Poesia da Estrada

22 Paixão de Mulher


Licença poética tem a hora
Para — de Eros — falar agora

Em expressões integradas de faces do amor
Me permita falar de minha paixão
Que hoje toma conta de meu coração

Sou alma
Sou espírito
Mas ainda sou mulher

Sonho acordada, fantasia de moça
Querendo provar da sede de tua boca
Calor de tua pele
Corpos em abraço, firmam o laço
Firmeza do teu movimento
Infinitude do teu olhar
Além dos outros níveis do ser
Na matéria também arde o meu querer

O corpo não é pecado
Esteja dado o meu recado
Não quero exagerar na ousadia
Mas por mim, dia e noite
Teu amor eu conquistaria

Quero despir-te de todo o pudor
Enquanto tuas roupas
Caem ao chão de meu quarto
Explorar-te-ei teus segredos
Por entre nossos beijos
Mergulhar-me-ei em nossa intimidade
Pois este deleite há de ser
Continua infinidade

Desejo acolher-te em meu interior
Agarrar-me em tua pele
E ao pé do teu ouvido
Cantar-te-ei meus delírios
Acabar de vez com esse martírio

Descontroladas respirações
Ritmo de aceleradas pulsações
Serenata de amantes — temos a melodia
Para perdermo-nos em fervor e magia

Pelo corpo e alma dessa mulher
Amado e honrado, serás, meu homem
Só é necessário saber
Se é recíproco o meu querer

– Lúcia Fernandes Bonito