Poison in the Blood

7 Do alto da roda gigante vejo um Tiroteio


Notas iniciais
Oie gente linda que eu amo Demais!!!!! Em primeiro lugar quero fazer os agradecimentos ♥ Quero agradecer pela Recomendação Maravilhosa que recebi da linda Lais_Winchester, obrigada por ter demonstrado tanto carinho por essa fic que mal começou e já esta conquistando corações. Também quero agradecer a fofa Holly Kyle por ter mandado tantas idéias para uma playlist dos personagens, vou estar usando todas elas no decorrer de cada episódio, também amo essa coisa de musica para cada momento e adorei mesmo sua iniciativa OBRIGADA!!!!! EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE Também quero agradecer a todos que estão comentando ou favoritando ou acompanhando a fic ♥ ♥ ♥ Vocês moram no meu coração viu hauahua AVISO IMPORTANTE Bom, eu sempre posto de segunda-feira, e mesmo já tendo começado o capitulo da semana que vem ainda não tenho certeza se vou conseguir concluir porque estou mudando umas coisas no meu trabalho e isso vai exigir tempo. De qualquer forma espero antes do final da próxima semana já estar entregando o próximo capitulo. Boa leitura a todos XOXO da Juh

Hell’s Kitchen – Manhattan

O taxi parecia ser uma boa idéia, enquanto via as ruas de uma Manhattan pronta para a noite, pensava em como havia sido seu dia até aquele momento, sua manhã não havia sido muito fácil, ainda estava com a cabeça fervilhando sobre a noite anterior, seu encontro com Matt e a conversa com seu pai, sem falar na imagem de Clint tirando a camisa que não saia da sua mente. Ela havia passado a maior parte desde o café da manhã na Torre dos Vingadores sendo testada por Tony Stark.

—Sei que isso parece meio estranho, mas realmente estou interessado no seu sangue, se parte do meu investimento estiver em suas veias vamos poder voltar ás pesquisas para a cura do câncer. – Disse Tony enquanto pegava uma seringa. –Só relaxe e tente não me matar.

—Isso é o que você diz a suas garotas? – Becca falou com um lindo sorriso tentando disfarçar a tensão, estava mesmo com medo de machucar Tony, afinal ela não sabia ao certo como funcionava seus poderes ainda, nem mesmo se eles seriam pra sempre.

—Realmente quer saber o que eu digo? – Tony falou com um sorriso igualmente charmoso fazendo Becca rir, ela gostava muito do humor dele, por mais que as pessoas pareciam se incomodar.

—Da para ser mais profissional Stark. – Disse Clint do outro lado da sala junto de Steve. –Estamos aqui para Rebecca ver o nosso melhor, não o pior da equipe.

—Como quiser senhor Barton, vejo que a idade acabou com o seu senso de humor. – Tony falou colocando a seringa de sangue sobre uma bandeja de prata.

—Tony, existe o senso de humor comum, o meu senso de humor, e o senso de humor Stark, e para esse ultimo a humanidade não está preparada. – Clint falou enquanto Becca caminhava na direção dele e de Steve.

—E agora? – Disse a jovem dobrando a manga da blusa.

—Bem, você fez todos os exames físicos pedidos e colaborou com o sangue para a pesquisa do Tony, agora a única coisa que gostaria de pedir é que venha todos os dias pela manhã fazer um treinamento físico, quero ensinar algumas táticas de defesa pessoal e quero que conheça melhor a extensão dos seus dons. – Steve falou sério mais animado. –Precisamos saber ao certo com o que estamos lidando e ao mesmo tempo preparar você para se proteger caso necessite.

—Isso parece bom, vocês dão vale transporte? – Becca falou e Tony riu colocando a mão sobre o ombro da jovem.

—Nós temos um quarto sobrando se quiser, sabe que é bem vinda aqui. – Tony falou sorrindo mais Becca ainda não estava preparada para seguir em frente sozinha.

—Pode por uma placa com meu nome nele, sinto que em breve vou me mudar. – Rebecca sorriu e Clint ficou feliz e ao mesmo tempo preocupado, ele ainda não tinha uma opinião formada sobre o que seria melhor nesse caso.

Agora no taxi o rádio tocava Fall Out Boy – Irresistible, e aquilo estranhamente á fazia pensar em Clint, sua cabeça ainda estava um pouco bagunçada com todas as coisas que haviam acontecido na noite anterior, ela ainda não tinha certeza da confusão em que havia se metido, mas seu coração com certeza sabia.

Too many war wounds
And not enough wars
Too few rounds in the ring
And not enough settled scores
Too many sharks
And not enough blood in the waves
You know I'd give my love
Ought to fall out of the net

Hey, hey, heey, heey
Hey, hey, heey, heey

And I love the way you hurt me

A musica chegou na parte em que Becca mais gostava e ela sorriu ao encarar Wanda que parecia muito tensa, ela usava um vestido preto curto com seus coturnos habituais e uma maquiagem bem pesada, ela parecia preocupada enquanto para Rebecca não passava de mais uma festa.

—Como consegue manter a calma? – Wanda perguntou com a voz baixa.

—Quando fiz 16 anos comecei a sair, minhas melhores amigas sempre estavam comigo, Claire e Alice, hoje elas estão namorando e nesse exato momento estão em um cruzeiro maravilhoso para comemorar o noivado de Alice. – Becca respirou fundo tentando achar a melhor forma de explicar aquela situação para Wanda. –A vida seguiu em frente, eu não tenho mais 16 anos, eu perdi pessoas que amava, perdi minha mãe ainda adolescente, não tenho mais minhas amigas por perto e quando olho no espelho vejo um rosto mais velho que de 5 anos atrás. Eu sou uma mulher de 23 anos sem um namorado, sem amigos, sem emprego e cheia de complexos, não acho que uma festa de bairro vai me afetar. – Rebecca sorriu por trás do seu batom vermelho sangue e por mais estranho que fosse Wanda entendeu perfeitamente o que ela queria dizer.

—Tem razão. Somos pessoas que viveram o pior do mundo, não será uma festa de igreja que vai nos fazer mal. – Wanda entendeu o espirito da coisa deixando sua mais nova amiga feliz. –Acho que devia ter chamado o Visão para vir.

—Me diz uma coisa, você e o Roxinho estão tendo um caso? – Becca perguntou no momento em que o taxi chegava ao centro cultural de Hell’s Kitchen, uma praça ao lado da igreja onde o Padre responsável costumava fazer seus eventos beneficentes.

—Visão é um homem complicado. – Disse Wanda com uma expressão meio tímida enquanto pagava o taxista.

—Homens são complicados, isso é a maior verdade da história. – Becca falou descendo com um grande sorriso, seus cabelos soltos dando movimento e beleza para o seu rosto iluminado, usava uma calça de couro sintético bem justa sendo envolvida por uma bota preta de salto fino, uma blusa branca fina com brilho nas alças e um casaco branco de listras pretas de tecido fino também, estava sendo discreta, na sua opinião, claro.

—Mas e você e Barton? Desde o começo eu achei que vocês estavam tendo alguma coisa, principalmente depois de ver a forma como ele se preocupa com você. – Wanda falou tocando no ponto certo e Becca riu.

—Tem razão, Clint se preocupa demais, ele tem exagerado nisso. – Rebecca respirou fundo, olhando para o alto, em um daqueles prédios Clint Barton estaria com seu arco e flecha pronto para agir. –Nesse momento ele podia estar aqui, com a gente, indo para uma festa tranquila, para relaxar depois de tantos problemas, no entanto ele está por ai bancando o Gavião solitário.

—Mais você e ele? Vocês?

—Não existe nós, pelo menos ainda não, e não sei o que pensar sobre isso, e sinceramente não sei porque estou falando disso com você garota gótica, aposto que está usando seus truques da mente. – Becca falou fazendo um gesto com as mãos ao redor da cabeça fazendo Wanda rir.

—Eu prometi ao Steve que não iria fazer isso, assim como você deve ter prometido que não iria transformar ninguém em poeira. – Wanda ergueu uma sobrancelha com aquela famosa expressão de sabe tudo fazendo Becca revirar os olhos.

—Ok, você me pegou. – Mas mesmo assim não queria falar sobre Clint ou o que sinto em relação a ele, você precisa entender que antes eu era uma adolescente e ele me tratava apenas como um trabalho, agora eu acordo cinco anos mais velha e ele parece interessado, isso é demais para a minha cabeça. – Becca falou tentando ser clara, mas era difícil explicar aquilo.

—Eu só posso dizer que você está confusa, talvez seja por causa do seu novo amigo, ele deve ser interessante. – Wanda falou com um sorriso e Becca sorriu cumplice, realmente ele era, o advogado do diabo era muito mais do que apenas um homem interessante, naquele momento ela olhou ao redor e viu Matt ao lado do Padre conversando de forma amigável.

—Vem, quero que conheça uma pessoa. – Becca sorriu ao ver Matt com seu terno barato e usando a camisa vermelha que ela havia deixado com ele, aquilo realmente mexeu com ela, será que era uma forma dele dizer alguma coisa?

No alto de um prédio comercial – Manhattan

Clint sentia o vento frio da noite percorrer a sua espinha, ele observava do alto do prédio as pessoas como formigas próximas a igreja, Becca já devia ter chegado. Por um minuto ele refletiu sobre como as coisas haviam chegado nesse ponto, Rebecca Jackson nunca foi seu objetivo principal, ele era um agente da SHIELD, treinado para grandes missões, e não um guarda costas, ou protetor, ele era o Gavião Arqueiro, e tinha uma família, ele tinha filhos e já havia vivido muito mais do que Becca, só que nesses últimos cinco anos as coisas mudaram, alienígenas vieram, deuses caíram do céu, Tony Stark criou Ultron, Wanda entrou para o time e sofreu com a morte de Pietro, e ele também, assim como sofreu com a partida de Bruce.

Novas alianças foram formadas, novas amizades também, mas para continuar na ativa e se perdoar pelo que aconteceu no laboratório ele precisou desistir da sua tão esperada aposentadoria, infelizmente, com isso sua família também se perdeu. Laura era uma mulher de fibra, corajosa e apaixonada, mas não podia mais viver daquela forma, Clint nunca se perdoou por ter deixado Rebecca ir sozinha até o laboratório, ele nunca cometia erros, mas naquele dia foi diferente e quase fatal.

—Porque não desce e vai comemorar com eles? – Disse Natasha se aproximando com um algodão doce e um refrigerante. –Fiquei sabendo que as doações desse ano vão ajudar na reforma do altar, a igreja já não é mais assaltada desde a presença do Daredevil. – A ruiva se sentou em um caixote ao lado do Arqueiro que usava seu uniforme de sempre.

—Rebecca está sendo caçada por Wilson Fisk e Deus sabe se lá mais quem, não posso correr o risco de estar comendo bobagens quando eles vierem. – Clint falou e a mulher apenas entortou seus lábios em sinal de desaprovação.

—Ela não está sozinha, ela tem Wanda com ela e um advogado, sem falar que Steve e Sharon estão no meio da população também. – Natasha sorriu discreta e Clint olhou chocado para a mesma. –Achou mesmo que não iriamos te dar uma boa cobertura?

—Obrigado. – Disse fazendo um minuto de silencio tentando entender o quão importante aquilo era. –Obrigado por me ajudar a concertar um erro.

—Será que é só isso Clint? Está só concertando um erro? – Natasha falou olhando nos olhos do homem que não conseguia mentir muito bem para ela, ele passou a mão pela nunca sorrindo de forma charmosa, de um jeito que a Viúva nunca esqueceu.

—Isso é muito errado não é? Digo, ela é muito jovem, pelo menos em relação a mim, eu tive uma vida cheia de aprendizado e ela passou os últimos anos em coma. Não é justo sabe? Não é justo interferir. – Clint falou enquanto aceitava o refrigerante que Natasha havia trazido.

—Não acredito que seja errado, mas acho que no momento devemos focar no que está acontecendo, a sociedade já esta com medo demais de nós, não precisamos de uma nova integrante transformando as pessoas em areia. – Natasha parecia mais séria agora, ela deixou seu cabelo no vento e afundou as mãos no grande casaco marrom que usava. –Acho que pensar em romance agora é burrice, pelo menos para você.

—Então devo deixar que ela pense em romance agora? – Clint encarou a amiga que parecia sentir frio e ficou um pouco preocupado. – E se ela já estiver pensando em alguém?

—Então deixe que viva a própria vida, depois deixe que ela faça as próprias escolhas, você já fez as suas um dia. – Natasha retirou um pedaço do algodão doce e enfiou de uma vez na boca fazendo o amigo rir discreto, Natasha Romanoff costumava se parecer com uma pedra, era estranho ver a mesma agindo como uma pessoa normal.

—Talvez tenha razão, ela vai passar por um treinamento começando na segunda feira com Steve, tenho certeza que ele não vai pegar leve, é como se ele quisesse colocar ela na equipe a todo custo, sinto que vê nela um pouco da Wanda. – Clint falou enquanto pegava um pedaço do algodão também.

—Você não está vendo direito. – Natasha riu e Clint ficou um pouco confuso, o que será que ele havia perdido. –Ele não está vendo Wanda, esta vendo a si mesmo, não lembra? Steve Rogers mudado por um soro de super soldado, seu sangue já foi vendido em tempos de guerra fria, a busca por uma nova formula, homens poderosos atrás do que ele possui nas veias, o isolamento do mundo real, a perda dos amigos, a descrença de alguns, o ódio de muitos, e o amor de poucos, essa é a vida do nosso querido Capitão, e é justamente isso que ele não quer que aconteça com Rebecca. – Natasha admirava Steve Rogers por tudo o que ele significava para as pessoas, ela sempre viu naquele homem um novo amanhã, uma esperança para uma nação corrompida.

—Tem razão. Talvez eu devesse me preocupar mais com o amadurecimento dela do que com seus interesses românticos, ela pode ser manipulada, sequestrada, ou coisa pior, e eu não quero que nada de ruim torne a acontecer, mas também não quero que ela se torne uma criminosa ou uma assassina. – Clint falou aquilo com um tom pesado e Natasha ficou um pouco mais séria, afinal, ser uma assassina era tudo o que ela sabia ser.

—Eu invejo ela. – Natasha falou um pouco baixo e aquilo surpreendeu Clint. –Invejo por ela ter o seu apoio, por ela ainda ser jovem e livre dessas malditas escolhas, eu invejo por ela estar lá em baixo brincando com argolas ou atirando em patos de borracha, por ter uma amiga em quem confiar e um advogado recém formado jogando charme o tempo todo, eu invejo ela por ainda poder ficar fora de toda essa merda. – Natasha puxou o casaco marrom revelando duas armas presas na cintura. –Em algumas noites eu nem consigo dormir. – Disse ela com um sorriso triste e Clint respondeu com uma mão em seu ombro, no final das contas ele também compreendia bem.

—Ainda existe uma esperança Nath, ainda existe uma forma dela apenas seguir em frente, talvez se formar ou montar um negócio próprio, ela sempre foi tão talentosa com tantas coisas, sabia que ela cozinha perfeitamente bem? E que também tem grandes talentos com plantas? O jardim da casa dela em Malibu foi todo montado por ela, esse tipo de coisa costuma dar dinheiro. – Clint riu lembrando-se da primeira vez em que viu Becca toda suja de terra plantando uma palmeira logo depois da morte de sua mãe.

—Talvez ela não seja como nós afinal. – Natasha falou e no fundo Clint torcia para que aquilo fosse a mais pura verdade.

Festa Beneficente da Paróquia de Hell’s Kitchen – Manhattan

Matt não podia ver como o lugar estava bem iluminado, como as pessoas pareciam felizes naquele momento, ele sabia que Karen havia passado lá mais cedo para ajudar com as barracas, e Foggy foi entregar o alvará de funcionamento para o Padre, mas seus amigos não iam ficar com ele dessa vez. As coisas ainda não estavam boas o suficiente pra isso e ele respeitava aquela decisão, seu coração também estava ferido, ele havia enfrentado o Justiceiro alguns meses atrás, também havia perdido um grande amor do passado, esse tipo de coisa muda um homem e tira a suas certezas, ele só sabia que uma das coisas certas era ajudar Rebecca e para conseguir fazer isso precisava por Wilson Fisk atrás das grades novamente.

Ele não podia imaginar como o Padre estava feliz pela participação das pessoas ou como a roda gigante chamava a atenção das crianças, mas de uma coisa ele tinha certeza, Rebecca estava linda.

—Fico feliz que você veio. – Matt falou no momento em que o Padre parou de falar com a aproximação repentina das duas jovens.

—Como sabe que sou eu? – Becca falou espantada com a perspicácia do amigo, ela sempre segurava a respiração quando se aproximava dele e isso á deixava nervosa. – Ou por acaso marcou um encontro com outra pessoa hoje? – Logo depois de dizer aquilo se arrependeu amargamente, que coisa mais infantil e insegura para se dizer.

—Nós temos um encontro? – Matt falou e o Padre apenas sorriu cumplice. –Fico feliz em saber disso, se soubesse antes teria comprado alguma coisa para você. – Matt se aproximou com cuidado por causa de sua bengala, mas dessa vez Becca estava esperta, ela deixou seu rosto deslizar primeiro ao lado do rosto de Matt até ser seguro vira-lo para beija-lo sentindo sua barba por fazer.

—Não vai me apresentar suas amigas, Matthew? – O Padre falou calmo mais aquilo trouxe Becca para a realidade, ela se afastou um pouco de Matt sentindo-se meio constrangida, mas o homem parecia ótimo.

—Bom, eu só conheço uma. – Matt falou com seu sorriso charmoso e Wanda entendeu o porque daquele encantamento todo que Rebecca estava sentindo.

—Desculpe. Essa é Wanda Maximoff, ela está conhecendo a América e precisava conhecer novas pessoas. – Disse Becca enquanto Wanda parecia constrangida. –Tem ficado trancada tempo demais no porão. – Becca riu e Wanda deu um empurrão discreto nela.

—Muito prazer. – Disse com um sorriso discreto e tímido. -Já faz um ano que estou aqui mais confesso que não costumo sair muito. – Wanda estendeu a mão até o Padre e depois segurou a mão de Matt com cuidado, Becca já havia falado que ele era cego para não acontecer nada constrangedor.

—Você tem um sotaque muito bonito, de onde é? – Perguntou o Padre de forma gentil.

—Sokovia. – Disse Wanda com um tom mais triste e o Padre entendeu tudo.

—Sinto muito. – Disse Matt de forma sincera e Wanda deixou um pequeno sorriso surgir. –E Padre, essa jovem que deve estar louca para derrotar um cego nas barracas de jogos é a senhorita Jackson. – Matt falou rindo como se aquilo fosse verdade e Rebecca apenas riu.

—Pode me chamar de Becca Padre, todos os meus amigos me chamam assim. – Rebecca estava feliz com o barulho das pessoas, e com á musica tocando no fundo, tudo aquilo era importante para uma retomada de sua vida.

—Você é a filha do Governador Jackson, eu acredito. Fico feliz que tenha se recuperado do seu acidente, á maioria das pessoas não sobrevivem, creio que Deus tem planos para você, no caso, para vocês duas. – Disse o Padre olhando ás duas jovens que ficaram um pouco apreensivas.

—Vamos, é melhor a gente ir antes que o Padre comece a perguntar por nossos pecados e ninguém aqui quer falar sobre seus demônios. – Matt falou com um sorriso cumplice fazendo as garotas rirem.

Eles passaram primeiro pelas barracas de comida, tinha todo o tipo de doce que Wanda podia imaginar, ela acabou comprando uma caixa com bombons trufados e maria-mole com cobertura de açúcar e canela, pediu á vendedora que embrulhasse tudo com um laço bonito porque seria um presente. Depois o trio foi até as barracas de jogos e Becca estava dando um show.

—Wanda, será que pode me dar uma forcinha? – Matt falou para Wanda quando chegaram na barraca de tiros enquanto Rebecca tentava atingir o premio máximo.

—Mais isso não seria uma trapaça? – Disse a jovem com um sorriso divertido.

—É uma boa causa, se não me ajudar não vou conseguir pegar um prêmio para a minha garota. – Matt falou com um grande sorriso encorajador e Wanda não seria capaz de dizer não.

—Matt é a sua vez, tem certeza que quer fazer isso? – Rebecca falou entregando o rifle de brinquedo para o advogado que parecia confiante, ele sorriu para ela e se apoiou no balcão como qualquer pessoa, mas naquele momento ele sentiu alguma coisa invadir sua mente, uma força que parecia controlar seus instintos, sentiu medo no começo, mas uma voz falou com ele.

“Não tema” – Era Wanda.

E sem saber como disparou de forma certeira e com a força necessária para derrubar a pedra que marcava o premio principal, as pessoas ao redor comemoravam enquanto o dono da barraca não parecia muito feliz, ele pediu para que Matt escolhesse o premio, um urso gigante, um canivete suíço ou um colar com um pingente de asas.

—Para todo demônio no mundo um anjo é criado. – Disse escolhendo o colar e entregando o mesmo para Rebecca que não sabia o que dizer.

—Obrigada. – Becca sorriu feliz, ela estava acostumada com homens infantis, sem objetivo de vida ou formação, estava acostumada com os filhos engomadinhos dos eleitores de seu pai, estava acostumada com quem não precisava lutar por seu próprio sustento, isso era novo para ela, por isso estava empenhada em montar um negócio próprio, queria mudar de vida, não queria mais ser aquela Rebecca Jackson fútil e baladeira que os tabloides conheciam, e Matt iria fazer parte dessa mudança.

—Porque vocês não dão uma volta na roda gigante? – Wanda falou encorajando o casal. –Ouvi algumas pessoas dizendo que é a melhor vista desse lugar. – Por mais um segundo Wanda pensou sobre Visão, sentiu falta do novo amigo, ele havia ficado preocupado com a saída dela da Torre e por isso ela não havia convidado o mesmo para ir, mas sabia que ele não fazia por mal, estava apenas sendo cuidadoso.

—Eu acho uma ótima idéia. – Becca falou segurando a mão de Matt para conduzi-lo até o lugar onde a roda estava mais percebeu que Wanda não saia do lugar. -Você não vem com a gente?

—Ah não, vi uma barraca com anéis do humor, sempre quis um desses. – Wanda sorriu mostrando para Becca onde estava a barraca e piscou para a amiga saindo com um grande sorriso animador e cheio de idéias.

—E lá vai ela. – Disse Rebecca sorrindo. –Estou feliz que Wanda esteja aproveitando a noite, eu tinha medo que ela não se envolvesse totalmente.

—Ela é uma boa pessoa, isso eu posso afirmar, só que ás vezes pessoas boas ficam perdidas e sem um caminho, quando meu pai morreu eu não sabia o que fazer, fiquei perdido no escuro por muito tempo até encontrar um homem que me orientou e me mostrou que a vida pode ter muitos tons de vermelho. – Matt sorriu e Becca entendeu que aquilo devia ser algum tipo de piada pessoal então não fez perguntas.

—Você gosta de vermelho não é?

—Era a cor favorita do meu pai, ele usava muito em suas lutas, para alguém que apanha muito é bom para esconder o sangue. – Matt riu e Becca se lembrou do Daredevil, ela pensou em perguntar alguma coisa para ele sobre o vigilante, mas resolveu que não era o momento.

Eles pararam diante da roda gigante do parque improvisado e ela admirou as belas luzes que piscavam em ritmo com a musica do lugar, fez uma descrição detalhada de tudo para que Matt pudesse “ver” o que ela via e ele estava feliz, mas antes de dar um passo em direção á roda Matt percebeu que alguma coisa estava errada, sentiu uma vibração no solo que lembrava um tanque de guerra, tiros estavam sendo disparados ali perto mais com o barulho da musica e das pessoas quase ninguém havia percebido ainda.

—Aconteceu alguma coisa Matt? – Disse Rebecca sentindo que o mesmo fazia o caminho de volta com velocidade a puxando pela mão, ela estava com medo, e seu medo maior era que o ambiente de estresse e nervosismo ativasse os seus poderes e aquilo poderia ser ruim para qualquer um que cruzasse seu caminho.

—Precisamos achar a Wanda e sair daqui, tem alguma coisa errada. – Matt precisava deixar o seu demônio surgir para garantir a segurança de todos ali e principalmente de Rebecca, mas antes que fizesse alguma coisa uma explosão aconteceu a poucos metros de distancia de ambos. Rebecca foi arremessada para longe de Matt mais permaneceu consciente, Matt estava muito ferido e parecia perdido pelo barulho da explosão, o que veio a seguir foi a aproximação de vários homens vestidos de negros sendo seguido por um homem cheio de armas e uma mascara assustadora, ele tinha uma pintura branca, quando a poeira abaixou ela pode ver o que era, Ossos Cruzados sobre o peito.

Próximo á fonte principal da praça – Paróquia de Hell’s Kitchen

Steve sorria de forma charmosa para Sharon enquanto pegava o martelo de madeira para testar a sua força. O brinquedo era um dos favoritos dos homens e claro, ele não podia deixar de tentar, muitas crianças faziam uma espécie de circulo a sua volta, um garoto até usava um escudo de plástico com as cores do Capitão América e Steve percebeu que não podia desaponta-lo.

—Eu não sabia que ele gostava de se exibir. – Disse Sharon com um sorriso discreto, quando Steve telefonou pedindo para que ela ajuda-se com a segurança de Wanda e Becca sentiu que podia haver uma conexão maior entre eles e isso animou seu coração.

—Só quando tem uma garota bonita para impressionar. – Sam falou rindo enquanto bebia seu refrigerante, a mulher riu animada enquanto Steve batia o martelo no medidor e atingia o premio máximo, todos aplaudiram enquanto ele entregava o ursinho de pelúcia para uma menina em uma cadeira de rodas.

—Ele tem um grande coração. – Sharon falou admirada. – Minha tia sempre disse isso, eu nunca tinha compreendido ao certo o porquê da admiração que ela mantinha sobre ele, mas depois da convivência a gente passa a entender melhor.

—Ela foi uma grande mulher também, Steve a amou demais, isso eu tenho certeza, ele ainda sente pela perda. – Sam falou colocando a mão no ombro de Sharon de forma amiga. –Ele teve muitas perdas, de amigos, da família e do grande amor, isso é mais do que um homem pode suportar.

—Eu também sinto. – A mulher sorriu de forma amigável para Sam que estava feliz por fazer parte daquela equipe. –E fico tranquila por ver que nesta época ele também encontrou uma família e amigos. – Sharon falou admirando Steve enquanto um pai tirava uma foto dele com seu filho.

—Agora ele só precisa de uma garota nesta época também. – Sam falou com um sorriso cheio de idéias e Sharon ficou um pouco constrangida mais mesmo assim sorriu. Ela viu Steve se aproximando quando um homem esbarrou nele por acaso, Steve parecia continuar seu caminho normal, mas repentinamente ele começou a mudar de direção com uma expressão muito séria, como se alguma coisa o tivesse atingido junto com aquele homem, parecia ver um fantasma, ele começou a andar rápido e logo em seguida estava correndo até se perder no meio da multidão.

O homem a frente andava rápido com muita agilidade, dava para ver que o esbarrão que ele havia dado em Steve tinha sido proposital, porque não parecia ser o tipo de homem que perde o equilíbrio por qualquer coisa, ele tentava se misturar com as pessoas normais, ele usava um moletom preto com o capuz jogado sobre a cabeça, tudo parecia confuso e perdido, a barba por fazer lhe dava uma expressão mais velha, forte e máscula, uma expressão que deixava bem claro que era uma pessoa cheia de sofrimentos, os flashs do seu passado começavam a voltar, em uma época muito distante daquela, ele havia ido a uma festa parecida com seu melhor amigo.

Flash Back ON

Brooklyn 1940

A musica podia ser ouvida por toda a parte, as garotas usando seus vestidos de pregas e chapeis com pequenas rendas charmosas, os homens com seus ternos elegantes e boinas de lado, tudo parecia lindo como sempre na bela New York. Bucky usava sua farda militar muito bem passada com um vinco de dar inveja a qualquer lavadeira do local, ele tinha muito orgulho em usa-lo, principalmente quando queria impressionar alguma garota nova, era conhecido por ser o soldado mais bonito do batalhão e as garotas se estapeavam para sair com ele, seu charme displicente sempre foi uma carta na manga.

—Você vai usar sua farda mais uma vez? – Disse Steve com uma expressão emburrada, aquilo só fez o amigo rir um pouco mais. –Não se cansa de chamar a atenção?

—Claro que não, e se você tivesse uma iria dormir com ela. – Bucky falou e se sentiu um pouco mal, sabia que o sonho do amigo era fazer parte do exercito e dar o melhor de si na guerra. –Desculpe, eu não quis ofender.

—Tudo bem, eu vou ter a minha chance um dia. – Steve sorriu ao ver as garotas se aproximando com seus vestidos rodados e muito comportados dos anos 40, uma moda que combinava muito bem para as mulheres na sua opinião.

—Você conseguiu uma garota pra me acompanhar? Isso é injusto sabia, não devia precisar das amigas da sua garota. – Steve falou sentindo-se um pouco menor do que realmente era.

—Em primeiro lugar, não é a minha garota, eu não tenho uma garota, sou um homem livre para satisfazer o desejo de todas as jovens solteiras. – Disse Bucky rindo erguendo os braços como se falasse com o mundo. –E em segundo lugar você não precisa mesmo disso, só precisa ter confiança em si mesmo, as garotas adoram homens confiantes. – Bucky falou colocando a sua mão pesada no ombro do amigo.

—Pra você é fácil falar, não é você que precisa que alguém convença uma garota para não ir embora. – Dizendo isso Steve fez um aceno com a cabeça apontando para onde as duas garotas conversavam, a loira de seios fartos era a companhia do Bucky naquela semana e conversava com sua amiga de forma insistente, como se dissesse “Por favor, é só uma companhia, não pode ir embora agora.”

—Talvez você veja isso, eu só vejo duas garotas inseguras que não sabem o que querem e que julgam pelas aparências e não pelo que mais importa. – Dizendo isso Bucky deu um cutucão com o dedo no rumo do coração do amigo. –Se elas fossem inteligentes estariam se jogando aos seus pés.

—Nem em um milhão de anos isso vai acontecer. – Disse Steve emburrado.

—Você vai ver que não precisa de um bilhão de anos para que as pessoas vejam o homem incrível que você é. Você é meu melhor amigo Steve. – Bucky falou balançando o rapaz pelos ombros encorajando o mesmo que sorriu e foi mais confiante ao seu encontro.

Flash Back OFF

—Bucky?! – Steve falou olhando confuso para um reflexo do seu passado, ele nunca mais havia visto Bucky Burnes desde o surgimento da HIDRA infiltrada na SHIELD, desde o dia em que ele o salvou de um afogamento.

—Vocês precisam sair daqui. – Bucky falou olhando ao redor de uma forma preocupada, ele sentia uma estranha ligação com Steve, mesmo com sua memoria danificada ele não conseguia quebrar aquela conexão.

—Bucky o que está acontecendo? – Steve deu um passo na direção do amigo que se afastou um pouco, ainda não tinha total controle sobre suas ações e tinha medo de machucar alguém, principalmente se fosse Steve.

—Não há tempo para explicações, precisa sair daqui agora, leve seus amigos para longe. – Bucky falou sério se virando para sumir por um beco escuro.

—Você também faz parte desses amigos Bucky, sempre fez. – Naquele momento Steve ouviu uma explosão vindo do outro lado do parque, e quando olhou para seu amigo ele já não estava mais ali, da direção em qual veio Sharon e Sam corriam para alcança-lo, eles também haviam ouvido as explosões e pareciam muito preocupados.

—Está tendo um ataque Capitão. – Disse Sam preocupado para o amigo.

—Sam você está sem as suas asas, quero que ajude Sharon a evacuar o local, não podemos por o risco a vida de ninguém aqui e têm muitas crianças, eu vou avisar Natasha ela está no alto com Clint. – Disse Steve colocando a mão o comunicador que até então estava desligado. –Natasha, estamos tendo um pequeno problema aqui.

—Pequeno? Isso é porque você não está vendo do meu ponto de vista, não é mesmo Clin..... – Mas antes que terminasse o Arqueiro já havia saltado pela escada de incêndio e estava correndo na direção da roda gigante.

—Onde está o Gavião? – Steve perguntou enquanto um homem veio em sua direção e ele acertou o mesmo com um latão de lixo.

—Deve estar indo atrás das garotas. – Natasha falou contrariada.

—Ele devia ficar ai para dar cobertura, essa é a função dele. – Steve falou correndo na direção do perigo.

—A função dele é proteger as pessoas que ama, e isso é a nossa função também. – Natasha não concordava totalmente com aquilo, mas sabia que Clint estava agindo com o coração e não iria deixar de dar apoio ao seu amigo.

Próximo á roda gigante...

Rebecca encarou aquele homem mascarado sentindo sua alma arrepiar, Matt estava jogado no chão, assim como ela, por culpa do impacto da explosão. Vários homens armados fizeram um circulo ao redor de ambos e Matt queria muito lutar, ele se levantou sem a ajuda da bengala e ficou na frente de Becca para protegê-la, mas ela estava apavorada, o que Matt um simples advogado poderia fazer contra tantos homens armados?

—Não sou do tipo que bate em cegos meu rapaz, então só vou pedir uma vez, saia da frente, e ninguém se machuca. – Ossos Cruzados falou firme enquanto Matt se concentrava ao seu redor, ele deixou um pequeno sorriso surgir no momento em que acertou um golpe direto no queixo do homem á esquerda, e partiu para o dá direita acertando um chute na perna fazendo o mesmo cair de joelhos, tudo era muito rápido e Rebecca não sabia ao certo como ele estava fazendo aquilo, mas se sentia muito orgulhosa. Ossos Cruzados aproveitou para ir em direção a Becca que tentou chuta-lo e até mesmo usar seus poderes mais sem muito sucesso, ela ainda não tinha controle sobre eles, o homem riu e a pegou pelos cabelos fazendo a mesma gritar. –Me disseram para tomar cuidado com você, porque era perigosa, que fazia uma bruxaria qualquer tirando a vida das pessoas, mas não estou achando você tudo isso não. –Ele falou rindo enquanto arrastava Rebecca de uma forma que ela não conseguia se defender, naquele momento Matt se desconcentrou ao sentir o medo dela e foi o seu maior erro.

Vários golpes vieram depois, os homens acertaram-no com força e ela podia ver o sangue voando, queria correr até ele mais não conseguia, queria lutar, gritar, fazer alguma coisa até que suas mãos vibraram, ela sentiu mais uma vez uma dor de cabeça fora do normal e Ossos Cruzados deu um grito de dor soltando-a imediatamente.

—Peça para parar. – Ela gritou enquanto Matt estava ficando desorientado. –Se eles continuarem machucando ele, eu vou levar a sua vida com as minhas mãos. – Becca ficou de pé encarando o homem com firmeza, ela não era mais Rebecca Jackson naquele momento, era uma mulher forte e poderosa defendendo seus amigos.

Naquele momento Steve surgiu acertando Ossos Cruzados com tudo o que tinha, os homens se dispersaram um pouco no meio da multidão e Natasha foi atrás de alguns deles assim como Wanda se aproximava para proteger Steve. Sem que Becca visse como Clint surgiu entre eles a pegando pela cintura e arrastando para dentro da igreja, aquilo a deixou furiosa, ela não queria colocar Clint em risco com seus poderes, mas também não podia deixar Matt ferido e sozinho, precisava cura-lo.

—Me deixe voltar lá, ele precisa de mim. – Rebecca falou séria encarando Clint que parecia muito abalado, ela olhou mais uma vez para o local e viu o momento enquanto Matt tentava se levantar.

—É muito perigoso. Aquela equipe é de elite, eles não são de brincadeira, se você está viva é um milagre e eu não vou correr o risco de perder você de novo. – Clint falou sério encarando Becca e se colocando frente a frente com ela. –Você pode espernear, me xingar e fazer o que quiser mais eu não vou sair da frente.

—Não pode fazer isso, ele é cego Clint, ele é frágil, pode estar perdido agora mesmo, ele não é como os outros. – Becca sentia as lágrimas furiosas escorrerem por seu rosto, Matt Murdock era seu primeiro amigo nessa nova fase da vida, ele havia protegido ela quando precisou, havia lhe dado abrigo em sua própria casa até que ela estivesse segura e o mais importante de tudo, havia aceitado sua diferença, seus poderes e o seu novo eu.

Ela foi pra cima do Arqueiro esmurrando seu peito com as duas mãos até que o Arqueiro segurou as mesmas com força erguendo-as acima da cabeça jogando Becca contra uma pilastra, deixando-a totalmente imobilizada, a respiração de ambos era ofegante, havia uma raiva, uma força, um ódio e ao mesmo tempo uma atração fora de tamanho, era muito mais do que Becca podia suportar.

—Chega. – Disse num tom muito baixo, porém nada mais assustador. –Estou cansado disso, você nunca me ouve, nunca faz o que é necessário, eu estou farto de me sentir culpado por sua causa. – Ele permanecia encarando Becca e ela sentia seu peito arder. –Por sua culpa eu fui obrigado fazer um serviço de segurança particular, por sua causa eu passei cinco anos da minha vida me culpando e por sua causa eu estou aqui preso dentro de uma igreja quando na verdade eu queria estar lá fora lutando com minha equipe. – Ele parou e respirou fundo. –Você pode se preocupar com seu amigo, mas Wanda esta lá fora, Steve e Natasha também, e ainda tem Sam e Sharon protegendo as pessoas, então não banque a menina histérica comigo, fique aqui dentro e me obedeça pelo menos uma vez na sua vida.

Eles se encararam ouvindo o barulho de gritos e explosões do lado de fora, era como se uma eternidade passasse diante deles, Rebecca tinha vontade de lutar, mas ao tentar se mexer acabou encostando seu corpo ainda mais no Arqueiro e aquilo bagunçou seus instintos, ela perdeu mais uma vez o controle dos seus poderes que pareciam ter desaparecido novamente e seu coração estava tão acelerado como se fosse explodir. Então uma explosão muito maior aconteceu, e a igreja estremeceu inteira, depois de alguns minutos um grande silêncio e ambos não sabiam o que tinha acontecido.

—Pode me soltar Barton, eu não vou fugir. – Becca falou e Clint deixou as mãos descerem com cuidado esperando uma tentativa de fuga da jovem, mas não aconteceu. –Veja se todos estão bem.

—Fique aqui, eu volto para buscar você ok? – Clint falou e Rebecca acenou com a cabeça de forma positiva, ele saiu pela porta principal e o silencio tomou conta de tudo.

Passou um bom tempo desde a entrada deles na igreja até a saída de Barton e Becca se perguntava se devia mesmo continuar ali esperando, ela ouvia os gritos que vinham do lado de fora, o barulho de sirenes da policia e de ambulâncias, sabia que alguma coisa muito maior estava acontecendo e tudo o que conseguia pensar era que aquelas pessoas estavam sofrendo por sua culpa, assim como Matt e Wanda. Depois de dar várias voltas ao redor do altar ela estava determinada a sair, se não fosse á imagem de um demônio parado ao lado da estátua de São Sebastião.

—Você?! – Ela falou levando um grande susto a principio até entender do que se tratava. — É o Daredevil? – Ela disse sentindo medo, não era uma coisa normal para se ver dentro de uma igreja.

—Vê que se lembra de mim. – Ele disse com uma voz calma e amigável, mas era possível ver sangue em seu rosto.

—Você viu o Matt? Ele estava lá fora, eu queria voltar para ajuda-lo mais Clint não deixou, ele queria me proteger mais eu me sinto péssima. – Disse Becca dando alguns passos na direção do homem, mesmo sentindo medo ela precisava fazer aquilo e sabia que aquele justiceiro era amigo de Matt. -Você sabe se ele esta bem? – Disse por fim e podia jurar que o homem sorriu.

—Ele esta sim, eu estava por perto e quando vi a confusão não pude deixar de proteger os meus amigos.

—Obrigada. – Becca andou até o homem e colocou sua mão no rosto do mesmo, ela tentou se concentrar pensando na cura e no minuto seguinte todos os ferimentos dele haviam ido embora. –Isso é o mínimo que posso fazer para ajudar, talvez eu devesse fazer o mesmo pelas pessoas lá fora.

—Acho que não é uma boa ideia, muita gente não concorda com pessoas diferentes. –Ele falou sério e Becca estremeceu, era verdade. –Mas eu agradeço, não vou precisar gastar com a farmácia esse mês. – Disse o demônio e Becca riu, afinal ele era um homem normal. –Você deve tomar cuidado, houve uma explosão lá fora, sua amiga Wanda pode estar em apuros e isso significa que você também, espero que consiga resolver os seus problemas e que essas pessoas parem de perseguir você, para o bem de todos. – O Demônio falou firme e Becca ficou preocupada, alguma coisa havia acontecido com Wanda e ela não estava por perto para ajudar.

—Eu vou ver você em outra ocasião? – Perguntou com um sorriso mais ao se virar percebeu que o homem não estava mais presente, ele havia sumido da mesma forma que chegou.

Clint abriu a porta da igreja e Becca pode ver o que aguardava do lado de fora, tudo estava um verdadeiro caos e a roda gigante havia sido retorcida, Wanda tinha uma expressão triste e Steve parecia muito preocupado mais o pior foi ver a população ferida e vários corpos no chão.

—Precisamos conversar. – Disse Steve olhando para Rebecca que sabia, que tudo aquilo havia sido por sua culpa.

Notas finais
A coisa ficou séria, o que vai acontecer com Becca agora? E Matt será que vai contar o seu segredo um dia? Bucky apareceu AEEEEEEEEEE tem gente que vai AMAR essa novidade hauahuahauahuaha, ansiosa para saber a opinião de vocês... E ai? TeamClint ou TeamMatt??????????