Poemas que se vão à Beira mar
7 Adentros
Notas iniciais
Em noites como essa, as escuras ruas de Santos
Levam homens sedentos de amor.
Homens que Lua guia,
Homens que a Noite esconde,
Homens que no outro dia a Água lava.
Eu, um desses homens, caminhava por essas ruas.
Quem era eu ? Ninguém.
Até que te vislumbrei, Mulher.
(Esqueci de dizer-vos das mulheres nas ruas de Santos,
Todas com falsos sorrisos,
Todas com olhos mendigos,
De amor ? Não, de dinheiro.
Elas matam os nossos desenhos
E depois nos esquecem o nome)
Eu te segui noite adentro,
Quarto adentro,
Cama adentro.
Tu me seguiste desejo adentro,
Amor adentro,
Sexo adentro.
Quem era eu, agora ? Era tudo.
Era seresteiro, caso tu fosse a Lua.
Era boêmio, caso tu fosse a noite.
Era apóstolo, caso tu fosse Jesus.
Era dinheiro, no fim,
E que fim, Meu Deus !
Quando a Lua tocou no Mar.
Saímos dos “adentros”.
Quem era eu ? Um executivo.
Quem era tu ? Uma prostituta.
E nenhum dos dois se lembraria quem fomos nós.
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