Poesia

14 Querida morte


Ouço teu grito latente
Me chamando,
Tua voz é tão bela, tão serena
Que encanta, a cada nota que sai de tua boca
Quando você se aproxima de meu ouvido e fica a sussurrar
É como se fosse a música mais sublime que tive a honra de escutar.

Sinto cada vez menos meu corpo
É como se aos poucos me desligasse,
Como se estivesse a me despedir
Da minha vida, dos meus amores e desafetos.
Tua voz porém está cada vez mais perto, mais clara
Teus sussurros se tornaram palavras, as palavras em frases,
E depois as frases em música.

Você canta para mim, como em convite para um dueto
A imagem de teu rosto começa a surgir
Estou morrendo pra esta vida e, nascendo para ti.
Estamos juntos outra vez meu amor, meu anjo

Você me estende a mão, nós começamos a dançar tendo como palco as nuvens
Tua pele pálida reluz
E o brilho aos poucos toma conta também de meu corpo,
Eu que antes velho, agora estou jovem
Nunca fui tão feliz contigo, como agora nessa nova vida
Nesse novo começo que fomos presenteados
Eternamente viveremos casados.
Hoje me caso com a vida eterna.
Me caso com a morte.