Poesias e pequenas histórias
3 Tocador de Violão
Notas iniciais
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Tocador de violão
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Naquela cidade onde tudo parecia estar sempre atrasado, visto a correria do dia-a-dia, o homem fitava o céu de concreto. A poluição e os altos prédios apagavam um pouco da serenidade do passado, tornando aquela tarde de meio de semana ainda mais deprimente.
Com um suspiro, ele se desencostou da parede e puxou ao colo um velho violão, um de seus mais importantes pertences. Os dedos percorreram as cordas e uma melodia se fez ouvida, os seus olhos cansados ocupados demais com o instrumento para se importarem com os poucos – muito poucos – espectadores. Afinal, naquela grande e sempre corrida cidade, raros eram aqueles que ainda dispunham de tempo a desperdiçar com um pobre músico desempregado.
O homem tocaria até o entardecer, o som ocasional de moedas caindo no chapéu fazendo acompanhamento à música. Seus pensamentos, que antigamente sonhavam com um futuro de sucesso no meio musical que tanto amava, agora se questionavam se jantava ou guardava os trocados para o almoço do dia seguinte.
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