Poesias para recordar
8 Alameda dos desejos
Apenas um homem de borracha
Vivendo em um mundo plastificado
Cultivando flores de papel
Em um jardim amarrotado.
Apenas uma garota de cetim
Vivendo em mundo de algodão
Vagando por ruas abandonadas
Em busca de um pouco de emoção.
Um vagabundo desce a alameda
Assoviando uma canção de amor
A noite está a sua espera
Ele sente a brisa em seu rosto,
Enchendo seu peito com um ardente calor.
Borboletas brincam em um velho playground,
Em um eterno ritual belo e deslumbrante
Elas sabem que o inverno está próximo
E que o vento vira forte e uivante.
Vaga-lumes pintam a noite de dourado
Subindo e descendo em todas as direções
Azul, amarelo talvez vermelho
Apagando e acendendo as brumas de todas as nações
Um velho sino badala no alto do monte
Ele anuncia a chegada de uma nova era
Amantes se abraçam em parques de confete
Tecendo juntos viagem a uma nova terra
A bordo da nau de um velho grumete.
Dois gatunos assombram a noite
De bolso em bolso em busca de um dobrão
Surrupiando os desinformados
E desaparecendo nas trevas como um borrão.
Apenas um homem de borracha
Vivendo em um mundo plastificado
Apenas uma garota de cetim
Vivendo em um mundo de algodão
Apenas um coração de borracha
Descendo a alameda dos vaga-lumes,
Apenas um coração de cetim
Subindo a ladeira das borboletas
Entre eles, apenas um vagabundo,
Parado e assoviando uma velha canção de amor.
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