Poemas para se Ler Enquanto o Cigarro esta Aceso
5 Certa Vez
Em uma certa quarta cinza,
saí de minha cabana,
vi o céu sem cor
e o mundo acabando-se em dor,
e a Califórnia não mais um filme.
Eu, caminhando entre os daimons e fadas,
me dirigi à capela, onde, aos sons de guitarra,
rezei de joelhos sangrando
e olhos fechados,
pedindo a quem escutasse
um copo de água e uma resolução,
pedindo um tanto de vida sobre os ossos
e piedade com os outros.
E o padre, em pé no púlpito,
me viu sair da capela,
e a Bíblia se fechou.
E, passo a passo, fui chutando os corpos
de velhos deuses de ontem e leprosos.
Vi, do centro da rua de terra vermelha,
no céu, o objeto de solene destruição
que, na imagem do céu, parecia um deus solar
e, dirigindo-se ao chão do horizonte,
fabricou para si uma nuvem em formato fúngico
e varreu da terra todas as moléculas de vida que estavam.
E, momentos depois, já não me sentia,
já não existia.
Naquele dia, eu e todos os deuses e capelas
já não existimos mais.
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