Poemas ou Travessuras?

18 Capítulo 18 - Em dança de dragões, bruxo não põe a mão


Estava vivendo um sonho de olhos abertos. Minhas noites eram as mais aguardadas da semana. Agora eu tinha amigos, eram poucos, mas eram meus. E eu tinha um amor. Um amor que não me queria, que queria minha amiga. Que por acaso era sua prima.

Já havia chorado por isso, e remoído sozinha várias vezes depois, mas agora nada poderia me tirar a atenção do que estava acontecendo na minha vida. Tudo começou na primeira noite em que dançamos. Estava cansada e deveria dormir sozinha, mas eu cansei de fazer tudo sozinha. Eu me permiti um ato ousado de pedir para que ele me abraçasse, para que ele me amparasse no sono. E pela primeira vez depois de muito tempo eu dormi tranquila. Apenas para acordar em seus braços. Primeiro foi estranho que em um abrir de olhos, ele estava me olhando. Como se tivesse passado a noite acordado para evitar que alguém incomodasse meu sono. Seria uma tolice é claro, mas pelo menos uma garota poderia sonhar. Aquele olhar cinza estava velando os meus e não queria me levantar daquele porto seguro.

Os dias que se seguiram foram mais mágicos que o normal. Eu conseguia me imaginar dançando o dia inteiro. Eu nunca me imaginei como uma dessas meninas que gostam tanto de bailes, mas me peguei pensando em como iria, no que vestiria, com quem iria? Obviamente comecei a receber convites. Dessa vez comecei a estudá-los. Então demorei para negar ou aceitar pedidos. Até agora só havia recusado os convites.

Quando finalmente consegui concluir meu vestido, com um pouco de magia e certa ajuda de Elysium decidi fazer uma surpresa para meu ‘Padrinho de Bruxa’. Eu iria mostrar meu vestido para ele e tentar encontrar um jeito de agradecê-lo por tudo que tinha feito. Mas então surgiu uma máscara similar a minha, porém negra, e os fantasmas me cercaram, e disseram que o Barão tinha sido bem especifico de como poderia agradecer à Malfoy. Então fiquei sem chão quando ele colocou a máscara e realmente pareceu feliz, simplesmente por me pegar nos braços e dançar no salão decorado de nossa sala.

Então qual não foi a minha surpresa quando ele me questionou. Nunca esperei que Scorpius fosse um dos que iriam pedir para me levar ao baile. Não, melhor dizendo ele não pediu, ele fez um acordo. Típico dele me deixar sem chão. Primeiro ele me ensinou a dançar, agora ele me pedia para irmos juntos ao baile. Eu não sabia o que responder, mas prometi pensar. No final da noite cheguei à conclusão que ele não poderia jamais me colocar nas costas de um dragão para voar. Então aceitei sua proposta. E isso significaria que iriamos juntos ao baile, e… O que as pessoas iriam falar?

♥♥♥

“Você é maléfica” Albus ria da minha cara enquanto eu cruzava os braços para ele “Não sei o que te deu na cabeça pedir algo como isso para ele.”

“Como eu ia saber que ele conseguiria achar um dragão e trazê-lo a Hogwarts?”

“Booooom….”Albus ainda tinha aquele sorrisinho bobo no rosto “Ele tinha um conhecido, que tinha um conhecido, que devia um favor a essa pessoa, que por coincidência é meu tio. E eles se conheceram no Natal. Acontece que Scorpius é MUITO bom impressionando as pessoas. E quando ele disse que queria ‘fazer charme’ para uma garota que queria MUITO voar num dragão…” Agora Albus estava praticamente rolando no chão de tanto rir.

“Eu não vou” Consegui concluir, não imaginando o que Scorpius devia ter feito para conseguir esse dragão.

“Não, não querida. Você se colocou nessa furada, você vai participar dessa furada”

Eu queria espernear como uma criancinha de 2 anos. Isso não era justo. Ele realmente tinha conseguido um dragão. Obvio que foi tudo escondido, então iriamos nos esgueirar para a Floresta Proibida, andar para um bosque que havia no meio dela, onde Charles Weasley nos aguardava com um dragão para que eu pudesse voar nele. Se eu desmaiasse agora conseguiria sair disso intacta?

“Ótimo. E quando você planejava me contar que queria V.O.A.R. em um dragão?” Albus estava me puxando pelo braço.

“Albus Severus Potter! Eu não vou! Você não tem que bolar outro plano mirabolante para ficar com a Rose?” Tentei dissuadi-lo. “Posso até te ajudar”

“Na.na.ni.na.não! Você vai. E essa eu quero ver de pertinho. Rose está preparando nossa saída estratégica. Ela já voou no dragão que o tio trouxe.”

Rose era valente, disso eu sempre soube. Mas eu não era ela. Se fosse eu estaria com Albus há muito tempo. Mas não… Onde estava Scorpius agora? Tentei fugir dos braços de Albus. Nunca pensei que fosse querer fazer isso algum dia. E aqui estava eu tentando.

“Mas o que você prometeu para o Scorpius que ele ficou tão empolgado em conseguir um dragão para você? Ele é todo principesco e tal, mas não o imagino fazendo isso por qualquer coisa…”

Eu corei e pensei que podia muito bem cair um raio na minha cabeça. Tipo. Agora.

“Então…?” Albus tinha um sorriso de ponta a ponta, e acho que ele já sabia, mas ainda insistia em perguntar.

“Eu vou ao baile com ele.”

Estávamos perto da cabana de Hagrid. Não havia volta.

“Então está dizendo que...Me ajudaria a tentar conquistar a impossível da Rose, mas não enfrentaria um dragãozinho para ir ao baile com Scorpius?” Ele voltou a rir “Mal posso esperar para rir na cara dele por isso”

“Albus!” retruquei “Não é isso… Estamos falando de um dragão”

“Um domesticado”

“Ainda assim um dragão. E nunca ouvi falar de um dragão domesticado.” Na frente das sinistras arvores da floresta. Por que nunca aparece um professor quando precisamos deles?

“Hagrid domesticou hipogrifos e trestálios. Acha que um dragão é mais difícil? Ah! Não posso esquecer do Fofinho”

“Fofinho?” O que seria este?

“Um cerberus”

Suspirei. Espero sinceramente que esse Fofinho não esteja em Hogwarts. Afinal, algo tão grande não poderia permanecer oculto da vista de todos. Não é?

Albus estava caminhando com confiança pela floresta, mesmo não acompanhando nenhuma trilha. Eu olhava de soslaio e percebi que não estava com mapa algum. Eles já tinham feito isso antes? Ele tinha dito que Rose tinha voado, tinha sido aqui?

“Albus nós vamos nos perder”

“Nem pensar. Basta seguir a trilha de fumaça no céu”

“A o que?” Eu vacilei e quase caí no chão, se não fosse por Albus me segurar.

“Nem ouse fingir um desmaio agora.”

“Não estou fingindo” Gritei irritada com ele.

Sons de coisas quebrando. Eu estava prestes a virar as costas e correr a pleno vapor quando os cabelos prateados de Scorpius apareceu detrás de uma moita.

“MALFOY” E num impulso eu estava nos seus braços apertando-o firmemente. Até que percebi que na verdade ele era o responsável pela minha estadia ali. Quando o soltei, ele me olhava divertido. Albus havia sumido.

“Campbell. Fico feliz por que veio. Vamos?” Ele estendeu o braço para mim como um verdadeiro cavalheiro.

“Eu me sinto honrada em recusar. Que tal esquecermos meu pedido, mas ainda vou com você ao baile.”

“E onde estaria a honra nisso? Não podemos deixar Jade esperando”

“Jade? O dragão tem o nome de Jade? É como o Fofinho. Aposto que ela gosta de comer menininhas no jantar”

Ele sorriu.

“E usar seus ossos como palitos de dente”.

Gritei. E devo dizer que não foi o meu mais bonito grito.

“Estou brincando com você, Campbell. Acha que eu te levaria para o perigo?”

Ergui minha sobrancelha direita.

“Além do que, tenho isso…” Ele tirou do bolso um pequeno frasco de poção. E nela eu via uma poção arroxeada com pequenos fractais que pareciam uma constelação. Era algo que eu conhecia. A poção do destemor. “E você poderia tomar um golinho dela, e quem sabe… Subir nas costas de Jade e aproveitar o voo? Eu irei com você”

“Desculpe se recuso. Você não é exatamente o melhor em poções para criar algo desse nível”

Ele concordou. “Eu não. Mas Rose por outro lado, está no mesmo nível que você e é a assistente dele nas aulas avançadas. Assim como você. MAS, já que não quer”

“Eu quero” Estendi minha mão para pegar a poção, porém Scorpius afastou no mesmo instante, o que me fez cair sobre ele. Estávamos no chão o segundo seguinte.

Scorpius travou, seus olhos ficaram ligeiramente arregalados. Eu estava deitada sobre ele e quando tentei subir um pouco mais para pegar a poção de novo de sua mão, ouvi ele arfar e no instante seguinte, eu estava com as costas no chão e ele sobre mim.

“Vai ter que me pegar se quiser essa poção” Ele ficou parado por instantes sobre mim antes de levantar-se rapidamente e correr. Fiquei deitada um tempo antes de decidir se corria na direção dele ou de volta ao castelo.

Corri para Scorpius.

♥♥♥

Ela era linda. Inicialmente ela me deu um pouco de medo, mas meu amor por criaturas mágicas falou mais alto. E quando ela não chiou ou soltou fumaça alguma, eu estava ao seu lado alisando suas escamas. Ela parecia uma cobra ao toque, mas com uma couraça muito mais firme. Jade era azul, de um tom vivo como o céu, mas seus olhos eram verde esmeralda. Era do tamanho de um rinoceronte, e pelo que Charles havia dito, não cresceria mais do que sua estatura atual. Aparentemente, ela era uma espécie rara e muito mais tranquila com humanos (motivo o qual era rara).

Não precisei da poção.

Scorpius subiu primeiro em seu dorso e deu a mão para que eu subisse à sua frente. Achei que eu iria ficar atrás dele, onde pelo menos teria onde me apoiar, mas não. Ele disse que assim eu poderia aproveitar melhor.

Eu deveria estar com medo de voar, mesmo que em um dragão. Mas meu estomago estava embrulhado, enquanto Scorpius me abraçava pela cintura e firmava minhas costas contra seu peito, como se ele fosse o encosto muito aconchegante de uma cadeira. Ele incitou Jade a levantar voo, mas não me deu medo, porque tudo que eu podia me concentrar era no braço direito dele que passava pela minha cintura e a outra mão dele que apertava a minha mão. Ou era eu que apertava a dele. Relaxei meu corpo contra ele, deitei a cabeça em seu ombro, quando senti o vento sacudir meus cabelos, e então fechei os olhos.

♥♥♥

Todos estavam olhando para nós. Quando eu desci para o salão de encontros, haviam muitos casais e alguns alunos espalhados. O silêncio que se seguiu foi gritante. Não havia um sussurro que fosse. Só a música ao longe do baile como fundo de minha entrada (praticamente triunfal). Mas não foi isso que me deixou completamente sem jeito. De certa forma, eu estava acostumada a esses olhares. Entretanto, nada me preparou para quando Scorpius saiu do meio da multidão. Ele se vestia todo de preto, um tipo de roupa com cauda, onde a cauda imitava o efeito da barra do meu vestido, de penas, fazendo com que ele parecesse com um corvo (um muito chique alias). Se não fosse seu cabelo prata, ele estaria completamente de preto. Enquanto ele caminhava em minha direção, eu também fazia meu caminho para ele. Nos encontramos no último degrau da escadaria que eu descia. Ele estendeu a mão para pegar a minha, curvou-se e a beijou.

“Campbell”.

Eu sorri, e ouvi gente arfando. Devo dizer que até mesmo alguns suspiros.

“Malfoy”

Então ele fez o impossível, quando passou as mãos pela minha cintura e ergueu-me ao alto, rodopiando no lugar. Meu vestido rodou comigo, então ele me colocou no chão, nossos rostos próximos. Scorpius passou as costas da mão pela minha bochecha, ou o que aparecia dela na minha máscara.

“Você me daria a honra de ser minha companhia nesta noite? Dançaria comigo noite adentro até que nossos pés não aguentem mais em pé?”

“Seria uma honra, My Lord” segurei as laterais do meu vestido e quase me ajoelhei ao chão em uma reverencia.

♥♥♥

A semana seguinte ao baile foi absurda. Agora pelos corredores não se comentava outra coisa do que minha participação ao baile (até hoje evitada), especialmente ao lado de Scorpius. Ouvi rumores de que formávamos um casal perfeito, e garotas dizendo, como foi que eu tinha deixado de notar Malfoy. O que mais intrigou a todos, foi a polidez com a qual havíamos nos tratado o tempo inteiro. Para piorar agora ouvia comentários de ‘coitada da garota do cachecol. Ela não tem chances contra Roweninha’. O que eles não sabiam era que éramos a mesma pessoa e que nunca, eu digo NUNCA, eu teria algo com Scorpius.

A fama dele era pior que a de Albus. Enquanto Albus aprontava e muitas vezes era visto, todos sabiam como e quem ele era. Scorpius por outro lado era recoberto por mistério. Ninguém nunca o tinha visto com ninguém, nem como conseguia ficar com tantas ao mesmo tempo. Comecei a questionar se ele não levava as garotas para nosso cantinho e o transformava em um lugar aconchegante para tê-las e dispensá-las antes que eu chegasse.

Não permiti que isso mudasse o que eu sentia pelo Malfoy. Ele era um precioso amigo que eu não poderia perder, então depois do baile, tentei não mudar o nosso tratamento, tanto na frente dos outros quanto entre as paredes do Elysium. E percebia que Scorpius ficava um pouco mais fechado a cada comentário que ele ouvia. Especialmente quando eram falados na nossa frente. Tentei mostrar para ele que isso não me afetava, mas só parecia piorar seu humor. Então parei de tentar.

Era o fim de semana o qual poderíamos ir visitar Hogsmeade. Convidei Rose para ir comigo, pois ela parecia chateada com as novas tentativas de Albus de tentar convencê-la a ficar com ele. Mas Rose disse que iria ficar longe de Albus durante o fim de semana. Então não me restou convidar Albus (para afastá-lo da pobre Rose) e Scorpius. Os dois trocaram um olhar e depois de um tempo em silêncio Albus pediu desculpas e disse que não iria.

“Não vai querer ir comigo. Não estou com um humor muito bom…” Ele coçou a nuca.

“Ótimo. Eu vou sozinha” Mordi minha bochecha. Eles estavam me evitando agora? O que eu tinha feito. “Já que perdi minha oportunidade no baile, quem sabe eu finalmente possa arranjar alguém para esquecer o…É tem razão, melhor eu não ir acompanhada para isso.”

“Você vai o que?” Scorpiu pareceu sobressaltado.

“Não precisa me acompanhar. Eu me viro”

“Aquele lugar é cheio de pubs e podem ter muitos mal-intencionados. Você não vai sozinha” Scorpius agora parecia furioso.

“Você não é meu pai” Ergui o queixo para ele.

“Não sou, mas se fosse, com certeza te daria umas palmadas” Ele estava a centímetros de distância do meu rosto, os olhos faiscavam. Eu senti meu rosto avermelhar e ele olhou para minhas bochechas e continuou descendo. E o brilho de raiva sumiu.

Scorpius ia dizer algo mais quando ouvimos uma risadinha, que nos colocou a dois passos de distância.

“Vá então. Boa sorte na sua empreitada” Scorpius foi embora me deixando boquiaberta. O que ele quis dizer com palmadas?

♥♥♥

Estava irritada em meu passeio. TOTALMENTE SOLITÁRIO. Não era como se eu não conhecesse Hogsmeade e não queria ficar andando pela Dedos de Mel, apesar de ser uma das minhas lojas favoritas. Scorpius brigando comigo sobre os pubs me manteve afastada dos mesmos. Como se ele tivesse injetado um pouco de consciência em mim naquela frase. Então me restava andar pelas ruas sem realmente ter um rumo.

Havia outros alunos de Hogwarts, mas eles se mantinham afastados, como se eu tivesse peste negra. Ou talvez fosse por que agora, os garotos achavam que eu ‘era de Scorpius’. Ou ao menos era isso que parecia. Não era o meu status favorito. Pior ainda que o que eu havia afirmado que faria, era impossível. Não era como se eu pudesse mandar meu coração parar de amar Albus. Se fosse fácil assim, eu teria encontrado alguém mais fácil de amar e dizer para meu coração: ‘É ele’. Meu caminhar sem rumo me levou a um dos locais mais bizarros da vila. Era uma cabaninha de esquina, com paredes rosadas. Corações, entalhados em quase todo lugar. Um cheiro de chá e especiarias vinha da loja. Não apenas isso, mas algo muito chamativo como morango ou alguma fruta vermelha similar. Ela tinha várias mesas espalhadas pela calçada com apenas duas cadeiras. E vários casais estavam tomando chá e conversando ou se agarrando. Parecia um antro de...romance e melação. Seria um lugar adorável, se eu tivesse um par para me acompanhar até ali. Estava ali, apenas olhando para aqueles casais paparicando (e melosamente se agarrando) quando senti alguém nas minhas costas.

“Não acho que vai encontrar alguém ali. Lá só tem compromissados” Scorpius estava falando ao pé do meu ouvido. Não havia um espaço entre nós. Eu não podia virar ou iria esbarrar com ele. E ele pareceu não querer sair de onde estava. “Eles estão aproveitando tanto que nem perceberam que estão sendo observados”.

Bufei, cruzei os braços e tentei andar para a frente, que aparentemente era o único jeito de me afastar de Scorpius. Mas ele me segurou pela cintura.

“Eu achei que não viria me acompanhar”.

“E não vim. Estava passando quando te vi aqui parada por quase meia-hora”

Eu quis retrucar, mas realmente não sabia quanto tempo havia passado. Mas foi então que a frase dele caiu no meu conceito. Ele tinha vindo para Hogsmeade. Só não quis vir comigo. Meus braços caíram inertes ao lado do meu corpo e ele se afastou um pouco. O que me deu a oportunidade de sair de perto dele.

“Já entendi seu ponto. Fique tranquilo Malfoy, eu não vou incomodá-lo com a minha presença. ”

“Campbell !!!”

Ele falou meu nome alto o bastante para que eu ouvisse. Mas ainda assim eu continuei andando apressadamente. Para longe da cafeteria bizarra, para longe dele, para longe da dor de ser evitada. Uma coisa é sempre ser evitada e estar acostumada. Outra coisa é você aprender a aproveitar a companhia de alguém e então ser jogada no abismo de volta. Não dá para sentir falta de algo que você nunca teve.

Não olhei para trás, continuei andando com destino a Hogwarts. Não havia nada para mim por aqui. Eu tinha pensado em comprar feijõezinhos mágicos para Rose ou um par de luvas novas de quadribol para Albus, ou quem sabe até mesmo um pincel para Scorpius. Mas tudo que eu queria era voltar para minha cama e desejado nunca ter saído dela hoje.

Enquanto pensava nisso, não prestei atenção que havia alguém atrás de mim. Então me surpreendi quando de repente minhas costas estavam contra a parede de uma cabana. Mais surpresa ainda quando antes de gritar percebi que era Scorpius. Ele parecia ofegante, mas eu não havia corrido, muito menos andado, tão rápido assim. Malfoy parecia prestes a me dar outra dura, quando seus olhos se encontraram com os meus. Ele fechou os olhos e aproximou sua testa da minha. Ele abriu os olhos e estavam tão perto que me perdi no céu cinzento que enchia minha visão. Scorpius segurou meu pescoço e começou a beijar minhas bochechas, e percebi que tinha estado chorando.

“Sua tolinha. Me desculpe. Por favor, eu não queria… Eu não posso te ferir.” Ele beijou todo o trajeto das minhas lágrimas, e quando já tinha coberto todo o caminho, me puxou contra seus braços e me apertou. “Eu não posso…”

Estava estremecida em seus braços. Mas onde eu tinha encontrado segurança uma vez, apenas me dava vontade de me afastar agora. Havia algo de estranho nele nessa semana, e eu não tinha gostado nem um pouco.

“Scorpius.Me.Solta”

Falei o mais pausado possível, e foi quando senti que ele tinha travado. Ele se afastou um pouco e me perdi novamente no céu do seu olhar.

“Você… Disse meu nome.” Ele franziu a testa.

“Sim e também disse para me soltar” empurrei-o. Ou o que seria uma tentativa disso. Ele nem saiu do lugar. Desde quando ele era forte assim?

Senti uma de suas mãos em minha nuca. Eu o empurrei de novo. E ele suspirou, como se tivesse perdido um de seus jogos.

“Você nunca me chamou pelo nome...Não posso mais…”

Parei de me mexer e olhei para ele. Realmente olhei para ele. Seu rosto estava corado, ele parecia sem folego, mesmo depois de tanto tempo parado. Scorpius estava tão perdido quanto eu. A mão em minha nuca apertou ligeiramente e senti-me quente.

“Scorpius, eu…”

Ele desceu seu olhar pelo meu rosto, continuou descendo e parou na minha cintura. O que ele tinha tanto em olhar para ela? Será que ele se lembrava de nossas danças? Seu olhar voltou na direção do meu rosto, mas dessa vez parecia fixo em meu pescoço.

“M-m-al-foy?”

O sorriso em seus lábios foi do tipo que nunca tinha visto até então. Era esbanjador. Ele deu um passo para frente, e instintivamente eu dei um para trás. Senti a parede as minhas costas, mas isso não pareceu impedi-lo de avançar mais. Ele colocou uma de suas pernas entre as minhas e arfei quando a mão livre dele tocou minha cintura ao mesmo tempo. Ele me levantou, e me vi praticamente sentada em seu joelho, que agora estava encostado na parede. A posição em que fiquei estava incomoda, mas agora estava a sua altura. Scorpius ainda mantinha uma mão na cintura e outra na nuca.

“Libusee”

E meu nome em seus lábios pareceram uma promessa, um milagre... Parecia especial e único, como se nunca antes alguém o tivesse pronunciado. Agora era eu que respirava com dificuldade, meu corpo inclinado entre ele e a parede. Nossos olhos se encontraram e ele murmurou novamente meu nome. As mãos apertavam suavemente meu corpo e movimentavam-se como se fosse uma cobra deslizando e descobrindo-me. Massageando. Eu arfei, e pareceu um convite para ele aproximar seu rosto do meu.

“Por favor, Libusee... Por favor”

Eu deixei minhas mãos deslizarem pela cintura dele, e como se fosse um convite ele abaixou seus lábios sobre os meus. Foi um roçar das asas de uma borboleta sobre os meus. Indeciso, e cuidadoso. Meu coração disparou e parecia em todas as partes do meu corpo, menos no seu devido lugar. Ele passou os lábios de um lado a outro, então senti algo molhado, e percebi que não sabia porque meus olhos estavam fechados. Livrei-me de todos os sentidos e mantive apenas o tato. Minhas mãos deslizaram pelas suas costas e puxei-o mais para mim. As mãos dele serpenteavam pela lateral do meu corpo e eu me sentia movimentando-me contra ele. Ele gemeu e foi o som mais bonito que eu já tinha ouvido. Suspirei em seus lábios e ele aproveitou-se para invadir-me. E se eu achava que o beijo era algo delicado, estava redondamente enganada.

Sua boca agora era ávida por mais, ele buscava e me explorava com sua língua. Sua mão ainda me mantinha inclinada, como se ele estivesse deitado sobre mim. Ele foi ajeitando-se e então minhas pernas estavam ao redor de sua cintura. Minhas mãos agarravam-se nos seus cabelos na nuca. Nós estávamos sem folego e meu corpo estava em chamas, mas não pareceu ser motivo para interromper o beijo. Ele parecia querer se afogar em mim, como se eu fosse sua agua no meio do deserto. Eu não estava muito longe disso. Nossos corpos estavam tão unidos que não sabia onde eu começava ou ele terminava. Scorpius finalmente parou o beijo, mas não para tomar folego. Seus lábios deslizaram pelo meu pescoço, descendo até o encontro da minha blusa. Minha cabeça estava contra a parede lhe dando espaço. Eu queria que ele continuasse, queria sentir seus lábios em todo meu corpo. Por onde os lábios dele passavam, por onde ele lambia, um rastro quente ficava. Pegava fogo e o gelado vento esfriava, me causando arrepios. Scorpius voltou a beijar até chegar no meu maxilar. Ele mordiscou a ponta da minha orelha e enterrou seu nariz em meus cabelos.

“Minha Libusee...Libusee” Ele murmurava em meu ouvido enquanto ele se movia debaixo de mim, suas mãos subindo pela minha cintura, tocando minha pele. Seus dedos fazendo o mesmo que sua boca havia feito em meu pescoço. Eu poderia me perder apenas em qualquer pedaço dele. Scorpius buscou meus lábios novamente, e entre um beijo e outro, murmurava meu nome como uma prece. Eu queria seus lábios em mim novamente, mas já não sabia onde preferia mais, se nos meus lábios ou na minha pele.

Finalmente ele pareceu parar para recuperar o folego. E eu queria matá-lo por isso. Ele havia encostado sua testa contra a minha novamente, respirando sobre minha boca. Soprando ar quente em minha pele. Num impulso eu me remexi em seu colo, e puxei seu rosto mais perto do meu. Meus dedos deslizaram pelo seu maxilar, e dessa vez fui eu que o beijei. Ele gemeu em meus lábios e me apertou mais contra a parede.

“Scorpius”

Ele apertou minha pele e separou-se de mim. Nós finalmente nos olhamos. Ele estava vermelho, com os cabelos todo bagunçado. A roupa em seu corpo amassada, e os olhos… Os olhos dele pareciam brilhar. Sei que minha aparência não devia estar muito diferente. Se um dia eu achava que ele era uma estátua de Michelangelo, eu não poderia estar mais errada. Scorpius estava um verdadeiro Deus e mesmo que eu não sentisse minhas pernas, eu sabia que ele me carregaria no caminho de volta para Hogwarts. Como ele sentia as próprias pernas?

“Scor..” Ele levou um dedo até meu lábio impedindo que eu continuasse.

Aparentemente recuperado ele voltou a me beijar. E quando seus lábios estavam quase sobre os meus, eu lembrei… Se ele parecia esse Deus aqui, sob mim, e eu achava que era a visão mais perfeita do mundo e que finalmente poderia morrer feliz. Outras também o tinham visto assim. Então antes que ele pudesse me beijar eu soltei um sopro.

“É bom ter experiência hein?”

Ele soltou um som similar a um riso. Sacudiu os cabelos e me olhou de cima. Quando foi que eu tinha encolhido em seu colo? Ele subiu um pouco mais suas mãos por dentro da minha blusa e eu arfei.

“Você é minha primeira”

“Mentiroso.”

“Não Libusee...Só você pode me fazer perder a linha...Você é minha primeira…” E como se dado por ponto final, seus lábios estavam sobre os meus novamente. E eu acho que devo tê-lo ouvido dizer ‘e única’. Mas deve ter sido apenas minha imaginação, por que alguém como Scorpius, este Deus encarnado na imagem de um demônio e perdição das mulheres, não poderia estar falando isso a sério.