Poison Kiss
2 Capítulo 2 | Aeroporto Fantasma
Notas iniciais
** Relembra ** — Quando chegou ao jardim estava tudo silencioso, calmo. Era relaxante para Harumi e esta sentou-se num banco de pedra.
Após minutos de silêncio o som de passos invadiu os ouvidos da rapariga e quando ela ia a virar a cabeça uma mão coberta por uma luva tapou-lhe a boca e sussurrou-lhe ao ouvido:
– Não grites nem te mexas. Quanto mais colaborares mais fácil será.
Em pânico Harumi assentiu e sentiu uns braços fortes a empurrarem-na para dentro de uma carrinha preta. A última coisa que viu antes de ficar na escuridão foi o rosto do rapaz de cabelo azul a fechar a porta. — ** Relembra Off **
A carrinha dava solavancos enormes a cada lomba que passava o que tornava a viagem muito incómoda para Harumi e embora não estivesse algemada ela não ousava em tentar escapar, para além do mais, estava tudo muito escuro para ela conseguir abrir a porta sem ser notada.
A rapariga ouvia vozes na parte da frente da carrinha mas não o suficiente para acompanhar a conversa. Estava assustada, porque embora soubesse que, graças aos inimigos do pai, podia ser raptada nunca se preocupou muito com isso: tinha mais que fazer.
Após cerca de meia hora de viagem o veículo parou e a porta abriu-se revelando um rapaz de cabelos esbranquiçados e olhos bicolores.
- Chegámos fofinha, agora se não te importas. — Ele aproximou-se e vendou-a com um pano preto de lã colocando, de seguida, outro pano na boca de Harumi o que fez com a mesma perdesse os sentidos.
- Então? Já está "domada"? — perguntou um outro rapaz com cabelos loiros e compridos.
- Sim, Camus. Dócil como uma gatinha. — respondeu com uma risada o que a tinha drogado e vendado.
- Não percam tempo! Querem ser vistos a transportar uma rapariga vendada para uma casa abandonada? Pouco suspeito, não é? — resmungou o de cabelos azuis revirando os olhos.
- Calma, tu também precisavas de ser drogado. Estás aí numa excitação... — brincou o tal Camus provocando uma risada geral.
-Camus e Ranmaru, chega, deixem o Ai em paz. — Um quarto membro interrompeu a risada e começou a transportá-la.
- És mesmo desmancha-prazeres Reiji '3' — disseram em coro os "comediantes".
~
Ciel estava na varando da suite e olhava para o jardim com um especial interesse nas roseiras bastante bem cuidadas até que ouviu passos e virando o seu olhar localizou Harumi.
- Ela é mesmo bonita... — murmurou para consigo o rapaz. — Argh! Cala-te Ciel, tu supostamente não gostas dela!
E enquanto o rapaz estava nestes dilemas mentais uma carrinha preta entrou no recinto e num abrir e fechar de olhos Harumi tinha desaparecido.
- What? Ela foi raptada?! — Ciel empoeirava-se na varanda com um ar alarmado. Ao ver a carrinha afastar-se o rapaz teve certeza do que se passava e foi a correr avisar os pais.
~
Harumi estava meio zonza e quando tentou esfregar os olhos algo impediu-a de mexer os braços. Ao voltar o olhar para o obstáculo viu que estava algemada a uma cadeira de ferro.
- A gatinha já acordou? — perguntou Ranmaru com um sorriso pervertido na cara.
-Argh! Soltem-me já, seus animais! — berrou ela esperneando por todos os lados. De seguida levou uma pancada na cabeça. — Au!
- Se não te calas é assim. — respondeu Ai com um olhar frio.
Harumi rangeu os dentes e continuou a espernear.
- A gatinha está assanhada! Ui! — o rapaz de cabelos esbranquiçados soltou uma risada.
- Cala a boca. — disse-lhe Ai.
- Mas porque raio é que eu estou aqui? SOLTEM-ME JÁ! — Harumi continuava a debater-se.
- Gatinha, foste "encomendada". Mais não te digo.
Ela lançou um olhar fulminante a cada um deles vermelha de fúria.
Eles faziam telefonemas e andavam de um lado para o outro deixando-a ali parada como uma decoração de jardim, algo que a irritava profundamente. Harumi tentava pensar em algo que pudesse usar como forma de escapar daquele lugar. Após algum tempo a queimar neurónios pensou numa coisa.
"Já sei...!"
- Estou com fome. — declarou ela fazendo um ar miserável e faminto. — Estou mesmo cheia de fome!
Os quatro viraram-se de sobrolho levantado a trocar olhares do género "Será que tem mesmo fome?" " Está a tentar enganar-nos?"
Depois de algum tempo o Reiji deu-lhe uma maçã.
- Como é que eu como se estiver algemada? -.-
- Queres que eu te dê à boca, gatinha? — perguntou Ranmaru com um olhar perverso.
- Não, obrigada o.o — respondeu a rapariga arregalando os olhos.
Os quatro juntaram-se a um canto como se estivessem a ter uma pequena reunião e a avaliar os pós e contras. Após uns 5 minutos o rapaz de cabelos azuis soltou-lhe as algemas agarrando-a pelo braço.
- Não penses que escapas. — avisou ele levando-a para outra sala, trancando a porta e colocando-se à frente da mesma.
- Não faças coisas pervertidas com a rapariga! — gritou Camus rindo.
- Não sou como tu, idiota. — respondeu Ai.
- Mas querias ser. — Com isto Ai perdeu a fala e apenas revirou os olhos.
Harumi comeu com esforço a maçã, não tinha fome nenhuma para ser sincera. Quando ia a dar a 5 ª mordida Ai aproximou-se dela e retirou-lhe a maçã da mão.
- Tu não estás com fome, só querias ver se escapavas. — afirmou ele começando a comer a maçã. Harumi não respondeu e apenas baixou a cabeça com vergonha por ter sido descoberta.
Pouco depois saíram da sala e deslocaram-se até à sala inicial. Mas, para espanto dos dois, estavam todos a arrumar as coisas.
-O que passa? — perguntou Ai.
- Fomos descobertos, temos de fugir o mais rápido possível. — declarou Reiji fazendo sinal aos outros para a vendarem e levarem pela porta das traseiras onde estava outra carrinha, esta, era branca com vidros escurecidos.
-Ai, vai tu com ela. — pediu Camus enquanto os outros entravam na parte da frente do veículo com Ranmaru a conduzir.
- Mas porq...?! — O rapaz nem teve tempo de acabar a frase pois já estavam os dois dentro da parte de trás do automóvel.
A viagem foi atribulada e, para piorar, eles iam a uma velocidade estonteante. Harumi fixava o seu olhar no Ai. Queria saber se os cabelos dele eram mesmo azuis, porque é que ele parecia familiar e o que se estava a passar mas a sua boca não se abriu. Aliás, quando ele se virou para ela, Harumi foi obrigada a desviar o olhar muito constrangida, não por o estar a fixar mas sim pois tinha tantas questões, tanta vontade de as fazer mas não conseguia pronunciar uma sílaba sequer.
Quando a carrinha travou bruscamente Harumi foi projetada para cima de Ai que foi apanhado de surpresa.
- D-desculpa... — Ela saiu do colo dele o mais depressa que conseguiu.
- Uh... não há problema. — Ele, pelos vistos também tinha ficado bastante constrangido.
~
- Tem a certeza que é esta a carrinha que levou a menina Kurosawa? — perguntou o agente da polícia ao Ciel.
- Sim! Eu vi, era este modelo.
- Ei, chefe! Está aqui um pano que contém calmantes!
Ciel espreitava assustado e os pais dele confortavam os outros.
- Sim, de facto. É possível que ela tenha estado aqui mas já não há rasto de mais nada...
A mãe de Harumi desatou a soluçar que nem uma possuída mas com estas notícias encontrar a filha tornava-se uma opção cada vez mais distante.
Quando o grupo saiu de dentro do carro estavam num aeroporto fantasma que apenas tinha uma pequena avioneta que parecia em perfeitas condições para fazer uma viagem longa.
- O quê? Vão levar-me para fora do país?! — perguntou assustada a rapariga.
Notas finais
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