Poesias Perdidas
3 Capítulo 3
Minha irmã se chama Maria
e desde pequena tem uma estranha mania,
sonhar acordada,
ou como ela mesma dizia:
" Acordar, enquanto o mundo dormia!"
Falava minha tia:
"Olha menina, a rosa vermelha que nasce no campo!"
e minha irmã respondia, sempre arredia, como lhe era costume:
"Que rosa, que nada, vejo um pé de sorvete de goiaba!"
Ela seus sonhos me contava,
e como os meus não lembrava
ouvia atenta, espantada
e os dela não esquecia.
Sua boca nunca parava
sempre falante,
os dias eram pequenos
diante dos sonhos de Maria.
"Para que a noite, se posso sonhar com a aurora do dia?"
era assim que ela vivia
...
Como sinto falta dos sonhos de Maria...
O tempo passou,
ele sempre passa,
Maria cresceu
então esqueceu.
Esqueceu de sonhar e virou minha tia,
sempre querendo me convencer
que os pingos da chuva não são sinfonia;
que o vento que sopra não é melodia;
que a buzina dos carros não traz alegria,
que um dia na praia não é noite fria
e que a rosa no campo, não é um pé de sorvete de goiaba,
como um dia sonhou Maria!
Notas finais
Esse é um dos meus favoritos!
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