Poesia
20 Escravidão
A gritaria ensurdecedora dos senhores de engenho
Deixa as lágrimas das ingênuas vítimas dessa barbárie transbordarem
Como o sangue que jorra de uma grande ferida que fora aberta
Os esnobes senhores buscam um pobre desavisado
Que ao ser escolhido por aqueles homens sugadores de honra
Se tornarão escravos
Vivendo em senzalas
Como seus semelhantes antepassados
Essa armadilha de ardilosos espinhos
Prende os inocentes
Que se tornam truões
Para a diversão daqueles que alegaram serem seus donos
E a única coisa que fazem é
Sangrar
Chorar
Se humilhar
Por um prato de comida
Pela liberdade que nunca antes foi tão merecida
O estalar do açoite
Queimando e marcando, as curvas que muitas vezes foram banhadas de sangue
As correntes que os prendem
É construída e reforçada por ameaças e agressões concretizadas
Os senhores de escravos fazem isso para mostrar
Que matam até a família dos pobres escravos ameaçados
Que tem o direito de marcar a pele de suas posses com ferruadas
A escravidão mostra sua feia face com exploração sexual, trabalho forçado e mal pago com lavagens dadas como refeições
Algumas dessas almas sofredoras e escravizadas fogem
Em busca de seu refúgio, chamado quilombo
Porém são sempre seguidos e atormentados todas as noites
Por pesadelos de borrões de chicotes e de sangue
Causados por todos os seus traumas
Hoje minha rima está carregada de agressividade
Por desconhecer outra forma de tratar a inimiga da liberdade
A culpada por tantas formas de crueldade
A mais perversas criações da humanidade
Escravidão moderna ou antiga é uma atrocidade que assim que deu o seu primeiro suspiro deveria ser extinta
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