Poesia da Estrada
11 Intenção
Você desconfia da minha índole
Pronuncia meu nome em vão
Distorce minhas palavras
Desonra minhas atitudes
Só porque
Eu mexo na maldade
Eu te mostro a sujeira
Eu desço até os demônios
Eu vou e te levo até o fundo do poço
Quando eu mexo na maldade
É para você ver que ela não é maior
Que a bondade que carregas na Alma
Quando eu lhe mostro a sujeira
Venho com o pano e lhe ofereço
Ajuda para o serviço. Limpando teus caminhos
Quando eu desço até o que você chama de demônio
É a oportunidade que lhe dou de conhecê-los
Para que parem de assombrar um ao outro
Com medos infundados
Quando te levo no fundo do poço
É porque sei do calor dos combates que vive diariamente
E também sei que é só lá que tem água nova
Para te aliviar dessa angústia
É desconfortável
Mas hoje você tá bem, não é fio?
Está melhor que antes
Mudou
Aprendeu
Cresceu
Está mais forte
Tem mais ânimo
Tá com mais estima por si
Agora só falta curar o preconceito
É ou não é, fio?
Você acha que um médico é doente,
Por que tem que lidar com doença?
Que gari é imundo,
Por que tem que lidar com a sujeira?
Isso é só trabalho, fio.
Quem a gente é de verdade é o coração que fala.
Ou você também acha que palhaço tem vida boa
Só porque vive na palhaçada?
– Lúcia Fernandes Bonito
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