Poemas de um sonhador

37 O prazer da Morte


Inquieta estava

Alisava e afiava sua foice

Seu corpo já desfalecido, puro esqueleto

Rangia por algo novo

Um simples humano

Que da vida carrega a dor

Que nada o faz feliz

Que quadros de morte, sangue e desgraça

Lhe faz ter prazer

A Morte se sente em uma agonia prazerosa

Um alimento tão delicioso

Se alimentar da dor alheia de um mero humano

Seu corpo, sua mente fraca

Um sentimento triste

É algo maravilhoso para a Morte

O dia chegou, e sua túnica ela vestiu

Mais uma vez se alimentava de varias almas

E sua gloria naquele dia seria ele

O premio

O troféu depois de uma dura batalha

O homem se suicida

Penetra uma faca em seu peito

Sorri enquanto o sangue escorre da fissura em sua pele

Não resiste e acaba fechando os olhos

Seu coração para, sua mão cai da faca

Escorregando sobre o chão

Um rio de sangue

Sente nada lhe tocar

Sente o mundo sumir

Não respira, não expira, não toca, não sente

O mundo jamais existira para ele

Agora só lhe resta a bela imagem nítida

De um esqueleto, com túnica e uma foice

O devorando pedaço a pedaço

Sua vida após a morte chegou ao fim

Foi ruim para ele? Não!

Não foi ruim

Em seus últimos momentos

Tratou morte como um parente intimo

Sua noiva

A sua chefe

A sua... Mãe

Nos últimos momentos ele foi feliz

E Morte?

Ela não liga, agora satisfeita repousa sobre sua cama

Cama tecida por ossos

Com colchão feito de restos de peles

E com a maciez de almas, almas que ela costurou

Deita e dorme, para em um novo dia se apoderar de almas

Engolir elas como água

Matando a sede, como de quem esteve no deserto

A morte é assim

Fria, ruim e dolorosa

Mas que para uns, pode ser a escapatória de uma vida doente e medíocre

A escapatória de um necrotério de porcos