Poeta, não gramático.
24 Sorrateiramente
Notas iniciais
Destranquei a porta do meu apartamento, rindo de um comentário engraçado que Benjamin fizera. O apartamento estava a maior escuridão.
Sem hesitar, o moreno me abraçou por trás e beijou meu pescoço. As mãos apressadas abriam os botões da minha camisa, o meu corpo correspondia com um delicioso arrepio. Ajudei-o com o trabalho e logo já estávamos os dois sem camisa aos amassos e esbarrando em tudo quanto é móvel na procura do quarto.
Caímos na cama e naquela hora eu decidi me entregar, me livrar de toda habena que ainda me prendia.
Seu olhar tem um brilho indecente
Entres carícias e mordidas, suspiro
Rompemos o silêncio da noite sorrateiramente
Nas suas mãos, piro!
Os beijos intermináveis
Respirações entrelaçadas e ofegantes
Os olhares, tão pertos e distantes
E os desejos, insaciáveis
Seu gosto é delicioso
Teu cheiro, vicioso
Os murmúrios na madrugada,
Hora das confidências
Somos apenas transparências
Juntos, num nó
Nos tornamos um só
Numa satisfação mútua
De dois corações [não mais] solitários
— Bom dia! – Benjamin sorriu quando me viu na cozinha preparando o café – Vem cá. Me dá um beijo.
— A gramática dessa frase está um pouco errada... – brinquei.
— Ainda bem que sou poeta, não gramático!
Aquele era apenas o começo.
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