Em uma certa quarta cinza,

saí de minha cabana,

vi o céu sem cor

e o mundo acabando-se em dor,

e a Califórnia não mais um filme.

Eu, caminhando entre os daimons e fadas,

me dirigi à capela, onde, aos sons de guitarra,

rezei de joelhos sangrando

e olhos fechados,

pedindo a quem escutasse

um copo de água e uma resolução,

pedindo um tanto de vida sobre os ossos

e piedade com os outros.

E o padre, em pé no púlpito,

me viu sair da capela,

e a Bíblia se fechou.

E, passo a passo, fui chutando os corpos

de velhos deuses de ontem e leprosos.

Vi, do centro da rua de terra vermelha,

no céu, o objeto de solene destruição

que, na imagem do céu, parecia um deus solar

e, dirigindo-se ao chão do horizonte,

fabricou para si uma nuvem em formato fúngico

e varreu da terra todas as moléculas de vida que estavam.

E, momentos depois, já não me sentia,

já não existia.

Naquele dia, eu e todos os deuses e capelas

já não existimos mais.