Poemáticos
2 De oito a doze
Notas iniciais
(oito)
eu vou beber do choro da lua
um gole doce de amargura
e vou bebê-la por inteira
até minhas lágrimas virarem estrelas
(nove)
sentado na sarjeta,
encostado no poste da frente da balada
em que você me traiu
com outros sete caras
não que nós namorássemos ou tivéssemos algo séroi
mas é que eu sempre tive o defeito
de idealizar demais a realidade
e dessa forma foi nossa relação:
mal deu ares de vida
e já era coberta por flores
enquanto descia o caixão do nosso (ou do meu)
breve amor (por você)
natimorto
(dez)
vai ver não era pra ser
tipo, o santo não bateu
você era sol, mas eu nsaci sob a lua
sabe, nossas famílias ou amigos atrapalharam também
eu sei lá
talvez fosse coisa de destina ou mapa astral
é que o seu ascendente em qualquer coisa
não combinava com o meu não sei o quê
eu nem acredito nisso
mas é cruel demais
ter a culpa da perda
do amor da sua vida
nos próprios ombros
(onze)
eu escrevo de madrugada
quando as luzes da cidade se apagam
e as luzes do céu se acendem
(doze)
eu gosto de andar pela casa de noite
quando todos os quartos estão fechados
e eu posso abrir as portas da varanda
e ver a iluminação dos postes de luz
aquela brisa fria no meu pijama
o cheiro de luar descendo pela minha garganta
a cidade fica tão mais bonita no escuro
porque é quando se desnuda
de sua capa de superficialidades
e fica ela,
só ela,
bela e natural como é
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