Poison in the Blood

11 Os Esqueletos sempre saem do Armário


Notas iniciais
Boa Noite gente linda que eu amo demais!!!!!! QUE SAUDADES Eu estou trabalhando muito nesses ultimos dias porque estou fazendo uma transição no meu emprego, eu trabalhava a domicilio e agora estou atendendo em um salão de beleza OHHHHHHHHHHH ahuahauhauahuah Enfim, eu não tive muito tempo até porque aconteceram uns problemas como uma BAITA dor no ombro direito que me levou a fazer fisioterapia e isso me roubou a maior parte do tempo. BUTTTTTTTTTTTTTTTTTT aqui estamos...... Capitulo cheio de revelações e fortes emoções, e já vou garantindo que o próximo PROMETE HEIN Vai ter muito balagandan hauhauahuahuahauh AVISO IMPORTANTE Como aconteceu nessas ultimas duas semanas eu não tenho certeza que vou conseguir postar na próxima segunda, então provavelmente a próxima postagem será no dia 18/07 FIQUEM DE OLHO Boa leitura para todos XOXO da Juh

Torre Stark

Depois que todos conversaram sobre a viagem a Wakanda e sobre o que estava acontecendo em relação ao sequestro de Becca, ficou claro que as coisas não estavam tão simples, devia existir alguma organização por trás de tudo isso, alguém manipulando as pessoas de alguma forma além do aceitável e os Vingadores não iriam se calar diante disso.

Steve pediu a Wanda e Visão que descansassem da noite estressante enquanto eles iriam atrás de pistas, mas Wanda não queria descansar, ela precisava ocupar sua mente ou teria graves problemas com pesadelos, estava se sentindo culpada por tudo o que aconteceu naquela noite, sem falar que ela não tinha conversado com ninguém sobre o Daredevil e iria permanecer calada até a volta de Becca.

—Se quiser pode ir comigo até meu apartamento para buscar as coisas de Becca. – Disse Clint de uma forma séria e todos olharam confusos para ele. –Ela vai se sentir melhor se souber que não fui eu quem embalou suas calcinhas. – Clint riu se lembrando da vez em que Becca achou que ele havia trocado ela depois de uma festa onde bebeu até perder a memória.

—Como assim Barton? – Disse Steve encarando o amigo. – Quando convidamos á senhorita Jackson para morar aqui você disse que iria levar ela para sua casa, que apenas você era suficiente para protegê-la, o que mudou?

—É verdade Gavião, até achamos que você estava querendo mantê-la como prisioneira sexual e não queria testemunhas. – Disse Tony que estava próximo do pequeno mais luxuoso bar ao lado do piano.

—Até que não teria sido uma má ideia. – Disse Clint com um meio sorriso já que sua preocupação não permitia que ele se soltasse totalmente. –A verdade é que sou um homem que sabe reconhecer quando está errado, ela pode ser poderosa e ter dons especiais, mas ainda é só aquela menina confusa e triste que eu conheci a alguns anos atrás, ela precisa de uma irmã. – Disse olhando para Wanda. –De amigos que se preocupem com ela, e posso ficar na Torre por um tempo até as coisas se acalmarem. – Clint falou firme e Steve sorriu para o agente, sentiu orgulho de lutar do mesmo lado que ele.

—E você não acha que isso pode ser perigoso nesse momento? – Disse Sam com os braços cruzados sobre o peito, ele estava cansado, talvez mais do que todos os outros, mesmo assim queria participar de tudo até o fim.

—E porque você diz isso Sam? – Disse Tony olhando para o homem que parecia pensar em algum fator que eles estavam esquecendo.

—Simples. Daniel Jackson agora é o Presidente dos E.U.A., isso significa que toda aquela raiva que ele sentia pela gente acabou de ganhar um poder de fogo. – Sam olhou para Steve que se inquietou, ele temia muito pela segurança de Wanda.

—Tenho certeza que podemos lidar com Daniel. – Clint falou entendendo a preocupação do Capitão. –Mas para isso precisamos ter Becca do nosso lado, e é justamente por isso que estou dizendo que devemos trazê-la para cá. – Disse Clint de forma convicta.

—Então na verdade Rebecca se tornou uma peça de xadrez. – Tony falou de forma irônica erguendo sua sobrancelha enquanto Natasha o repreendia com o olhar. –Bom, talvez, não seja a melhor forma de expressar as palavras, digamos que ela se tornou nossa arma secreta contra os planos nefastos do governo.

—Pensei que você fosse a favor desses planos. – Steve falou encarando o bilionário que se limitou a sorrir sem humor.

—Bom. Então eu acho que vou ajudar Barton com as caixas, quero muito me redimir por tudo o que aconteceu aqui. Wanda falou se sentindo um pouco mal ainda por tudo o que havia acontecido. -Não tem problema não é senhor Stark? – Disse Wanda olhando para Tony que não gostava de parecer um pai rabugento.

—Tudo bem, mas tente não usar os poderes. – Disse Tony fazendo gestos com as mãos que imitavam os de Wanda quando ela usava seus dons. –Não queremos chamar mais atenção e nada de ficar saindo por ai sem avisar, Visão falou que você saiu e não disse para onde. – Tony falou aquilo de uma forma que deixou Wanda constrangida, ela olhou para Visão que estava até o momento em silencio e o fuzilou com um olhar que dizia “DEDO-DURO”, todos olharam para a mesma incluindo Clint que pareceu preocupado com essa novidade. –Será que pode dizer onde esteve naquela noite depois do sequestro de Becca?

—Não é da sua conta. – Disse Wanda fazendo uma expressão de paisagem passando pelo homem que ficou parado sem reação.

—Eles crescem tão depressa. – Disse Natasha de forma irônica deixando Tony emburrado.

—Eu já falei que não sou o pai dela. – Tony falou alto enquanto a mulher saia em direção á cozinha. –Qual o problema dessas mulheres?

—Nem todas as mulheres do mundo se rendem ao seu charme papai. – Disse Clint debochado enquanto saia atrás de Wanda, ele precisava buscar todas as coisas da garota antes que ela retornasse, porque ele sabia que a mesma estava bem, e alguma coisa dizia que Steve também sabia disso, ele não iria ficar tão tranquilo daquele jeito se não soubesse de alguma coisa que os outros não sabiam.

Depois de tudo aquilo, Steve saiu para buscar mais informações com Sharon e a suas fontes, ele não queria mais ninguém envolvido nas suas pesquisas, no entanto Sharon era perfeita para resolver suas duvidas. Ela tinha acesso a muitos dados envolvendo a presença do Soldado Invernal no país, nada podia dar errado e sua preocupação só crescia, mesmo sabendo que Bucky não era o monstro que todos pensavam, ainda sim, ele tinha medo de confiar apenas em seus instintos e acabar colocando a vida de outras pessoas em risco, só ele sabia que Bucky já estava nos Estados Unidos á muito tempo e não queria comprometer o amigo de forma nenhuma, eles tinham uma ligação, e isso não podia mudar.

—Você não acha que devia dizer o que sabe ao Tony? – Disse Sam saindo atrás do amigo quando Steve entrou no estacionamento da Torre para pegar sua moto estilizada especialmente para ele. –Sabe que se o Stark descobrir por conta própria as coisas pode não ficar mais do mesmo jeito, e sinceramente não estamos em posição de criar problemas internos. – Sam falou com toda a sua experiência militar adquirida com os anos.

—Não sei do que você está falando. – Steve falou tentando evitar os olhos do amigo, ele não era muito bom com mentiras e ele não queria envolver Sam nisso.

—Você sabe sim, mas se você não quer falar sobre isso tudo bem. Só quero que saiba que eu estou do seu lado nessa guerra, e não vou mudar de opinião, mas você precisa pensar na reação de Tony, assim como na reação de Barton, ele não vai ficar tranquilo se souber que você está envolvido com o Soldado Invernal desde o atentado a Igreja.

—Está enganado Sam, eu sei que Barton compreende melhor do que qualquer outra pessoa essa situação. – Steve tinha fé no amigo, Clint Barton era uma das poucas pessoas em quem podia confiar, mesmo que fosse ariscado ele acreditava que assim como Wanda, Barton iria saber tomar a decisão certa.

—Você confia demais nele, um homem apaixonado pode fazer muitas coisas erradas, desde que seja para proteger a pessoa que ama. – Sam falou ainda encarando o Capitão que permanecia tranquilo.

—Um homem apaixonado pode errar, mas um homem honrado sempre vai saber fazer a coisa certa, Barton é esse tipo de homem, mas agora preciso ir, já mandei uma mensagem para Sharon, ela está me esperando na base dela.

—Você e a Sharon, vocês? – Disse Sam com um sorriso debochado no rosto que fez Steve acelerar a moto ao máximo.

—Não quero ouvir piadas sobre isso, você sabe que acabamos de perder a Peggy. – Steve falou sério e Sam assentiu com a cabeça de forma respeitosa, ele gostava muito dos amigos e fazer parte daquela equipe era tudo o que mais queria no momento.

—Não se preocupe, eu só desejo que vocês sejam felizes, ás vezes um homem precisa de um pouco de felicidade Rogers, devia pensar melhor sobre isso – Sam falou dando um pouco de distancia ao loiro enquanto o mesmo colocava o capacete e se preparava para sair.

—Eu penso Sam, o problema é que depois de tanto tempo as coisas acabam sendo apenas isso, pensamentos que não conseguimos por em prática, mas não vamos discutir sobre isso agora, eu gostaria que você pesquisasse um pouco sobre os velhos arquivos da SHIELD, eu sei que Fury e Hill devem ter alguma coisa arquivada que nos sirva de ponto de partida, alguma coisa sobre o projeto do Soldado invernal e o que foi feito dele, e onde Rebecca Jackson se encaixa nisso. – Disse o homem fazendo o motor acelerar.

—Conta comigo. – Disse Sam com confiança enquanto o amigo partia em sua busca pessoal, ele sabia que Steve tinha informações privilegiadas sobre Bucky, mas iria dar um voto de confiança ao Capitão, afinal, Steve sempre via o melhor em todos.

Casa Branca – Washington

Daniel permanecia trancado na sala da presidência desde a sua entrevista para a mídia, aquela atitude estava sendo encarada de uma forma estranha pelos seus assistentes, mas ele não queria falar com ninguém.

—Senhor, precisa comer alguma coisa, amanhã vamos precisar nos preparar para o seu primeiro encontro com os lideres da união europeia, e não podemos correr o risco de que nada saia errado. – Disse a voz de uma mulher loira, alta, e muito diferente das mulheres que costumavam trabalhar com Daniel.

—Quem é você? – Disse o presidente erguendo os olhos pela primeira vez, a mulher entregou ao mesmo uma bandeja de prata com uma fruta fresca e suco natural, também havia uma torrada e uma pequena fatia de queijo.

—Sou a governanta da casa branca, eu sei que vai dizer que sou muito nova para isso, mas pode conferir o meu currículo depois. – Disse a mulher de forma séria, ela devia ter uns 30 anos, realmente era muito nova considerando que a maioria das mulheres que trabalhavam para ele tinha em torno de 40 ou 50 anos.

—Não me lembro de tê-la contratado. – Disse Daniel ainda curioso, porque alguém iria contratar uma nova governanta para a casa branca sendo que ele já havia deixado claro que iria levar uma de suas empregadas de confiança.

—Bom senhor Presidente, eu estou aqui porque fui a melhor em todas as situações, a agencia de empregos me colocou como a primeira opção e por isso fui escolhida, testada e estou aqui desde os últimos cinco anos, se o senhor estiver com algum problema devido a minha idade, eu vou compreender, mas não vou aceitar que fale da minha capacidade profissional. – A loira falou erguendo o queixo de forma firme e autoritária marcando bem o que queria dizer e Daniel gostou disso, ele sempre gostava de ser desafiado.

—Pois muito bem, você tem razão, eu sinto muito, estou sendo preconceituoso sendo que preconceito é uma das coisas pela qual luto contra todos esses anos, me desculpe. – Daniel falou olhando a mulher de forma menos analítica agora. –Mas me diga, qual o seu nome?

—Eu me chamo Sarah, Sarah Sullevan. – Disse a mulher estendendo a mão para o homem mais poderoso do mundo.

—Muito prazer Sarah, eu acho que você pode começar o seu trabalho me ajudando a formular um discurso para esse encontro cansativo, sinceramente eu não gosto muito de viajar de avião. – Disse Daniel se sentando em sua bela cadeira de mogno.

—Claro senhor, e sinceramente eu também não sou muito amante de aviões. – A mulher falou com um sorriso enquanto empurrava alguns livros para se sentar distraída, sobre á mesa de madeira de lei presidencial e naquele momento Daniel percebeu que realmente a senhorita Sullevan era dotada de muitas qualidades importantíssimas.

Torre Stark – Laboratório e oficina pessoal de Tony Stark

Tony aproveitou o silencio e foi para a sua oficina na tentativa de procurar alguma novidade nas câmeras de segurança, mas percebeu que tudo havia sido apagado, uma espécie de vírus tinha sido instalado em seu sistema e iria demorar um tempo para resolver.

—Vai ficar o dia todo aqui? – Disse a voz macia de Natasha se aproximando enquanto Tony parecia estressado com os dados que apareciam diante dele.

—Se for necessário. – Tony foi surpreendido por uma xicara de café na sua frente, por um minuto ele parou e encarou a mulher ruiva por baixo dos óculos de grau. – Está trazendo café pra mim? – Disse com um meio sorriso enquanto a ruiva revirava os olhos.

—Não comece a fantasiar nada só por culpa de uma inocente xicara de café. – Natasha falou se afastando um pouco com os braços nas costas em uma postura militar, ela andava calmamente por todo aquele laboratório que mais parecia uma garagem com as coleções excêntricas de Tony.

—Não estou fantasiando, se estivesse não seria com você vestida assim. – Tony virou em sua cadeira giratória para a ruiva que sorriu discretamente, Natasha não era o tipo de pessoa que se aproximava sem razão e Tony sabia disso. –Mas, me diga, quanto “REALMENTE” esse café vai me custar?

—Acho que Bucky Barnes não está envolvido nesse caso, digo, ele pode estar com Rebecca sim, mas não pelos motivos que acreditamos. – Natasha falou com sua voz calma e Tony ficou preocupado.

—Você sabe de alguma coisa que não sabemos? – Tony se levantou colocando a xicara de café sobre a mesa, ele encarou a ruiva de forma séria e Natasha não desviou os olhos, mas era visível sua preocupação.

—Não. Steve sabe. – Natasha não havia contado a ninguém que na noite do atentado a Igreja de Hell’s Kitchen, ela viu o momento exato quando Bucky se encontrou com Steve no beco da rua principal, naquela hora ela estava no telhado dando cobertura a Clint e viu tudo sem precisar se esforçar. –Bucky Barnes não é o homem naquelas imagens mostradas pelo secretário de segurança, aquelas imagens no aeroporto são falsas, Bucky já estava nos Estados Unidos.

—E você está me dizendo que Steve já sabia disso? – Tony parecia frustrado, não que ele já não soubesse disso, ele sabia que quando Bucky entrava no assunto se tornava a coisa mais importante para Steve, era o seu passado, era sua vida, assim como Peggy Carter e Howard, mas mentir sobre isso em um momento tão tenso, ele nunca pensou que Steve fosse capaz.

—Pega leve com ele Tony. – Natasha falou no momento em que Tony riu sem humor colocando as mãos na cintura mostrando sua indignação. –Bucky é a família dele.

—Nós somos a família dele Nath. – Um silêncio tomou conta do lugar. –Olha, não estou querendo bancar o sentimental. Não é isso. Mas Rogers precisa confiar mais em mim, eu estou nisso tanto quanto ele, e não posso aceitar que o amigo babaca dele sequestrou um de nós.

—Rebecca Jackson é um de nós? – Natasha perguntou erguendo a sobrancelha, ela estava fazendo uma pesquisa a fundo sobre a história de Rebecca e sobre o que a mídia ocultou, muitos fatos estavam distorcidos e havia uma lembrança de uma missão no passado que a fez pensar sobre a verdadeira identidade de Rebecca nessa história.

—Pra mim ela é.

—Não sabia que estava ficando sentimental. – Natasha falou no momento em que o celular de Tony tocou, ela ficou observando a expressão séria dele enquanto olhava para a tela, uma mensagem de texto que ela daria a vida para ler. –Problemas?

—Não, mas vou precisar sair, tente não criar uma conspiração enquanto eu estiver fora. – Tony pegou o casaco de linho importado que estava pendurado em um de seus robôs e caminhou em direção a porta parando abruptamente. – Sabe Nath, eu sinto falta do Banner, você era mais sincera quando ele estava aqui. – Disse Tony com um sorriso fraco, mas aquilo não abalava Natasha, ela sabia que ele tinha razão, quando Banner fez parte da vida dela as coisas estavam indo por um caminho que mais lembrava um sonho, e agora tudo parecia pior e vazio.

—Digo o mesmo para você Tony, Pepper te deixava menos rabugento. – Ela falou e o homem riu alto.

—Estamos empatados então, talvez devêssemos beber alguma coisa um dia desses. – Tony falou abrindo os braços enquanto andava de costas até a porta e Natasha apenas revirou os olhos com um sorriso nos lábios.

—Quem sabe um dia eu esteja tão desesperada a esse ponto, até lá vamos manter a nossa amizade ok? – Tony fez o sinal da paz com os dedos e saiu rindo, mas Natasha sabia que Tony era um bom ator, ele havia falado de Banner e feito toda aquela cena de tensão sexual só pra tentar abafar o que realmente importava ali. A mensagem.

Blue Bar – Manhattan

Bucky parecia muito preocupado, ele olhava de um lado para o outro enquanto mordia sem perceber a unha da mão direita. Rebecca tinha dado a brilhante ideia de encontrar Tony Stark naquele ambiente, ela achava que se eles fossem vistos em publico ninguém iria desconfiar de nada, até porque aquele Bar não era muito movimentado, no começo Bucky tinha o objetivo que chamar Steve para uma conversa, mas Becca era sagaz, ela tinha certeza que o governo e todas as agencias de espionagem deviam estar monitorando as atividades do Capitão, logo, a única pessoa capacitada para ajuda-los com essa situação seria Stark. Ela mandou uma mensagem de texto de um celular que não podia ser rastreado, presente da HIDRA para Bucky, entre outras coisas que ele havia roubado antes de fugir. Na mensagem dizia o seguinte.

“Preciso de ajuda, só confio em você, vamos espera-lo no blue bar, venha sozinho, e para que saiba que realmente sou eu aqui vai uma frase de segurança – Se você me convidar para um drink posso até aceitar, desde que prenda um certo pássaro em uma gaiola bem segura.” – Rebecca riu com a própria piada, ela tinha um senso de humor que Stark adorava, ela gostava de jogos e de mexer com a mente dos homens, e Tony já sabia disso, ele admirava muito a personalidade forte da garota.

Bucky estava usando um boné para esconder um pouco mais o rosto e uma blusa daquelas que jogadores usam, assim seu braço permanecia escondido, mas toda vez que alguém entrava ali seu coração ficava ansioso.

—Quer parar com isso? Ate parece que você acabou de enterrar um corpo no Central Park. – Disse Becca olhando para o homem com uma expressão tranquila enquanto pegava em sua mão para que o mesmo a tirasse da boca, Bucky encarou Becca por um momento, ela não se parecia nada com aquela mulher cruel usada pela HIDRA, Rebecca tinha um olhar sereno, enquanto Kali podia passar por cima de qualquer um para atingir seus objetivos. – Se continuar agindo desse jeito vai chamar muito mais atenção. – Rebecca sorriu para a garçonete quando a mesma se aproximou entregando um cardápio, a moça tinha uma pele pálida e um batom extremamente vermelho, era como as garçonetes nas fotos dos anos 40, aquilo agradou um pouco Bucky, mas não o suficiente para que o mesmo conseguisse relaxar. – Vou querer só um café, estamos esperando um amigo. – Disse Becca para a moça que anotou o pedido com uma caneta preta atrás da orelha.

—E você senhor? – Disse a moça olhando para Bucky, que parecia mais interessado nos carros que passavam na rua ao lado.

—Não quero nada. – Na verdade Bucky não queria mesmo, ele já havia comido alguma coisa no motel barato em que estavam anteriormente, ele só precisava resolver logo aquele problema para que tanto Becca quanto ele, ficasse fora da mira da HIDRA.

—Claro que quer. – Disse Becca sorrindo paciente para o homem que odiava aquelas encenações, quando Becca era Kali também gostava de interpretar papeis, talvez fosse algo armazenado em seu subconsciente que a fizesse sempre agir dessa forma.

—O mesmo então. – Ele falou de forma fria, e a moça se sentiu um pouco indignada, mas Becca percebeu a atitude do homem que não parecia muito acostumado a ser cordial com as pessoas.

—Não se incomode com o meu namorado, ele está desse jeito porque o time dele perdeu o jogo de ontem. – Becca falou dando um tapa no boné de Bucky fazendo a moça rir.

—Entendo perfeitamente, meu namorado não quis sair comigo ontem por causa desse maldito jogo. – A moça saiu andando e rindo enquanto Bucky olhava para Rebecca de forma reprovadora.

—Que foi? Você está mesmo com uma expressão de que algo muito ruim aconteceu, eu tenho certeza de que o senhor Stark vai nos ajudar a resolver isso, eu confio nele. – Rebecca gostava de Tony, o pouco tempo que passaram juntos na Torre enquanto ele a usava em suas pesquisas fez com que a mesma criasse uma espécie de carinho pelo bilionário.

—Estou preocupado. Você está correndo muito risco, eu não quero que eles a levem, eu prometi isso a você. – Desta vez foi Bucky quem segurou a mão de Rebecca com força, ela podia sentir o metal frio entre seus dedos, mesmo com a luva ela ainda podia sentir e no fundo aquilo partiu seu coração.

—Bucky...eu...

—Eu sei o que vai dizer. –Disse ele fazendo uma longa pausa enquanto mantinha o olhar fixo na janela, nem ao menos se lembrava de como acabou chegando naquela situação, o único pensamento que teve depois de cair daquela nave maldita com Steve e salvar a vida do amigo era que Kali estava viva, e havia uma promessa a ser cumprida. -E eu sei que está certa. – Disse o homem olhando para a mesma de forma terna, um olhar que Becca ainda não tinha visto naquele rosto tão sofrido.

—Vai dar tudo certo Bucky. – Rebecca olhou dentro dos olhos profundos mais uma vez se perdendo naquela imensidão. –E eu agradeço por tudo que tem feito comigo, menos a parte em que você deixou meus amigos inconscientes e fez todo mundo pensar que era um sequestro dos nossos inimigos. – Becca falou com um sorriso que Bucky raramente via, Kali sempre estava com uma expressão fechada, concentrada, determinada, mas nunca sorridente.

Naquele momento Bucky olhou para o outro lado da rua e viu vários homens se aproximando, eram quatro ao todo, eles usavam roupas pretas como soldados e era obvio que tinham armas escondidas. –Rápido, se prepare para lutar. – Ele disse encarando Becca que sentiu o coração batendo na garganta, ela não sabia lutar, Kali sabia.

—Espera. – Ela disse sentindo um medo crescendo dentro de si, e se matasse alguém como naquele dia em que Fisk invadiu sua vida com seus homens? E se o governo fosse atrás dela mais uma vez? -Não vai ser bom lutar aqui, vem. – Becca pegou suas coisas e arrastou Bucky pelo café até entrar na cozinha. – Precisamos de ajuda, tem uns homens aqui, eles estão atrás do meu namorado, ele perdeu dinheiro no jogo de ontem, por favor, ajude a gente, eles são perigosos. – Becca falou enquanto permanecia abraçada a Bucky, a jovem garçonete demonstrou seu medo, mas ao olhar pelo espelho de segurança e ver os homens percebeu que aconteceria um banho de sangue e aquilo só ia piorar o fluxo dentro do local.

—Vá até o fim do corredor, lá tem um armário de vassouras, eu não sei se vai dar, mas é tudo o que posso fazer até eles irem embora. – A moça indicou o lugar enquanto um homem batia freneticamente no sino de atendimento perto do balcão.

O casal correu o mais rápido possível e entrou no armário, não havia mesmo muito espaço, eles não conseguiam se ajustar, o tempo estava passando, e num súbito Becca abraçou Bucky com toda sua força erguendo as pernas até enlaçar a cintura do mesmo, ele a sustentou com as mãos mantendo-a naquela posição e para não bater a cabeça na luz ela abaixou a cabeça ao máximo ficando a centímetros do rosto daquele homem tão familiar.

—Devíamos lutar. – Disse Bucky com a voz mais rouca que o normal enquanto sentia o coração de Becca batendo desesperado contra o seu. –Se você não se lembra como fazer isso, eu mesmo posso derruba-los, são apenas quatro. – Bucky falou aquilo como se fosse algo normal, lutar e vencer quatro homens com o dobro do tamanho dela, Becca não conseguia se lembrar de tudo, do seu passado como Kali, mas uma coisa ela sabia, aquele homem era admirável, mesmo com tantos problemas, Bucky era especial.

—Não podemos chamar mais atenção. – Becca falou em um sussurro enquanto seus lábios quase tocavam os outros. –Vamos evitar o conflito até termos o apoio de Tony. – Becca escorregou um pouco e acabou apertando os braços ainda mais em volta do homem, seu rosto ficou colado ao ombro do mesmo e por alguma razão ela sentiu vontade de chorar, aquilo misteriosamente lhe trouxe um pequeno flash de memória.

Flash Back ON

A noite estava colorida pelos fogos de artificio, era o ano novo Chinês, a missão de ambos era matar sem deixar rastros um terrorista conhecido como O Dragão, ele estava tentando derrubar o poder da HIDRA na China e eles não queriam concorrência, por isso Bucky e Becca foram como turistas em lua de mel para ver a queima de fogos e as tradições da cultura chinesa.

Bucky olhou para o lado, ele usava uma roupa preta, um terno extremamente elegante, era como se fosse um empresário bem sucedido, um ator de cinema, ou simplesmente o homem misterioso que era, sempre usando luvas, sempre com um olhar perdido, todas as camareiras do hotel estavam cativadas, todas as mulheres até chegar ali, mas Kali não, Kali devorava homens pela manhã, ela era uma deusa, a deusa da morte.

—Vamos nos infiltrar na festa do Dragão, eu estou com os convites. –Disse a mulher mostrando duas moedas com escritos chineses, obvio que a moeda era de ouro e um pouco maior que uma moeda normal. -Não temos muito tempo.

—Você está linda. – Bucky falou sem entender o, porque, ele disse aquelas palavras como se falasse com sua alma e não com a cabeça, Kali também não parecia entender aquela frase, mas sentiu uma alegria imensa em seu peito, no fundo ela sabia, ele já havia dito aquilo milhares de outras vezes.

—Eu...Eu sempre quis saber, sempre quis lembrar. – Disse Kali olhando divertida para o homem que entendeu o que ela procurava nele. Sempre após cada missão eles tinham a mente esvaziada pela máquina construída pelo doutor Fritz.

—Algumas coisas devem permanecer esquecidas. – Disse Bucky enquanto levava sua mão de metal até o queixo de Kali erguendo o mesmo um pouco para que ela o encarasse.

—Mas...

Bucky não permitiu que a mulher no quimono vermelho falasse mais nada, ele a pegou pela cintura e a jogou com força contra a parede de madeira, eles ouviram o estralo do material e Kali riu alto, enquanto o homem que a amava beijava seu pescoço como se fosse á primeira vez, deslizava sua mão através de suas roupas sentindo o toque macio que seus seios ofereciam como se fosse á primeira vez, beijava suas pernas apertando-as firmemente mostrando que era seu dono como se fosse á primeira vez, e por fim, tomando-a para si, como se fosse á primeira vez. Mas não era a primeira.

Flash Back OFF

Becca voltou a si, enquanto do lado de fora não podia ouvir nada, suas lágrimas ainda eram visíveis, Bucky usou uma das mãos para limpar o rosto da menina em um gesto de afeto, ele próprio havia ajudado a derrubar muitas daquelas lágrimas no decorrer dos cinco anos em que passaram juntos, ela encarou os olhos escurecidos pelas sombras de Bucky e sem dizer nada o puxou para um beijo descontrolado, apaixonado, perdido na sua memória, um beijo que encheu o seu coração de vontades, e ela se sentiu completa, mas ao mesmo tempo confusa.

—Nós? – Disse entre os lábios enquanto Bucky beijava seu pescoço até se aproximar da clavícula provocando arrepios inimagináveis.

—Sim. Sempre. Todas as vezes. Durante cinco anos. Eles apagavam nossas lembranças, mas elas sempre voltavam, e voltavam cada vez mais fortes. – Disse Bucky sentindo todo aquele desejo tornando-se cada vez maior, a cada toque. –Depois que minha memória voltou, depois que salvei Steve e me lembrei de quem era, a primeira pessoa em que pensei foi em você, e quando descobri do seu paradeiro, quando descobri que Ossos Cruzados iria atrás de você, tentei avisar Steve sobre os perigos que estavam se aproximando, eu fui tolo, devia ter me aproximado de você naquela noite, mas tive medo, medo de coloca-la em um perigo ainda maior.

—Vamos deixar as explicações para depois ok? – Becca puxou Bucky para mais um beijo cheio de desejo.

—Então é assim que agentes lidam com os problemas? – Disse a voz de Tony ao abrir a porta do armário de vassouras enquanto a garçonete escondia o riso com a mão. –Devo relatar isso ao seu Gavião de estimação? Devemos falar do seu “sequestro” agora ou prefere continuar brincando de Grey’s Anatomy? – Tony cruzou os braços olhando para o casal dentro do armário que ainda não tinha processado o que realmente havia acontecido ali, mas de uma coisa tinham certeza, ao menos os homens haviam sido despistados.

Apartamento de Clint Barton – Queens

Wanda gostava de andar pela cidade de New York, mas a única forma segura para fazer isso era de carro, de preferencia com vidros escuros. As pessoas da cidade ainda não estavam prontas para aceitar gente como ela, mesmo sabendo que havia milhares de pessoas especiais no mundo, ainda sim o preconceito era muito grande.

O mais engraçado era que gente como o Daredevil, ou uma mulher chamada Jessica Jones tinham mais aceitação por alguns do que pessoas como ela e seu querido irmão, como sentia falta de Pietro e o seu sorriso largo, sua força e confiança, se ele estivesse vivo provavelmente não estaria carregando tantas duvidas em seu coração.

—Chegamos. – Disse a voz de Clint trazendo Wanda para a realidade, o apartamento de Barton ficava em uma área simples, não havia nada de muito luxuoso ali, mas era agradável de ver, da mesma forma que era agradável vê-lo usando uma calça jeans surrada e uma camisa preta lisa, seus tênis velhos e um óculos de sol no estilo aviador, por alguma razão, aquela imagem trazia uma sensação boa para Wanda.

Os dois entraram no elevador junto de uma senhora carregando uma sacola de compras, uma mulher com um bebê no colo e dois rapazes sujos carregando skates nas mãos. Wanda olhou para o bebê que sorriu chamando a atenção da mãe dele que se afastou um pouco, ela parecia tensa com a presença da garota, mas a senhora carregando a sacola parecia mais simpática.

—Senhor Barton quanto tempo não o vejo por aqui. – Disse a mulher sorrindo e dando uma boa olhada em Clint e depois em Wanda.

—Estive meio ocupado, as coisas foram difíceis, a senhora sabe como é. – Disse o agente muito mais simpático do que Wanda havia visto alguma vez.

—Ah eu sei sim, ainda me lembro daqueles ET’s gigantes, me diga, aquele deus do trovão ainda está na cidade? – Falou a senhora de forma interessada fazendo os jovens abafar o riso.

—Não senhora Carter, ele já foi embora faz um tempinho, mas mando lembranças quando ele voltar.

—Mande sim filho, mande sim. A propósito, sua namorada é muito bonita, muito prazer querida. – Disse a velha senhora descendo na próxima parada junto da mulher com o bebê que sorria para Wanda seguidas pelos dois rapazes com os skates que passaram o mais perto de Wanda possível e ela podia jurar que um deles piscou antes da porta fechar.

—Você anda fazendo sucesso. – Disse Clint sorrindo com os braços cruzados sobre o peito enquanto Wanda apenas franzia a testa evitando aquele comentário.

Ela entrou no apartamento de Clint pela primeira vez, ela parecia uma criança curiosa nos primeiros minutos, tudo parecia muito bagunçado, talvez a casa de um homem devesse ser assim, ou talvez Clint não passasse muito tempo ali, em todo caso ela sentiu pena dele, aquele lugar parecia muito mais triste do que havia imaginado.

—Bela casa. – Disse á jovem um pouco sem jeito, enquanto Clint sorria imaginando o que ela estava pensando de toda aquela bagunça.

—Não precisa ficar acanhada Wanda, eu sei que minha casa está um lixo. – Disse o homem rindo de si mesmo enquanto a jovem nem sabia por onde começar.

—Desculpe. – Disse meio sem graça.

—Não se desculpe. Digamos que eu apenas não costumo trazer muitas mulheres pra minha casa. – Ele falou em um tom leve, mas aquilo o fez lembrar na sua ex-esposa. -Vamos apenas pegar as coisas da Becca e colocar nas caixas, tem algumas coisas que ela nem tirou da primeira vez que trouxemos para cá, isso vai facilitar as coisas. – Disse o homem indicando para Wanda onde ficava o quarto da amiga.

—Vocês são muito próximos. – Disse a menina sem saber ao certo como começar. –Realmente gosta dela? Ou só está fazendo o que os homens fazem. – Wanda jogou sua jaqueta sobre o sofá de Barton, ela percebeu que ele riu discreto daquela pergunta.

—“O que os homens fazem?” – Clint repetiu em voz alta erguendo uma sobrancelha deixando Wanda um pouco sem jeito. –Dá pra explicar isso?

—Sabe. Como nos filmes. Quando o herói luta até o fim pela mocinha, mas apenas porque parece impossível tê-la, só que no momento em que ficam juntos tudo acaba perdendo a graça. – Wanda falou vendo uma foto de Rebecca com 16 anos ao lado de Clint perto da mesa onde estava o telefone, no fundo ela nem ao menos entendia o porque de estar perguntando aquilo para o Arqueiro. –É isso que está fazendo?

—Acha mesmo que eu seria esse tipo de homem? Acha mesmo que depois de tudo o que eu vive para me redimir eu faria algo tão baixo? Acha que sou o tipo de homem que apenas gosta de conquistar? – Clint perguntou dando alguns passos para frente ficando mais perto de Wanda que se sentiu um pouco acuada.

—Acho que, você conhece Becca á muito tempo, e sempre quis ficar com ela, mas era impossível, ela era só uma criança, você não iria se aproveitar dela, só que agora Becca é uma mulher, cheia de opinião, não existe mais motivos para não lutar. – Wanda falou colocando a foto no lugar e quando se virou deu de cara com os olhos azuis do gavião voltados para si.

—Wanda, você pode ser uma mulher adulta, mas é muito jovem quando se trata de relacionamentos, ainda não viveu grandes histórias para saber como isso funciona, o que eu sei dizer é que quando você convive demais com uma pessoa acaba criando uma ligação forte com ela, você mesma devia entender isso perfeitamente. – Disse Clint sorrindo um pouco mais leve. –Veja só, você mora na Torre a pouco tempo e já desenvolveu uma ligação com Visão, eu sei que vocês estão tendo alguma coisa, isso não é um privilégio apenas de homens, todos nós temos desejos e vontades.

—Eu não quero falar sobre isso. – Disse Wanda se sentindo envergonhada, ela não foi ali para falar de sua vida pessoal, até porque ela não sabia ao certo o que queria fazer, estava confusa e com medo dos próprios sentimentos.

—Não tem nada de errado em falar sobre seus desejos Wanda, eu sou seu amigo, nós podemos conversar se quiser.

—Clint, eu não vou falar sobre isso com você entendeu? – Disse Wanda com um tom de voz um pouco mais firme do que da primeira vez, Clint percebeu que ela estava muito tensa, ele não sabia como ajudar, seus filhos ainda eram crianças, ele nunca teve a experiência de lidar com um adolescente, apenas Becca, mas a loira era cheia de vida, gostava de boates, bebidas e homens diferentes toda noite, ela não tinha constrangimentos, nem ligava sobre sexo, para ela tudo era extremamente natural.

—Me desculpe, eu não quis ser intrometido. – Disse Clint percebendo o quanto Wanda parecia perturbada com aquele assunto.

—Não se desculpe, é só que...eu não vou conseguir falar sobre isso com você, ou com Steve. –Wanda não conseguia explicar aquilo, era muito constrangedor, e a verdade mais ainda, como dizer para ele que não conseguia conversar sobre esse assunto com ele ou Steve por que os achava bonitos demais, uma coisa é você falar com um pai sobre relacionamentos, outra coisa é falar com seus amigos gatos. –Olha, vamos deixar esse assunto pra lá ok? Esquece o que eu falei pra você, e eu esqueço esse assunto sobre Visão e eu.

—Tudo bem então, se você prefere assim vou fingir que nada disso foi real, mas quando Becca voltar quero que você converse com ela. – Clint sabia que Rebecca tinha muitas histórias para contar, e que apesar da juventude, era a pessoa perfeita para dar bons conselhos quando se tratava de relacionamento.

—Sobre o retorno de Becca, eu não entendo, porque todos parecem estar tranquilos em relação a isso? Nós devíamos estar procurando em todos os lugares agora mesmo. – Wanda havia percebido que Steve não parecia muito preocupado, mesmo tendo voltado de Wakanda tão rápido, ainda sim, não parecia disposto a mover céus e terras para encontrar Becca.

—Estou tranquilo porque Steve está tranquilo e eu tenho certeza que ele sabe de alguma coisa, tenho certeza que Bucky está por trás disso de uma forma positiva e tenho certeza que se Becca quisesse matar o soldado invernal ela já teria matado e estaria conosco agora guardando as próprias coisas. – Clint falou com uma calma invejável, com a certeza de que tudo seria resolvido.

—Acredita mesmo nisso? – Disse Wanda impressionada, ela sabia da capacidade de Rogers de inspirar as pessoas, mas não sabia que os próprios amigos também pensavam assim.

—Com toda a minha alma, Steve é um ótimo líder, e ele jamais colocaria a vida de ninguém em risco, muito menos iria permitir que alguém estivesse correndo perigo enquanto ele fica apenas esperando, Rogers não é o tipo de homem que espera, ele busca a solução. Naquele momento o celular de Wanda tocou e ela não perdeu tempo para atender.

Do outro lado parecia estar tendo uma discussão acirrada, era a voz de Tony gritando coisas do tipo “Você devia ter me contado antes” e a voz de Steve dizendo “Ele é meu amigo Tony, sempre pude confiar nele.” E diante daquelas palavras Wanda entendeu exatamente o que estava acontecendo ali.

—Gótica é você? – Disse Becca de forma natural.

—Becca? Você está bem? Está na Torre? – Ao ouvir aquele nome Clint percebeu que de fato sua intuição não estava enganada, Steve sabia mesmo de tudo e Rebecca agora estava em segurança, ao menos era um peso retirado de seu coração.

—Não precisa se assustar, está tudo bem, eu já estou na Torre, tenho muita coisa para explicar a vocês. – Disse Becca tapando o fone um minuto e gritando com Tony e Steve. –Desculpe por isso, mas eles estão furiosos aqui, Bucky veio comigo, estamos em segurança agora, realmente eu tenho muita coisa para explicar, eu sei que todos ficaram muito preocupados mais não aconteceu nada de mal comigo.

—Me desculpe. – Disse Wanda sentindo que seus olhos estavam se enchendo de lágrimas. –Eu devia ter protegido você, eu devia ter feito o meu papel direito, que tipo de amiga eu sou, que tipo de Vingadora eu sou? – Wanda falou de forma dramática entre lagrimas e Becca foi obrigada a rir.

—E o Oscar vai para...? Wanda Maximoff, por sua brilhante atuação com seu pedido de desculpas. – Disse a menina rindo e Wanda ficou impressionada com a capacidade de Becca fazer piadas mesmo em uma situação tão critica. -Não precisa pedir desculpas, apenas diga ao Clint que ele tem a minha permissão para trazer as minhas coisas para cá, e me faz um favor.

—Pode dizer sua Patricinha metida a besta. – Quando Wanda dizia aquilo com seu sotaque era muito engraçado e Becca percebeu o quanto sentia falta da nova amiga, o quanto esquecia mais e mais o seu passado com Claire e Alice, e mais pensava em seu futuro com Wanda e os Vingadores.

—Eu vou precisar fazer uma visita ao Matt...Eu sei eu sei, você não entende, mas nesses dias em que estivesse fora várias mensagens caíram no meu celular, era dos amigos dele, acho que Matt se envolveu em confusão, ou algum cliente insatisfeito resolveu descontar alguma coisa. – Como qualquer outra pessoa de 23 anos, a primeira coisa que Becca fez quando retornou a Torre foi checar suas mensagens no celular que havia ficado sobre a bancada da cozinha e lá estava mais de 25 mensagens de Foggy e uma tal de Karen falando sobre a situação critica de Matthew e uma surra que ele havia levado.

—Becca...

—Ele está ferido Wanda, eu preciso usar meus poderes para trazê-lo de volta. – Ao menos era a única coisa boa que ela podia fazer com seus poderes, e se tinha alguém que merecia ser curado era Matt. –Não consigo entender como alguém tem coragem de bater em um homem cego. – Disse Becca sentindo uma revolta enorme.

—Você vai ate o hospital? – Perguntou Wanda tentando segurar a vontade enorme de dizer a verdade para a amiga, que já sabia que Matt Murdock era na verdade o vigilante que protegia Hell’s Kitchen á noite.

—Não. Vou na casa dele, por alguma razão estranha os amigos dele não deram entrada no hospital e justamente por isso ele está cada vez pior, eu juro que não entendo isso. – Becca não conseguia compreender o tamanho daquela irresponsabilidade, mesmo que havia sido uma briga de rua, Matt não teve culpa de nada, ele não iria levar a culpa, não tinha porque se esconder daquela forma.

—Pode ir Becca e, tome cuidado com o que vai descobrir. – Wanda falou respirando fundo, sabia que Becca iria ficar furiosa quando soubesse que ela já sabia dessa história e não falou nada.

—Me faz outro favor? – Disse Becca enquanto os gritos de Tony e Steve dominava todo o ambiente.

—Pode dizer. – Wanda falou olhando para Clint que já tinha uma expressão tranquila no rosto e retirava umas caixas escondidas dentro do velho guarda-roupas improvisado para Becca.

—Cuida bem do Gavião. – Becca desligou deixando Wanda um pouco confusa com aquilo, ela realmente precisava conversar melhor com a amiga depois que todo aquele transtorno fosse resolvido.

Apartamento de Matt Murdock – Hell’s Kitchen

Algumas horas mais tarde...

Matt permaneceu no chão por um longo tempo até que algumas pessoas se aproximaram para ajuda-lo a se levantar, ele sentia muita dor mais por sorte essas pessoas foram caridosas, lhe deram agua, pegaram suas coisas e o tiraram de evidencia, levando o mesmo para um ponto de ônibus para se sentar, naquele momento Matt sentiu uma coisa que á muito tempo não sentia, afeição pelas pessoas, gratidão verdadeira, e um sentimento, uma necessidade de ajuda-las em seus problemas.

Ele se arrastou até o seu apartamento sentindo os ossos das costelas batendo uns nos outros, sabia que era muito arriscado voltar para casa, mas precisava, ele sangrava muito, odiava fazer dois papéis, se fosse apenas o Daredevil aquilo não estaria tão feio assim.

Ele se jogou no velho sofá ouvindo a confusão de carros e pessoas passando na rua algumas quadras dali, ele podia ouvir os vizinhos brigando no quinto andar, a senhora no elevador extremamente barulhento e o casal transando no carro na rua em frente, todos seguindo com suas vidas, com suas calmarias e problemas banais, mais ele não tinha tempo para aquilo, ele estava sangrando ali, sangrando por uma garota.

Foggy foi o primeiro que apareceu após uma reclamação do sindico, o mesmo disse que havia ouvido um barulho e tinha agua vazando do apartamento de Matt, ele havia tentado tomar um banho quente para amenizar a dor, mas acabou desmaiando antes deixando o chuveiro ligado a manhã toda, já era tarde, provavelmente estava quase de noite, mas naquela noite em especial o Daredevil não iria poder aparecer.

—Cara você precisa de um medico. – Foggy falou enquanto desligava o chuveiro e tentava resolver a bagunça do banheiro, ele já havia visto o amigo naquelas condições antes, mas aquilo era demais.

—Não é uma boa idéia, você sabe que eles vão fazer perguntas que não podemos responder. – Disse Matt pensando em Fisk, sentindo um ódio enorme por não poder levantar e fazer o seu dever.

—Então eu vou ligar para Claire, ela vai saber o que fazer. – Disse Foggy sério enquanto Matt tinha uma expressão quase serena em sua face. Ele não precisava ver para saber que seu sofá estava manchado de sangue.

—Não Foggy, eu não posso envolver a Claire novamente nisso. – Matt deixou um gemido escapar sentindo uma fisgada de dor. -Os homens de Fisk realmente estão atrás de vocês, eles estão ligados de alguma forma com o caso de Becca também. Tudo faz parte de uma grande bola de neve. – Matt falou sentindo uma fisgada nas costelas que tirou seu ar.

—Matt, você precisa se afastar dessa garota ou as coisas vão ficar muito piores do que você pensa. Karen andou fazendo umas pesquisas. – Foggy falou e aquilo realmente preocupou Matt.

—Isso nunca é bom. – Ele sabia da capacidade da garota de se meter em confusão.

—Ela descobriu coisas ruins sobre o pai de Rebecca, ele não é um homem bom Matt, você precisa tomar cuidado com isso, precisa criar coragem e deixar essa garota longe. – Foggy estava muito nervoso, ele não queria que Matt se machucasse ainda mais.

—Não é tão fácil quanto parece.

—É sim Matt, olha, eu vou ligar para Karen, e vou deixar uma mensagem para Rebecca, pelo que você disse ela pode ajudar com os seus ferimentos não é? — Foggy falava e ao mesmo tempo digitava no celular, ele na verdade estava enviando a vigésima mensagem para Becca, não importa o quão fosse perigoso, se ela podia fazer alguma coisa iria fazer.

—Becca está em perigo.

—VOCÊ ESTÁ EM PERIGO MATT. Quando vai ver isso? – Foggy explodiu tão alto que os ouvidos de Matt doeram. –Essa garota é um veneno, um perigo, uma espécie de doença que está te consumindo e eu estou cansado de bancar a sua babá.

Depois daquele momento Matt não falou mais nada, não porque concordava com Foggy, mas porque havia desmaiado e entrado em um universo de sonhos. Tudo a sua volta não parecia mais vermelho como antes, ele podia ver o rosto de Claire sorrindo para ele, depois o mesmo rosto se transformou no rosto de Karen, mas ele sabia que tudo aquilo devia ser uma alucinação diante da dor que sentia.

—Você não chamou a policia? – Disse Karen colocando as mãos na cintura e encarando Foggy que havia arregaçado as mangas da camisa branca para poder usar uma toalha úmida na tentativa de controlar a febre de Matt.

—Karen, nós sabemos que isso está acima da policia. – Disse Foggy para a loira que mordeu os lábios pensativa, aquilo estava deixando tudo pior, eles sabiam quem Matt Murdock realmente era, mais em nada facilitava suas vidas.

—Porque Fisk está fazendo isso? – Disse a loira para o amigo que balançou a cabeça de forma negativa, mas ela sabia o motivo, Rebecca Jackson. –Ele está trabalhando para o pai de Rebecca? É isso Foggy? Eles ainda são aliados ou será que Fisk está se unindo a outra pessoa da HIDRA interessado nos poderes de Becca? – Karen pensava freneticamente e cada palavra que dizia deixava Foggy ainda mais preocupado, ela estava mergulhando de cabeça naquela história perigosa.

—Fique fora disso Karen, eu só chamei você aqui porque preciso que vá até a farmácia comprar uns antibióticos. Ele não pode continuar assim. – Foggy falou e Karen franziu o cenho.

—Só me chamou pra ir até a droga da farmácia? Só me chamou pra isso? – Disse a mulher enfurecida com tudo o que estava acontecendo enquanto Matt parecia perdido em um misto de sonho e realidade.

—Karen....eu só...

—NÃO FOGGY. Não diga que isso é para o meu bem, que está com medo que eu me machuque porque eu não tenho medo. Estou cansada disso tudo, foi por essa razão que eu me afastei de vocês, será que não vê que esses mistérios, essas confusões, foram esses os motivos que me levaram a terminar tudo. – Karen passou a mão pelos cabelos de forma cansada, eles ficaram em silencio enquanto tentavam acalmar os ânimos.

—Me desculpe. – Disse Foggy tentando resolver a situação que causou.

—Tudo bem Foggy, eu vou buscar os remédios. – Karen falou, mas antes de pegar a bolsa sobre a mesa, alguém bateu na porta.

Karen abriu a porta um pouco preocupada, e se deparou com uma jovem loira com longos cabelos platinados e uma pele perfeita, a jovem tinha lábios carregados em um batom vermelho e roupas caras, usava um vestido preto que provavelmente custava uns quatro meses de salario dela, sem precisar de apresentações, Karen simplesmente sabia quem ela era.

Rebecca Jackson, a filha do Presidente.

A jovem olhou Foggy com uma expressão preocupada e quando viu Matt sangrando sentiu uma culpa imensa. Ela não perdeu tempo e tocou na testa de Matt, era o único lugar que não tinha sangue. O mesmo se levantou do sofá como se nada estivesse acontecendo e abraçou Becca com um sentimento de gratidão, mas ele sabia o que precisava ser feito.

—Nós precisamos conversar. – Disse Matt enquanto segurava Becca pela cintura.

—Sim, eu também preciso te contar uma coisa, uma coisa que descobri nesse fim de semana. – Becca mordeu os lábios de forma tensa, mais ela precisava ser sincera com ele, precisava falar sobre seu passado.

—Bom, então nós vamos embora, já está tarde e amanhã é segunda, e nós trabalhamos na segunda não é Karen? – Foggy falou praticamente empurrando a loira para fora que tinha um milhão de perguntas em sua mente, ela iria espremer Foggy contra a parede até ele contar toda aquela história direitinho, sobre alguém ter poderes de cura como aqueles e Becca tinha certeza que ouviu Foggy dizer algo como “Ainda bem que você não gastou com os remédios”, o que de certa forma fazia muito sentido.

—Matt eu reencontrei uma pessoa do meu passado, do passado que eu não lembrava muito bem. – Disse Becca olhando fundo nos olhos do advogado que não sabia por onde começar, então simplesmente resolveu começar pelo começo.

—E eu sou o Daredevil. – Matt falou encarando Becca que abriu e fechou a boca sem saber o que dizer, ela simplesmente deixou seu corpo cair sobre o sofá enquanto aquele pensamento tentava ganhar sentido em sua mente e principalmente em seu coração.

—Como assim?

Notas finais
Gente COMO ASSIM MATT????? Será que Becca vai engolir essa revelação? Será que esse casal que mal começou a se conhecer vai ser separado por mentiras escondidas????E Wanda? Ela vai conseguir encontrar uma forma de entender os seus verdadeiros sentimentos????? VAMOS COMENTAR Quero muito saber a opinião de vocês e o que devo melhorar ou mudar de acordo com as suas idéias..... AAAAAAAAAAAAAAAAAAAA PERGUNTA IMPORTANTÍSSIMA WANDA, ela deve mesmo ficar com Visão? Ou alguém tem alguma sugestão interessante? hein hein hein Todas as opiniões vão ser aceitas com muito carinho ok? ENTÃO BORA LÁ Aguardo aqui ansiosa por vocês ♥ ♥ ♥