Poison Kiss
1 Capítulo 1 | The start
Notas iniciais
– Harumi, estás pronta? — A voz da mãe ecoava no fundo das escadas.
–Não quero ir. — respondeu a rapariga sentando-se no sofá da sua suite.
–Não queres mas vens! Este cliente é muito importante para o teu pai e é preciso que estejas presente. — A mãe irrompeu no quarto da filha puxando-a pelo braço.
–Porquê? Não estejam à espera que vão conseguir juntar-me com esse rapaz chamado Cecil.
A mãe ficou muito vermelha e soltou a filha confiando que esta a ia seguir. Harumi conhecia os pais demasiado bem, queriam sempre fazer arranjinhos com pessoas estúpidas que supostamente devia ser almas gémeas. Ela estava habituada e o resto do caminho até à sala de jantar foi percorrido num silêncio que parecia cortar a respiração das duas.
Quando chegaram o pai ria com o outro homem. Provavelmente estavam a contar histórias de família para aliviar o ambiente, o que parecia funcionar. Harumi cumprimentou todos e sentou-se sem perder tempo a fazer contacto com o tal Cecil embora os olhares fulminantes do pai e da mãe a atingissem sem fazer muitos estragos.
–Então que idade tem a menina Harumi? -perguntou a mulher do outro empresário.
–Eu tenho 17 anos, vou fazer 18 amanhã. — respondeu Harumi com um sorriso meio tosco.
–Oh, a mesma idade que o Cecil! — exclamou ela. — Podiam ser amigos.
"Nunca num milhão de anos" era o pensamento da rapariga mas viu-se obrigada a dizer:
–Talvez, quem sabe? — A boca da adolescente tinha um sorriso estampado mas os seus olhos azuis profundos estavam sem emoção. Ela queria sair dali e pelo revirar de olhos de Cecil quando ouviu o comentário da mãe o rapaz pretendia fazer o mesmo.
Os adultos continuavam a conversar sobre assuntos que não interessam nem ao menino Jesus.
–Com licença, vou à casa de banho. — avisou Harumi levantando-se indo na direção da casa de banho mas desviando-se para a varanda. Mal saiu daquele espaço para ricos respirou fundo. Estava uma brisa de verão agradável e o vestido azul bebé da rapariga esvoaçava ao mesmo tempo que o seu cabelo esbranquiçado. Harumi deu uma vista de olhos no jardim e deparou-se com quatro figuras masculinas vestidas de preto que se esgueiravam.
–Que estranho, quem serão aqueles? — murmurou para si mesma. Neles os 4 destacava-se um de cabelo azul que, por azar, notou que ela os estava a olhar e fez sinal aos outros que se viraram e se puseram em fuga.
–Ei! — gritou Harumi tentando chamar a atenção daquelas figuras suspeitas mas sem sucesso. Os pensamentos da rapariga foram interrompidos quando a porta da varanda foi aberta revelando um rapaz, era o Cecil.
–Eles mandaram-me vir procurar-te. Estás aí à um bocado.
–Oh...pelos vistos. — respondeu ela friamente.
–Não penses que ninguém te viu a escapulir-te, eu faria o mesmo se pudesse. Não é como se eu quisesse estar contigo. — disse-lhe ele cruzando os braços.
–Boa, assim já somos dois. — Harumi revirou os olhos mas não conseguia tirar os pensamentos daqueles homens que estavam, no ponto de vista dela, a invadir o local.
– Eu sei bem como é que são os da tua laia, jamais ficaria com alguém como tu.
– Se é assim, porque é que continuas a insistir no assunto? — perguntou franzindo o sobrolho com um sorriso sarcástico.
Cecil ficou sem resposta e bufou afastando-se.
–É melhor vires, não quero que fiques em sarilhos. — disse ironicamente o rapaz.
–Estou a ir ... — Harumi adiantou-se e foi andando para a mesa.
–Porque demoraram tanto? — perguntou logo a mãe da rapariga.
–Oh... Estivemos a... conversar. — Ela sorriu e Cecil chegou logo a seguir.
–Ainda bem que são amigos porque agora vão ver-se muito! Visto que os vossos pais acabaram de assinar um contrato em que vão formar uma empresa juntos. — anunciou a mãe do rapaz. O queixo de Harumi caiu assim como o de Cecil e olharam um para o outro com um certo ódio na cara.
O resto do jantar decorreu normalmente com algumas piadas cada vez que Cecil pedia o sal à Harumi ou ela pedia que ele lhe passasse a água do género: "Não me digam que vamos ter de ir comprar já o vestido de noiva?" Algo que punha os adolescentes vermelhos de raiva. Quando finalmente acabou a tortura ( pelo menos para Harumi ) cada família se dirigiu à sua suite despedindo-se com muitos abraços.
– Então? Gostaste do Cecil? — perguntou a mãe assim que entraram.
– Não. — respondeu secamente a rapariga deixando a mãe com uma cara de drama chocada.
–O QUÊ? — berrou ela. — Mas deram-se tãoo bem!
– Não, não demos. — Harumi afastou-se para ao pé da sua cama e pegou na carta mais recente que tinha recebido do irmão. Ainda não tinha tido tempo para ler mas ia fazê-lo agora.
"Querida irmã,
Eu vou bem por aqui. Já estou mais habituado à rotina e socializo com alguns doentes a jogar às cartas e a ver filmes. Tenho tomado a medicação e não tenho tido ataques, acho que estou a melhorar. Espero que a mãe não te chateie muito com os filhos e os arranjinhos, se eu estivesse aí ela logo via. E o pai? Fez algum negócio? Quero saber isso tudo e como tu vais.
Com amor,
Jun"
Harumi soltou uma risada ao ler a carta. Como ela gostava do irmão, era uma pena que ele tivesse de estar dentro de um manicómio.
–É do Jun? — perguntou o pai da rapariga com a sua voz rouca.
–Sim é, ele diz que está a melhorar. — respondeu a rapariga evitando grandes conversas visto que este era um tema sensível a discutir com o pai. Não queria arranjar discussões esta noite.
–Humm....Ainda bem. — O pai afastou-se para fumar o seu cachimbo.
–Vou dar um passeio. Estou a precisar de ar. — disse Harumi rapidamente para evitar mais perguntas.
– Não tiveste suficiente ao jantar? — perguntou o pai. Harumi viu que os seus traços mostravam uma cara divertida, ainda bem que ele não tinha ficado chateado.
– O quê? — perguntou a mãe.
– Nada, nada. — respondeu o pai rindo. Harumi sorriu e saiu porta fora.
Ela andou pelos corredores até chegar ao jardim. Já tinha decorado os caminhos, afinal, não tinha mais nada que fazer durante o dia.
Quando chegou ao jardim estava tudo silencioso, calmo. Era relaxante para Harumi e esta sentou-se num banco de pedra.
Após minutos de silêncio o som de passos invadiu os ouvidos da rapariga e quando ela ia a virar a cabeça uma mão coberta por uma luva tapou-lhe a boca e sussurrou-lhe ao ouvido:
– Não grites nem te mexas. Quanto mais colaborares mais fácil será.
Em pânico Harumi assentiu e sentiu uns braços fortes a empurrarem-na para dentro de uma carrinha preta. A última coisa que viu antes de ficar na escuridão foi o rosto do rapaz de cabelo azul a fechar a porta.
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