Poison Blade
1 Capítulo 1 - Hit me like a Man and love me like a woman
Notas iniciais
Quantas foram as oportunidades que ele tivera, nas quais colocara de lado todos os seus princípios? Uma ou duas vezes? Sua reputação, de longe, era haurida da integridade, todos em Valoram, que o conheciam, sabiam do quão Garen era de longe um homem probo.
Entretanto, ele não podia se enganar. Afinal, ninguém consegue ser completamente certo todo o tempo. Ninguém é certo em totalidade. Ou talvez estivesse pensando nisso apenas para se confortar da culpa de tantas ideias horrendas. Estas estavam consumindo, se alimentando de toda a sua calma… não era possível se controlar! E com mais uma pontada dolorida em seu coração ele virou o copo cheio de rum.
– Mais um pouco, senhor? – Questionou um homem de uns 50 anos atrás do balcão do bar, tirando assim Garen de seus pensamentos negros.
– Quanto você quer nessa garrafa? – Foi a primeira vez que o atendente ouviu a voz rouca, embriagada, de seu cliente. Ele até falaria um preço, se ele não tivesse puxado uma quantia em dinheiro bem acima do valor que falaria. Sem pestanejar, entregou-lhe a bebida, logo após o vendo sair do balcão e indo para o fundo de seu bar, num local totalmente isolado.
Garen jogou-se na cadeira, escondendo sua espada abaixo da mesa escolhida por ele. O bar estava lotado, em plena três da madrugada. Era algo diferente de sua realidade, pois em Demacia não era comum lugares dedicados à bebida ficarem abertos durante toda a noite. Com certeza, as pessoas de Bilgewater mereciam a fama de beberrões que tinham!
Passaram-se quatro dias desde a sua chegada… cumprindo ordens de Jarvan IV, ordens desnecessárias, a seu ver. Seu amigo lhe obrigara a viajar de férias, alegando o quão estressado Garen se encontrava nos últimos meses, e que ele merecia sim se distrair um pouco, “curtir a vida”, afinal, a velhice iria chegar e o homem nunca pararia de trabalhar por sua Cidade-Estado. E esse foi seu erro. Não deveria ter aceitado o conselho, porque se ele estivesse lá, nada daquilo ocorreria!
–Vagabunda! – Sussurrou fechando os olhos, apertando seus dedos no copo cheio de rum.
Como a culpa de tudo não podia ser sua? Ele podia tê-la matado em outras ocasiões! Terminado com aquela rivalidade há muito tempo. O ódio queimava em sua garganta, lhe presentando com uma vontade sanguinária de torturá-la. Suas mãos tremiam frias lhe implorando por brutalidade… raiva de si mesmo gritava em sua cabeça. Talvez ela se sentisse assim quando matava as pessoas, mas ao invés de raiva, o prazer explodia em seu corpo. Então, em quais circunstâncias ele era melhor que ela?
No dia anterior, ele estava dormindo quando sua irmã, Luxanna, o ligou para comunicar a tragédia em Demacia. Invadiram o quartel da cidade, e mataram o comandante estrategista do exército. De acordo com os depoimentos de uns soldados, o assassino era de Noxus, pois vestia o uniforme da famosa Elite de Carmesim e era uma mulher. Eles só conseguiram distinguir que era de fato uma mulher, pois seu longo cabelo vermelho dançava no vento enquanto ela se movimentava rapidamente pelo local. Todos conheciam o quanto Katarina Du Couteau era ousada em seus assassinatos. Cada um deles mortalmente perfeitos, tão representantes dela.
E mais uma vez ela exterminara alguém tão importante para ele! O comandante morto de maneira tão insignificante foi seu grande mestre. Por causa dele, Garen aprendera todas suas técnicas de luta. Todos os méritos de suas vitórias eram dedicados ao falecido. Além de um mestre, ele o considerava como pai. Seu coração apertava só em pensar no fato de nunca mais poder vê-lo. Um nó em sua garganta se formava quando a culpa recaia sobre si, lhe mostrando tamanho da sua imprudência em ter viajado.
Lux tentara lhe acalmar, argumentando que ninguém poderia ter evitado, pois como iriam adivinhar? A paz entre Noxus e Demacia reinava há bastante tempo e provavelmente Katarina vez aquilo por diversão, não por ordens superiores. Ela atacou sozinha, brincando com o perigo de ser pega.
E mergulhado na derrota, Garen virava vários copos de bebida, como se aquilo fosse curar tal sentimento de luto, fosse lhe fazer esquecer por alguns minutos a dor de perder alguém familiar, presente em sua vida. Se mutilando por ter escolhido uma ilha esquecida de Bilgewater para viajar, e não ter como voltar correndo a Demacia no mesmo instante do recebimento da trágica notícia.
Respirando fundo, ele remexeu-se na cadeira, sentindo sua coluna doer por ficar na mesma posição durante muito tempo. Olhou em sua volta constatando que o movimento do bar não diminuíra nem um pouco, pelo contrário, novas pessoas adentravam ao local e nesse momento ele tomara um susto, observando uma mulher passar pela porta.
Havia sim, muitas mulheres ali no bar, mas aquela energizou seu corpo, e ele piscara várias vezes, tentando aguçar sua visão embaçada pela bebida. Não podia ser… seria muita sorte e com certeza devia está imaginando coisas.
Ele se encolheu torcendo para não ser visto, algo muito improvável, pois o movimento do local o camuflava e aproveitando isso, ele concentrou-se em observá-la. Não era alta, apesar de ele ser mais alto que o comum, porém a comparando com outras mulheres, não era tão alta assim. Usava um vestido preto, sem detalhes, que caia até a metade de suas coxas e tinha um decote em V. Sobre ele um casaco de couro aberto, apertado seria se estivesse fechado, de mangas longas. Esse possuía um capuz e ele cobria sua cabeça. Como Garen a via de lado, não conseguiu ver o cabelo dela, devido ao capuz e se estivesse solto, provavelmente estaria por dentro do casaco. As mãos dela estavam vestidas com luvas de couro, e calçava uma bota de cano alto de salto, que passava um pouco de seu joelho.
Ela seguiu até o balcão, sentando no antigo lugar onde ele estava. Garen não teve coragem de se aproximar, contudo não conseguia desgrudar os olhos da nova visitante. Estava bêbado o suficiente para pensar que aquela era Katarina? Sim. Contudo, como não iria notar a presença de uma rival tão íntima dele? Conhecia-lhe tão bem. Tantos anos de guerra serviram para algo, e ele não podia negar o quão ligado era a ela. Nunca errara em tentar adivinhar seus movimentos antes, e isso fazia deles rivais. Ele era o único capaz de acompanhar a mulher, de prever suas ações. Ou até de pensar igual a ela, entretanto, essa parte ele não admitia para si mesmo. Não era um assassino, muito menos se comparava a um noxiano covarde.
Em 20 minutos, ela já havia tomado onze doses de diferentes bebidas, uma mais forte que a outra, e agora já virara o segundo copo grande de drink. A mulher conseguira beber mais que ele em bem menos tempo, o fazendo lhe perguntar como ela não desmaiou ainda. Queria se matar? E não somente Garen reparou nisso. Um homem seguiu na direção tela tocando-lhe o ombro e num piscar de olhos, as suspeitas do demaciano se confirmaram.
Rapidamente, ela puxou uma adaga pequena da lateral de sua coxa, ainda de costas para ele, mas logo após apareceu atrás do estranho, derrubando o homem desconhecido de barriga no balcão. Garen conseguiu ver a expressão confusa do outro cara, devendo está se perguntando como ela apareceu atrás de si, num milésimo de segundo. A mulher segurou a nuca dele enquanto encostava sua faca no meio de sua garganta e logo o homem começou a implorar por piedade.
Todos do bar se calaram, observando a cena.
– Eu ainda sou gostosa para você? – Devido ao silêncio extremo do bar, Garen conseguiu ouvir a provocação da mulher, tendo sua segunda confirmação.
Era a voz dela. Involuntariamente, ele procurou sua espada debaixo da mesa, e aproveitando que todos prendiam sua atenção a ela, e Katarina olhava cheia de deboche para o homem submisso a ela, Garen levantou-se para se esconder em um lugar onde a assassina não pudesse vê-lo. Como ela poderia está ali, naquela ilha tão distante, se no dia anterior havia matado o comandante estrategista? De guarda tão baixa após assassinar alguém de Demacia? Atitude que geraria uma provável guerra! Garen estava confuso, apesar de ter gostado da situação.
Ela soltou o homem que se virou assustado para encará-la. Sangue escorria pelo seu pescoço, embora o corte não tenha sido profundo.
– Olha o que você fez! – Berrou assustado ao ver sua mão ensanguentada.
Sem falar nada, a mulher jogou o dinheiro sobre o balcão, limpou sua adaga na blusa do homem assustado e virou-se para ir embora. De longe era possível ver o quanto bêbada ela estava. Saiu cambaleando, devagar em direção à porta, não dando a mínima atenção aos olhares, nem vendo quem estava ali. Muito descuidada…
Garen disfarçou alguns segundos, mas logo a seguiu. Agiu por impulso, sem pensar como e o que faria, contudo a idéia de se vingar, tão próxima dele, tão irrecusável, lhe motivou persistir no seu plano.
Sede de sangue. Seu corpo gritava para causar a morte dela. Vê-la padecer e torturar por cada sofrimento causado ao seu povo. Não se lembrava, nem um pouco, de seus tão “defendidos” princípios. Encantando pela aura negativa que aquela maldita mulher sempre o aprisionava, rendendo-se aos seus mais primitivos instintos. Almejava derrubá-la. E não conseguindo medir seu ódio, continuou a escoltando cuidadosamente.
Pela rua escura Katarina seguia cantarolando uma música, baixinho, rindo ao pensar que aquilo não iria fazer sua cabeça parar de rodar.
– Foda-se! – Sussurrou sentindo o gosto de menta da última bebida tomada. Ficara bêbada toda a semana, e pouco se importava com as consequências daquilo.
Queria mesmo era cair ali e ficar até ter coragem de dirigir sua lancha de volta para casa em Bilgewater. Gostava de ir àquela ilha porque era isolada de tudo, e seu maior desejo era ser esquecida! Não tinha noção do quanto andaria para chegar onde deixara lancha, então teve a idéia de dormir na floresta algumas horas, até melhorar da tontura. Logo desviou seu caminho e adentrou na trilha, quase sem nenhuma iluminação, exceto a luz da lua cheia e das estrelas.
Garen parou o passo ao vê-la desviar a rota em direção à floresta. Seria uma emboscada? Ela tão loucamente bêbada percebeu que estava sendo seguida? Ainda assim fez o mesmo caminho, não aguentando mais para ter sua vingança, embora as atitudes dela não fizessem muito sentido.
Noxiana ridícula! Pensou consigo, não acreditando na imprudência de Katarina. De certo estava comemorando seu assassinato, achando-se vitoriosa a ponto de “encher a cara” sem nenhuma preocupação.
Andaram por mais alguns minutos até que ela resolveu parar numa clareira, bem iluminada pela lua, e sentou-se, sem se importar se sujaria suas roupas. A brisa fria acarinhou o rosto da ruiva, e esta apertou os braços num “auto abraço”, arrepiando-se degustando a solidão de alguns meses.
Katarina não podia negar, tinha sentimentos! Embora tal isolamento fosse voluntário, sentia falta de conversar com alguém, de se irritar por causa de seus irmãos, de beber acompanhada de suas amigas. Entretanto, não queria se contrariar. Precisava terminar aquilo, ou Noxus se perderia de vez. Ela se arruinaria junto…
– Onde está você P… — Disse falando baixo, apesar de não ter terminado a frase. A razão pela qual era não terminou seus pensamentos foi um puxão, incrivelmente forte, no seu cabelo, a ponto de fazê-la ficar de pé. – Que porra? – Gritou enquanto sua cabeça rodava.
Katarina tentou puxar sua faca presa na coxa em vão, pois antes de perceber, seu agressor havia lhe desarmado. Depois foi arremessada de volta ao chão, caindo sentada, mas dessa vez de frente para ele. Piscou os olhos, com força, várias vezes, expulsando o embaçado da bebida, embora não tenha adiantado muito. Segundos depois ela recebeu uma bofetada no rosto, caindo deitada.
– Você não vai escapar! – Palavras recheadas de ódio bradaram espantando o silêncio da floresta.
Ela reconheceu a voz, ainda tonta suficiente para não enxergar nada. Seu rosto queimava onde a tapa covarde encostou.
– Nossa… o tão certinho demaciano atacando um inimigo por trás? Essa é a sua famosa “honra”? – Zombou antes de ser levantada, dessa vez pelo pescoço.
Gostava de provocar ele, mesmo não sabendo a razão do inesperado ataque. Alguns anos se passaram desde a paz entre Noxus e Demacia prevalecer, resultando no fim de seus combates pessoais com Garen. Poucas vezes ambos se viam, exceto quando eram convocados para batalhas nos campos de justiças de League of Legends, e lá era tudo pacificado.
– Não é assim que você faz com as suas vítimas? Extermina todas cruelmente, na covardia! — Gritou ainda apertado o pescoço da mulher. Enfurecido ele encarava os olhos verdes arregalados, enquanto ela puxava sua mão em cima da dele, tentando se livrar do aperto. – Não foi assim que você matou Frederico Campbell?
– Do que você está falando? – Questionou usando seu último folego. – Está louco?
– Cretina! – Garen novamente a largou no chão, sabendo que se continuasse ela iria desmaiar. – Vai negar agora, sua vagabunda?
Eles passaram inúmeras vezes por ocasiões onde se enfrentaram. Não era a toa que os exércitos de ambas as cidades apostavam por cada um deles como se a briga fosse um grande evento de torcidas. Eram rivais declarados. Conheciam-se a ponto de se complementarem lutando. Dançando juntos num ritmo mortal, somente deles.
Katarina atrapalhara grande parte das missões de Garen, e o homem lhe impedira tantas vezes de sair ilesa de um conflito. Contudo, ainda com todos esses “duelos”, Katarina nunca foi tratada daquele jeito por ele. Os olhos de Garen a fitavam com nojo, faltava respeito em suas palavras. Nunca ele havia lhe atacado injustamente… covardemente. Ela sabia… isso não fazia parte do jeito de ser dele. As lutas entre ambos eram de igual para igual, Garen jamais a humilhou e lhe tratou daquela forma.
– Não quero lutar! Estou bêbada! – Retrucou rendendo-se, tentando se levantar, mas foi impedida por um soco em seu estômago. – Filho da pu…
– Você não lutará, apenas vai morrer! – E terminando ele chutou o rosto da mulher. Esta gemeu cuspindo sangue. – Porém antes, me diga o por quê!
– Meu Deus! Eu não sei de que merda você está falando! – Gritou olhando confusa, tentando parecer o mais sincera possível.
Entretanto, Garen não hesitou e nada parecia comovê-lo. Katarina podia sentir o cheio de ódio se esvaindo dele, lhe transformando em um enorme predador. Ela, pela primeira vez, se amedrontou diante do guerreiro demaciano. Nunca o vira com tamanha fúria, e isso causaria facilmente a morte dela. O jeito era tentar fugir, ou morreria.
– Não sei nem quem é Frederico Campbell! – Deu de ombros, ainda tentando se recuperar do chute. – Otário! – Provocou, incentivando o próximo passo de Garen.
Ela sabia o quanto ele odiava ser insultado de otário, e com tanta raiva ele não aguentou. O homem jogou-se para cima dela no chão, dando-lhe a oportunidade para Katarina fugir. Ela desviou do ataque, aparecendo atrás dele, e aproveitando, ela chutou sua coluna, e quando ele caiu, a assassina puxou sua espada, jogando-a para longe do alcance dele.
– Lute como um homem! – Ela riu devido à forma engraçada em que ele caíra. – Isso é o seu melhor?
Ele simplesmente odiava a tática de movimentação dela. Era injusto Katarina conseguir desaparecer, literalmente, num pulo, em menos de um segundo. O pior era o fato de ele também está bêbado, e não conseguir utilizar seus reflexos de maneira efetiva.
– Vamos, me diga o motivo de tê-lo matado! – Ordenou virando para encará-la.
– Esse é o meu motivo! – Provocou, retribuindo o mesmo chute que levou na cara, porém ela tomou impulso rodando para conseguir derrubá-lo. Garen era mais forte e resistente, um simples chute não o causaria tanto dano. – Eu não fiz nada, otário! Estou em Bilgewater faz um mês!
– Não acredito em você!
– Não estou nem um pouco me importando! – Ralhou, gritando mais alto. – Você vai fazer minha ressaca ser uma grande merda! – Reclamou raivosa. E sem dizer mais nada, Katarina virou de costas, prestes a ir embora.
Garen não permitiu a saída dela, antes da mesma dar o primeiro passo, ele a puxou pela perna, fazendo-a cair, outra vez. Katarina gemeu ao bater a cabeça, tornando a ficar tonta, mas não esperou o próximo ataque para revidar. Sentou em cima da barriga dele, e depois acertou o rosto do homem com um soco em seu nariz. O sangue escorreu de imediato, porém ela não demorou a repetir o golpe. Então percebeu que ele também estava bêbado, pois o seu tempo de reação, no normal, era muito rápido, e nada disso aconteceu.
– Você é quem vai acabar morrendo! – Katarina instigou, num timbre pesado em irritação.
–Veremos. – Garen respondeu no mesmo tom de voz. Ele fingiu um soco pela direita, prontamente desviado pela Noxiana, mas acertou em cheio um gancho com sua mão esquerda. Tal golpe fez com que Katarina desmaiasse em cima dele, batendo com a testa em seu queixo. Ela sabia o fato de ele ser canhoto, porém o álcool apagou tal informação de sua cabeça. – Quem é o idiota agora?
Ele a jogou de lado, tendo imensa dificuldade em se levantar, a tontura não aliviou em nada. Katarina ficou de barriga para cima, seu cabelo esparramado pelo rosto, inerte. O homem tentou o mais rápido possível encontrar sua espada, quando achou, Garen retornou sua atenção para a ruiva. Quais atitudes tomar? E a disposição de matá-la, onde se escondera? Ela causara todo aquele problema, gerara sua raiva, depressão e desgosto pela vida. Envenenara suas boas lembranças e companhia de seu mestre, matara, literalmente, seus instintos benévolos.
Apesar de ainda querê-la extinta e ver seu corpo queimado em sua cidade natal, algo dentro dele não o deu motivação o suficiente para executá-la ali. Poderia sim machucá-la, torturá-la, descontar toda a revolta dentro de si, porém, ir tão contra a sua ética, para matar Katarina, de maneira tão covarde, não lhe agradava nenhum pouco. Para quem protestava em alto e bom som pela justiça, terminar ali, daquela forma, era repugnante. Garen guardou sua espada nas costas, logo após puxando a mulher do chão, colocando-a sobre seus ombros, por mais bêbado que estivesse tal ação não lhe causou nenhum esforço.
Quando Katarina recordou a consciência, se viu numa situação muito complicada.
– Minha cabeça! — Resmungou, não se lembrando do ocorrido, até quando tentou se mover, entretanto foi impedida porque estava amarrada pelo pulso, de braços pra cima, pendurados. – Merda...
– Finalmente!
Ela respirou fundo, era uma idiota por beber tanto! Agora estava ali, submissa ao seu maior rival. Por que quanto mais fugia de problema, mais eles apareciam? A vida era muito injusta com ela! Durante alguns segundos, Katarina observou o local para onde foi levada. Com certeza um quarto de hotel, embora ela não conhecesse nenhum famoso pela região. Através da janela, viu o quase nascer do sol, e depois avistou algo que lhe causou inveja. Uma cama bem arrumada e aparentemente confortável. Afinal, qual o propósito de ela está ali?
– Crownguard, vamos conversar? Não sei motivo de ser acusada! — A ruiva iniciou, o encarando pela primeira vez. – Se vou morrer, deixe-me saber, pelo menos! — Ironizou num sorriso debochado.
O demaciano apertou os olhos retribuindo ao ato. Katarina pôde sentir o calor da raiva resplandecendo nas íris azuladas dele, e tal sensação a fez tremer. Se a circunstância não fosse tão esquisita, seria uma boa surpresa encontrá-lo. Garen a divertia. Ele lhe proporcionava um sentimento de competição, como parte de um jogo perigoso, onde ela não conseguia jogar sozinha. Tão enfurecido… isso lhe tirou um sorriso de lado. Talvez a mulher nunca o vira fora daquela armadura demaciana ridícula. Ele vestia uma camisa branca simples, uma calça jeans e tênis. Tão diferente do normal… devia está muito bêbada mesmo!
– Você é engraçado! — Falou levantando as sobrancelhas. Não recebendo uma boa reação. Garen avançou na sua direção, segurando seu rosto na região do maxilar, eliminando quase todo o espaço entre eles.
– Acho bom você tirar esse sorriso nojento da sua cara, ou...
– Ou o quê? — Alfinetou, tentando se livrar o aperto. — O quê você vai fazer?
O brilho da provocação surgiu nos olhos dela. Com a proximidade, Katarina conseguiu sentir o cheiro de álcool vindo dele. O comportamento correto de Garen foi deixado de lado, diante dela a presença de um homem desequilibrado predominava, sem controle algum sobre suas decisões. E Katarina sabia… aquilo era apenas o começo! Podia explorar muito mais a paciência dele.
– Por que você o matou? — A resposta da pergunta dele foi uma expressão confusa da ruiva. Onde ela queria chegar? Ele sabia da verdade, então qual a razão de ela querer escapar?
– Eu não matei nin... — antes de a mulher terminar, recebeu uma tapa no rosto, gemendo de dor logo em seguida. — Covarde! — Revidou tentando soltar seus braços.
– Covarde? Você é vagabunda suficiente ao ponto de matar pessoas friamente, sem lhes dar a chance de saber o motivo de estarem sendo assassinadas! — Garen disse puxando o cabelo de Katarina para trás, lhe obrigando a encará-lo. — Em tempo de paz, você resolve ser imprudente, a ponto de talvez causar uma nova guerra, só para se divertir! Já não basta quanta dor você já causou ao povo de Demacia? Homens de caráter e...
– Ao povo de Demacia? — Interrompeu soltando uma risada curta. — Pelo o que eu sei, não foi apenas uma cidade que participou da guerra! Não somente Noxus estava lá! Qual a diferença das pessoas da minha terra para a sua? Todas são feitas de carne e osso, todos possuem família! — Argumentou firme, não deixando de encará-lo. — Seus homens de "caráter" mataram crianças, destruíram sonhos de uma nação! Vocês são hipócritas e mentirosos! Escondem-se atrás de uma máscara, apelidada de honra, enquanto não passam de farsantes! A única diferença é: Noxus nunca escondeu e sempre assumiu seus motivos pela guerra, coisa nunca feita por Demacia! Todos morrem de um único jeito! Se você me matar, agora, sem me deixar saber a razão pela qual estou aqui, o que lhe faz diferente de mim?
A prepotência eminente no contra ataque de Katarina derrubou a moral de Garen. Ele se perguntou quando teve a oportunidade de conversar sobre isso junto a ela, e viu que era a primeira vez. Necessita reviver tanta maldade do passado? Eles já não haviam se desgastado o suficiente devido às guerras entre as cidades rivais?
– Sou tão repugnada a seu ver? Você é igualzinho a mim! — Katarina saboreou as palavras antes de soltá-las. Um sorriso cheio de maldade brotou em seus lábios diante do silêncio dele. — Você faria tudo o que eu fiz, sem pensar duas vezes, em nome de Demacia. Seja homem e admita isso! Pelo menos terei um motivo para não lhe achar um patriota de merda!
– Eu tenho nojo de você! — Cuspiu se aproximando mais do rosto dela, tentando vê-la hesitar. — Admita! Foi você!
– Eu não matei porra nenhuma! — Gritou aborrecida. — Estou em Bilgewater há semanas!
– Você mente igual a uma prostituta noxiana! — Ele ofendeu apertando o fino pescoço da ruiva. — Veio fazer o que aqui? Encontrar novos clientes?
– Sim, estava cansada dos noxianos e como em Demacia só existem inúteis, brochas como você, vim aqui em busca de homem! — Respondeu transbordando audácia, antes de expulsar no rosto dele. — Você não deve durar 5 minutos na cama! Só deve transar com menininhas, nunca com uma mulher de verdade.
– Vadia! — Tremeu em raiva. — Você não sabe de nada!
– Ficou com raivinha? — Zombou num tom maternal, fazendo um biquinho. — A verdade dói? — E a resposta saiu em forma de outra tapa no rosto. — Vai só ficar batendo? Se você quer me machucar, melhor colocar mais força, porque assim… eu gosto. — Riu, não querendo demonstrar a dor daquela agressão. — Vamos lá Crownguard, me mate… você sempre quis isso!
Afinal, tantas verdades saiam da boca dela, então por que ela não assumia logo o assassinato? Sim, ele sempre quis matá-la, então, não o fazia por qual pretexto? Encarar tão de perto aqueles olhos verdes o fazia se perder. Ganhar, contra as palavras dela, era bem mais complicado do que lutar contra suas lâminas. Afinal, aquela mulherzinha precisava ser tão boa em tudo?
Katarina era uma jóia de Noxus, seus trabalhos exaltavam o nome de sua cidade, além de ser uma incrível comandante. Isso aborrecia o homem, o confundia.
– Ou faça de fez o que você quer comigo. — Provocou voltando a sorrir.
– Como assim? — Agora era a vez dele de ficar confuso.
– Essa sua obsessão comigo… o que você pensa que é? — Ironizou num tom venenoso. – Ah… esqueci… você é inexperiente com essas coisas! Idiota!
Aquele timbre encantou seus ouvidos, embora estivesse recheado de insulto. Garen olhou para a boca de Katarina, e essa sorriu ainda mais ao perceber isso. A cor vermelha brilhava nos seus lábios, deviam ser muito macios… aquele cheiro de bebida, misturado ao seu perfume, pareciam ser puro fruto de bruxaria. Como eles tinham se aproximado tanto? Ele apenas notara isso quando a respiração dela aumentou o ritmo, e os seus seios se mexeram junto ao peito dele.
– Você é um inútil mesmo...
– Cala a boca! — Bufou irritado, guiado pelo joguinho de provocação dela. — Você está se jogando “pro inútil” aqui! — zombou esperando uma reação dela. — Igual a uma boa prostituta!
– Você não é capaz de fazer nada! Eu sei! Não é homem o bastante para isso! — Ela realmente não acreditava em futuras reações dele. Garen era um típico certinho demaciano. Muito sem graça! Talvez nem pudesse fazê-la sentir cócegas. — Tão impotente... — mas seria engraçado e desafiante vê-lo tentar algo.
Era um tipo de provação mortífera. O jeito insinuado por ela o atraia como um feitiço carnal. Seu coração, alma e vida pertenciam de fato a Demacia, contudo, ele antes disso, era um homem e aquela mulher sempre o causara curiosidade. Incrivelmente perigosa e proibida. Katarina de longe era uma mistura promiscua de perigo e atração.
Garen voltou a puxar seu cabelo para trás, arrancando um gemido de dor da mulher, lhe agradando bastante. O pescoço de Katarina estava exposto, convidando Garen a encostar seus lábios ali, e assim ele o fez. Enquanto percorria sua boca por toda a extensão da pele macia dela, sua outra mão livre entrou por baixo do vestido dela, subindo pela parte interna da coxa feminina.
Katarina, em reposta involuntária, tentou fechar as pernas, mas ele não deixou. Garen afastou os joelhos da mulher com a sua coxa, separando ainda mais as pernas dela.
– Vou te matar! — A ruiva grunhiu esperando ele se afastar, porém em resposta, foi silenciada com um beijo.
Ela estremeceu. Tal toque conseguiu fazê-la tremer até os ossos. O arrepio eletrizante energizou sua pele, e a ruiva poderia afirmar, até seus fios de cabelo deviam está ouriçados. Seus lábios se roscando lhe acordou por completo, elevando-a ao máximo de sua adrenalina. Retribuiu a altura, encontrando sua língua com a dele. A pressão colocada pelo homem estava machucando a boca macia de Katarina, e o roçar de sua barba arranhava o rosto feminino. E para variar, iniciou-se uma competição de quem conseguia brutalizar mais tal “carinho”.
Garen não iria deixá-la tomar controle da situação! Não queria ser um brinquedo na mão dela, ele era quem deveria usá-la! A mão por baixo do vestido dela subia e descia por toda parte interna de sua coxa, indo até a virilha de Katarina. O corpo da assassina lhe dava sinais, dizendo o quanto estava gostando, embora ele não quisesse aquilo. Ele não queria perder! Aquele jogo era seu! E tentando virar o estado, Garen interrompeu o beijo, voltando-se para morder o pescoço dela enquanto sua mão tinha pousado sobre a calcinha úmida, apertando a parte íntima de Katarina.
Essa combinação arrancou um gemido de dor da mulher, que jogou mais sua cabeça para trás, não sabendo se sentira algum prazer naquilo. Ela queria descobrir… apesar de não está à vontade naquela circunstância. Deveria deixar-se levar e tornar-se mais uma aventura daquele homem? Sim, ultimamente ela sentia falta de sexo, ainda mais por estar sozinha há alguns meses! Tantos problemas explodiam sua cabeça, e seu coração negro não era capaz de se apegar há qualquer cara, então sexo era por casualidade mesmo. Apenas sexo! E esse, quanto mais louco fosse, mais ela aprovava. Confiaria nele? Era, com certeza, uma insanidade! Porém, quem disse que ela podia escolher? Ele avançava sem pedir nenhuma permissão!
– Para uma vagabunda, você não geme tão bem quanto deveria! – Sussurrou irônico, ao pé de sua orelha, mordendo a pontinha logo após.
Katarina tentou responder, mas não conseguiu pensar em nada! Outra carga de arrepio maltratou sua pele e sem poder se recuperar, Garen ousou ainda mais.
Sem nenhuma preocupação em machucá-la, o homem segurou seu vestido pelo decote, o rasgando sem depositar muito esforço no ato. O olhar de Katarina o fuzilou, cheio de raiva, e ignorado por sua parte. Como seus braços estavam presos para cima, ela ainda estava de casaco, mas a visão daquela mulher de calcinha e soutien afastou da cabeça do homem qualquer possibilidade de parar com aquilo ali.
Queria arrancar o resto das peças o mais rápido possível, porém resolveu se divertir um pouco. Katarina tentou recuar, grudando as pernas, quando ele ajoelhou-se diante dela, atitude em vão.
– Medo? – Indagou puxando-lhe pelas nádegas.
– Isso é abuso! Vou denunciar você! — Brigou, com a fala trêmula. Em resposta, o homem apertou seu bumbum a ponto de fazê-la gritar de dor. – Pare com isso!
– Calma… — sussurrou sorrindo de lado. – Daqui a pouco você vai gostar!
Ela era linda! Muito além do que ele podia ter imaginado. Tão de perto, a beleza dela, na opinião dele, era algo inexplicável! Suas curvas eram trilhas de um caminho à luxúria. Suas pernas, bem definidas, pareciam ter sido desenhadas. Ele não demorou mais para começar a beijá-las, enquanto acariciava com as mãos na sua cintura.
Sorriu ao notar a quão arrepiada Katarina era capaz de ficar. Deixando de lado suas pernas, ele voltou atenção para sua barriga, arrastando vagarosamente os lábios até seus quadris, acompanhando a tatuagem da ruiva até que foi impedido de sentir a pele feminina, pois o soutien atrapalhava o caminho.
Irritado, ele repetiu o que fez com o vestido, arrancou a peça sem menor dificuldade.
Os seios fartos de Katarina ficaram desprotegidos, livres, o convidando para tocá-los. Garen passou a ponta de sua língua sobre um de seus mamilos, deixando-o excitado. A respiração de Katarina era ofegante, mas ela não liberou nenhum gemido. Ele a olhou antes de abocanhar um de seus seios, enquanto apertava, sem força, o outro. Ela fechou os olhos, fugindo para não encará-lo.
Deliciosa! O homem tentava aproveitar e gravar o máximo cada detalhe dela. Provar seu gosto, enlouquecer naquela proibição. Garen voltou a beijá-la, mas dessa vez, ela não parecia muito feliz, então ele interrompeu o ato para fitá-la e encontrou um sorriso debochado em seus lábios da mulher.
– É só isso que você consegue fazer? – Alfinetou, em desprezo. – É a sua primeira vez? – Riu, atiçando a raiva dele. – Igual a um adolescente…
Toda a parte onde os lábios dele tocaram, parecia pegar fogo, e se ela estivesse livre, já estaria em cima dele, mostrando qual ritmo seguir.
– Você é insuportável! – Ele declarou, mordiscando os lábios cheios de sua rival. Sabor de perigo, sedutor, delicioso. – E muito gostosa…
Katarina não conteve um sorriso. Aquela ousadia o deixou incrivelmente fascinante, ameaçador. Até então, em meio a tantas diferenças entre eles, ela nunca imaginou a existência daquela atração. Em vários momentos, os rivais se repulsavam, e quando se encontravam resplandecia apenas o interesse de lutar por suas cidades.
Gemeu de dor tentando virar o rosto após Garen morder seus lábios. Ao sentir o gosto de sangue, soube que estava começando a perder. Estavam deixando ser devorada, e ao expressar sua irritação, o homem riu, se divertindo com a cena.
– Já? Tão rápido! – Sussurrou a pegando pelo queixo, obrigando-lhe a olhá-lo. – Não aguenta? – E não esperando resposta, beijou-lhe novamente.
O gosto de sangue não atrapalhou o sabor da maciez dos lábios feminino. Suas línguas travavam uma batalha enfurecida, como se estivessem transando de modo selvagem, buscando o vencedor daquela briga carnal, que demorou até o ar faltar. Katarina gemeu quando os lábios se afastaram, enquanto a boca dele descia por seu pescoço. Tal gemido incentivou Garen a lamber toda a extensão de pele amostra, e ao chegar à ponta da orelha dela, finalizou mordiscando.
O toque dele não era delicado, as mãos deles apertavam fortemente sua cintura, e se ela não estivesse tão empolgada e quente devido àquele contato, talvez gritasse de dor. Mas sentia-se bem. Embreada com o cheiro masculino que lhe tomava os sentidos, lhe descontrolava. Ele não parava! Quando ela abriu os olhos novamente, a boca dele havia voltado para sua barriga, depositando ali, beijos, lambidas e mordidas. Em cada toque, Katarina excitava-se mais, seus músculos demonstravam isso ao tremer, sua pele ao ficar arrepiada, como se ansiasse por mais.
Garen a via suar, apesar de está só de calcinha no frio. A satisfação o dominava por completo, pois a reação carnal da mulher o obrigava a prosseguir. Sua mão, que agora apertava um dos seios da ruiva, foi guiada até bunda dela, apertando e puxando a noxiana ao seu encontro, enquanto ele não desviava o olhar do de Katarina. Ela não parecia se intimidar, não desviou o contato visual, porém ele não desejava isso! Para mudar a situação, a outra mão masculina entrou na calcinha dela, e o dedo do meio dele procurou o clitóris da ruiva, e ao achar-lhe, esfregou de leve.
– Não! – Gemeu, quase sem voz, fechando os olhos, sem conseguir impedir o tremor em seu corpo.
Ele queria assim! Submissa, não conseguindo encará-lo… descontrolada. Enquanto esfregava o dedo em sua vagina, os bicos dos seios se enrijeciam, e ela tentava sufocar os gemidos.
– Então me manda parar. – Desafiou, rocando seus lábios nos dela.
– Para! – Reuniu todas as suas forças tentando falar aquilo, mas a voz soou trêmula. Sentiu Garen sorrir, enquanto lhe beijava.
– Que gemido gostoso! – Provocou, passando a língua sobre a boca feminina. – Aposto que você está molhada! Vamos ver…
E rapidamente, seu dedo do meio abandonou o clitóris, e a penetrou, sentindo-a umedecida. Katarina não se conteve, gemeu alto, e se não estivesse presa, teria caído, suas pernas fraquejaram em rendição. Ele estava brincando com ela, como já deve ter feito com alguma outra aventura dele, mas a ruiva não conseguia fazer nada!
Entretanto, não era somente ela que estava ficando enlouquecida! Sentir a vagina daquela mulher, escorrendo de tesão o deixava mais sedento! Ao mexer o dedo, e vê-la contorcendo-se de prazer lhe dava mais vontade de prová-la! Devorá-la e degustar cada centímetro daquele luxuoso corpo.
– Fala pra mim que você não quer… — sussurrou tirando e metendo novamente o dedo, várias vezes. – Mas fala de verdade! – E mesmo que ela não quisesse, não tinha como ele parar ao sentir o quão molhada de prazer ela estava.
E se ele parasse, iria matá-la? Ou melhor, a ruiva iria conseguir fugir dali se aquela provocação fosse interrompida? Katarina riu internamente ao notar que o melhor era deixá-lo continuar e depois, se tivesse sorte, fugir dali sem ser percebida.
Enquanto ela estava de olhos fechados pensando no que deveria fazer, o homem ajoelhou-se novamente e começou a espalhar beijos no começo da calcinha dela, indo descendo em direção a sua vagina. Quando parou a boca no começo do sexo feminino, brincou de morder, bem devagar, puxando a peça íntima com os dentes. Devorando-a.
A ruiva estremeceu, não sendo capaz de segurar mais nenhum gemido. Ela abaixou a cabeça, olhando-lhe tirar sua calcinha com a boca. Tão ousado… nunca imaginou Garen numa cena como aquela… com ela junto! Ambos não pensavam no absurdo de tal ato, apenas eram guiados pelas sensações de provocação, do recém-descoberto desejo alucinante, da luxúria que pulsava no corpo deles.
Quando a calcinha caiu aos pés de Katarina, os lábios de Garen encostaram diretamente na sua vagina. A mulher perdeu o ar, somente voltando em si quando seu corpo estremeceu ao sentir a ponta da língua dele separar seus lábios vaginais a procura do clitóris. Ela simplesmente não poderia fazer mais nada, apenas entregar-se àquele prazer extremo. Sem perceber, pegou-se gemendo o nome do homem, enquanto a língua de Garen brincava, sem pudor, com seu clitóris.
Os gemidos de Katarina estimulavam Garen, pediam mais, e assim ele obedecia. Ele não tinha nem noção de quanto tempo passara ali, chupando-a tão umedecida, percorrendo sua língua por toda extensão saborosa da ruiva. A inexplicável satisfação que lhe dava ao vê-la enlouquecer e molhar em prazer quando ele parava de lhe lamber e começava a mordiscar carinhosamente era, no mínimo, viciante. Outra vez, voltou a esfregar a ponta de sua língua, em rápidos movimentos, de cima para baixo, no clitóris, e complementando, penetrou o dedo do meio enquanto a lambia. Em segundos depois, Katarina molhou quase toda a mão do seu “rival”, a respiração ofegante junto aos gemidos expulsavam qualquer pensamento não relacionado a ela da cabeça de Garen.
E finalmente ele desistiu de continuar as provocações quando Katarina gemeu alto, estremecendo em sua mão, o corpo dela todo tremia, denunciando o orgasmo descontrolado que o homem a proporcionou. Antes de ela perceber, Garen lhe soltou, mas no mesmo segundo, o homem lhe jogara contra a parede, abrindo-lhe as pernas, enquanto a levantou, então a ruiva gemeu alto outra vez, por ser penetrada bruscamente.
A maneira selvagem que Garen a possuía roubava seu equilíbrio, sua sanidade. Se ele não estivesse a erguendo contra a parede, não teria ficado em pé em nenhum momento. Suas pernas tremiam, e a cada metida, seus músculos explodiam em prazer.
Ele não queria desgrudar. Seus corpos se atraiam como imãs, o cheiro dela impregnava ao suor dele, suas bocas clamavam pela do outro. O único desejo dele era terminar aquilo quando sua rival desmaiasse sem força alguma, ansiava por usar cada milímetro do corpo feminino, agora, tão entregue a ele.
Garen empurrava Katarina contra a parede, ouvindo-a, às vezes, reclamar quando batia a cabeça no concreto, e ao vê-la fazer isso, ele aproveitava e mordia, sem pena, seu pescoço, na intenção de ouvi-la gemer com dor, mais alto. O homem a sufocava, pressionando-se ao máximo possível junto a ela.
– Então… quer que eu pare? – Katarina estremeceu ao ouvir o sussurro masculino muito perto de sua orelha, e ele percebeu isso. – Pelo jeito não.
A ruiva conseguiu sentir um sorriso dele se abrindo contra a pele de seu pescoço, enquanto Garen se divertia ao cheirá-la. Foi interrompido quando ela puxou a cabeça dele para trás pelo cabelo, obrigando-lhe a olhá-la. O homem calou-se diante à imensidão verde dos olhos dela, brilhando em desejo. Katarina se aproximou mais do rosto dele, faltando milímetros para as bocas se tocarem, e então disse:
– Você quer parar? – Indagou levantando uma das sobrancelhas, num meio sorriso.
A Voz soou arrastada, saboreada, livre de timidez, na opinião de Garen, erroneamente charmosa. De maneira súbita, ele tirou-a da parede, levando-lhe, ainda em seus braços, em direção à cama. Ele jogou Katarina no colchão, logo após, virou a mulher de costas, colocando-lhe de quatro. As mãos masculinas não perderam tempo em percorrer o belo corpo desnudo, apreciando a maciez delicada de sua pele, e por onde passava, deixava um rastro ouriçado. Sua mão esquerda segurou, sem delicadeza, a cintura da ruiva, e a direita se enroscou no longo cabelo vermelho, puxando a ponto de fazer a cabeça dela empinar para trás.
Seu pênis latejava enquanto ele parou para visualizar a cena por alguns segundos. Katarina abaixada de quatro, suas curvas delineavam uma trilha de prazer, seu bumbum tão convidativo desafiavam o controle do homem. Antes de penetrá-la, Garen passou a cabeça de seu pênis no clitóris até a entrada da vagina dela, repetiu isso várias vezes, introduzindo apenas a cabeça, até que Katarina se empurrou contra ele ao senti-lo provocá-la.
E as horas se passaram acompanhadas pelos beijos desesperados, pela necessidade de aproveitar prazer proporcionado por aquele contato. Permitiam-se navegar com a luxúria embriagada, livre de qualquer pensamento de culpa, pelo menos durante o ato. Não existiam brigas, cada decisão eram aceitas de maneira complementar, cumplice. Combinados na união de seus corpos, ou além, interligados por suas almas. Apesar do tempo decorrido, a intensidade de todo o “carinho”, para uma primeira vez, era quase perfeita, como se eles já tivessem praticado aquilo outras vezes.
Katarina não soube o horário exato no qual pegou no sono, nem se lembrava de ter deitado para dormir. Ao abrir os olhos uma enorme dor martelou em sua cabeça em forma de reclamação e apenas uma palavra brilhou em sua mente: ressaca.
– Bem feito! – Sussurrou baixinho, se espreguiçando na cama. Mesmo sofrendo pela dor de cabeça, seu corpo estava muito relaxado, um conforto momentâneo lhe obrigou a sorrir. Então ela lembrou-se de todo o ocorrido na madrugada passada, e assustada sentou-se na cama. – Puta merda! – Resmungou por ficar tonta.
– Boa tarde também! – Ouvir a voz de Garen lhe causou outro sobressalto. Sua única reação foi puxar o cobertor para esconder seus seios, até então, expostos.
– Tarde? – A pergunta sem jeito não tirou a expressão neutra de Garen, que estava sentado à frente da cama.
– Quase noite – respirou fundo. — Eu tomei a liberdade de comprar um vestido novo para você. Precisamos conversar.
– Minhas armas antes! – Katarina interrompeu num tom desconfiado e ouvi-la assim remoeu a culpa miserável de Garen.
– Pode ficar tranquila, eu não farei nada. – Aliás, se ela quisesse matá-lo ele não resistiria nenhum pouco. – Mas se faz questão…
A ruiva o viu tirar seu sinto de lâminas debaixo da cadeira e jogar em cima da cama, ao lado do vestido novo. Diferente do seu antigo, esse era branco, simples, com pequenas flores amareladas, pintadas a mão, pelo barrado. Ele deveria ter gastado um bom dinheiro naquilo. Junto ao vestido, estava uma calcinha e soutien também na cor branca, ambos possuíam decoração rendada.
– Crownguard, me prometa… você não irá tentar nada… por enquanto! – Katarina disse enquanto levantava-se da cama, enrolada no cobertor.
– Tem a minha palavra. – Consentiu num tom baixo.
– Vou tomar banho. – Ela adentrou no banheiro levando suas roupas novas e quando saiu de lá uma bandeja de comidas a esperava em cima da cama e um Garen estático a lhe observar.
O vestido ficava preso até debaixo dos seios e depois soltava, dando a Katarina um ar de inofensiva. O cabelo vermelho formava um coque, permitindo ver as marcas de mordida no pescoço dela.
– Estou falando com você! – Ela bufou irritada, tirando Garen de seus pensamentos.
– Katarina… por quê? Eu realmente queria entender, ou melhor, eu preciso saber o motivo! – O timbre dolorido do homem lhe causou um aperto agoniado no coração. Os olhos azuis marejados em luto imploravam uma resposta sincera.
– Garen, por favor! Eu estou fora de Noxus a semanas! Eu não matei ninguém! Por qual motivo eu quebraria um acordo de paz tão importante para nossas cidades? – Ela parecia tão sincera! Porém ele se recusava a acreditar.
– Você vai para Demacia comigo! – Bradou demonstrando que não aceitara o argumento dela.
– Não mesmo! – Katarina se alterou para acompanhar a teimosia dele. – Não me misturo com pessoas que acusam os outros sem ter razão!
– Sem razão? – Garen se levantou indo em direção a ela. – Então você tem uma irmã gêmea? Só me lembro da cobrinha nojenta!
– Meça as palavras antes de falar da minha família! Seu insolente! – A ruiva ameaçou irritada. – Se eu estou falando que não matei porra nenhuma é porque não matei! Se você não acredita, foda-se! Você e Demacia inteira! Mas uma coisa eu prometo! – Pausou enquanto apontava seu dedo indicador para ele. – Eu vou provar toda essa merda! E eu quero ver onde você vai enfiar a cara quando souber a verdade! Vou fazer você engolir cada insulto e a falta de respeito com que eu fui tratada! Porque você é um merda! – Ofendeu batendo seu dedo no rosto de Garen. – Homens de verdade não fazem aquela covardia de ontem!
– E quem você é para pedir respeito? – Indagou encarando o nojo brilhando nos olhos de Katarina.
– Alguém bem superior a você! – Retrucou firme, virando-se para ir embora. – Pelo menos não tenho motivos para ter vergonha de mim!
Aquelas palavras o atingiu tão cruelmente quanto a técnica da lótus da morte de Katarina. Até se expressando ela se resumia numa assassina. Ele apenas se contentou em observá-la sair do quarto, levando consigo um segredo capaz de arruinar toda sua reputação. O homem se prendia a ela agora, porque se ele não pensasse em um jeito de pedir desculpas a Katarina jamais iria conseguir viver em paz. Teria vários problemas a resolver depois de retornar a Demacia, porém estaria interligado a Katarina, a qualquer lugar escolhido por ela a ir. Ela o afetaria como uma doença, um problema pendente. Não somente por ele dever desculpas, mas também pelo fato de ele ter a certeza: iria ser o responsável pela missão de caçá-la, se realmente ela fosse a culpada.
Agora seu coração negro sangrava em vergonha, por tê-la maltratado. E nada mais ele poderia fazer, restaria aceitar a dúvida de quando iriam se encontrar novamente.
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