Notas iniciais
Essa fanfic é uma série de "primeira vezes". Foi a primeira vez que escrevi algo sobre SDPM e a primeira vez com esse ship também. Mas o mais importante é que foi meu primeiro RP. Tenho muito carinho por essa one-shot, não só por ser meu filme favorito, mas por ter sido algo especial que compartilhei com um amiga. Por isso que gostem e aproveitem a leitura! (LittleHobbit)

Na primavera não havia nada mais belo do que as flores que decoravam os jardins da escola preparatória de Welton. Aquela beleza toda era inspiradora para se recitar poesias no meio do gramado sob a temperatura amena do sol.

Neil Perry suspirou apaixonado, como um poeta perdido em devaneios e levantou da cama mais cedo do que o habitual. Todd, que tinha o costume de levantar cedo todos os dias, observou o moreno com olhos tímidos, enquanto adiantava os deveres da próxima semana.
Mesmo que fosse final de semana, o loiro preferia deixar as coisas prontas com
a maior antecedência possível.

─ Hey, Anderson! — aproximou-se da cama do outro sem cerimônia. ─ O que vai fazer o dia inteiro?

─ Preciso terminar os deveres de química — respondeu, olhando brevemente no rosto do outro jovem. ─ Ah, e os de latim também.

Neil jogou o cabelo dramaticamente para o lado.

─ Bobagem! Terminei o meu ontem! — ele disse com um sorriso travesso. Sabia que havia exagerado o próprio desempenho, só para convencer o colega de quarto a abandonar a tarefa.

─ Isso não é justo! — o loiro disse com um meio sorriso atrapalhado. ─ Você é mais inteligente do que eu, de qualquer forma.

Todd tentou não demonstrar o quanto ficou interessado em deixar suas lições de lado para fazer companhia com o outro.

─ Se quiser sair por uma meia hora desse quarto sufocante, eu poderei ajudá-lo com os deveres de latim! Carpe diem! — gritou, entusiasmado, a última frase.

Todd deixou-se sorrir, maravilhado pelo ar juvenil do garoto à sua frente. Neil
parecia sempre vivo, enquanto o loiro parecia um velho rabugento.

─ Acho que não tem problema deixar os deveres pra depois. ─ disse, em um tom não muito convicto. Embora adorasse a ideia de receber a ajuda de Neil, precisava reconhecer que não conseguiria ficar mais tempo dentro daquele quarto, enquanto o dia estava tão bonito lá fora.

─ Viu como o dia está belo? — perguntou sorrindo, invadindo o espaço pessoal do loiro, colocando ambas as mãos em seus ombros. ─ Vi tanta beleza e me lembrei de você... — disse, inocentemente. Ao ver as bochechas do outro corar, retirou as mãos dele, emendando: ─ Pensei que gostaria de sair, pois gosta das coisas belas da natureza, não é?

Todd quase não aguentou conter o coração dentro do peito, tão forte que estava batendo contra suas costelas. Sabia que as palavras do outro não tinham essa intenção, mas sua voz e seu rosto tão próximo do seu... Não podia controlar essas reações.

─ Sim... — respondeu com um tom muito mais baixo do que pretendia. ─ Adoraria sair…

─ Não percamos tempo, então! Vai que você desiste... a propósito, quer chamar alguém para ler uns poemas?

─ Podemos chamar o Charlie ou Knox, se quiser… — disse tentando lembrar quem estaria livre no momento. ─ Mas sabe que eu não leio poemas.

─ Oh, eu sei. E pretendo mudar isso em breve... — sussurrou tão baixo que mal deu para entender ─ Falei com eles, mas ninguém quis me acompanhar, Overstreet estava com dor de dente e ao menos me respondeu, quanto mais ler poemas... e Charlie riu da minha cara.

─ Seremos só nós dois então? — perguntou, em um tom inocente e sincero.

─ Se não se incomodar, Mr. Keating ficaria orgulhoso se soubesse de nós. — baixou a cabeça, pensativo, como se seus pensamentos tivessem escapado.

─ Soubesse de nós? ─ questionou confuso. Não que não entendesse a dualidade que a frase transmitia.

─ Do gosto por poesia fora das aulas dele, enquanto os outros garotos têm mais o que
fazer! Mas, sem enrolação! E se vista com algo mais leve e não tão burguês! — disse dando uma gargalhada jovial.

─ Não fale como se você fosse muito diferente. — zombou com um sorriso, mas levantou, a procura de uma de suas bermudas.

─ Acho que uma camiseta polo e calça de moletom servem. Me veio uma inspiração esses dias, do nada, e de repente... BAM! ─ assustou o loiro que estava de costas. ─ Escrevi dois poemas! Gostaria de compartilhá-los com você.

─ Adoraria os escutar. ─ sorriu diante da expressão iluminada do moreno. ─ Apenas
deixe-me trocar essas roupas.

─ Oh, certo... Devo sair? Como se nunca tivesse visto sem camisa ou de cuecas… — sorriu de canto, revirando os olhos em seguida, fechando a porta ─ Te espero aqui fora.

Todd franziu as sobrancelhas, enquanto se perguntava porque insinuara que Neil deveria deixá-lo sozinho, afinal, todos tomavam banho no mesmo banheiro. Suspirou e desistiu de pensar quando escutou a voz do moreno o apressando do lado de fora. Trocou-se e abriu a porta do quarto, dando de cara com o rosto sorridente do moreno.

─ Estou pronto.

─ Vamos! — puxou o jovem pelo cotovelo, triunfante ─ Essa toalha é da minha mãe, eu
peguei dela fim de semana passado para usar aqui no gramado, ha ha! ─ Percebeu que havia confessado aquela atitude ser premeditada.

Todd sentiu a pele onde o moreno tocava aquecer e permitiu-se sorrir quando percebeu que Neil estava esperando um momento para que pudessem ficar juntos. Juntos? Ele podia querer ficar com todos, não havia motivo para achar que Neil queria apenas a sua companhia em particular.

Isso não fez com que seu coração batesse mais devagar.

─ Oh! Que tarde agradável me proporciona com teu doce aroma — olhou com olhos apaixonados para Todd ─ Oh! Mãe Natureza! ─ emendou com um sorriso maroto.

Todd engoliu em seco, se sentindo desconfortável com a dualidade das palavras de Neil. A mão do moreno ainda estava em seu ombro e Todd podia sentir as bochechas vermelhas, mesmo sob o sol suave.

─ O-onde vamos ficar? ─ perguntou, amaldiçoando a si mesmo por gaguejar de forma tão patética.

─ Onde preferir! Acho que evitarei um pouco o sol, senão fico com dor de cabeça e pretendo ler. "Não tem olhos solares, meu amor; Mais rubro que seus lábios é o coral", reconhece?

Todd cerrou os olhos tentando se lembrar de onde poderia ser aquela linda citação, mas não veio nada em sua mente. Um constrangimento incômodo subiu até suas bochechas e ele se desculpou com Mr. Keating de forma muda. ─ Não, desculpe ─ disse, envergonhado. ─ Podemos ficar sob a macieira, o que acha?

E esperou que Neil dissesse de onde vinha aquela citação tão bonita.

─ Isso é um insulto! Soneto 130 de Shakespeare, meu caro. ─ Todd rolou os olhos, levemente aborrecido, mesmo com o constrangimento. Suprimiu a parte sobre falar de uma mulher no poema. Intencionalmente ou não, isso não era da conta de Anderson.

─ Você sabe bem que meus conhecimentos com poesia são escassos. Não é minha
culpa que você tenha alma de poeta.

─ Alma de tolo apaixonado, você representa a razão ou a paixão medrosa, suprimida.

─ Oh, muito obrigado — zombou com um sorriso. ─ Podemos nos acomodar sob a macieira,
então?

─ Podemos, claro. A gargalhada é o sol que varre o inverno do rosto humano, como dizia Victor Hugo. — Observou, enquanto Neil abria a toalha sobre a grama muito verde dos terrenos da academia. Não conseguiu segurar as palavras na língua:

─ Você fica lindo quando fala... ─ sua voz saiu baixa, mas audível. Todd arregalou os olhos pra si mesmo quando notara o que dissera. ─ N-não, eu não… — Neil ligeiramente se inclinou com o comentário e ficou assustado com o pânico do garoto.

─ Hey, calma, eu não me ofendi. Achar lindo o fato de citar poesias, reflete alguém muito sensível. ─ Ajoelhou-se, sentado apoiado sobre as pernas para observar o embaraço a troco de nada do loiro, o admirando como quem vê uma obra de arte no museu do Louvre.

Todd sentia vontade de se enterrar na terra, ou de correr o mais longe possível, mas ficou ali, em pé, sem nem ao menos dar um passo em direção à toalha estendida no chão. Não entendia o porquê do próprio receio e ficou com medo de descobrir. Suas mãos suavam um pouco e ele estava realmente envergonhado com a intensidade do olhar do moreno.

─ Pare de raciocinar, vejo suas engrenagens se movendo. Somos amigos, não é? — Disse, levantando e ficando frente a frente com Todd ─ Venha se sentar, ou vai ficar sem sentido eu ter trazido uma toalha.

─ Certo, desculpe. — disse, forçando-se a olhar nos olhos castanhos de Neil. ─ Você está certo. Seguiu o moreno e sentou-se sobre a toalha.

─ Agora se me permite.... tenho uma poesia de autoria própria para recitar... — disse tossindo exageradamente, mas em parte era ansiedade e vergonha.

Todd prendeu a respiração e acenou afirmativamente com a cabeça loira, ansioso para escutar Neil recitando um poema de sua autoria.

Enamorado

─ A primeira vez em que o vi,

Contemplando a luz do luar,

Timidamente sorri,

Esperando vir me encontrar.

Passaram-se vários dias,

Com esse meu desejo,

Essa agonia toda vez que o vejo

*Respirou fundo olhando para a

frente e prosseguiu*

Encontrá-lo é o que almejo,

Nem ao menos sei o seu nome,

O meu sonho é um beijo.

Mas você sempre some!

Chamá-lo-ei de amor, anjo meu.

Ilusão minha que não se perdeu.

O moreno inclinou-se como se tivesse acabado de interpretar um papel e esperasse os aplausos da plateia.

Todd sentiu seu coração pulsar. Sua boca entreaberta, de pura surpresa, procurava por ar de forma lenta. Sua pele formigava e ele não conseguia encontrar palavras para descrever o que sentia. Olhou a cabeleira de Neil e, como se não agisse por si próprio, segurou o queixo do outro com delicadeza, para que pudesse encarar os olhos dele.

─ Foi maravilhoso — disse, timidamente interrompendo o pouco contato entre suas peles ─ Obrigado por me mostrar…

─ Obrigado, muito gentil de sua parte... — As palavras saíram meio bêbadas e errantes da boca de Neil, sua atenção voltada para os lábios rosados e entreabertos do loiro e na sensação agoniante dos dedos delicados em seu queixo, agora um fantasma de contato. ─ O prazer foi inteiramente meu...

Todd engoliu em seco mais uma vez, sacudindo a cabeça de maneira aleatória. Os olhos
cerrados e a respiração entrecortando em sua boca. Sentia o rosto muito quente, o coração bombeando contra sua garganta de maneira insuportável.

Neil percebeu o desconforto deste e recuou com sua presença magnética.

─ Espero que esteja tudo bem, acho que não lerei outro poema que fiz para voc... -Neil se interrompeu e ficou perdido em sua tagarelice, cobrindo o rosto com as mãos.

Todd quase não pode se conter ante aquele gesto envergonhado. Sorriu com o canto dos lábios ante a doçura da descoberta que Neil Perry também podia ficar sem graça. Respirou o mais fundo que conseguiu e segurou um dos braços do moreno, puxando-o para baixo de maneira suave.

─ V-vou adorar escutá-lo! — Tentou controlar a gagueira em sua voz, em vão. ─ Mas podemos deixar para outra ocasião, se preferir. Desta vez o loiro não teve forças para separar o contato de suas peles.

Sentia-se eufórico, envergonhado e tão feliz que mal podia conter-se.

A posição de ambos era inocente, mas comprometedora: Todd sentado de pernas abertas e Neil meio ajoelhado inclinado em sua direção com o rosto tão próximo que sentia um leve formigamento, sem saber o porquê.

─ Tudo bem, posso citar em nosso dormitório, da minha cama. — ia baixando o tom de voz gradualmente ─ O que acha?

A pressão nos dedos de Todd aumentou no braço de Neil sem que percebessem. Não
conseguia desviar os olhos claros do rosto de Neil, parecia impossível.

─ Se preferir ─ respondeu num fio de voz.

Ou na sua? Neil não desviou o olhar, foi só um pensamento. Não enunciou as palavras, só concordou acenando com a cabeça.

Todd levantou, esperando que Neil o imitasse para que seguissem até o dormitório.

O vento soprava um pouco forte atingindo o cabelo cheio de Neil, que despreocupadamente
o retirava de sua testa. Engoliu em seco diante da proposta inocente e meiga de Todd, assentindo com a cabeça e pegando a toalha.

Ambos se levantaram do chão morno pelo sol, saindo de debaixo da sombra fresca da
macieira. Todd observou em silêncio enquanto o moreno sacudia a toalha e a colocava por cima do ombro de maneira despreocupada. Ainda sentia o peito apertado de uma felicidade quente quando seguiram de volta para o dormitório que dividiam.

Neil estava sentindo-se estranho, as palmas das mãos suadas, a boca seca, uma sensação de ansiedade. O que não entendia era que isso fosse causado pelo fato de ir para seu dormitório com seu colega. Não devia haver nada de extraordinário, mas a situação era diferente.

O caminho pelas escadas longas parecia infinito de uma forma dolorosa. Todd
estava mais do que ansioso por escutar o poema que Neil havia feito para si.
Uma coisa feita para si. Aquilo parecia impossível de centenas de formas
diferentes. Por que Neil Perry faria um poema para si? Um loirinho tímido e sem
graça que nem ler uma meia dúzia de palavras em público conseguia? Parecia
surreal. Um sonho ou até mesmo um dos sonetos doces que Mr. Keating gostava de
recitar em suas aulas.

─ Verdade...? Acho que se você se decidisse a me acompanhar e fizer um poema só para mim. -seus olhos revelavam sinceridade entre o embaraço e a súplica — Você promete que ao menos tentará? ─ olhava no fundo dos olhos azuis enquanto falava aos sussurros.

O ar faltou em seus pulmões assim que as primeiras palavras foram formadas nos lábios de Neil. Ele? Escrevendo um poema? Ambos sabiam o que havia acontecido quando tentara da primeira vez. Que fora preciso quase uma dança para que aquelas palavras sufocantes fossem arrancadas de sua garganta. Fora incrível, mas assustador e Todd não sabia se conseguiria fazer isso de novo. Sentiu uma vontade absurda de dizer não, mas fitar aqueles olhos escuros e profundos o deixou sem fala. Sem forças pra recusar alguma coisa. Engoliu em seco e balançou a cabeça numa afirmativa lenta, sem coragem de pronunciar alguma palavra, pois sabia que iria gaguejar de forma patética.

─ Perfeito — Neil sorriu largamente deixando à amostra os dentes brancos. Abriu a porta, deixando Todd passar a frente. ─ Aonde quer ficar? Acomodar-se em sua cama?

─ Claro ─ respondeu com um sorriso pequeno. Todd caminhou sem pressa até a sua cama bem arrumada. Sem voltar os olhos para o moreno. Acomodou-se sobre os lençóis finos, encostando as costas na parede ao lado da cama.

Perry por sua vez retirou a toalha de seus ombros colocando as mãos nos quadris e colocando uma mão na têmpora como que se encenasse que tentava se lembrar do poema, permaneceu de pé.

Os dois outros, o ar leve e o fogo ardente, Estão contigo aonde quer que eu me encontre; O primeiro, meu pensamento, o outro, meu desejo, Entre a presença e a ausência, deslizam furtivamente; Pois quando se vão estes rápidos elementos A prestar-te os doces louvores do amor, Minha vida, feita de quatro, com dois apenas. Fenece e morre, subjugada pela melancolia; Até que a composição da vida seja sanada Por teus lépidos mensageiros, Que somente agora retornam, afiançando Teu bem-estar, deixando-me em sossego. Assim, me regozijo; porém, insatisfeito, Rechaço-os, e torno-me ainda mais infeliz.

Suspirou, olhando para baixo, corando, mas com um sorriso pairando em seus lábios.

Todd permaneceu parado por alguns segundos. As costas completamente eretas coladas contra a parede fria. Seu peito estava quente, parecia quase que seu coração pegava fogo dentro de si. Tudo mais em si também parecia queimar ante as palavras do moreno. A forma como ele falava... As palavras fluíam como água pura na nascente. Seu rosto parecia tão leve e suave, o acalmava. Tudo fora perfeito, mas o que fazia com que cada pedaço de seu ser se agitasse, era o fato de aquelas palavras foram direcionadas para si. Só pra si. ─ Obrigado ─ e antes que pudesse perceber, sua voz estava embargada com uma emoção pura e dolorida. ─ Muito obrigado, Neil.

Baixou os olhos para os próprios joelhos, com vergonha da forma como ficara emocionado com aquelas palavras. Não sabia mais o que dizer além de "obrigado".

Não agradeça a minha pessoa, agradeça a Shakespeare... ─ Neil sorriu diante do que fizera e porque não esperava essa reação emocionada do amigo.

Inicialmente era para ser uma brincadeira, com um soneto escolhido a dedo, pensando em Todd e no que despertava nele e mais como um
teste para saber se ele reconheceria, obviamente não. Ainda não havia chegado o momento de ler alguma coisa patética criada por sua mente.

Todd piscou os olhos para Neil, lutando para compreender o que o moreno lhe dissera. Bem, parecia óbvio agora.

Apertou o tecido da blusa ante o peito e respirou fundo, o mais sutil que conseguia ser. Sorriu e não disse nada. Apenas esperou que Neil continuasse a conversa normalmente.

Desculpe-me por eu não ter a genialidade de criar algo profundo como isso. Fico com uma felicidade culpada por você ter gostado. Não sou digno de sua admiração. — sua voz agora era triste e mais baixa.

Todd o olhou e simplesmente não conseguiu se conter. Levantou-se da cama e caminhou até perto do moreno. ─ V-você estava pensando em algo quando escolheu esse poema? — perguntou sem conseguir conter o tremor leve na voz. ─ Ou só pensou em um poema aleatória para recitar? E o loiro esperava que Neil respondesse diretamente.

O que você acha disso?! Os poemas não se tratam apenas sobre amor, há diversos autores e temas e eu escolhi logo um dos mais famosos poetas apaixonados... Para recitar o Soneto 45 aleatoriamente? — as palavras saíam intensas de sua boca.

Todd sentiu os olhos arderem de repente, mas piscou os cílios segurando as lágrimas. Prendeu a respiração na garganta perdendo-se nos olhos do mais alto. ─ A-acho que isso basta pra mim — sorriu sem graça. ─ Eu... Quer dizer... Obrigado...

Neil piscou confuso diante das lágrimas deste, estendeu a mão e muito levemente com medo de ser rejeitado com os dedos limpou um fantasma de lágrima em seu rosto.

─ O que eu disse de errado? Está chateado comigo? ─ perguntou com tristeza.

Ele era tão confuso. Todd queria poder saber o que o moreno pensava. Ele estava se sentindo uma bagunça por dentro e não sabia o porquê de tudo aquilo. ─ Não... Eu não — Todd tentou segurar a vontade de tocá-lo, mas não pode, levando os dedos até a mão quente que lhe tocava o rosto. ─ Desculpe, eu não sei por que estou agindo como um idiota... — Riu de forma fraca.

─ Você não é idiota... É uma pena que nem todos reconheçam o rapaz maravilhoso que você é, sua doçura... — acariciava muito levemente o rosto do loiro, naquele fio tênue de contato. ─ Acho que nem quer que eu recite o que fiz na minha inspiração repentina, você sentiu a mensagem do poema genuinamente e que mesmo após tantos anos se mantém vivo e agora foi recontado sob a minha perspectiva.

Todd foi levado pela carícia leve em sua pele, fechando os olhos e sentindo sua nuca arrepiar. Era isso. Ele podia sentir tudo aquilo na voz do outro. A doçura, a suavidade, o sentimento morno... Tinha medo de dizer algo e quebrar a sensação.

Essa não havia sido a ideia a princípio. Aquilo significava que Todd correspondia a seus sentimentos mais do que platônicos? O considerava como um amigo que se queria cuidar e amar além de querer poder tocá-lo e beijar seus lábios vermelhos e macios?

Entreabriu os lábios e permitiu que um suspiro pesado escapasse por eles. Era bom ter Neil assim. Perto. Estava satisfeito por ter aquilo, apenas o toque singelo em sua bochecha, mesmo que seus hormônios de adolescente gritassem por mais. Sorriu sem graça com o pensamento, mesmo com os olhos fechados.

Neil sabia que toda a sua convicção virara pó com essa confissão de sentimentos crus ainda que não tivesse dito com todas as letras que Todd era objeto de sua afeição, este havia entendido o recado e ele estava feliz por isso. Encostou a testa na dele e respirou o ar que vinha da boca do outro.

Todd estremeceu com o contato e abriu os olhos para ver o olhar intenso de Neil sobre si. Sorriu, como um tolo, mas não se importou. Procurou as mãos macias do mais alto e, mesmo que o gesto o constrangesse, apertou os dedos longos contra os seus. Estavam sozinhos ali. Perdidos no próprio mundo.

Ainda bem que para segurança dos dois a porta estava trancada. Não que fizessem algo de errado, mas as pessoas falam, imaginam ou mesmo inventam coisas ainda mais quando resultam em suspensão, penalidades ou expulsão. O moreno queria ficar ali sem se importar com os colegas intrometidos (mentira sobre o dente doendo de Knox, sentia-se tão tolo por querer aquele tempo com Anderson).

Era um deleite a forma que o loiro correspondia a seus pequenos gestos. Estavam sentados na cama de Neil, muito próximos e não podia desviar do olhar meigo e perdido em pensamentos de Todd. Significava alguma coisa? Era uma permissão para alguma inciativa que teria que tomar?

Todd não pensava em nada de especial. Estava apenas perdido na felicidade que sentia e nos olhos brilhantes de Neil e foi por impulso que mexeu a cabeça levemente, fazendo com que sua testa roçasse na do mais alto de forma suave, em busca de um pouco mais de contato.

Esse gesto fez com que o moreno fechasse os olhos como um gatinho acariciado. Parecia um sonho, surreal, já que esperava algo como Todd sair correndo e nunca mais querer vê-lo. Com um pouco de ousadia roçou os lábios na bochecha do loiro, sorrindo com a própria atitude.

Todd sentiu algo dentro de si estremecer. Nenhuma consequência passava por sua cabeça. Nada do que seus pais diriam sobre aquela intimidade com o moreno o atingia no momento. Tudo parecia certo. Natural. Ofegou um pouco com o toque dos lábios de Neil e permaneceu parado, ansioso.

Neil ansiava por mais, mas conhecia bem o outro, suficiente para saber que ele não era de tomar atitude e que essa era sua oportunidade de ouro. Com toda delicadeza possível, o moreno não podia evitar a respiração pesada que o fazia respirar pela boca. Aquela sensação de agonia deliciosa que agora bebera na fonte.

Inclinou o alvo de seus beijos suaves, sem exercer pressão na pele do outro e movendo lentamente para o canto de sua boca.

Todd não pode engolir um pequeno gemido. Foi baixo, nervoso, quase estrangulado. Levou uma das mãos até o tecido do joelho da calça de Neil, mantendo a calma.

Antes de qualquer avanço, Neil pegou a mão do rapaz e a beijou no dorso como se o acalmasse e pedisse permissão para o próximo ato.

Todd sorriu, levando a mãe antes beijada até a bochecha do mais alto. Ele queria que Neil o tocasse.

Neil sorriu de felicidade e sem dizer palavra tocou nos cabelos loiros tão belos e segurando firme, mas ao mesmo tempo delicadamente em seu queixo o trouxe para encontrar seus lábios em um beijo apaixonado, talvez o primeiro de Todd.

Todd foi levado pela necessidade de segurar-se em algum lugar, acomodando suas mãos nos ombros de Neil, enquanto inclinava a cabeça levemente para o lado. Não tinha certeza como deveria fazer isso, mas estava se sentindo tão bem que apenas deixou que o momento corresse. Seu peito estava cheio com um sentimento quente e confortável. Parecia impossível, mas ali estava ele, sentindo os lábios macios do moreno contra os seus.

Beijar um garoto estava longe de ser algo esquisito desde que fosse Todd. Sabia que teria que reunir muita força de vontade em seus tenros anos e hormônios agitados. Seus pais ficariam horrorizados se soubessem, seria natural uma garota que ele quase não tinha nenhuma experiência.

As respirações se misturavam e ficavam mais necessitadas, ele não sabia se era um. Bom momento de um beijo mais íntimo, isto é, mais profundo e por sua vez com apelo sexual.

Todd permitiu ser levado pelas próprias vontades e, abrindo um pouco a boca na procura de ar, deixou que a ponta de sua língua encostasse levemente contra o lábio inferior de Neil.

Não sabia se havia feita a coisa certa, mas decidiu, pela primeira vez, deixar seus receios de lado e apenas sentir o que apenas Neil podia lhe proporcionar.

Neil agradeceu mentalmente por Todd ler seus pensamentos. Foi muito bem vindo a língua quente em seus lábios que lhe rendeu arrepios e borboletas no estômago.

O puxou pela nuca e aprofundou o beijo, envolvendo com a própria língua e fazendo com todo cuidado para não assustar seu doce amado.
Era tão boa aquela sensação, ele queria mais contato, que não fosse um sonho de adolescente.

Todd sentiu todo o seu corpo estremecer. O toque em sua nuca, a língua molhada na sua, era tudo tão bom, tudo tão real. O loiro tentou acompanhar o movimento de Neil sobre si, um tanto atrapalhado. Envolveu o pescoço do moreno com os braços, num abraço tímido e cheio de carinho.

Neil tinha certo receio de não saber o que fazer e estragar tudo. Queria que o relógio parasse de atormentá-los e nem sabia que horas deveriam ser... Mas não se importava quanto a isso, sentia o carinho de Todd e tentava dar o dobro com carícias em seu cabelo.

Todd sentiu o ar faltar em seus pulmões e afastou a cabeça para longe de Neil de maneira suave, sorrindo tanto que seus lábios doeram. Sem tirar os braços de sobre o mais alto.

Neil por um segundo pensou ter feito alguma besteira, mas sorriu de volta com a expressão de Todd para si.

─ A poesia é mágica, nos liberta. — sorriu simplesmente feliz, enquanto continuava a afagar seus cabelos.

Todd sentiu uma onda de carinho tão grande pelo garoto a sua frente que não pensou duas vezes antes de abraçá-lo com toda a força que conseguia, como se quisesse enterrá-lo em seu peito. Apoiou o peso do corpo todo contra Neil, sentindo o calor lhe subir dos pés até os cabelos loiros.

O impacto foi tão abrupto que Neil quase caiu de costas o arrastando consigo para a cama, mas deu tempo de ficar meio torto até se ajeitar novamente. Era um abraço mais do que fraternal e menos do que apenas desejo físico, envolvia um amor inocente, descoberto e saboreado sem pressa. Refletia proteção e a mensagem de Neil ao retribuir era "hey, eu estou aqui, sempre que precisar”.

Todd sabia disso. Tinha consciência de que Neil sempre estaria ali pra ele, de uma forma ou de outra, mesmo que essa promessa nunca tenha sido colocada em palavras entre eles. Era algo que ia além de qualquer uma dessas coisas. Como uma poesia que precisa ser escutada com a alma para poder ser compreendida plenamente.

Era a promessa dos dois.

Notas finais
Agradeço a todos que leram esse RP transformado em fanfic que me enche de orgulho e felicidade. Assisti o filme por causa da co-autora e me apaixonei a ponto de o ship Andeperry ganhar vida, sob nossas perspectivas. Curiosidades: eu (Sophie Claire) interpretei Neil e a LittleHobbit o Todd ♥
Finalmente nosso bebê está disponível para todos vocês que já se emocionaram com o filme e aqueles que ainda o verão. Beijos de luz!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!