Poesia da Estrada

30 Menina, Moça, Mulher


A vida me fez mulher
A alma me fez apaixonada
Meu coração me fez impulsiva para amar
Não vou tentar evitar

Essa urgência que me invade
Me faz viver com mais vontade
Nas minhas veias arde essa pulsação
Ritmo da alma que quem toca é meu coração

Me fizeram mulher
É uma dádiva que você não tem como entender

Sou um espírito selvagem
Livre para correr
Mas sei muito bem o que buscar
Nas delicadezas encontro a minha coragem

Quem vive de superficialidade
Se assusta com minha intensidade
Sou constante inconstância
Aprendi a não ter medo das mudanças

Se a minha raiz é forte e alcança a profundidade
Minha flor é feita como dente-de-leão
Frágil, vai com o vento, se rende a tempestade
Fértil, se renova como semente nova brotando do chão

Meus passos tem a suavidade de um véu
Como pássaro que descansa suas asas na imensidão do céu
Dançando e cantando eu transformo as dificuldades
Mágoas viram águas de amabilidade

Honro meu ventre, meu feminino, minhas emoções
Fantasias, sonhos, ilusões
Nunca foram fragilidade
Só porque não se entende sua simplicidade

Quando menina
Aprendi a deixar-me encantar
Quando moça
Aprendi a deixar-me apaixonar
Quando mulher
Aprendi a ser o que eu quiser

– Lúcia Fernandes Bonito