Poesia-me
5 Livrar-se.
Havia som, ouvia cores, perigoso como as notas sinfônicas da chuva vibravam na janela fechada. Vibrante como os raios assinavam linhas diversas nos céus de folhas sem palta. Escuro como a solidão da vela projetava desenhos na porta fechada.
Fechada.
Trancafiada em ser, lia um capítulo ou três, devorava palavras todo o tempo, você sabe, uma questão de realidade; ou desejo da falta dela.
Colocava os livros ao lado da cama com a esperança de, com os personagens, trocar de lugar. A vida como conhecia mudaria o ângulo e talvez estivesse, na manhã seguinte, perdido como palavra nas páginas de um romance em Londres, ou junto aos relâmpagos sólidos, num penhasco, prestes a desabar.
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