Poesia da Estrada

18 Patrimônio de Carmas


Aquela casa
Casa construída
Com maus tijolos
Tem história

Cada parede um desgosto
Conta a história
Do sofrimento
De uma mulher e sua família

Cada parede assistiu
As lágrimas da mãe
O álcool de pai e filho
Injustiças cometidas
Preces não respondidas

Aquela casa
Abrigou a dor
Casa hoje que
Apodrece mas ainda permanece
Exalando o mau odor

Casa assombrada
Foi o palco da palhaçada
Estrelando com louvor
Estupidez, Violência, Vingança
Frutos de ingratidão

Casa assombrada
Por que não conseguimos nos livrar
Dos teus fantasmas?

Aquela casa
Casa maldita
Não vale o preço
Mas queremos pagar
Para dela nos livrar

A casa não é mais morada
É prisão de moradores
Que ali já não moram

Justiça pode demorar
É um raio que não aparece
Durante as tempestades
Mas quando vem
Vem com a força de um trovão
Derruba essa casa
Liberta a assombração

Tem doenças que já não se podem mais remediar
Precisam seguir teu curso
Sofrer e morrer
Para uma nova vida nascer

O tempo irá mostrar
Para aqueles que desejarem ver

Casa amaldiçoada
Um dia será abençoada
Quando desmoronar
As mazelas da família para o túmulo irá levar.

– Lúcia Fernandes Bonito