Como Drácula na minha torre de empalos,
com minha pele pálida, um cadáver conde,
um poeta morto a tempos,
tempos de guerra.
Eles vieram e aos montes caíram,
todos viraram flores no jardim desse castelo,
e quando a lua entra em erupção no céu,
essas flores desabrocham em vermelho-alma.
E assim tem sido a mil anos,
noites que se passam,
sonhos que não me lembro,
asas, tópicos e luas,
todos pelas órbitas da minha pupila
permanentemente dilatada.
Permaneço em vida, ou quase,
sou o meio do meio,
nem deus, nem humano, nem animal,
não vivo, não morto,
não sol, sim lua.
Pois da gótica janela do meu castelo,
humilde casa vazia,
vi o mundo se pôr naquela batalha
e nunca mais ele se ergueu.
Flores de lua,
ah, lindas flores de lua,
florescem também de dia,
é tão doloroso tocá-las
tão coloridas,
de noite vermelhas,
de dia brancas.
A última vez que as toco
é a primeira vez que as toco.
Fale com o autor