doer de novo?
Ele a analisou por um tempo.
— Vamos descobrir juntos. E estamos atrás de uma bruxa e dois vampiros que souberam da sua existência e resolveram investigar.
— Isso é um problema? – ele a encarou seriamente.
— Você acha que eu sou mal até cair nas mãos de uma bruxa e ser usada em um sacrifício.- ela tremeu visivelmente ouvindo a música fluir pelo carro.
— Me explique. – ele sorriu ao ver que ela estava se integrando, preocupada mais com o novo mundo do que com fugir dele, de maneira inconsciente Jorie já se incluía no mundo novo e parecia aceitar mais o mundo sobrenatural do que a sua prisão a família.
— Jorie você é um caso raro. Extremamente raro, se algum deles descobri o que você é antes de mim... tenha certeza que muita gente vai vir atrás de você. – ele resmungou e suspirou logo em seguida.
Ela acenou com a cabeça, ela notava as mudanças e agradecia silenciosamente por ter se metido com Niklaus, ou Jorie estaria completamente sozinha e perdida com algo que ninguém se importa ou que ninguém acredita. Ela olhou o loiro de lado se engano a dar esse crédito a ele e suspirou, ela ainda estava com raiva de ter sido apagada da mente das poucas pessoas boas que conheceu, ainda tinha raiva de ter sido sequestrada, mordida, trancafiada, perseguida e agredida, mas a medida que o tempo passava Jorie se tocava que de uma maneira ou outra passaria por isso mais vezes e que isso já era uma rotina em sua vida.
Chegaram a um pequeno hotel e Niklaus nem se preocupou em se anunciar na recepção, Jorie o seguir e viu o loiro quebrar a porta de um dos quartos com facilidade assustando as pessoas que estavam no local, a morena não ficou nada surpresa ao ver o loiro quebrar o pescoço de uma mulher e a jogar no chão despreocupadamente. A jovem ofegou e fechou a porta se escorando nela impedindo que ela abrisse, Jorie não se sentia pronta para ver isso, mas sabia que uma hora ou outra Niklaus faria algo assim... ela já havia se acostumado com a maneira sanguinária com a qual a família lidava com seus problemas.
— Olá. – o loiro sorriu para os dois vampiros que tinham os braços cruzados.
— O que quer aqui Mikaelson? – os olhos do vampiro iam de um para o outro.
— Vocês não estavam procurando minha irmã Jorie? Eu resolvi a trazer pessoalmente. – Niklaus ficou completamente sério os encarando – Porque a querem? E quantos sabem disso?
— Nós ficamos sabendo poucos dias atrás, ouvimos em um bar e troucemos a bruxa para descobrirmos o que ela é. Você disse que ela é sua irmã. – os dois vampiros a analisaram com cuidado – Mas ela não parece em nada com um Mikaelson, o formato do rosto dela é completamente diferente de qualquer um de vocês.
— Olhe para mim direito. – o loiro ergueu os braços e os dois vampiros riram.
— Outra bastarda? – o loiro rolou os olhos com o termo.
— Jack. – o vampiro maior o repreendeu.
Jorie suspirou e sentou na cama a baixo da janela cruzando as pernas, focou os olhos na parede e evitou olhar em direção a eles sabendo que a conversa havia acabado. A jovem se encolheu ao ouvir o som de um grunhido o e carne rasgando enquanto o ar era preenchido pelo cheiro de sangue, quando o barulho de corpos se debatendo sessou ela os encarou vendo manchas de sangue por todo o local, Niklaus a encarou sorrindo com os lábios sujos de sangue e Jorie apenas suspirou se levantando e olhando os corpos. Um deles tinha um buraco no peito e o pescoço completamente mastigado enquanto o outro também tinha um buraco no peito e um imenso corte no pescoço. Jorie esperou a ânsia vir, mas nada a atingiu, ela não havia gostado nenhum um pouco de ser chamada de bastarda, embora não fosse ela sempre fora tratada como uma. Sua dor apenas foi transformada em raiva intensa a impedindo de sentir qualquer coisa relacionada aquelas pessoas mortas. Ela não se importava com eles, ela não ligava para nenhum deles.
Niklaus a encarou intensamente esperando que ela fosse desmaiar, correr ou gritar. Mas a única reação dela foi o puxar pela jaqueta em direção ao carro e assumir o controle do volante, Jorie acelerou em direção a cidade de Mystic Falls enquanto Niklaus limpava as mãos e os lábios com alguns lenços que encontrara no porta malas.
— Eu achei que você iria correr. – o loiro riu com ironia – Que iria gritar ao ver os corpos dele, mas você não faz isso Jorie... só fez quando sua vida estava em risco, mas fora isso... qual o motivo? – ela o olhou intensamente.
— Lembra que eu disse que minha mãe matou o amante dela? – ele confirmou com a cabeça – Eu menti. Fui eu quem o matou.
ºººº
Niklaus analisava Jorie completamente, tudo era extremamente estranho para ele, alguns minutos atrás ela estava séria sombria, mas assim que desceu do carro ela havia se tornado novamente a garota amedrontada e esquiva, isso o deixou imediatamente alerta. Ela parecia ter algum tipo de distúrbio de personalidade... era a única explicação que ele possuía para isso. Ela mudava de uma hora para a outra constantemente.
— Então mentiu para mim sobre toda a sua vida?
A encarou seriamente.
— Apenas sobre isso. – o olhou novamente — Eu menti apenas sobre isso. Ele fez uma visita clandestina no meu quarto durante minha recuperação no hospital, eu tive uma evolução muito rápida e em três meses já andava perfeitamente bem embora sentisse dor, ele entrou em meu quarto durante a madrugada e eu estava sentada olhando para a janela. Pode ter sido a sobrevivência, pode ter sido o ódio, pode ter sido o medo.
— Ou o que você é.
— Eu não sei como aconteceu, só sei que fui tomada pelo ódio... pela fúria e o ataquei, bati na cabeça dele várias vezes com uma bengala até estourar todo o rosto dele e o empurrei e ele atravessou a janela. Eram seis andares, ele morreu na hora, a cabeça explodiu. – ela o encarou friamente – As pessoas encontraram álcool no corpo dele, uma quantidade muito grande e acreditaram que ele se desequilibrou e caiu. E foi isso.
Klaus e Elijah se olharam e novamente focaram os olhos nela vendo o humor da jovem oscilar o tempo inteiro, Jorie estava muito estranha e os intimidava levemente com isso, talvez ela fosse uma psicopata com uma mente blindada e nada mais do que isso, talvez ela estivesse completamente sem controle algum ao ponto de resistir aos poderes deles, talvez Jorie já estivesse em uma guerra silenciosa contra eles.
— Vou chamar uma bruxa, e vamos tentar descobrir logo o que você é. – Niklaus deu o ultimato e saiu da sala deixando apenas os dois morenos.
Elijah cravou os olhos em Jorie e viu surpreso que ela estava completamente livre de qualquer emoção, o olhar era frio e intenso e ele sentia como se estivesse sendo massacrado com o peso dos olhos da garota e se questionou se estava fazendo mesmo o certo, ela parecia ser uma grande oponente no momento e tentou associar isso apenas ao choque da jovem. Era difícil acreditar que Jorie fosse uma ameaça física ou psicológica.
— O quê? — ela questionou sob os olhos intensos dela e Elijah sorriu vendo o olhar dela amolecer, mal sabia que essa brincadeira poderia o custar muito.
— Estaremos realizando uma festa daqui alguns dias e acredito que gostaria que convidássemos alguma pessoas da sua faculdade, toda a cidade virá aqui Jorie. — ele falou de maneira mansa vendo ela voltar ao normal aos poucos como uma boba apaixonada — Iremos te apresentar oficialmente como nossa irmã perdida que recém voltou de uma longa viagem da Itália.
Ela acenou com a cabeça e suspirou sob os olhares de Elijah, o moreno suspirou sabendo que Klaus havia dado o sangue dele para ele, isso havia provocado uma mudança nada positiva na jovem, era isso que ele mais temia.
— Não tenho ninguém, afinal não conheço nenhum deles. Entretanto... quero aquele cara aqui... o Damon. — ele a olhou surpreso — Eu odiei ele. — isso o deixou mais confuso a ele — Quero o estudar, saber como posso lidar com ele. — pediu, ela sabia que Damon poderia ser um aliado para a fuga dela já que Elijah não parecia nada empenhado em a retirar de lá.
Não que ela confiasse em Damon, mas Niklaus queria algo com ela que ninguém sabia, Damon era inimigo dele e se Jorie representava uma ameaça a única coisa que ele iria querer era ela bem longe dos olhos e mãos de Niklaus. Ele a esconderia ou a mataria.
— Tudo bem. — Elijah apenas sorriu tentando a agradar e percebendo o quão difícil era tentar manipular ela para que gostasse dele, esse era realmente um jogo sujo demais para ele — É bom tê-la em nossa família Jorie, você sabe como se comportar sendo uma Mikaelson.
Jorie sentiu a desconfiança subir, mas a esmagou com força e aceitou a mão dele e seguiu em direção ao jardim escuro fracamente iluminado pelos pequenos postes. O moreno colocou as mãos nos bolsos e ela fez o mesmo olhando a pequena geada que se formava no local, a noite estava especialmente fria.
— Descobriu algo?- ela o questionou e ele negou com a cabeça.
— Niklaus deu seu sangue a você. — ele a analisou vendo que ela andava normalmente e sem a expressão de dor de sempre.
— Sim. Não aconteceu nada. — para Jorie não havia acontecido mesmo, ela só vomitara o sangue de Niklaus por achar o sabor dele terrível.
Rebekah passou pelos dois dando um olhar gélido em direção a Jorie que apenas deu de ombros sem se importar com a ameaça que a loira representava, Rebelkah era a menor de suas preocupações no momento.
— É. — o moreno sussurrou e parou pegando o rosto da jovem entre suas mãos e aproximando os rostos sentindo o cheiro suave que Jorie exalava — Amanhã eu deixarei um vestido para você em sua cama, tenho certeza que ficará fantástica nele.- ele beijou o canto dos lábios dela e abriu um pequeno sorriso enquanto os olhos brilhavam — Considere como um presente de boas vindas a nossa família.
Elijah a abandonou no gramado e a mente de Jorie viajou brevemente de Niklaus até para novamente no moreno. Balançou a cabeça confuso se repreendendo e foi em direção ao porão da casa pegando a mochila na sala e descendo para o local escuro, pegou as folhas e olhou o loiro pela pequena passagem na porta, ele já havia a ouvido e Jorie se compadeceu ao ver o estado de Matt.
— Eu sinto muito. — o loiro apenas deu um sorriso despreocupado, tudo que ele queria era sair logo dali.
No pouco tempo em que estava ali Jorie fazia companhia a ele por boa parte do tempo, quase nunca o deixando sozinho. Matt sabia que ela estava tramando algo e torcia para que ela não fosse pega, ele só poderia sair de lá com a ajuda dela.
— Está tudo bem, não se preocupe com isso. — ele sussurrou e escostando na porta e a olhando pela passagem, sabia que não poderia fazer planos.
— Hum. — a jovem passou um amontoado de fotografias e um marcador verde por debaixo da porta, o loiro sorriu com o ato.
Durante os breves minutos nas trocas de sala Jorie se preocupou em andar por todos os prédios e coletar fotos dos novos alunos da faculdade, se lembrava de Matt ter mencionado que queria fazer faculdade e acreditou que alguns de seus amigos que sabem sobre o vampirismo poderiam estudar lá. Ela quase não teria tempo para conversar com nenhum deles, exceto quando Kol estivesse distraído demais para notar que ela havia desaparecido.
Matt devolveu um grupo de fotos com alguns rostos circulados pela tinta verde e algumas poucas informações, Jorie sorriu sabendo exatamente por onde deveria começar a procurar pelos amigos deles, ela tiraria Matt daquele buraco o quanto antes.
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