Poesia-me

2 Feito poço


O dia já não é mais dia faz tempo.

A lembrança… a mera lembrança do teu sorriso me machuca.

Tento ouvir o vento ao longe. Os cortes das folhas envolvem a face brusca e seu sorriso torto, desenhado em queda ao lado esquerdo do rosto, chora tão alto que mal posso suportar. Deixo o silêncio que as montanhas gritam envolver a voz de uma vida toda.

Choro porque por essas bandas, já não o vejo. Porque certa vez me encontrara caída num poço qualquer, e agora, quando o poço é teu, já não posso alcançar. Agarrar a ponta do dedo, um fio de cabelo… uma roupa se quer.

Amo-te.

Repito.

Amo-te.

O vento acata a declaração. Mas não há resposta.