Poemas ou Travessuras?
12 Capítulo 12: Escorpiões, Beijos e o Club do Slug

Eu reconheceria um produto Weasley a distância, aquele com certeza era uma versão menor do Lago de Pântano que eles tinham usado em seus anos de Hogwarts (o qual um trecho dele ainda jazia imortalizado no castelo )
Porém, era um 'brinquedo' que meu tio não vendia, depois de tantos processos por conta de locais infestados de lodo. O que isso só provava dois fatos: era alguém da família e foi proposital. Só restava saber era para quem foi a brincadeira.
Usamos feitiços de reparação nas xícaras e achei fantástico saber que a tão 'perfeitinha' Libusee não conseguia fazer metade disso. Foi muito bom saber disso, se não fosse o fato de que Albus e Scorpius acharam isso fofo e passaram alguns minutos tentando explicar como fazer o feitiço direito.
Qual era o problema com esses meninos? Se fosse eu com problemas para usar Reparo* eles estariam rindo e me fazendo sentir pior.
Eu me invoquei quando vi que Scorpius estava se aproximando mais e mais dela tentando explicar a pronúncia pausadamente de um outro feitiço. Qualé eles iam acabar se beijando assim. Então avancei entre os dois, o que fez com que Libusee caísse no chão (foi um toque leve e discreto).
Seria perfeito, se Albus não corresse para carregá-la no colo para cima de uma mesa e tocar todo o corpo dela enquanto perguntava se estava dolorido em algum lugar.
Chega!!!Por Merlin e Morgana juntos, essa não era eu... Libusee tira o pior de mim, e o mais abestalhado dos garotas.
"Foi só um tombo Albus, não precisa se aproveitar dela" gesticulei para mostrar meu ponto enquanto ele tocava o tornozelo dela.
"Eu não estou reclamando" Libusee me contrapôs, o que tirou um sorriso de Albus. "Mas ela tem razão, estou bem".
Ouvi Scorpius segurar uma risada e quando virei para encará-lo ele confidenciou.
"Você fica uma graça com ciumes. Mas cuidado, ouvi dizer que faz envelhecer mais cedo"
Toquei meu rosto por impulso, mas ao ver uma careta de Scorpius tive que olhar. E eu acho que essa tarde de limpeza seria o pior da minha vida. Pois Albus estava sentado em cima da mesa, com um dos braços ao redor do ombro dela e tão perto cochichando em seu ouvido que poderiam ter se beijado desse jeito. Libusee soltava risadinhas e olhava de rabo de olho, como que evitando virar o rosto para fazer charme. Conheço essas garotas que fazem isso apenas para ganhar um beijo. Ela era mais baixa do que pensei.
"Não vamos terminar nunca. Porque não param de namorar e ajudem um pouco?"
Isso fez com que Libusee corasse e juro que se Albus soltasse um suspiro por isso eu iria matá-lo. Mas foi ela quem se reestruturou primeiro. Num pulo saiu de cima da mesa.
"Já ficou obvio que sou péssima com feitiços. Então vou transformar os sapos em pedras, que tal você reparar as xícaras, já que parece ótima com isso" Ela virou para Scorpius "tenho certeza que você limpará a lama em segundos."
Alo? Quem foi que a nomeou líder? Não fui eu, mas os dois acataram com tanta facilidade. Albus pareceu perceber que estava fora da limpeza.
"Espera, mas e eu?"
"Você poderia verificar o estado da sala de estoques de Feitiços. E nos dizer o que será preciso para organizá-lo"
Ele pareceu satisfeito com a tarefa, até que..."ficará bem aqui sozinha com ela?"
Eu ia reclamar quando Scorpius adiantou-se para me defender.
"Eu ainda estou aqui. A protegerei"
Espera, o que? Fui me defender quando percebi que os três estavam rindo de mim. Irritada, me concentrei nas xícaras.
♠♠♠
Apesar do início conturbado, nós acabamos nos dividindo para terminar a tarefa mais rápido. Primeiro eu e Albus ficamos em feitiços onde tive que aguentá-lo brigar comigo por ferir os sentimentos de Libusee. Mas nem prestei atenção ao que estava fazendo ou ao sermão. Tudo que tinha na cabeça era como estavam lidando Libusee com Scorpius no armário de poções. Aquele armário era pequeno, para apenas uma pessoa se movimentar.
Mesmo que Scorpius já tenha alguém em seu coração, aquela meia-Veela-de-araque poderia seduzi-lo. Mas pensando por um lado, era horrível para os dois, porque se bem me lembro, na família dos Malfoy também tinham uma veia Veela.
Decidimos fazer estas limpezas separados e a sala de estoque de transfiguração fosse nossa última sala. Só não gostei de ter que ficar com meu primo. Pelo menos todos já achavam que Scorpius era meu namorado mesmo.
Chegamos na sala de Transfiguração primeiro e ficamos esperando os dois chegarem. Scorpius vinha um pouco afastado de Libusee, mas eu o conhecia. Ele olhava para ela de rabo de olho, sorria e quando os olhares se encontravam ele sacudia o rosto e endireitava o ombro. Um gesto típico dele de quando estava encabulado. O que raios tinha acontecido naquela sala de poções?
E um embrulho no estômago que eu estava incerta se devia ao fato de com quem eu estava ou que Scorpius fosse declarar seu eterno amor pela 'mais bela das ravinas'. Ser rejeitada mesmo que por um namorado de mentirinha, seria o fim da minha vida.
Sem esperar mais comentários de liderança de Libusee, ou sermões de Albus ou os olhares bobos que Scorpius dava para ela, eu fugi para dentro do estoque. Um pouco de serviço iria me fazer bem. O que me espantou foi que em pouco tempo, Libusee estava ao meu lado, usando uma vassoura como faria um trouxa, e em seus lábios havia o pronuncio de paz, como se gostasse do que fazia.
"Você sempre pode enfeitiçar a vassoura"
Libusee olhou para mim como se não tivesse percebido onde estava. Apertou a vassoura em suas mãos.
"Eu não me incomodo. Vivo próximo a trouxas e já me acostumei"
"Meus avós são trouxas também. Mas adoram que eu ajude usando magia" escapou de meus lábios, quando percebi que tínhamos algo... similar.
Libusee riu. Um barulho de uma caixa caindo nos fez virar. Os dois sonserinos nos olhavam como se fossemos trolls e estávamos na frente da única saída da sala. A caixa em questão que fez barulho estava nos pés de Albus e ele tinha a boca aberta.
"Elas não estão se matando. Isso é..." Albus levou a mão ao coração.
"...um milagre" completou Scorpius.
Joguei a almofada em minhas mãos ao mesmo tempo em que Libusee dava uma vassourada nos pés de Scorpius.
Certo, ela não era de todo um ruim... quase não.
Acho que depois disso foi fácil aguentar sua presença no mesmo cômodo, com exceção de quando Albus a agarrava ou Scorpius vinha em seu resgate. Nós estávamos quase acabando de arrumar, quando Libusee tentou subir numa escadinha para pegar uma caixa no alto da prateleira. Eu quis argumentar com ela, afinal tinha dois gigantes atrás de nós que poderiam fazer esse trabalho. Não deu tempo de falar para ela. A escada bambeou quando ela estava com a caixa na mão e descendo. Ela tropeçou e caiu. A caixa em sua mão pulou e caiu aberta em cima de nós. Levou um segundo para perceber que sobre nós estavam escorpiões. Eles estavam andando com suas patinhas em cima do meu corpo. Eu olhei para o lado e percebi que Scorpius e Albus vinham em nossa direção. Foi a última coisa que vi, pois tudo que lembrava era de olhar para aquelas coisas assustadoras vindo na direção do meu rosto. Não sei como eles não me picaram, de tanto que sentia meu corpo tremer. Fechei os olhos e deixei de reconhecer tudo, ouvia vozes, mas não sabia a quem pertenciam... devia ser dos escorpiões.
"Ajude-a" acho que essa pessoa estava tocando minha testa. "Ela não parece estar respirando"
"É como você com o voo"
“Voo?”
Eu estava morrendo e eles estavam falando de voar? Acho que faz sentido, se eu morrer não andarei mais, só planarei. As mãos sumiram, mas ainda sentia as agulhadas. Os escorpiões me picavam, sentia seu veneno correndo em minhas veias. Eu era jovem demais para morrer. Ainda não tinha experimentado a vida, eu nem tinha beijado antes. E pensei que talvez a Murta iria ganhar uma companheira de quarto (banheiro).
"Cuidado para não os deixar agitados"
"Poderíamos transformá-los antes de remover."
Silêncio.
A morte era assim?
Senti mãos sobre meu rosto e sentia que algo escorria pela minha bochecha. Então meu rosto inteiro estava formigando. Provavelmente um escorpião subiu no rosto. Eles iriam me picar no rosto e meu caixão deveria ser fechado. Ninguém veria meu rosto uma última vez.
"Ela está em choque"
E foi quando senti algo forçando entrada em minha boca. Era suave como veludo, passando por meus lábios. Uma fruta? Um tecido? Não era um escorpião, era alguém. Alguém estava me beijando. Suspirei e senti a língua em minha boca, mãos apertavam meu ombro, como que não me permitindo partir desse mundo. Logo eu estava correspondendo o beijo. Era fantástico, caloroso e parecia tão querido, como se colocasse todo um desejo de anos naquela guerra de lábios e língua. O beijo parou e senti ar quente sob meu rosto. As mãos sumiram e não havia mais beijo ou toques. O mundo estava silencioso, mas eu percebi que agora eu podia me movimentar e não havia nada sobre meu corpo.
Abri meus olhos e me deparei com Scorpius ajoelhado próximo a mim. Senti meu rosto queimar. Foi ele quem me beijou? Oh! Aparentemente nós empatamos. Meu rosto deve ter mudado de branco para vermelho em segundos.
"Foi..." Eu não conseguia perguntar. "Você... Não... É.. Não pode contar para ninguém, é que..."
Scorpius mordeu o lábio e meus olhos seguiram seu movimento. Foi essa boca que estava sobre a minha. Não só a boca, claro. Senti meu rosto esquentar mais. Ele acenou com o rosto, provavelmente não conseguindo falar como eu.
Foi quando percebi que estava deitada no chão e havia outro par de pés próximo a nós. Fomos vistos nos beijando? Quando me ajeitei para olhar, vi Libusee com os olhos cheios de lágrimas e as mãos na boca, escondendo-a, parecendo horrorizada. Ela sacudia a cabeça, em negação ao que tinha visto. Eu ia brigar com Libusee pela sua reação, quando Scorpius virou-se para ver o que eu olhava. E foi quando eles se olharam, que Libusee saiu correndo chorando.
Tudo foi tão rápido, mas passou como em câmera lenta para mim. No primeiro instante Scorpius congelou no lugar, em seguida num levantar e correr ao mesmo tempo, saiu tropeçando gritando o nome dela. Chamando-a por Campbell claro, ele não tem intimidade o suficiente para... Scorpius a puxou para seus braços, encaixando-a contra seu corpo e a apertando para que ela não fugisse. Libusee parecia convulsionar enquanto chorava.
Eu não deveria sentir ciúmes, afinal, Scorpius tinha ME beijado e não ela. Então porque eu sentia-me como uma mera expectadora, enquanto ele a consolava. Ele beijava o topo do cabelo dela, enquanto suas mãos deslizavam pelas costas dela. E pareceu...certo.
Onde estava Albus?
♠♠♠
O Clube do Slug. O famoso clube onde o Professor Slughorn escolhia apenas seletos alunos. Ele tentava nesses jantares e reuniões misturar os alunos. Até hoje, eu sempre via que Libusee mantinha sua pose distante de todos, e quando o professor Slughorn tentava levar alguém para interagir com ela, acabava por realçar suas qualidades, o que ajudava para que a maioria das alunas se afastasse.
No Clube ele as vezes chamava seus antigos alunos. Houve uma vez que ele convidou um tal de Córmaco McLaggen, que se consagrou um dos melhores goleiros de quadribol do ano de 2015. Aparentemente ele parecia um belo homem, mas quando abria a boca para falar, era grosseiro e desrespeitoso. Obviamente longe dos ouvidos do professor Slug. Estava fazendo o possível para me afastar, até que algum infeliz comentou sobre de quem sou filha. O sorriso de McLaggen trouxe-me arrepios. Ele riu na minha frente e quando aparentemente ninguém parecia prestrar atenção em nós ele confidenciou que já tinha saído com minha mãe, e que tinha sido fantastico. Pela primeira vez na vida talvez eu fiquei sem reação. Porém, Libusee estava perto e adiantou-se à minha frente, cruzou os braços, ergueu o queixo e olhou para McLaggen com autoridade.
“Não é adequado fazer comentários como esses, Sr. McLaggen. Acho que veio aqui falar sobre quadribol, não? ”
Vi como ele ficou sem graça, pediu desculpas e se afastou. E antes que eu pudesse falar qualquer coisa, Libusee acenou com um menear de cabeça e voltou para onde estava, brincando com as flores do vaso em cima da lareira.
Se eu pensasse bem, ela não era de todo um ruim.
Por isso, hoje era um jantar MUITO interessante para o professor. Pois diferente dos outros jantares, Libusee estava conosco ao redor da lareira. Eram quatro poltronas em semicírculo e havia uma mesinha com vários doces. Não conversávamos muito, pois o que tinha acontecido recentemente parecia um choque entre nós. E provável que ela tentando disfarçar, tentou dizer que poderíamos descobrir quem tinha aprontado conosco, e consequentemente, aprontar com o(s) responsável(is). O que me chamou a atenção para essa veia vingativa dela. O professor veio se juntar a nós e depois de muita conversa sem sentido partiu, não antes de falar que com a chegada do Natal deveríamos verificar se íamos ficar no castelo ou voltar para casa. E liberou o fogo de sua lareira para que chamássemos nossos pais.
Albus e eu sabíamos que a volta para casa era obrigatória, então dispensamos o uso para Libusee e Scorpius. Eu sabia que Scorpius também iria voltar para casa, e quando Libusee ia comentar onde ficaria um crepitar na lareira nos chamou a atenção. Vi Scorpius ficar branco, e sem olhar já sabia. Seus pais.
“Pipinho querido. Ah! Aí está você. O professor Slughorn disse que providenciaria comunicação. Estou morrendo de saudades. Não vejo a hora de você voltar para casa” Astoria Malfoy era o exemplo de mãe carinhosa. As vezes até demais. Ela nem percebeu que estávamos ao redor, ou se sim, fez pouco caso de chamar o filho pelo apelido. “Olá queridos, que bom vê-lo com amigos. Não foi à toa que ficou pelo colégio da última vez. ”
A imagem de um homem apareceu ao lado de Astoria. Draco Malfoy era a cara da beleza sem qualquer tipo de expressão no rosto. Algo tremeu em sua imagem, mas desconfio que não foi o fogo, pois ao ver o filho, seu olhar mudou.
“Que orgulho. Fiquei sabendo de histórias que é um verdadeiro garanhão. É assim mesmo que deve ser, aproveitar a escola e as garotas” O tom de voz brincalhão não condizia com seu semblante ou aspecto (das roupas). Era confuso, e minha confusão foi espelhada no rosto de todos ao redor da lareira.
Astoria deu um tapa no ombro do marido, o que fez Draco encolher os ombros e finalmente olhar para a esposa. De uma coisa era certa, eles se amavam.
“Que foi? Ele precisa ganhar experiência”
“Nem me fala de experiências. Suas primas, AQUELAS, as francesas, virão para o Natal esse ano, e aparentemente ouviram essas histórias também” Astoria parecia aflita, e percebi que se tratavam da veia vella da família. Elas pareciam ser em sua maioria francesas. “E sabe que elas são curiosas e estão loucas para ouvir e comprovar esses...rumores.”
O sorriso da mãe dele foi sem humor algum, mas percebi que o pai de Scorpius estava ansioso. E tal comentário foi seguido de um pulo de Albus que se ajoelhou diante da lareira.
“Posso passar o Natal com vocês? ”
Albus + meia-Veelas + Scorpius? Nem ferrando. Puxei Albus pela orelha. Astoria sorriu com nossa interação e virou-se para o filho.
“Entre em contato conosco Pipinho. Se você vier esse ano, posso fazer sua torta de limão com chocolate favorita. Que me diz?”
Até então Scorpius pareceu no automático. Apenas concordou com um aceno e seus pais se despediram. Quando a imagem sumiu, Libusee olhava com piedade para ele. Afinal, Scorpius era uma imagem viril, mais parecia um adulto com todo seu porte e comportamento. Mas pais podem ser… pais.
E claro, tão logo a imagem dos Malfoy sumiu, Albus não perdeu oportunidade de irritá-lo.
“Quanto drama Pipinho. Por que não voltou ano passado para o Natal? ” Albus sorria maliciosamente para um encolhido Malfoy “Está tudo bem Pipinho?”
“Só me mate. Só.Me.Mate” Scorpius esfregou o rosto com ambas as mãos. “Ou quem sabe podemos mudar de pais?”
Vi ali minha oportunidade. Quem sabe...e se…
“Por que não vem para o Natal com a gente? Sempre tem muita gente e sempre aparece alguém de última hora mesmo.”
“O que??” Albus e Scorpius falaram e pularam ao mesmo tempo.
E se nesse Natal, nós pudéssemos nos beijar de novo?
Os dois já haviam começado a discutir, quando eu finalmente olhei para Libusee. Ela tinha estado quieta o tempo inteiro, e ainda olhava para o fogo. Como se percebesse que a olhava, ela se virou para mim.
E foi quando vi que ela chorava.
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